Determinantes do acesso à infra-estrutura urbana no município de são Paulo
Introdução
Este artigo contrapõe-se ao foco da literatura brasileira de estudos urbanos
desenvolvida principalmente nas décadas de 1960 e 1970, a qual se preocupou
especialmente com a análise dos diversos mecanismos que contribuíam para a
configuração de espaços segregados, no contexto de discussões mais amplas a
respeito do modelo de desenvolvimento capitalista brasileiro (Santos, 1979;
Smolka, 1992; Bonduki e Rolnik, 1982). Ao invés de discutir os processos de
formação dos espaços periféricos e as causas da segregação residencial,
pretende-se analisar possíveis conseqüências da segregação do ponto de vista do
acesso dos mais pobres a serviços urbanos.
Segregação residencial é um tema que está longe ser consensual, tanto em termos
conceituais quanto dos grupos sociais que devem ser privilegiados na análise,
assim como dos mecanismos que estão na causa do fenômeno ou suas principais
conseqüências. Diversos autores a associam à falta de acesso a serviços
essenciais e a políticas públicas (Camargo et al., 1976; Kowarick, 1979).
Outros associam a segregação ao processo de formação das áreas periféricas nas
principais metrópoles brasileiras (Santos e Bronstein, 1978; Santos, 1979;
Vetter e Massena, 1981; Bonduki e Rolnik, 1982; Villaça, 2000). Muitos destacam
a relevância da concentração espacial de certos grupos sociais na definição do
fenômeno da segregação (Villaça, 2000; Marques e Torres, 2005), divergindo,
entretanto, quanto aos grupos sociais que devem ser analisados e, sobretudo,
quanto aos mecanismos que geram essas distribuições espaciais.
A literatura internacional também apresenta diversas formas de abordagem da
questão. A segregação residencial tem longa tradição de discussão em outros
países, especialmente nos Estados Unidos (Wilson, 1987; Massey e Denton, 1993;
Jargowski, 1997), assim como na França (Wacquant, 2001; Préteceille, 2003). Nos
Estados Unidos, o debate em torno da pobreza e da segregação urbana é
polarizado ideologicamente entre conservadores inscritos no registro doblaming
the victim (Murray, 1984) e liberais preocupados com processos estruturais mais
amplos (Wilson, 1987). Além disso, os estudos sobre segregação estão centrados
na questão racial (Kowarick, 2001 e 2003; Recio, 2003; Massey e Denton, 1993).
O enquadramento da questão social na França é completamente distinto, com
destaque para o papel do Estado na (re)inserção social dos indivíduos
(Kowarick, 2001 e 2003; Recio, 2003). A tradição francesa elaborou importantes
estudos sobre segregação, como as análises de Wacquant (1996, 2001) a respeito
dos guetos norte-americanos e as análises de Préteceille (2003) a respeito da
segregação sociorresidencial nas cidades francesas. Na América Latina, estudos
recentes sobre a dinâmica da segregação em várias cidades revelam a
complexidade do tema e dos próprios padrões de configuração espacial dos grupos
sociais (Sabatini et al., 2005; Kaztman e Retamoso, 2005; Groisman e Suárez,
2005; Torres e Bichir, 2008).
Neste artigo, a segregação é entendida como separação dos grupos sociais no
espaço, gerando relativa homogeneidade social interna e heterogeneidade em
relação aos grupos sociais do entorno, conceito este que permite a análise
empírica do fenômeno. Nesse sentido, pretende-se analisar as possíveis
conseqüências da segregação (e não as suas causas), entre elas seu impacto
sobre as condições de acesso às políticas de infra-estrutura urbana. Essa
política foi escolhida devido ao seu papel fundamental na conformação do espaço
urbano e na distribuição heterogênea de benefícios públicos entre os diversos
segmentos da população e entre as diferentes áreas da cidade de São Paulo
(Bichir, 2005).
Os dados apresentados baseiam-se em um survey representativo de 40% da
população mais pobre residente no município de São Paulo ' população que, à
época, contava com um rendimento familiar mensal de até R$ 1.100,00 ',
realizado em novembro de 2004 pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM'Cebrap).
O objetivo daquele estudo foi analisar as condições de acesso a diversas
políticas públicas de modo a verificar os níveis de cobertura auferidos e
identificar os principais determinantes do acesso a essas políticas. O foco na
população mais pobre permitiu verificar, para além da renda, quais são as
demais dimensões intervenientes (Figueiredo et al., 2005). As informações
coletadas foram endereçadas, permitindo a criação de indicadores espaciais e o
cruzamento das informações obtidas com dados de outras fontes, como por exemplo
os censitários. Uma vez que a amostra do survey foi desenhada de forma a captar
situações de pobreza nas diferentes macrorregiões da cidade (pobres residentes
em áreas centrais, em áreas intermediárias e em áreas periféricas, conforme
apresentado no Mapa_1 anexo), foi possível testar o impacto da segregação
residencial sobre as condições de acesso a serviços.
Além da relevância da segregação residencial, foram considerados outros
condicionantes do acesso aos serviços de infra-estrutura, tais como variáveis
individuais, condição de migração, participação associativa, entre outros
aspectos. Essas diferentes dimensões estão associadas a diversas matrizes
explicativas e relacionam-se com a premissa de que os condicionantes do acesso
a serviços urbanos são múltiplos, mesmo entre a população mais pobre do
município.
O artigo apresenta, na segunda seção, os níveis de cobertura de serviços
auferidos pela população de baixa renda de São Paulo e o indicador de acesso
elaborado para a análise. Na terceira seção é apresentada breve discussão das
principais explicações para o acesso a políticas públicas, apontando para os
indicadores que foram construídos. A quarta seção apresenta a metodologia
utilizada para avaliar a relevância de diversos indicadores na determinação das
condições de acesso à infra-estrutura urbana e também os resultados obtidos
nessa análise multivariada. Por fim, a quinta seção resume os resultados
obtidos.
Aspectos da infra-estrutura urbana no município de São Paulo
No surveyrealizado em 2004, foram avaliadas as condições de acesso à infra-
estrutura urbana, incluindo as redes de água, esgoto, iluminação pública,
energia elétrica e coleta de lixo, além da presença de calçamento, transporte
público próximo, e parques e praças. Em primeiro lugar, destacam-se os elevados
níveis de cobertura em quase todos os serviços, especialmente nos casos da
água, energia elétrica e coleta de lixo, praticamente universalizados mesmo
entre a população mais pobre. Porém, tratando-se em rede de esgoto, calçamento,
iluminação pública, transporte próximo e presença de parques e áreas verdes, as
coberturas são inferiores (Tabela_1).
Considerando essa elevada cobertura geral, optou-se pela construção de um
indicador mais exigente de acesso, que reuniu esses serviços. A agregação foi
possível porque esses serviços mostraram-se fortemente correlacionados, o que
indica que a provisão dos mesmos não se dá de modo isolado, mas é parte de uma
dinâmica mais geral dos serviços urbanos. Estes contribuem para a chamada
produção do "ambiente construído" ' a maioria fica incrustada no espaço,
adquire materialidade ' e devem chegar à porta dos domicílios (ou mesmo em seu
interior), ao contrário do que ocorre no caso dos equipamentos de educação e
saúde, por exemplo.
Para cada variável que compõe o indicador de acesso a serviços urbanos foram
consideradas duas situações: adequada (provisão dos serviços) ou não adequada
(não provisão dos serviços), sendo a provisão adequada identificada pelo valor
um (1) e a provisão não adequada pelo valor zero (0). O indicador final
corresponde a uma média dessas variáveis, variando em uma escala de zero a um,
onde zero representa a pior situação e um a melhor (Tabela_2).
A maioria dos domicílios está classificada nas situações mais adequadas, dadas
as altas coberturas observadas. Ou seja, de maneira geral é possível dizer que
mesmo os domicílios mais pobres contam com níveis adequados de acesso a
serviços urbanos. Os domicílios pior classificados nesse indicador
provavelmente não contam com parques e praças próximas, podem enfrentar
situações de intermitência no abastecimento de água e têm problemas com a rede
de esgoto e com a iluminação pública, porém contam com rede de água, energia
elétrica e coleta de lixo.
Além disso, esse indicador foi agregado em três grupos: serviços inadequados (0
a 0,88); serviços deficientes (0,88 a 0,89) e serviços adequados (de 0,89 a 1).
Analisando a distribuição desse indicador segundo as grandes regiões do
município (Tabela_3), é possível observar que há diferenciais significativos de
acordo com o tipo de área: enquanto na área periférica 45,9% dos domicílios
contam com serviços inadequados, nas áreas centrais somente 22,1% apresentam
essa situação. Padrões similares são observados de acordo com outras variáveis
territoriais, pois domicílios localizados em áreas de favela ou loteamentos
irregulares também apresentam níveis de acesso inferiores. Esses resultados
indicam que o acesso a esses serviços ainda apresenta problemas nas áreas mais
segregadas.
Contudo, esses resultados não são suficientes para comprovar a hipótese de que
existe relação entre segregação residencial e pior acesso a serviços urbanos.
Em algumas interpretações, o pior acesso a serviços urbanos tem sido analisado
não como fruto da segregação, mas como conseqüência das condições de
ilegalidade do acesso à terra, que constituiriam barreiras à expansão dos
investimentos públicos (World Bank, 1999; Maricato, 1996). Assim, de modo a
avaliar mais detidamente os fatores que condicionam os níveis de acesso à
infra-estrutura urbana, é necessário desenvolver análises mais complexas, como
apresentado neste artigo.
Condicionantes do acesso a políticas públicas
Há diversas hipóteses explicativas para as condições de acesso a políticas
públicas, especialmente quando se trata dos grupos mais pobres da população.
Algumas abordagens destacam aspectos individuais dessas populações, suas
características socioeconômicas e demográficas, tais como sexo, idade, renda,
entre outras (Barros et al., 2001; Menezes-Filho e Pazello, 2005). Muitas
análises destacam a relevância da atuação estatal na promoção dos serviços e
políticas, apontando para as diferentes motivações que os agentes estatais '
especialmente as burocracias ' têm ou não para expandir os serviços para os
grupos mais carentes, visando à sua reprodução (Marques, 2000). Na literatura
dos anos 1980, destacou-se o papel dos movimentos sociais na explicação da
expansão da provisão de serviços para áreas periféricas das metrópoles
brasileiras (Jacobi, 1989; Sader, 1988; Gohn, 1991). Outros autores, mais
recentemente, apontam a relevância de redes de relações sociais de diversos
tipos, advindas de grupos de parentesco, associações comunitárias, instituições
religiosas e laicas (Gurza Lavalle e Castello, 2004; Almeida e D'Andrea, 2004).
Nessa seção, apresentamos algumas dessas dimensões intervenientes no acesso a
políticas públicas, particularmente aquelas que puderam ser testadas na análise
a partir dos dados do survey supracitado, bem como os indicadores que foram
construídos para cada uma dessas dimensões explicativas.
Estado
Estudar políticas públicas ' que, assim como políticas de infra-estrutura
urbana, configuram-se em cristalizações das ações estatais na cidade ' é
relevante no entendimento dos diferentes padrões de conformação do território,
pois, como afirma Préteceille (2003, p.10), referindo-se à metrópole
parisiense, "[...] a qualidade dos espaços residenciais não é o resultado da
distância em relação ao centro ou da evolução histórica da cidade, mas é também
o efeito das políticas públicas, que podem transformar esta qualidade através
da criação de infra-estruturas de equipamentos e serviços".
A própria atuação do Estado no espaço urbano, por meio das políticas públicas,
pode contribuir para criar, reforçar ou reduzir mecanismos de segregação. O
Estado tem forte influência na produção desses espaços segregados, pois sua
atuação no ambiente construído, por meio de investimentos em infra-estrutura e
em outros equipamentos públicos, gera valorizações de certas áreas e
desvalorização de outras. Isso faz com que a população mais pobre muitas vezes
não possa arcar com os custos das benfeitorias ' devido a mecanismos de renda
da terra ' e seja deslocada para outras áreas, distantes e desprovidas de
infra-estrutura básica e equipamentos públicos, aumentando, desse modo, seus
gastos com transporte e sua exposição a variados tipos de risco.
De modo a testar, ainda que indiretamente, a in-fluência da atuação estatal,
foi avaliado o impacto do investimento estatal em pequenas obras de infra-es-
trutura viária sobre as condições de acesso à infra-estrutura urbana. Esse é o
único indicador que não deriva dos dados do survey, mas sim de uma pesquisa
consolidada em Marques (2003).1 Foram consideradas apenas obras de pequeno
porte com recortes espaciais específicos ' como obras de pavimentação de ruas e
pequenos serviços de drenagem ' que foram realizados no período 1975-2000 pela
prefeitura (Bichir, 2005). Todos esses investimentos foram endereçados e então
foi criado um indicador referente ao valor médio dos investimentos viários por
área. A hipótese por trás desse indicador refere-se à possibilidade de locais
com maiores investimentos estatais em infra-estrutura viária serem também
locais mais servidos por infra-estrutura urbana, pois geralmente essas obras
são realizadas de forma conjunta.
Variáveis territoriais
Como apontado, um conjunto importante de condicionantes do acesso a políticas
refere-se às variáveis territoriais (Torres, 2005). Na construção desses
indicadores, levou-se em consideração a escala da segregação, ou seja, o fato
de que uma mesma cidade pode ser diferentemente segregada de acordo com a
escala considerada (Sabatini, 2000). Essa distinção de escalas permite abordar
a micro e a macrossegregação, sendo a microssegregação considerada numa escala
geográfica mais detalhada (como, por exemplo, o isolamento espacial de
determinados grupos sociais no interior de um bairro) e a macrossegregação numa
escala espacial mais abrangente, como os padrões de aglomeração espacial de
grupos sociais na cidade como um todo.
Em primeiro lugar, considerou-se a macrossegregação. Nessa escala bastante
agregada, procurou-se avaliar a distância média de cada domicílio pobre em
relação às áreas mais ricas (região Sudoeste do município) e também a
relevância dos grandes tipos de área definidos no próprio desenho do survey
(macrorregiões central, intermediária e periférica ' ver Mapa_1, em anexo). A
idéia por trás desses indicadores é testar o impacto da distribuição dos
domicílios mais pobres na cidade como um todo, abordando as áreas mais ricas
como pólos de atração de população, especialmente devido à maior oferta de
empregos e serviços (Villaça, 2000).
Em uma escala intermediária, aqui denominada mesossegregação, procurou-se
avaliar o impacto da renda do "ambiente" em que se insere o domicílio pobre
analisado no survey. Nesse caso, seguiu-se a hipóte-se presente nos estudos de
"efeitos de vizinhança" (neighborhood effects) de que domicílios pobres
localizados em áreas ricas ou em ambientes também pobres enfrentam situações
sociais bastante diversas, em que a situação de concentração espacial de
pobreza é problemática em termos de mecanismos de reprodução da pobreza
(Brooks-Gunn e Duncan, 1997; Yinger, 2001; Durlauf, 2001). Os indicadores
construídos nesse caso foram as áreas segregadas segundo um indicador de
concentração espacial de grupos sociais (Índice de Moran Local2) e a renda
média do chefe do domicílio em um raio de até 3km,3 de modo a verificar o
impacto das condições econômicas do ambiente em que se insere o domicílio de
baixa renda.
Por fim, na escala mais desagregada espacialmente, a microssegregação,
procurou-se testar os efeitos do ambiente local que poderiam ter impactos sobre
as condições de vida de populações de baixa renda, como a residência em áreas
de favela (Torres e Bichir, 2008). Nesse caso, os indicadores criados foram a
renda média do chefe em um raio de até 500m ao redor dos domicílios pobres e os
domicílios pobres localizados em área de favela e loteamentos irregulares.4
Fatores individuais
Além da dimensão espacial, outras vertentes, presentes especialmente no âmbito
da economia e da demografia, ressaltam a importância de fatores individuais no
entendimento das condições de acesso a políticas públicas. Essas
características sociais e demográficas da população alvo poderiam estimular
maior acesso a informações e maior conhecimento sobre os mecanismos de
funcionamento e os canais de acesso a certas políticas públicas (Barroset al.,
2001). Neste artigo foram testadas diversas características dos responsáveis
pelos domicílios mais pobres ' sexo, idade, cor, tempo médio de estudo ', bem
como a renda familiar mensal, informações disponíveis no survey.
Participação associativa
Muitos autores mobilizam em suas explicações o papel dos movimentos sociais
urbanos que teriam contribuído para redirecionar os investimentos estatais para
as áreas periféricas após sua emergência nos anos de 1970 e início dos 1980
(Jacobi, 1989; Sader, 1988; Gohn, 1991). Outros apontam a importância dos
grupos de parentesco e dos vínculos com instituições religiosas ou laicas
(Gurza Lavalle e Castello, 2004; Almeida e D'andrea, 2004) como aspectos que
teriam influência sobre o acesso a serviços públicos, especialmente no âmbito
de comunidades carentes. Assim, foram testadas, por meio das informações
disponíveis no survey, a influência dos vínculos dos indivíduos mais pobres da
população com associações religiosas e com associações civis de diversos tipos,
bem como sua preferência partidária, de modo a avaliar o impacto do
associativismo, das relações comunitárias e do acesso a canais de informação
sobre os serviços considerados.
Tempo no bairro
Também há vertentes que destacam a importância do tempo de residência em um
determinado local do ponto de vista do incremento das condições de acesso a
certos serviços. Apesar de criticar-se a tese do "evolucionismo urbano" '
segundo a qual o Estado tenderia a expandir os serviços primeiro para as áreas
mais centrais e consolidadas, que seriam mais "visíveis" para as políticas
públicas, levando mais tempo para atingir as áreas mais distantes ', considera-
se que o maior tempo de residência em certas áreas pode contribuir para a
realização de uma série de melhorias nas residências, nos bairros, e
conseqüentemente, na qualidade de vida dessas populações (Kowarick, 2005).
Alguns estudos demonstram ainda que nas áreas periféricas o tempo de residência
no bairro é importante para o adensamento das redes de relações e para a
capacidade de organização, inclusive para a possibilidade de demandar serviços
junto ao poder público (Almeida e D'Andrea, 2005).
Todos esses indicadores foram considerados na análise das condições de acesso
dos mais pobres à infra-estrutura urbana em São Paulo, como apresentado a
seguir.
Modelo de acesso à infra-estrutura urbana
De modo a explorar os diversos condicionantes do acesso à infra-estrutura
urbana, foi necessária a utilização de uma análise multivariada que permitisse
testar conjuntamente os diferentes indicadores discutidos. Nesse sentido, esta
seção apresenta o modelo de análise utilizado para testar as relações entre os
diversos conjuntos de indicadores e os níveis de acesso aos serviços urbanos (o
indicador sintético de acesso apresentado na segunda seção).
Foi utilizado o modelo estatístico de CHAID (Chi-squared Automatic Interaction
Detector), técnica utilizada para estudar a relação entre uma variável
dependente e uma série de variáveis explicativas (preditoras) que interagem
entre si, estabelecendo uma hierarquia das influências das variáveis
consideradas. O modelo testa todas as partições possíveis de suas categorias '
em tabelas de dupla entrada com as relações entre a variável dependente e cada
preditora ', escolhendo aquela que apresenta o maior valor para a estatística
qui-quadrado. Os dados são agrupados segundo a partição escolhida e uma nova
análise é realizada dentro de cada subgrupo, repetindo-se o procedimento
anterior para a variável dependente e as demais preditoras. Esse processo é
repetido sucessivamente até que os grupos divididos cheguem a um número mínimo
de casos estipulado. É possível considerar as variáveis indicadas no resultado
final como os condicionantes mais importantes na explicação da variabilidade da
variável dependente. Esse modelo é bastante útil em análises exploratórias,
quando as associações entre as variáveis de interesse não são bem conhecidas
(Figueiredo et al., 2005). Além de testar, ao mesmo tempo, o impacto de
diversas variáveis explicativas, outra vantagem deste método é permitir a
caracterização dos perfis daqueles que têm ou não acesso a certa política.
Neste estudo, o modelo multivariado partiu do indicador sintético de acesso à
infra-estrutura como variável dependente. Assim, o modelo procurou identificar
os principais condicionantes para os três níveis de acesso do indicador: acesso
inadequado, acesso deficiente e acesso adequado. Como variáveis explicativas,
foram utilizadas aquelas discutidas na seção anterior, apresentadas na Tabela
4, com a indicação daquelas que permaneceram e as que foram excluídas da
análise.
O modelo final obtido por meio da técnica de Chaid é apresentado na Figura_1, a
seguir, e permite verificar as variáveis que se mostraram mais associadas com o
indicador de infra-estrutura urbana.
Nessa figura, a variável dependente corresponde ao indicador de acesso à infra-
estrutura urbana dividido em três níveis de acesso. O primeiro ramo da árvore
apresenta as variáveis mais importantes para explicar o acesso a esses serviços
' ou seja, a variável explicativa mais associada com o indicador de infra-
estrutura urbana. A importância das variáveis cai sucessivamente nos ramos
inferiores, o que significa que as associações observadas são menores. No
interior de cada célula ' que representa um recorte dentro do universo de
domicílios pobres do município de São Paulo, configurando um grupo com
características particulares ' estão indicados os percentuais de acesso
inadequado, de acesso deficiente e de acesso adequado aos serviços urbanos. Os
percentuais apresentados sob cada quadro indicam a participação daquele grupo
no total de domicílios pobres do município.
Em primeiro lugar, o modelo indica que o principal elemento na diferenciação
das condições de acesso à infra-estrutura urbana é a macrorregião de
residência, ou seja, o fato de o domicílio pobre estar localizado na área
central, intermediária ou periférica, destacando a relevância da escala da
macrosegregação para o entendimento das condições de acesso a serviços urbanos
em São Paulo. Observa-se que os níveis de acesso adequado caem à medida que se
passa da área central para a área periférica, e que há maior proporção de
domicílios pobres localizados em áreas periféricas com níveis de acesso
inadequados: 45,0%, contra 29,0% dos domicílios localizados em áreas
intermediárias e 24,4% em áreas centrais. Esse resultado confirma a hipótese da
relevância da segregação residencial para o acesso a políticas públicas,
indicando que mesmo em contextos de elevada cobertura há diferenciais de acesso
de acordo com a região de moradia. A seguir, são especificadas as condições de
acesso dentro de cada uma dessas macrorregiões.
Áreas periféricas
Entre os domicílios localizados em áreas periféricas, a segunda dimensão mais
importante é o tempo de permanência no bairro, o que aponta para a relevância
do grau de consolidação dos domicílios como aspecto que pode garantir melhores
condições gerais de infra-estrutura urbana. Os dados indicam que, quanto maior
esse tempo, maior a proporção de domicílios com acesso adequado a serviços
urbanos.
Entre os domicílios chefiados por pessoas há menos de dez anos no bairro,
constata-se outra diferenciação, referente à renda familiar per capita. Os
domicílios em que a renda familiar per capita é de no máximo meio salário
mínimo contam com níveis de acesso muito piores do que domicílios cujos chefes
também estão há pouco tempo no bairro, mas que têm renda familiar per capita
superior a meio salário mínimo. Esse grupo, formado por domicílios localizados
em áreas periféricas, com chefes há pouco tempo no bairro e com menor renda
familiar per capita representa a pior situação observada entre todos os grupos
analisados: quase 70% dos domicílios nessa situação têm níveis inadequados de
acesso a serviços urbanos, sendo provavelmente áreas bastante precárias, nas
franjas do município, desprovidas de esgotamento sanitário, calçamento e outros
serviços. Esses resultados parecem confirmar certa relevância da dimensão
econômica mesmo entre os domicílios mais pobres do município, indicando o
funcionamento de mecanismos de renda da terra que deslocam as populações com
menos recursos para as áreas mais precárias (Vetter e Massena, 1981).
Analisando os domicílios que são chefiados por pessoas que estão entre 11 e 23
anos no bairro, verifica-se que há diferenciação no acesso de acordo com os
níveis de investimentos viários que foram realizados na região ao longo do
período 1975-2000. Observa-se que os domicílios que estão em áreas que
receberam volume de investimento viário acima da média contam com melhores
níveis de acesso a serviços urbanos. Esse resultado provavelmente sofre o
efeito do corte temporal dos investimentos viários analisados: aqueles que
estão há menos tempo no bairro não se beneficiaram dos investimentos viários
localizados nesse período; aqueles que estão há mais tempo no bairro
provavelmente beneficiaram-se de investimentos estatais realizados
anteriormente.
Por fim, entre os domicílios cujos chefes estão há mais de 24 anos no bairro,
verifica-se que não há mais nenhum indicador diferenciando os níveis de acesso
a serviços urbanos (não há um terceiro ramo da árvore). Esse resultado indica
que, nesses casos, apenas o grau de consolidação das áreas já é suficiente para
explicar os melhores níveis de acesso dentre aqueles que estão em áreas
periféricas ' níveis estes que, contudo, são inferiores àqueles observados em
áreas intermediárias e centrais, conforme apresentado a seguir. Em termos
comparativos, domicílios localizados nesse grupo têm menos acesso inadequado a
serviços urbanos do que domicílios localizados em áreas de favela na
macrorregião intermediária, o que indica que, para além dos efeitos da
macrossegregação é necessário atentar para situações de microssegregação que
podem ter impacto sobre as condições de acesso.
Área intermediária
No caso desses domicílios, a segunda dimensão mais relevante é a distância em
relação às centralidades da RMSP, com domicílios mais próximos das áreas
centrais (a no máximo 5km) contando com melhores níveis de acesso do que
domicílios mais distantes (a mais de 5km dessas centralidades). Esse resultado
parece confirmar a relevância da proximidade às áreas centrais para a obtenção
de melhores níveis de acesso a serviços: enquanto 41,32% dos domicílios
localizados a até 5km das centralidades da RMSP contam com serviços urbanos
adequados, somente 21,98% dos domicílios a mais de 5km das centralidades contam
com tal nível de acesso.
Entre os domicílios que estão mais próximos das áreas centrais, o terceiro
elemento de diferenciação é a moradia em áreas de favela ou loteamen-tos
irregulares: enquanto 44,6% dos domicílios não localizados em áreas de favela
ou loteamentos possuem níveis de acesso adequados, apenas 33,61% dos domicílios
localizados nessas áreas apresentam esse mesmo nível. Além da relevância da
microssegregação, esses resultados apontam para a existência de certas
barreiras institucionais ao investimento e para a "invisibilidade" dessas áreas
aos olhos do poder público (Torres e Bichir, 2008).
Área central
No caso dos domicílios localizados em áreas centrais, a segunda dimensão mais
relevante é a renda do microambiente, sendo que quanto maior for essa renda,
mais adequados serão os níveis de acesso. Esses resultados reforçam a
importância da dimensão territorial nessa escala menos agregada, destacando o
impacto das características da vizinhança dos domicílios para o entendimento
dos padrões de acesso a serviços.
Entre os domicílios localizados na região central, mas em áreas com
microambiente mais pobre (renda do chefe de no máximo 5 sm), há maior proporção
de acesso inadequado a serviços urbanos do que no caso dos domicílios
localizados em áreas periféricas (56,6% contra 45%). Esse resultado parece
indicar situações localizadas de precarieda-de no interior da área central,
provavelmente áreas de cortiços ou de favelas, com acesso deficiente aos
serviços urbanos. Como demonstram Marques e Saraiva (2005), as condições
sociais de algumas favelas localizadas na região central do município são mais
precárias do que aquelas observadas nas favelas localizadas em áreas
periféricas.
Entre os domicílios localizados em microambiente com renda intermediária, os
níveis de acesso a serviços urbanos são melhores do que os domicílios pobres
localizados em ambientes também pobres e piores do que os domicílios
localizados em ambientes ricos.
Nas áreas de mais alta renda do microambiente (acima de 10sm), verifica-se a
relevância da idade do chefe de domicílio: aqueles cujos chefes são mais jovens
(entre 18 e 29 anos) possuem menores níveis de acesso adequado a serviços
urbanos. Esse resultado parece apontar para as dificuldades enfrentadas no
início de ciclo de vida familiar por parte de chefes de família jovens e de
baixa renda, gerando inserção mais precária na cidade. Em termos comparativos,
esse grupo chefiado por pessoas mais jovens tem níveis de acesso um pouco
inferiores àqueles observados no caso dos domicílios localizados na
macrorregião intermediária, em áreas próximas às centralidades e que não são
áreas de favelas ou loteamentos.
Por outro lado, os domicílios localizados em área central, em microambiente
mais rico e chefiados por pessoas com mais de 29 anos apresentam os níveis de
acesso a serviços urbanos mais adequados entre todos aqueles considerados no
modelo ' 62,9% dos domicílios desse grupo possuem níveis de acesso adequados.
De maneira geral, apesar desses diferenciais, é possível dizer que os níveis
médios de acesso observados no caso dos grupos de domicílios localizados na
região central são mais elevados do que os grupos de domicílios localizados em
outras regiões.
Considerações finais
Recentemente, autores começaram a alertar para heterogeneidade das áreas
periféricas, indicando que cada vez mais é preciso falar em periferias,com
características bastante peculiares, e não mais em periferia, pois esse rótulo
abrangente coloca sob o signo da homogeneidade realidades muito distintas.
Entretanto, poucos realmente conseguem demonstrar como se desdobra essa
heterogeneidade, não só do ponto de vista das condições gerais de vida como da
perspectiva do acesso a políticas públicas. Esse artigo pretendeu contribuir
para o preenchimento dessa lacuna, utilizando dados de survey, ferramentas de
geoprocessamento e um modelo multivariado de acesso para mostrar como são
complexas as condições de acesso a serviços públicos mesmo entre as populações
mais pobres de São Paulo. Logrou-se demonstrar também a relevância da
segregação residencial, em suas múltiplas manifestações, sobre as condições de
acesso à infra-estrutura urbana.
Os resultados indicaram que as condições de acesso à infra-estrutura urbana
entre os mais pobres são explicadas por um conjunto bastante diversificado de
fatores, apontando a complexidade das situações de acesso. Além disso, mostrou-
se que, apesar das coberturas relativamente altas dos serviços urbanos, há
barreiras localizadas ao acesso que precisam ser enfrentadas pelo poder
público, sendo que este deve estar atento para a heterogeneidade das situações
de segregação residencial, que se manifestam em diferentes escalas.
O grupo com acesso mais inadequado entre todos é formado por domicílios
localizados em áreas periféricas, cujos chefes estão há pouco tempo no bairro e
a renda familiar per capita é baixa ' situação que representa 7,67% do total de
domicílios mais pobres do município. Entretanto, situações inadequadas também
são observadas na área intermediária ' no caso dos domicílios distantes das
centralidades ' e mesmo na área central, no caso de microambientes pobres.
Esses resultados reforçam a necessidade de um olhar atento para as diversas
situações de privação existentes no município e para a relevância da escala da
segregação ' ou seja, a "lupa" dos formuladores de políticas deve ser bem
acurada, indo além das grandes regiões da cidade e atentando para situações
particulares.
Por outro lado, com os níveis de acesso mais adequados a serviços urbanos,
estão os domicílios localizados em áreas intermediárias, próximos às
centralidades e fora de áreas de favela (situação em que se incluem 19,13% do
total de domicílios mais pobres do município) e o grupo de domicílios
localizados na macrorregião central, em microambiente rico e chefiado por
pessoas mais velhas. Verifica-se então que a maior parcela dos domicílios
pobres enfrenta poucas situações inadequadas de acesso a serviços urbanos.
De maneira geral, as variáveis territoriais foram aquelas que mais geraram
diferenciais nos níveis de acesso a serviços urbanos, especialmente as
relacionadas com a escala da macrossegregação, ou seja, ao fato de os
domicílios estarem localizados em áreas centrais, intermediárias ou
periféricas. Seguindo Marques e Bichir (2001), é possível pensar em dois
mecanismos principais para esse menor nível de cobertura nas áreas periféricas.
O primeiro estaria relacionado às burocracias responsáveis por esses serviços:
de modo a garantir a sua própria reprodução, os técnicos estatais dependem dos
desdobramentos das políticas implementadas por seus órgãos, o que os
estimularia a expandir as políticas de infra-estrutura urbana para novas
fronteiras. Contudo, para além das motivações das burocracias, é importante
considerar uma segunda dinâmica, denominada por Marques (2000) de "seletividade
hierárquica das políticas". De acordo com essa abordagem, a cultura técnica da
burocracia de certos setores da administração pública tem conseqüências para a
implementação das políticas, fazendo com que estas sejam expandidas
prioritariamente ' e com melhor qualidade ' para as áreas mais ricas das
cidades, sendo implantadas posteriormente nas áreas mais periféricas (Marques,
2000). Também é possível pensar nas relações entre as burocracias responsáveis
pela provisão de serviços urbanos com as empresas privadas contratadas para a
realização dos mesmos, o que certamente tem impacto sobre as áreas da cidade
que são privilegiadas (Marques, 2003). Entretanto, essas dimensões não puderam
ser exploradas com os dados aqui disponíveis, sendo necessárias análises
qualitativas mais aprofundadas para a compreensão dos mecanismos envolvidos no
caso da atuação das burocracias, seguindo a linha das pesquisas desenvolvidas
por Marques (2000, 2003).
Também no plano da macrossegregação, verificou-se a relevância das distâncias
às áreas socioeconomicamente bem inseridas da RMSP, reforçando a hipótese da
importância das áreas centrais como pólos de concentração de empregos, serviços
e oportunidades em geral, como apontado por diversos autores (Villaça, 2000;
Sabatini, 2004).
Além da macrossegregação, verificou-se a relevância de dimensões de
microssegregação. A renda do chefe no microambiente mostrou ser relevante na
especificação dos níveis de acesso observados em áreas centrais, com domicílios
pobres localizados em ambientes mais ricos contando com melhores níveis de
acesso. Esses resultados apontam para a relevância da vizinhança, ou seja, a
importância das características do entorno dos domicílios para os níveis de
acesso a serviços urbanos auferidos (Massey e Denton,1993). E, no caso da
renda, reforçam o argumento dos economistas, relativo ao funcionamento do
mercado de terras e seu impacto sobre o acesso a serviços urbanos.
A localização em áreas de favela ou loteamentos irregulares, por sua vez,
contribuiu para especificar as condições de acesso dos domicílios localizados
em áreas intermediárias, porém próximos do centro, representando níveis menos
adequados de acesso. Esse resultado indica a relevância da dimensão da posse da
terra ' a grande questão é como expandir serviços estatais para áreas ilegais.
Verificou-se que as áreas de favela e de loteamentos irregulares ainda sofrem
com a menor penetração de serviços urbanos, devido à "invisibilidade" dessas
áreas para o poder público, às diversas barreiras institucionais aos
investimentos estatais e a mecanismos de segregação.
Além das variáveis territoriais, o indicador relativo ao grau de consolidação
da área em que se localiza o domicílio ' tempo que o chefe de domicílio reside
no bairro ' também se mostrou relevante, indicando que aqueles que estão há
mais tempo na área contam com níveis mais adequados de serviços urbanos. Essas
áreas de ocupação mais antiga podem ser marcadas por maior grau de organização
e por maior densidade das redes de relações (o que só pode ser verificado por
meio de outras análises), gerando maior potencial de mobilização e poder de
demanda junto ao poder público.
Observou-se ainda a relevância do Estado, por meio dos investimentos em infra-
estrutura viária, ainda que em patamar menos significativo. Esses investimentos
mostraram-se importantes especialmente nas áreas periféricas com grau de
consolidação intermediário. Seria importante avançar no entendimento do impacto
dos investimentos estatais, analisando os investimentos em infra-estrutura
urbana propriamente dita.
Por sua vez, as variáveis individuais apresentaram relevância reduzida, pois
serviram somente para apontar casos específicos de acesso no caso das áreas
centrais ' caso da variável "idade do responsável pelo domicílio" ' e nas áreas
periféricas ' caso da "renda familiar per capita". As variáveis relativas à
participação em associações civis e religiosas não se mostraram diretamente
significativas no modelo. Entretanto, essa dimensão do associativismo parece
ter certa relevância indiretamente, uma vez que o indicador de tempo de
residência no bairro ' que pode representar uma próxi da potencial de
mobilização dessa população ' mostrou-se relevante. Novamente, estudos de caso
seriam necessários para aprofundar esse ponto.
Todos esses resultados reforçam a complexidade das condições de acesso a
políticas entre os mais pobres e a permanência de uma série de desigualdades de
acesso mesmo quando o Estado chega às áreas periféricas das grandes cidades.
Além disso, destaca-se aqui que a segregação é um problema de política pública,
especialmente quando se considera que ela constitui mecanismo particularmente
relevante de reprodução das desigualdades socioeconômicas.
Notas
1 Essa pesquisa analisou os padrões de investimento em infra-estrutura viária '
obras como canalização de córregos, abertura de grandes vias, drenagem,
pavimentação, entre outras ' no município de São Paulo no período 1975-2000.
Para maiores detalhes, ver Marques, 2003.
2 Esse índice estima o grau de homogeneidade ou diferença entre áreas urbanas
vizinhas entre si de acordo com uma dada variável de interesse e permite a
identificação de clusters de pobreza, sendo uma medida propriamente espacial da
segregação (Bichir, Torres e Ferreira, 2005).
3 Essa variável foi construída por meio de geoprocessamento, com base nos
setores censitários de 2000. A partir de cada questionário do surveyendereçado,
verificou-se a informação relativa à renda do chefe de domicílio em um raio de
três quilômetros, informação que se transformou em um atributo da base do
survey.
4 Esse indicador também foi obtido por meio de georreferenciamento, associando-
se os pontos do survey com a base de favelas e loteamentos irregulares
desenvolvida pelo CEM (Marques, Torres e Saraiva, 2003).
5 Todas essas variáveis foram criadas a partir dos dados do survey supracitado.
A única exceção refere-se à variável "níveis de investimento viário por área",
criada a partir de dados de uma pesquisa anterior sobre investimentos viários
em São Paulo (ver nota 3).