Política estadual e desigualdade: por que alguns estados redistribuem mais do
que outros?
INTRODUÇÃO
Por que alguns países redistribuem mais do que outros? E, internamente, por que
alguns estados redistribuem mais do que outros? Em recente trabalho, Iversen e
Soskice (2006) analisam por que alguns governos democráticos são mais propensos
à redistribuição de renda do que outros. Os autores mostram que sistemas
eleitorais exercem um papel importante porque formatam a natureza dos partidos
políticos e a composição das coalizões governamentais, e as características
desse sistema político-partidário impactam na redistribuição de riquezas. Para
justificar a necessidade de seu estudo os autores começam por mostrar a
variância entre as taxas de redução da pobreza e da desigualdade entre alguns
países democráticos no período analisado. Para a elaboração deste trabalho, tal
como os autores citados, retiro minhas inquietações iniciais da variação da
desigualdade de renda sob uma perspectiva temporal da história brasileira, da
variação da sua magnitude entre os estados brasileiros e de sua variância entre
os estados no que se refere aos seus determinantes. Acredito que as diferentes
histórias políticas dos estados brasileiros formatam a natureza dos partidos e
o nível de competição política nos estados e este sistema político influencia
na implementação de políticas públicas e suas respectivas arenas.
Em geral, a literatura sugere que a desigualdade de renda é determinada pela
heterogeneidade da força de trabalho e concorda que esta é determinada por
fatores tais como idade, sexo, região de residência e, principalmente, pelo
nível educacional (Langoni, 1973; Ramos e Vieira, 2001; Ferreira et al., 2007).
No início deste debate, Fishlow (1972) defendeu a importância das políticas
tanto fiscais e econômicas, quanto sociais e educacionais como determinantes do
aumento da desigualdade naquele momento. Para o autor, o incremento real da
desigualdade foi consequência de escolhas políticas daquele período. É nesta
linha que nosso argumento é construído: ora, se as políticas sociais, entre
elas as educacionais, são determinadas por fatores político-institucionais tais
como ideologia, competição política, legado, restrições e características
institucionais (Castles, 1982; Chhibber e Nooruddin, 2004; Hicks e Swank,
1992), então, é razoável a hipótese de que a desigualdade de renda é, sim,
determinada por fatores políticos, além dos econômicos. Estes, tanto quanto
aqueles, são escolhas governamentais (Bradley et al., 2003; Kenwothy e
Pontusson, 2005; Iversen e Soskice, 2006).
Este trabalho visa analisar o impacto do arcabouço político-institucional dos
estados brasileiros sobre a execução de políticas utilizando-se a desigualdade
de renda como indicador das escolhas de alocações de gastos diferenciados. Ou
seja, será analisado como as características do sistema partidário, dos níveis
de competição político-eleitoral e das políticas prévias (legado), que definem
regras de competição e processos políticos, também no nível estadual, impactam
na distribuição de renda desse mesmo ente federativo.
O primeiro questionamento metodológico ao se querer estudar a desigualdade de
renda utilizando os estados da federação como unidade de análise advém do fato
de que a maior parte das políticas redistributivas ou das políticas econômicas
que afetam diretamente o mercado de trabalho são de responsabilidade do governo
federal e, portanto, os estados não teriam ingerência no escopo da arena
redistributiva. A resposta para isto é uma outra pergunta: se a redistribuição
de renda depende de políticas do nível central de governo, o que explica tanta
heterogeneidade na evolução da desigualdade entre os estados? Acreditamos que
existem características políticas e institucionais que determinam o solo mais
ou menos fértil para políticas redistributivas, isto é, os esforços de
políticas refletem as características dos governos estaduais, além das
políticas prévias que também são resultados de escolhas políticas passadas. Os
governos empreendem diferentes esforços políticos traduzidos em políticas mais
ou menos distributivas que, por meio de diferentes mecanismos, impactam na
redistribuição de renda dos estados.
Para alcançar os objetivos aqui propostos dividiremos o trabalho em cinco
partes, além desta introdução. Na primeira, será explorada a variação do
fenômeno em análise tanto no tempo quanto entre os estados, como, ainda, em sua
composição. Na segunda seção mostraremos como a literatura vem inserindo a
análise do impacto dos fatores político-institucionais na desigualdade de renda
em sua agenda. Neste caso, o objetivo é ver quais são os indicadores
utilizados, as hipóteses testadas e as metodologias em uso. Depois serão
apresentados mecanismos causais e as hipóteses a serem testadas. Na quarta
seção será apresentada a metodologia utilizada e os modelos analisados. Por
fim, são apresentados os resultados e tecidas as considerações finais mostrando
que os partidos apresentam diferentes investimentos em políticas
redistributivas mesmo diante dos constrangimentos institucionais impostos pelo
governo central. Isto é, não somente as políticas advindas do governo federal,
mas as características políticas dos estados influenciam também nos níveis de
desigualdade de renda.
VARIAÇÃO DA DESIGUALDADE DE RENDA
Antes de mostrar as bases teórico-analíticas do trabalho veremos a
variabilidade da desigualdade de renda no tempo e entre os estados. A evolução
da desigualdade no Brasil nas últimas três décadas é mostrada no Gráfico_1 por
meio de quatro indicadores: o índice de Gini, o Índice de Theil-T, a razão de
renda entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, e a razão 20/20 (Soares,
2006). Observa-se que na segunda metade da década de 1970 (governo Ernesto
Geisel) a desigualdade atingiu níveis muito altos. Em seguida há uma tendência
de queda, mas em 1986, período da hiperinflação1, começa a subir novamente,
atingindo um pico ao final da década de 80. Note-se que o ano de 2004 apresenta
os menores valores da desigualdade, para qualquer dos indicadores, na série
temporal aqui considerada.

Em segundo lugar, vamos observar a variação da desigualdade de renda entre os
estados. O Gráfico_2 mostra os Índices de Gini de todos os estados, mais o
Distrito Federal, para o ano de 2008. Observam-se diferentes padrões regionais,
sendo que, como esperado, os estados da região Sul apresentam indicadores
abaixo da média nacional (0,553) e os estados nordestinos os maiores índices do
conjunto. Destacam-se os altos índices de desigualdade do Distrito Federal,
Paraíba e Alagoas. É importante ressaltar as diferenças de desigualdade
apresentada pelos estados brasileiros. A variação apresenta desde valores mais
baixos como os do Amapá (0,451) e Santa Catarina (0,465) que se comparam ao
México (0,461 em 2004), até o outro extremo que é o caso do Distrito Federal
com 0,622, que se compara a Serra Leoa (62,9).
[/img/revistas/dados/v56n3/02g02.jpg]
Para os propósitos deste trabalho é importante também termos ideia dos
diferentes padrões de comportamento da desigualdade de renda no tempo entre os
estados. Para ilustrar o objeto de análise, o Gráfico_3 oferece dois painéis:
um que mostra a variação em Alagoas, outro a variação em Minas Gerais; eles
mostram a evolução temporal da desigualdade de renda dentro dos dois estados.
Observando os painéis pode-se ter ideia do que é possível encontrar no tempo
entre os estados padrões muito distintos, e é esta variabilidade que nos
interessa aqui.
[/img/revistas/dados/v56n3/02g03.jpg]
Dado que a variedade do fenômeno de interesse foi aqui demonstrada, justifica-
se a análise do impacto do arcabouço político-institucional dos estados
brasileiros sobre a execução de políticas. Em trabalho anterior (Sátyro, 2008)
mostrei que, diante de constrangimentos institucionais, os partidos políticos
perderam sua capacidade explicativa de esforços diferenciados em políticas
sociais nos estados brasileiros, isto é, as restrições institucionais impostas
pelas políticas restritivas do governo Fernando Henrique Cardoso homogeneizaram
os gastos sociais nos estados da federação. Ficou a pergunta de como, então, os
partidos fazem diferença na política estadual. Com o intuito de contribuir para
esta investigação, este trabalho usará a distribuição de renda como proxy de
resultados de políticas sociais e de mercado de trabalho. Se o gasto sofreu
restrições, houve diferença na qualidade do gasto? Serão utilizadas variáveis
que sirvam como proxy de capital humano, de características e condições do
mercado de trabalho, e, obviamente - o foco deste trabalho - , das
características do sistema político de cada estado. Por este arcabouço
político-institucional entende-se as características do sistema partidário, dos
níveis de competição político-eleitoral e do legado, que definem como as arenas
lowianas são instituídas nos estados e como as políticas são decididas (Sátyro,
2008; Ribeiro, 2005; Lowi, 1964 e 1972).
INSTITUIÇÕES POLÍTICAS E DESIGUALDADE DE RENDA
Os estudos que visam explicar a variância da distribuição de renda entre países
e seus determinantes utilizam indicadores econômicos, institucionais e
socioculturais em suas análises. Entretanto, como observam Bradley et al.
(2003), ainda há relativamente pouca produção que, ao tratar do tema da
desigualdade, dê ênfase aos fatores políticos, aspecto este recentemente
apontado também por Kenworthy e Pontusson (2005).
Aqui serão apresentadas breves resenhas de trabalhos comparativos entre países
e de análises da desigualdade no Brasil com o intuito de dar uma visão
panorâmica do tipo de produção da área. A intenção é modesta, visa mostrar
alguns trabalhos que, no conjunto, reflitam minimamente o estado da arte,
destacando as diferentes medidas utilizadas como variáveis dependentes, as
hipóteses testadas, bem como as técnicas analíticas utilizadas. Depois disto
serão expostas as hipóteses que constituem a pretensão deste trabalho e,
posteriormente, o modelo proposto.
Bradley et al. (2003) utilizam um painel desbalanceado para analisar
os processos de distribuição e redistribuição de renda em 18 democracias pós-
industriais do final da década de 70 até o final da década de 90. Os autores
analisam três variáveis dependentes: o Índice de Gini antes e depois das taxas
e das transferências (o que denominam de Pre and Post Tax and Transfer
Inequality) e a redução na desigualdade medida por meio da proporção dessa
redução. Eles investigaram em que medida distribuição de renda e redução de
desigualdade são determinadas por diferentes combinações das instituições do
mercado de trabalho - medidas como densidade de sindicalização e centralização
das negociações salariais, das condições do mercado de trabalho - utilizando-se
a taxa de desemprego, de macroestruturas econômicas, como o pós-industrialismo,
e, por fim, das configurações do arcabouço político como presença de governo de
esquerda ou de governo democrata cristão. Seus resultados confirmam fortemente
suas hipóteses: tanto as variáveis políticas quanto aquelas relacionadas ao
mercado de trabalho determinaram a desigualdade de renda nos países analisados.
A conclusões diferentes chegam Scheve e Stasavage (2009) ao analisarem dados
para 13 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE) entre 1916 a 2000, mediante, também, do uso de análise de painel. Neste
caso, a análise mais detida e com o foco nas variáveis políticas se dá para o
período entre 1976 a 2000, ou seja, os autores diferenciam um pouco os períodos
e o tipo de análise empreendida. As principais hipóteses trabalhadas foram: i)
governos de esquerda devem ser mais associados a menores desigualdades de
renda, dado que estes são mais propensos a políticas redistributivas; ii)
arranjos institucionais que garantem centralização de negociação salarial
reduzem desigualdade; iii) grau de sindicalização reduz desigualdade; e iv)
sistemas proporcionais contribuem tanto para aumentar a centralização das
negociações salariais quanto para aumentar a presença de partidos de esquerda.
Logo, estas características do jogo eleitoral devem estar associadas a níveis
mais baixos de desigualdade.
Os autores utilizam três variáveis dependentes: renda concentrada no 1% mais
rico da população (top 1), renda concentrada nos 10% mais ricos da população
(top 10) e os 10% menos o 1% (top 10-1), ou seja, aqueles incluídos entre o
percentil 90 e o percentil 99 da distribuição de renda. Entretanto, Scheve e
Stasavage sugerem que centralidade da negociação salarial, governo de esquerda
e sistema proporcional não são determinantes de desigualdade de renda entre
1976-2000 nos países analisados. Os resultados desses autores levam à conclusão
de que crises econômicas e experiências de pós-guerra são mais importantes para
se entender a evolução da desigualdade nestes países do que suas
características partidárias ou institucionais. Em suas próprias palavras: "nós
encontramos pouca evidência de que estes fatores determinem a variação na
desigualdade ao longo do tempo, particularmente quando controlamos pelos
efeitos não observados dos países (efeito fixo) e pelos efeitos de tempo"
(Scheve e Stasavage, 2009:36; tradução minha).
No Brasil, há também muitos trabalhos que analisam a evolução da desigualdade
e, nos últimos anos, muitos deles tentam explicar a sua recente queda, que
caracteriza um momento histórico em nossa sociedade. Foi frutífero para a área
o debate gerado entre, de um lado, Fishlow (1972), que defendeu que as
políticas públicas determinavam o alto nível de desigualdade de renda
registrado na década de 60, sugerindo fortemente o papel determinante das
escolhas políticogovernamentais para aquele padrão e, de outro lado, Langoni
(1973), com sua defesa da variação do nível educacional como determinante da
variação da produtividade da mão de obra. Atualmente, há uma abundante produção
sobre a diminuição da desigualdade de renda no Brasil nesta última década, não
obstante, com variadas ênfases. Alguns autores enfatizam a relação entre
crescimento econômico, ou mesmo instabilidade macroeconômica, e desigualdade de
renda (Salm, 2007; Dedecca, 2007; Ferreira et al., 2007); outros, o papel do
salário mínimo na distribuição de renda (Salm, 2007; Dedecca, 2007; Giambiagi e
Franco, 2007); uns o mercado de trabalho; e ainda outros enfatizam o papel das
transferências de renda governamentais como o Programa Bolsa Família e o
Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS, como Soares et al. (2006), Soares
et al. (2007), Hoffmann (2007), e Barros et al. (2007). Há aqueles que
enfatizam o papel de aspectos educacionais (Ferreira et al., 2007), e,
finalmente, os que tiveram seu foco voltado para a análise da variância em
nível estadual (Sátyro e Soares, 2009).
Escolhemos dois autores que analisam a evolução da desigualdade no país em um
interregno maior de tempo: um, focando o papel do mercado de trabalho e das
transferências de renda na conformação da desigualdade, comparativamente, e,
outro, que também tenta mostrar os principais determinantes desse processo
utilizando conceitos de capital humano. Em trabalho sobre a evolução da
desigualdade de renda no Brasil entre 1976 e 2004, Soares (2006) mostra que
2004 foi o ano com a menor desigualdade nas últimas três décadas para quaisquer
das quatro medidas utilizadas: Índice de Gini, Índice de Theil-T, razão entre a
renda dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres, e a razão entre a renda dos 20%
mais ricos e os 20% mais pobres. Mediante análise de decomposição dinâmica de
renda, Soares (2006) chega a resultados que mostram que programas de
transferência de renda, como o Programa Bolsa Família e o Benefício de
Prestação Continuada, são responsáveis por um quarto da queda da desigualdade
entre 1995 e 2004. Entretanto, afirma o autor, apesar disso, os rendimentos do
trabalho são responsáveis por três quartos dessa queda. Ou seja, para Soares,
não resta dúvidas de que foi o mercado de trabalho o grande responsável pela
desconcentração de renda observada entre os anos de 2001 e 2004, mas reconhece
o importante papel relativo das transferências de renda. A importância dada ao
papel das transferências de renda é função do baixo custo relativo que estas
tiveram no alcance de resultados tão significativos na redução da desigualdade
de renda. Esta conclusão é compartilhada por outros autores como Soares et al.
(2006), Soares et al. (2007), Hoffmann (2007) e Barros et al. (2007). Com base
nessas análises, pode-se afirmar que existem três rendas que promovem igualdade
no Brasil: de um lado, as rendas das aposentadorias e pensões indexadas a um
salário mínimo, ou seja, o Regime Geral de Previdência Social e, de outro lado,
as transferências de renda governamentais - Bolsa Família e Benefício de
Prestação Continuada. Destaque-se que todas as três são transferências de renda
governamentais. A renda do trabalho, as aposentadorias e pensões e as rendas
advindas de capital e outras transferências privadas geram desigualdade em
níveis distintos.
Ramos e Vieira (2001) analisam a evolução da desigualdade de renda no Brasil
com foco nas décadas de 80 e 90 identificando os principais determinantes do
que eles denominam de assimetria da estrutura de rendimentos no mercado de
trabalho. Os autores também utilizam decomposição dinâmica de renda dividindo a
análise em vários grupos utilizando a idade, o nível educacional, a posição na
ocupação, a região geográfica, o setor de atividade além de gênero e cor como
determinantes da desigualdade. Ramos e Vieira sugerem fortemente que o
principal responsável pela desigualdade de rendimentos no período analisado foi
a heterogeneidade dos trabalhadores, principalmente no que concerne à
distribuição da escolaridade, visão que também está posta no trabalho clássico
de Langoni (1973). Em suas conclusões, Ramos e Vieira também sugerem que a
forma de inserção do trabalhador no mercado de trabalho é um fator importante.
Ou seja, não negam os achados de Sergei Soares, mas, sim, qualificam seus
resultados. O que é importante destacar aqui é que todos esses autores
enfatizam que tanto as transferências de renda anteriormente citadas, quanto a
distribuição de escolaridade aqui destacada são resultados de esforços de
políticas (esforços políticos). Seja nos níveis municipal, estadual ou federal,
estamos falando da agenda decisional de governos. Entretanto, como se trata de
autores economistas, não há ênfase nos aspectos políticos determinantes diretos
e indiretos da desigualdade de renda.
Por meio da análise desta literatura pode-se afirmar que, no âmbito
internacional, os especialistas têm se esmerado em explicar a desigualdade,
incluindo os efeitos das instituições políticas na redistribuição de renda.
Entretanto, no Brasil ainda há uma completa ausência de estudos que enfatizem
os aspectos políticos que determinam distribuição de renda e, menos foco ainda
há nesse tema com o recorte nas unidades subnacionais. O que se destaca é que
há nos estudos brasileiros uma variação substantiva das medidas utilizadas como
variáveis dependentes. Apesar disto, de acordo com Barros et al. (2007:89), os
autores concordam "quanto ao fato de a distribuição de renda de 2005 apresentar
uma relação de dominância de Lorenz sobre a de 2001[o que] significa que,
qualquer que seja a medida de desigualdade utilizada, a desigualdade de renda é
menor em 2005 do que em 2001 e, portanto, a queda observada independe da medida
escolhida para aferi-la". Por outro lado, para os objetivos deste trabalho
destaca-se que naqueles que enfatizam os fatores políticos, os resultados
relativos aos indicadores políticos são bastante divergentes. Isto reforça
ainda mais a necessidade de aprofundamento do tema, em especial no Brasil, para
saber a importância da política nesse processo de diminuição da desigualdade de
renda.
A isto se soma o fato de que esse material que enfatiza os aspectos políticos
contém duas limitações para o desenvolvimento do conhecimento nessa temática: a
primeira, que é um viés de seleção de países desenvolvidos sobre os quais se
desenvolve a teoria em função de um problema estrutural que é a disponibilidade
de dados; a segunda limitação advém da primeira: uma vez que as análises
concentram-se em países desenvolvidos, algumas hipóteses construídas e testadas
são baseadas em um mercado de trabalho mais homogêneo e amplo. Esses países em
geral associaram crescimento econômico e desenvolvimento social, configurando
uma sociedade salarial com generalização da proteção social (Boschetti, 2006).
A média do Índice de Gini para os países analisados no período gira em torno de
0,3, ou seja, realidades muito distintas de países em desenvolvimento, como é o
caso do Brasil.
Aqui há um problema: temos de saber se esse modelo analítico é generalizável,
ou seja, se consegue explicar aquelas sociedades que não conseguiram consolidar
um mercado de trabalho, ou, em outras palavras, onde o mercado de trabalho é
precário, heterogêneo e com altos índices de subemprego, com altas taxas de
desemprego e com um grau de informalidade altíssimo como o nosso. A teoria
explicaria os resultados daqueles países que até conseguiram alcançar relativo
crescimento econômico, mas este não foi traduzido em repartição dos frutos da
expansão econômica? Ou seja, é preciso analisar se esta é realmente uma teoria
abrangente que se aplica a países onde não houve garantia de proteção social
generalizada, não houve manutenção de grandes equilíbrios na condução da
economia e onde a condição salarial é frágil ou ausente para grande parte da
população e, portanto, são sociedades altamente desiguais, como é o caso
brasileiro (Boschetti, 2006).
Apesar desses problemas, a revisão dessa literatura nos permite sustentar a
importância dos fatores políticos e institucionais na redistribuição de renda
no nível nacional. Vimos como tanto as instituições do mercado e de trabalho
quanto as políticas determinaram os resultados encontrados nos trabalhos aqui
analisados. Assim, cabe partir da hipótese clássica de que a presença de
partidos mais à esquerda do espectro ideológico aumenta os gastos sociais. Os
estudos analisados acima mostram que eles também tenderão a elaborar políticas
mais redistributivas do que partidos mais conservadores (Iversen e Soskice,
2006; Bradley et al., 2003; Pontusson, Rueda e Way, 2002), seja pelo
investimento naquelas políticas que aumentam o capital humano (Fishlow, 1972),
ou ao retrair os altos salários, impulsionando, em termos relativos, os menos
qualificados e mal remunerados (Pontusson, Rueda e Way, 2002), ou mesmo que
indiretamente, como afirmam Iversen e Soskice (2006).
As políticas de cunho redistributivo que possuem mais alcance são elaboradas no
âmbito federal de governo, tendo forte impacto nas contas nacionais, na
estabilidade econômica e na conformação do mercado de trabalho são as
macropolíticas econômicas, decisões centralizadas em nossa federação. Não há
como discordar que o nível central de governo ainda é preponderante. Por
exemplo, mesmo com todo o processo de descentralização das políticas
educacionais disparado a partir de determinações constitucionais, este ocorre
sob a coordenação da União, ou seja, também é papel do governo central
determinar as diretrizes educacionais2.
Dada essas ponderações, o questionamento deste artigo fica ainda mais
proeminente: se as diretrizes para políticas redistributivas são criadas pelo
nível central de governo; se é no plano nacional que se formulam as
macropolíticas que conformam o mercado de trabalho, então, o que explica a
enorme variedade de padrões da evolução da desigualdade encontrada tanto no
tempo, em cada estado, quanto entre os estados? Por que alguns estados
redistribuem mais que outros? Argumentamos que a riqueza de um trabalho
comparativo entre unidades federativas subnacionais está na possibilidade de um
desenho de pesquisa que viabilize uma interpretação mais precisa dos resultados
empíricos, ou que abra uma agenda de pesquisa para aprofundamento da
investigação, uma vez que esses fatores institucionais, tais como federalismo,
características do sistema eleitoral, e bicameralismo - que variam entre países
- estarão controlados (Gupta e Damania, 2004; Chhibber e Nooruddin, 2004).
Como a nossa unidade de análise são os estados, a relação que procuramos entre
a política e a desigualdade de renda é tanto direta quanto indireta. Existem
dois mecanismos através dos quais os fatores políticos no nível estadual
afetarão a redistribuição de renda: 1) eles a influenciarão por meio das
políticas educacionais que conformarão o capital humano, políticas estas que,
apesar de receberem diretrizes do governo federal, são de responsabilidade dos
estados e dos municípios; e 2) a influenciarão por meio de políticas que afetem
diretamente o mercado de trabalho; neste caso, há uma variação considerável
entre os estados pela adesão e pelos esforços empreendidos em políticas de
qualificação profissional para o mercado de trabalho. Partimos da premissa de
que as diferenças de salário são provenientes da heterogeneidade dos
trabalhadores no que se refere aos seus atributos produtivos, entre os quais a
educação formal e a educação profissional que atuam como atenuantes ou
amplificadoras da dispersão salarial (Ramos e Vieira, 2001; Ferreira et al.,
2007). Ramos e Vieira (2001:8) concluem em seu trabalho que, "dentre as causas
de dispersão salarial investigadas, a heterogeneidade dos trabalhadores,
principalmente em termos de escolaridade, é aquela que se sobressai como o
principal fator responsável pela desigualdade de rendimentos em todos os anos
analisados".
Para reforçar seu argumento, Ramos e Vieira mostram os resultados de pesquisas
relativas a vários países com a mesma abordagem expondo a contribuição da
educação para a desigualdade de renda em cada um desses países: Argentina,
Brasil, Colômbia, Costa Rica, México, Peru, Uruguai, Venezuela e América Latina
em geral. Os autores mostram que, com exceção do Uruguai e da Argentina, a
educação se apresenta como fator de peso na distribuição de renda (ibidem: 9).
Para além da educação formal, trabalhamos com a hipótese de que o aumento do
investimento em políticas de qualificação profissional está diretamente
associado ao crescimento ou diminuição da economia informal. O mercado de
trabalho informal é aquele que comporta um "tipo de inserção, notadamente sob a
forma de assalariamento sem carteira de trabalho assinada", e é também "onde
prevalecem os trabalhadores jovens com um baixo nível de instrução e, portanto,
em alguma medida seus menores rendimentos são explicados por esses fatores
(além do fato de que a economia informal tende a ser mais importante nas
regiões geográficas mais pobres)" (ibidem:8). Complementarmente, Cêa sugere que
a qualificação profissional faz parte das políticas de geração de emprego por
meio de uma "estratégia de qualificação em massa da força de trabalho, com
vistas ao desenvolvimento de competências e habilidades para ampliação das
condições de empregabilidade dos trabalhadores" (Cêa, 2006:2). Como informa a
autora, "de 1995 a 2003, o governo brasileiro, por meio do Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE), implementou uma política de formação, em massa, da
mão de obra brasileira, por meio da execução do Plano Nacional de Qualificação
do Trabalhador (Planfor)" que, com a chegada do presidente Lula ao poder, em
2003, foi substituída pelo Plano Nacional de Qualificação (PNQ) (ibidem:1).
Para se ter a dimensão do alcance dessas ações, de acordo com Cêa, entre 1995 e
2002 cerca de 20,7 milhões de trabalhadores foram atingidos por essas políticas
(ibidem: 3).
Para os fins deste artigo é importante ressaltar que apesar do Planfor ter
indicado diretrizes gerais, ele não estabeleceu um formato único para os
programas de qualificação e requalificação profissional no âmbito subnacional.
Segundo Peixoto (2008), no nível de estados e municípios o Plano se deu por
adesão, e os estados, por meio da atuação de suas Secretarias Estaduais de
Trabalho3 (regulada pela Resolução 126 do Codefat4) e das Comissões Estaduais
de Emprego5, tiveram um papel importante na conformação dessas políticas nos
âmbitos estadual e municipal. De acordo com esse autor (ibidem:67), "durante
esse processo, podemos apontar que as Secretarias Estaduais, à medida que
implementavam o Planfor também promoveram mudanças nas ações desenvolvidas, uma
vez que se baseavam em seus planos estratégicos de desenvolvimento, fato que
significou um processo autônomo de implementação no que tange as principais
decisões a serem tomadas, respeitando as diferenças e as necessidades
regionais". Entre os trabalhos que são importantes para entender tanto a
passagem do Planfor para o PNQ quanto suas diferenças no nível estadual, há
dois que se destacam: uma análise comparativa sobre esses planos realizada por
Peixoto (2008) em sua dissertação, e a tese de Almeida (2003), que analisa as
políticas governamentais de educação profissional no Brasil. Os resultados
desses trabalhos reforçam o argumento deste artigo de que o espaço de atuação
dos governos estaduais na promoção de políticas relativas à qualificação
profissional e à geração de trabalho e renda é primordial para a conformação do
mercado de trabalho. Ainda que fique a possibilidade de este tipo de ação
reforçar mais a ideia relacionada ao capital humano, ela está voltada para o
mercado de trabalho; a maior parte de seu público compõe um segmento
populacional com níveis mais baixos de capital humano. Desta forma, apesar de a
ação estar incrementando o capital humano, o faz sob o aspecto específico das
necessidades deste segmento de inserção no mercado, ou seja, é apenas uma das
dimensões do conceito de capital humano. E é aí que o papel do Estado, como
elaborador e gestor dessa política, pode fazer, e faz, investimentos
diferenciados entre si com vistas a aumentar as chances deste segmento de
melhor inserção no mercado.
Este artigo sustenta, ainda, com base nos trabalhos sobre governança regional
e, mais especificamente sobre reestruturação produtiva regional, que o Estado é
um ator central na coordenação para investimento produtivo de determinadas
regiões como as metropolitanas, onde existem muitas externalidades espaciais e
bens públicos. Há uma série de questões determinantes para atração de
investimento privado que demandam coordenação de interesses de municípios
diversos, espaço esse que pode ser ocupado pelos governos estaduais. A citação
de Klink e Lépore (2002) ilustra nosso ponto:
[...] as questões relacionadas com o uso e ocupação do solo e o
desenvolvimento de cadeias produtivas competitivas representam temas,
cujo limite geográfico extrapola e transborda os limites
administrativos de cada cidade. Da mesma forma, a segurança pública,
as bacias hidrográficas limpas e baratas e a presença de um conjunto
de redes urbanas técnicas (água, saneamento, transporte) têm
características nítidas de bens públicos com elementos de
indivisibilidade e não-exclusividade. À medida que crescem a
frequência dessas externalidades espaciais e a presença potencial de
bens públicos, podemos inferir que aumenta a demanda por uma ação
coordenada que não pode ser equacionada pelos mecanismos de mercado.
Portanto, mais particularmente nas regiões metropolitanas e nas
cidades-região com maior densidade populacional e complexidade das
cadeias produtivas, presenciamos o surgimento de uma agenda
estratégica em torno dos temas de cooperação, ação coletiva e
mobilização produtiva de atores públicos e privados.
Analisando os limites e potencialidades de novos arranjos institucionais das
regiões metropolitanas e regionais a partir do caso do ABC paulista, os autores
mostram que, em alguns temas, há uma variação na forma como os governos
estaduais lidam com determinadas questões, seja no âmbito de seus Executivos ou
em seus Legislativos. Ressaltam também a variação estadual em diversas matérias
mostrando que algumas constituições estaduais variam na regulamentação de
algumas delas, umas avançando, outras tratando de forma genérica, outras
omitindo simplesmente (Klink e Lépore, 2002). A intenção aqui é mostrar espaços
de ação dos governos estaduais que afetam o mercado de trabalho, seja de forma
direta ou indireta, como já exposto.
Assim, vemos que há dois mecanismos através dos quais a política estadual de
governo determina os níveis de desigualdade de renda. O diagrama abaixo ilustra
os mecanismos causais por meio dos quais os fatores políticos influenciam a
política educacional e o grau de informalidade do mercado de trabalho,
impactando assim nos níveis de desigualdade de renda nos estados.
Resumindo, observa-se no diagrama a seguir que surgem dois caminhos por meio
dos quais o arcabouço político-institucional dos estados afetará a desigualdade
de renda: tanto pela promoção de capital humano, isto é, investimento em
educação, quanto pelo investimento em políticas de qualificação profissional,
ou mesmo políticas que possibilitem tornar espaços regionais mais atrativos ao
investimento privado. Dessa forma, pressupõe-se que o sistema partidário, bem
como o nível de competição política nos estados, irá afetar tanto a formação de
capital humano (indicado aqui pela taxa de analfabetismo), quanto as
características do mercado de trabalho tais como a precariedade dos postos de
trabalho, o nível de emprego e o grau de informalidade (indicadas aqui pelo
grau de informalidade). Pressupõe-se também que o capital humano impactará
diretamente a produtividade da população que determinará a qualidade da
inserção no mercado de trabalho.
A proposta deste artigo é analisar a hipótese de que o desenvolvimento (redução
ou aumento) da desigualdade, isto é, as diferenças nos padrões de
redistribuição de renda, serão determinadas, também no nível subnacional, pela
combinação de diferentes fatores. Dito de outra maneira, o arcabouço político e
institucional determina a redistribuição de renda e a redução na desigualdade
direta e indiretamente em função do nível do estado de bem-estar implantado por
meio de políticas redistributivas (Bradley et al., 2003; Kenwothy e Pontusson,
2005). As hipóteses que daí derivam são clássicas: partidos mais à esquerda do
espectro ideológico tendem a colocar mais esforços na realização de políticas
redistributivas do que partidos à direita; arenas políticas competitivas
promovem mais esforços tanto na realização de políticas sociais quanto de
políticas redistributivas, ou seja, ambientes com competição eleitoral
apresentam níveis de incerteza maior para as elites partidárias.
Contudo, esse argumento tem se mostrado controverso. Há uma literatura recente
com foco tanto na explicação do surgimento e o perfil da esquerda na América
Latina quanto em mostrar as reformas e políticas implementadas tendendo
claramente por princípios universalistas e redistributivos. Essa discussão
defende que crises governamentais com a direita no poder, problemas econômicos
domésticos e fatores estruturais como desigualdade de renda, altos índices de
informalidade e de precariedade dos postos de trabalho e suas consequências na
diminuição da qualidade de vida de maneira generalizada têm gerado um suporte
para a esquerda (Levitsky e Roberts, 2011; Blanco e Grier, 2011; Barrett,
Chávez e Garavito, 2008). Ou seja, a esquerda ascende porque as condições de
vida não estão boas, porque há desigualdade e porque esta situação pode ser
entendida como um legado das políticas neoliberais precedentes. Transpondo para
a realidade brasileira, é possível considerar a proposta de que nos últimos
anos a esquerda conseguiu ascender em alguns estados por causa das precedentes
condições adversas e, portanto, poderá apresentar resultados piores, uma vez
que partiu de patamares mais altos de pobreza e desigualdade. Por fim,
consideramos que o legado é muito importante para o entendimento da
distribuição de renda e aqui ele estaria operando em dois lugares: por um lado,
quanto mais foi investido em educação em governos anteriores, maior o nível
atual de capital humano no presente; por outro lado, podemos argumentar que a
política (ou "política prévia") pode definir o poder político por meio da
definição da agenda pública, padrões de conflito entre grupos de interesse,
influência ou mudança nas regras formais, definição prévia de alocação de
recursos com maior ou menor capacidade incremental.
METODOLOGIA E MODELOS
O questionamento deste trabalho é compartilhado por Bradley et al. quando
sugerem que, dada a importância do entendimento do grau de influência que os
fatores políticos e institucionais têm sobre a desigualdade, é de se estranhar
que só muito recentemente a comunidade acadêmica começasse a se interessar
efetivamente pelo assunto. De acordo com os autores, a justificativa com
certeza é mais estrutural do que relativa a interesses, uma vez que até pouco
tempo atrás os dados disponíveis não permitiam muitas inferências (Bradley et
al., 2003).
Cabe aqui, uma explicação do uso do Índice de Gini como indicador de
desigualdade de renda, nossa variável dependente. Boa parte da literatura
internacional sobre desigualdade de renda utiliza Pre tax and transfer gini
index of income inequality among households e Post tax and transfer gini index
of income inequality among households. Estas medidas são constituídas a partir
do Índice de Gini, respectivamente descontando-se as taxas e as transferências
(antes e depois delas), o que dá uma medida mais fidedigna da real alteração na
redistribuição isolando taxas e transferências de pensionistas, por exemplo.
Entretanto, no Brasil o nível de desagregação dos dados sobre desigualdade de
renda não permitem a extração das taxas e das transferências como os dados
oriundos do Luxembourg Income Survey (LIS), que permitem acesso aos microdados
e, portanto, possibilitam recalcular e remover distorções na distribuição de
renda. Isto implica que a crítica feita por Bradley et al. (2003) ainda
persiste para países como o Brasil na medida em que os dados disponíveis nos
restringem à análise ao uso do Índice de Gini. Ou seja, atualmente não é
possível realizar estudos dessa natureza sem as distorções impostas pelos
dados.
A pesquisa visa analisar dados das gestões dos governos estaduais entre 1992 e
2006, momento subsequente à redemocratização6, o que nos dá um período de 15
anos. Para análise de estruturação de políticas nacionais esse pode ser um
recorte considerado curto, mas para o impacto de algumas políticas
redistributivas já é suficiente, na medida em que, como vimos na segunda seção
deste trabalho, há tanto uma queda do Índice de Gini no âmbito nacional nos
últimos anos, quanto variação temporal, com tendências distintas, entre os
estados brasileiros nesse mesmo recorte temporal. Este período trabalhado
permite também a consideração do processo de descentralização fiscal de
atribuições, competências e recursos para execução de políticas entre os entes
federados dadas pela Constituição de 1988. A Constituição foi um ponto de
inflexão institucional na medida em que introduz o conceito de Seguridade
Social, transforma Assistência Social em política pública, vincula programas e
benefícios sociais ao salário mínimo, determina a oferta de benefícios não
contributivos a grupos necessitados, antes não assistidos, entre outros
avanços.
Outro aspecto a ser levantado aqui são as variáveis utilizadas como indicadores
dos fatores político-institucionais das hipóteses expostas ao final da seção
anterior, mais especificamente, ideologia partidária dos governos estaduais e
grau de competição política nas eleições majoritárias, mensurados,
respectivamente, pelo partido do governador eleito, incluindo a coligação
vencedora e a porcentagem de votos no primeiro turno eleitoral obtidos por
aquela coligação. A análise proposta abarcará o equivalente a quatro mandatos
dessas unidades federativas. As observações para o cargo de governador, com a
presença de 14 partidos diferentes, são divididas da seguinte forma: Partido do
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB: 23,7% - 20 mandatos); Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB: 22,2% - 19 mandatos); Partido da Frente Liberal
(PFL: 17,5% - 15 mandatos); Partido dos Trabalhadores (PT: 7,4% - 6 mandatos);
Partido Socialista Brasileiro (PSB: 8,9% - 8 mandatos); Partido Democrático
Trabalhista (PDT: 6,2% - 5 mandatos); Pequenos de direita (Partido Trabalhista
Brasileiro - PTB; Partido Progressista Renovador - PPR; Partido Democrático
Social - PDS; Partido Progressista Brasileiro - PPB7; Partido Trabalhista
Renovador - PTR; Partido Social Cristão - PSC; Partido Social Liberal - PSL;
Partido Popular Socialista - PPS: 14,2% - 12 mandatos).
Na Tabela_1 são mostrados os coeficientes de correlação entre as variáveis
explicativas e o Índice de Gini; todos apresentam significância a 1%.
[/img/revistas/dados/v56n3/02t01.jpg]
A análise empírica da desigualdade de renda se dará por regressão de série
temporal com corte transversal (STCT), uma vez que seu objetivo é uma análise
comparativa, sob uma perspectiva intertemporal, do impacto da política, no
âmbito estadual, sobre a distribuição de renda. Para conseguir realizar a
análise será necessário um método que corrija os erros-padrão em análises de
painel e de séries temporais com corte transversal. Desta forma, a análise
empírica ora apresentada baseia-se na discussão de Beck e Katz (1995) que
sugere a utilização do modelo de regressão Prais-Winsten com panel corrected
standard error model (PCSE-AR1), que gera coeficientes mais bem estimados. Este
modelo é o mais apropriado também pelo fato de corrigir problemas de
heterocedasticidade8. Para contemplar o mecanismo causal aqui defendido e
apresentado no diagrama_1 serão analisados três modelos PCSE-AR1 que conterão
também efeito fixo dos estados e dos anos analisados: um, utilizando a taxa de
analfabetismo como variável dependente, indicadora das condições educacionais
estaduais e, portanto, de capital humano; outro, utilizando o grau de
informalidade do mercado de trabalho como variável dependente; por fim, o
terceiro modelo, que terá como variável dependente o Índice de Gini. Segue a
formalização dos modelos:
[/img/revistas/dados/v56n3/02d01.jpg]
[/img/revistas/dados/v56n3/02s01.jpg]
Na Tabela_2 serão apresentados três modelos, cabe ressaltar que o DF foi
excluído dos modelos por apresentar multicolinearidade com grau de
informalidade9.
[/img/revistas/dados/v56n3/02t02.jpg]
OS RESULTADOS
A análise dos três modelos apresentados permite-nos observar que os mecanismos
causais aqui defendidos acontecem na prática, mas a direção dos efeitos deve
ainda ser objeto de pesquisa. Como sugerido neste trabalho, as evidências
mostram que há um efeito da política realizada no nível estadual tanto com a
taxa de analfabetismo, quanto com o grau de informalidade do mercado de
trabalho e este, por sua vez, afeta os níveis de desigualdade de renda nos
estados. Isto é, confirma-se a hipótese central deste artigo que defende que
política estadual impacta na distribuição de renda. Como sugerido, podemos
observar que a frequência escolar afeta a taxa de analfabetismo utilizado aqui
como indicador da qualidade do capital humano disponível para o mercado.
Observamos, em seguida, como a frequência escolar afeta o grau de informalidade
do mercado de trabalho, efeito este esperado pela literatura pertinente (Ramos
e Vieira, 2001; Ferreira et al., 2007).
Observa-se também que o grau de informalidade do mercado de trabalho apresentou
significância estatística e sinal positivo como esperado. O resultado mostra
que o grau de informalidade do mercado que indica a precariedade dos postos de
trabalho produz impacto no nível de distribuição de renda. Para cada ponto
percentual a mais no grau de informalidade em um determinado estado, haverá um
aumento de 0,002 ponto percentual no Índice de Gini. Quanto mais informal
estiver estruturado o mercado de trabalho, maior a desigualdade de renda
daquele lugar, resultados estes que corroboram a visão clássica de que o setor
informal do mercado de trabalho apresenta postos de trabalho de baixa
qualidade, deixando os trabalhadores sem garantia de proteção social e com
desigualdades nos níveis de renda. As evidências mostram que a informalidade do
mercado de trabalho afeta a desigualdade nos estados, sendo interessante notar
que as variáveis de educação e esgotamento sanitário perdem efeito no último
modelo, mostrando a pertinência dos mecanismos causais indiretos aqui
defendidos. Entretanto, nem todos os resultados são de fácil interpretação.
Vejamos.
Dos Partidos Políticos
No que diz respeito aos partidos políticos, observou-se que eles produzem, sim,
efeito significativo sobre a distribuição de renda nos estados. Como sugerido,
afetam, primeiramente, as taxas de analfabetismo e o grau de informalidade. O
primeiro modelo mostra que, entre 1992 e 2006, o PPS, o PSB e o, então, PFL
(atual Democratas - DEM) apresentaram, em seus governos estaduais, taxas de
analfabetismo mais altas do que os governos petistas. Mais forte ainda são as
diferenças apresentadas entre os partidos no que se refere ao grau de
informalidade do mercado de trabalho: neste caso, o PSDB e o PPS apresentam
níveis de informalidade significativamente mais baixos do que o PT - com
coeficientes consideravelmente elevados. Em média, o PSDB e o PPS apresentam -
1,50 e -2,90 pontos percentuais no grau de informalidade do que o PT. Ao
analisar o terceiro modelo, observamos evidências de que o PMDB, o PSDB, PFL e
o PSB apresentam médias mais baixas em relação aos governos do PT,
estatisticamente significativas, entre 1992 e 2006, o que significa que seus
governos apresentaram patamares menores de desigualdade do que naqueles do PT.
Para se ter uma ideia da dimensão dos coeficientes apresentados cabe pensar que
todo o legítimo movimento feito por acadêmicos, pesquisadores, políticos e
demais interessados na recente queda de desigualdade de renda no Brasil dá-se
no sentido da compreensão dos determinantes da queda de 0,0289 do Índice de
Gini entre 2003 e 2007 (Hoffman, 2009:Tabela 6). Com base nessa referência,
tem-se noção da magnitude das diferenças entre os partidos e o PT: destaca-se o
PSB com -0,017 (a 5%), em seguida o PDT com -0,013 (a 10%) e, por fim, o PFL e
o PMDB com -0,011 e -0,009 em um nível de confiança de 10%, mantidos os demais
fatores constantes. Dado que há o controle de efeito fixo dos estados
governados é de se esperar que estejam controladas as características dos
estados de cada partido. Isso permite inferir que a política estadual é
substancialmente diferente da política no nível federal. Se estamos vendo que
no nível nacional o PT foi o precursor de políticas redistributivas de renda
baseadas na solidariedade nacional preconizada na Constituição de 1988, isso
não aconteceu da mesma forma nos estados, o que nos sugere que há, sim, uma
dinâmica política estadual dos partidos que os difere do nacional.
Evidências sugerem uma direção inversa da hipótese clássica: governos do PMDB,
do PDT, do PFL e do PSB apresentam médias de Gini significativamente mais
baixas do que as do PT, mantendo-se constante os demais fatores e controlando-
se o efeito fixo de estados e de tempo. Todavia, como vimos, este resultado
pode ser lido de mais de uma forma: a primeira, e mais importante para os fins
desse trabalho, é confirmar que a Política no nível estadual importa, sim, para
efeitos de redistribuição de renda, ou seja, é possível se inferir que as
políticas educacionais e de qualificação para o mercado de trabalho realizadas
no nível estadual potencializarão os efeitos das políticas redistributivas
implementadas pelo governo federal e, além disso, podemos afirmar que os
fatores políticos determinaram esses processos10.
Esse resultado se mostra especialmente interessante se se considera o período
analisado. Em estudo anterior, Sátyro (2008) não encontra nenhum efeito
significativo de partidos quando analisa provisão de políticas sociais nos
estados entre 1986 e 2006, utilizando-se gastos sociais como proporção do total
de despesas orçamentárias. Os resultados de Sátyro corroboram os achados
internacionais que sugerem a perda da capacidade explicativa dos partidos
diante do aumento de restrições institucionais e de pontos de veto a partir da
segunda metade da década de 1990 (Kittel e Obinger, 2001; Armigeon et al.,
2001; Castles, 2001). Para Sátyro, a política fiscal da era Fernando Henrique
Cardoso constrangeu e homogeneizou os gastos governamentais no nível estadual,
e assim os partidos perderam sua capacidade explicativa para a provisão de
políticas sociais. Isto significa que os partidos têm esforços similares no que
se refere à quantidade de gastos sociais.
Ora, a presente análise tem um recorte temporal que foca exatamente o momento
em que esses constrangimentos estão sendo impostos pelo governo central. Dessa
forma, podemos afirmar que tanto a Política estadual importa para
redistribuição de renda quanto as diferenças observadas em relação ao PT são
bastante significativas, pois aparecem mesmo diante das restrições em relação
aos gastos. Aparecem num momento em que todos estão sendo obrigados a gastar
mais ou menos a mesma quantidade. Isso implica que podemos inferir que,
independentemente da magnitude dos coeficientes apresentados pelos partidos,
eles são muito significativos na medida em que apontam claramente para um
esforço diferenciado no tipo de gasto entre os partidos no nível estadual,
reforçando a ideia principal do argumento de que a política no nível estadual
faz, sim, diferença na construção de uma sociedade menos desigual.
Uma segunda conclusão, que causa estranheza pela direção não esperada, é que
esses partidos possuem políticas estaduais mais redistributivas do que os
governos petistas. Entretanto, esse resultado nos remete à controvérsia citada
anteriormente, levando-nos a um impasse em relação aos achados: o PT realmente
apresenta níveis de desigualdade de renda incompatíveis com a teoria clássica?
Ou há um problema de endogeneidade na hipótese aqui trabalhada e, na verdade, o
que vemos é uma consequência e não uma causa? Dito de forma mais clara, os
patamares mais altos de desigualdade encontrados nos governos petistas são
função de um viés de atração e suporte a este partido em estados em que as
condições iniciais eram piores? Resta pesquisar mais para responder
adequadamente a este resultado.
Da Competição Política
Competição política também teve sua significância ressaltada nessa análise, com
resultados que mostram que ela tem efeitos nas políticas redistributivas
estaduais. Os resultados permitem afirmar que a concentração de votos em torno
do candidato eleito no primeiro turno tem efeito direto na redistribuição de
renda. Entretanto, a magnitude deste impacto na desigualdade de renda é baixa,
tendo um coeficiente de 0,0004 em um nível de confiança de 1%. O sinal positivo
indica o movimento certo da direção causal, isto é, quanto mais concentrados os
votos em um só candidato no primeiro turno dos governos estaduais, indicando
menos competição política, mais desigualdade de renda. Por fim, observa-se que
competição política não se apresentou significativa para o grau de
informalidade, nem para a taxa de analfabetismo.
CONCLUSÕES
Um trabalho de pesquisa pode ter sua relevância a partir de dois critérios: o
primeiro, teórico-acadêmico, entendido como uma contribuição para a explicação
de aspectos dos sistemas social e político; o segundo, pela importância para a
vida prática em função das consequências sociais, políticas e econômicas do
objeto de pesquisa (King, Keohane e Verba, 1994). Este artigo pretende ajudar
em pelo menos duas lacunas da Ciência Política brasileira: uma, que se refere
ao aprofundamento das diferenças entre os estados no que tange à evolução da
proteção social e suas consequências na conformação da desigualdade de renda;
outra, que se refere à responsabilidade do arcabouço político-institucional
nesse processo.
A maioria dos estudos recentes sobre desigualdade no Brasil foca no nível
nacional e se restringe aos determinantes econômicos ou relativos ao mercado de
trabalho sobre os processos de distribuição e redistribuição de renda, ou,
ainda, aos programas de transferência de renda. Infelizmente, podemos afirmar
sem receio que há muito pouca produção que se atém especificamente à correlação
entre os indicadores políticos e a desigualdade de renda. Sabemos que, mesmo na
Ciência Política internacional, há relativamente pouca produção com foco
voltado para o nível estadual de governo. Os estudos existentes, em sua
maioria, realizam análises comparativas entre países, ou realizam estudos de
casos específicos, mas, raramente, privilegiam a comparação entre unidades
subnacionais, o que leva a uma lacuna analítica sobre esse nível de análise.
Por fim, as limitações teóricas e empíricas apresentadas pelos trabalhos que
relacionam fatores políticos e desigualdade em geral justificam uma análise
mais detalhada sobre o tema.
Os resultados nos permitem três conclusões em relação às hipóteses aqui
trabalhadas: a primeira confirma nossa hipótese central de que a política no
nível estadual importa para a redistribuição de renda, direta e indiretamente;
a segunda, mostra que competição política afeta a desigualdade de renda,
diretamente; e, a terceira, contraria as nossas expectativas ao mostrar
evidências de que partidos de centro e de direita tiveram um efeito
redistributivo maior do que os governos petistas no período analisado. Desse
modo, apesar da inegável importância das políticas oriundas da arena de
políticas redistributivas do governo federal, os partidos no nível estadual de
governo produzem diferentes níveis de políticas redistributivas. Observamos que
os partidos se diferenciam, sim, na implementação de políticas e que, não
necessariamente, o PT possui uma tendência à implantação de políticas
redistributivas nos estados, como esperado. O que vimos é que, mantendo-se os
demais fatores constantes, no nível estadual, outros partidos promoveram mais
igualdade do que os governos petistas. Mesmo que haja a necessidade de outros
estudos para se confirmar esse resultado, ou mostrar o problema já apontado com
a hipótese, ainda assim os resultados nos mostram que os partidos terão de
escolher cada vez mais estratégias governativas que os diferenciem no nível
estadual se quiserem construir um sistema partidário competitivo e
programático.
Cabe enfatizar que o efeito dos partidos e da competição política nas políticas
redistributivas nos estados aparecem (e se mostram robustos nos testes). Isso
acontece mesmo diante das políticas fiscais restritivas impostas pelo governo
federal durante o período aqui analisado onde podemos citar como exemplo a Lei
de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que
determinam as vinculações de verba e dão as competências de estados e
municípios neste período. Mesmo quando os partidos nos estados não se diferem
mais na quantidade de gastos sociais, como mostrado por Sátyro (2008), ainda há
a opção de se diferenciarem pelo tipo de gasto feito.
As características políticas e do sistema partidário dos estados impactam na
desigualdade de renda, sendo, assim, importantes para a construção de uma
sociedade mais igualitária. Isso reforça a importância do estado como ente
federativo de governo que pode fazer diferença na produção de bem-estar social
e de proteção social da população brasileira. Os resultados encontrados por
este estudo nos obrigam a aprofundar ainda mais nossas agendas de pesquisa
nesta área. Traz-nos, em suma uma forte evidência de que o senso comum
acadêmico está equivocado e que, apesar da indiscutível força do governo
federal na elaboração de políticas públicas redistributivas e de seu papel
neste sentido, é possível criá-las também no âmbito subnacional.
NOTAS
1. "Existem alguns limites à interpretação dos dados apresentados no gráfico_1.
O primeiro é que a comparabilidade entre as PNADs da década de 1970 e as outras
é baixa. O segundo é que parte da alta desigualdade observada no período
hiperinflacionário é, em certo sentido, falsa. Isso ocorre porque a alta
inflação, quando conjugada com a indexação imperfeita dos salários, gera
aumentos na desigualdade medida por um corte transversal no tempo, tal como na
PNAD, mas que desaparece quando se toma a média de rendimentos ao longo de um
período maior, conforme demonstra Neri (1994). Finalmente, houve mudança de
questionário entre 1990 e 1992, embora a percepção da renda não seja um dos
itens mais afetados" (Soares, 2006:8).
2. Para se entender melhor o processo de descentralização no Brasil é
importante consultar Arretche, que possui trabalhos mostrando a contradição do
processo de descentralização das políticas sociais no Brasil que se restringe
fortemente à execução das políticas, ficando com o governo federal as
diretrizes e a coordenação. A autora discute também os condicionantes locais da
descentralização (Arretche, 2000; 2006; 2007).
3. "As Secretarias Estaduais de Trabalho desempenhavam um papel estratégico na
articulação e na implementação do PLANFOR nos estados, congregando os recursos
provenientes do FAT com os das agências locais de educação profissional,
especialmente, aquelas que eram financiadas com recursos públicos" (Peixoto,
2008:66).
4. "É importante recordar que a Resolução 126 do CODEFAT definiu as funções das
Secretarias Estaduais de Trabalho e das Comissões Municipais de Emprego, em que
as primeiras eram responsáveis pela elaboração e pela coordenação dos planos
estaduais que deveriam ser submetidos às Comissões para homologá-los" (Peixoto,
2008:66).
5. "As Comissões Estaduais de Emprego - organismos tripartites e paritários,
com representação do governo, empresariado e trabalhadores de cada Estado -
eram responsáveis pelo levantamento das demandas locais de qualificação, assim
como realizavam um trabalho de acompanhamento da execução dos cursos ofertados"
(Peixoto, 2008:66).
6. O recorte temporal foi determinado pela disponibilidade de dados relativos
ao mercado de trabalho - grau de informalidade e taxa de desemprego.
7. O PDS tornou-se PPR e o PPR tornou-se PPB.
8. Como já observado por Sátyro (2008:121): "A especificação AR1 pressupõe a
existência de uma autocorrelação de ordem 1; sendo que autocorrelação é
definida como sendo a correlação dos valores de uma variável no instante t com
os valores, dessa mesma variável, defasados no tempo. Esse é um método
específico para tratar erros autorregressivos, isto é, quando há dependência
entre os grupos analisados. A aplicação desta técnica faz-se necessária quando,
para analisar um determinado fenômeno no período "t", pressupõe-se o
conhecimento do nível do erro dessa ocorrência no período "t-1", tanto quanto
seu erro no período "t". Há, deste modo, um processo autorregressivo que,
resumidamente, assume a existência e corrige a autocorrelação dos painéis e das
STCTs (Beck e Katz, 1995)".
9. Apesar de o período analisado ter 15 anos, os dados são relativos a 13 anos,
uma vez que para os anos de 1994 e 2000 não há dados disponíveis; dessa forma
chegaríamos a 351 casos (27x13=351). Com a exclusão do DF reduzimos para 338
casos (26x13), ainda muito acima da faixa dos 200 casos utilizados em trabalhos
aqui citados.
10. Importante ressaltar que resultados muito semelhantes são encontrados mesmo
sem a introdução dos controles temporais e dos efeitos fixos dos estados, o que
dá a noção da robustez e da estabilidade do modelo aqui apresentado e,
portanto, das relações aqui demonstradas.