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EuPTCVAg0871-018X2012000200010

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National varietyEu
Year2012
SourceScielo

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O mancozebe é um óptimo exemplo da diversidade de classificação toxicológica dos pesticidas em Portugal

INTRODUÇÃO É bem conhecida a frequente ocorrência de diversidade da classificação toxicológica dos pesticidas, nomeadamente entre a Autoridade Fitossanitária Nacional (AFN) (actualmente DGADR e antes CNPPA e DGPPA) e a European Food Safety Authority (EFSA) da UE (4,5).

Um estudo recente (5), evidencia que, nas 306 substâncias activas (s.a.) existentes em Portugal em 1/1/11, 46% tinham elevadas e mais perigosas classificações toxicológicas, com predomínio de s.a. com: Efeitos Tóxicos na Reprodução (38%); Toxidade aguda, T+ e T (32%); e Cancerígenas (29%). Como frisante exemplo da diversidade de classificação toxicológica, destaca-se que 48%das classificações antes referidas são atribuídas pela EFSA e ignoradas pela AFN.

Esta situação não é novidade, pois em 2008 (4) era evidente a política de esconder os pesticidas com efeitos específicos na saúde humana: Cancerígenos, Mutagénicos e Tóxicos para a Reprodução ' os CMR e referia-se na Questão Q7.

Obrigatoriedade imposta pela Directiva 1999/45/CE: Perante a chocante diferença, entre Portugal e a França, registada entre 1995 e 2001, como aceitar que, com a obrigatoriedade imposta pela Directiva 1999/45/CE, os especialistas da DGPC e da CATPF descobriram haver em Portugal, em 2005,48 s.a.

com efeitos específicos na saúde humana, quando em França, em 2001, se referia o mesmo número 48e em Portugal setes.a. (Quadro 24)? (4).

E para melhor esclarecimento do fundamento de tentativas de explicação por diferença entre perigoda EFSAe riscoda AFN,aguarda-se a divulgação pública de informação dos 8 países da Zona SUL sobre:

Entidadesresponsáveis pela decisão de autorização; Classificações toxicológicas e ecotoxicológicasdos produtos formulados; Justificação, por redução do risco

, da não adopção do perigoda EFSA (5).

O Anexo_1 é o Painel P7 do Encontro Nacional de Protecção Integrada (6).

A EVOLUÇÃO DA COMERCIALIZAÇÃO DO MANCOZEBE, EM PORTUGAL, DESDE 1965 Os dados da AFN, desde 1965 (Laboratório de Fitofarmacologia) até 2011 (12), esclarecem que a venda e o uso do fungicida mancozebe, em Portugal, teve início em1965, com o DITHANE M-45, com 2 produtos formulados (p.f.) de uma substância activa (s.a.) Simples (S) por 2 empresas: Permutadora e Valadas. Em 1972 havia 5 p.f. desta s.a S de 4 empresas, mas em 1973, além dos 5 p.f. de mancozebe, surge a s.a. Mistura (M): DITHANE CUPROMIX (mancozebe+sulfato de cobre) com 2 p.f. da Permutadora e da Valadas, no total de 7 p.f.. A evolução gradual ocorre até 1984com 10 p.f. de mancozebe e 8 p.f. de 6 M, no total de 18 p.f. de 9 s.a. de 9 empresas. Sempre com tendência crescente, atinge-se em 2001: 20 p.f. de mancozebe e 41 p.f. de 18 M, no total de 61 p.f. de 19 s.a, de 19 empresas. Após nítida perturbação entre 2001 e 2005 é retomada a tendência crescente, atingindo-se em 2010os máximos de18 s.a. e 69 p.f. de 23 empresas (inferior às 24 em 2011) (Fig._1).

As vendas de pesticidas com mancozebe, expressas em toneladas de s.a., entre 1991 e 2010, segundo dados divulgados anualmente pela AFN (ex:1,2,3, 11,13,16), variaram entre 446t em 1992 e 878tem 2008, com ligeira tendência crescente, alguma oscilação e com evidentes reduções entre 1998 (851 t) e 2002 (557 t) e entre 2008 (878 t) e 2010 (647 t) e um período estacionário (557 t ' 625 t ' 592 t) entre 2002 e 2006. Este nível de vendas coloca o mancozebe em lugar, após o enxofre (2017-10 609 t) e, desde 2001, o glifosato (11t em 1991 ' 1427 t em 2010) (Fig._2).

A CLASSIFICAÇÃO TOXICOLÓGICA DE PESTICIDAS COM MANCOZEBE A classificação toxicológica da AFN em Portugal Em 1/1/11 estavam autorizados, em Portugal, pela AFN (12), 65 p.f. de 17 s.a.

com mancozebe, sendo os tipos de formulação: pós molháveis (WP) (75%), grânulos dispersíveis em água (WG) (23%) e suspensão concentrada (SC) (2%). O teor em s.a. relativo a mancozebe era: em 20 p.f. da s.a. S ( mancozebe) de 75% e 80%; em 19 p.f. de 9 Misturas (M) com mancozebe variava de 64 a 70%; no mancozebe+propamocarbe Na classificação toxicológica, da AFN, predomina, a par de N (97%), Xi (60%) e Xn (38%) e, ainda, Sem Informação (S) (2%) no cobre (sulfato de cobre e cálcio)+mancozebe (8%) com R100 e R51/53 e Sem N(Sn) (3%). Quanto a outras frases de risco, destaca-se R50/53 (85%), R43(77%), Pode causar sensibilização em contacto com a pelee R37(71%), Irritante para as vias respiratórias(Quadro 1).

Como estranhaexcepção, a AFN, a par de 58 p.f. (89%) sem classificação de CMR, adopta R40' Possibilidade de efeitos cancerígenose R63' Possíveis riscos durante a gravidez com efeitos adversos na descendência,em 3misturas:

mancozebe+bentiavalicarbe (éster isopropílico) (VALBON,Sip Inagra);

mancozebe+cimoxanil+ fosetil-Al (confirmado, para R63, no rótulo do POMBAL PLUS WG, Sapec) (14); 1 dos 3 p.f. de mancozebe+cimoxanil+folpete (confirmado pelo rótulo de SYGAN LS, Du Pont (9)).

E os outros 2 p.f. da mistura mancozebe+cimoxanil+ folpete são classificados com R40 (pelo folpete?) e o mancozebe+tebuconazol com R63(pelo tebuconazol?) (Quadros_1 e 2).

As classificações toxicológicas da EPA, da EFSA e de algumas bases de dados Através da Internet, é fácil obter informação da classificação dos pesticidas, nomeadamente domancozebe, através daEPA e da EFSA e de várias bases de dados.

A EPA: em 1977, iniciou os estudos da toxidade humana do mancozebe; em 1989,classificou a toxidade do metabolito etilenotiureia (ETU) de probable human carcinogen(B2);eem 1992, determinou a proibição do uso de mancozebe em numerosas culturas, cujo número foi reduzido posteriormente (7). Em 2005, foi aprovada a Reregistration eligibility decision for mancozeb (10) que confirma ser cancerígeno e indica potencial endocrine disruptioncom riscos para a saúde humana e possible effects to birds and mammals. Não classificação relativa a toxidade para a reprodução e o desenvolvimento. Não é permitido o uso de mancozebe em tratamento foliar de algodão, em residential/turf e athletic/turf. Mantem-se o intervalo de reentrada de 24 horas em várias culturas (ex: batateira, macieira, tomateiro e vinha).

AEFSA classifica o mancozebe de R63e Xi, R43. No relatório da SANCO/4058/2001 ' rev. 4.4, de Julho de 2009(8), refere-se:

Carcinogenicidade ' Tiróide (inibição de peroxidase da tiróide, hipertrofia/hiperplasia); retinopatia a doses elevadas. Adenomas e carcinomas da tiróide em ratos a doses elevadas; Toxidade na Reprodução ' Decreased pup weight at parentally toxic dose level. Malformations at high doses in rats; embryo-/fetotoxicity (delayed ossification, abortions) at lower maternally toxic doses in rats and rabbits; Dados Médicos' presença de resíduos de mancozebe na urina, evidência de aberrações em cromossomas e não evidência de efeitos na tiróide de trabalhadores da indústria.

Algumas BASES DE DADOSproporcionam informação relativa ao mancozebe. Na da Comissão Europeia e no Agritox em França, o mancozebe é classificado deR63, segundo a Directiva 67/548/CEE, e H361d ' Suspeito de afectar o nasciturno, de acordo com o Regulamento1278/2008, referindo-se, no Agritox, o pictograma de perigo(Quadro_3).

Outras bases de dados, a Pan Pesticides Database e a PPDB Footprint, classificam o mancozebe de Cancerígeno e R63, além de Irritante para olhos e vias respiratórias e quanto a Desregulador endócrino: a PPDB refere Possível; e a PAN Suspeito. Na PPDB refere-se, ainda, que Pode causar hipertrofia dos ovários e Possível tóxico da tiróide.

A diversidade de classificação toxicológica do mancozebe A diversidade entre as 2 Agências é flagrante: R40 na EPA e R63 na EFSA(Quadro 2). Nas bases de dados da Pan Pesticides Database e da PPDB Footprint o mancozebe é Cancerigeno +R63.

Quanto àAFN, 89% dos 65 p.f. de mancozebe não são CMR, mas três p.f. são R40+R63: (1) mancozebe+bentiavalicarbe (éster isopropílico); (2) mancozebe+ cimoxanil+fosetil-Al; (3) 1 p.f. de mancozebe+cimoxanil+folpete. E dois p.f. de mancozebe+cimoxanil+folpete são R40 (pelo folpete?).

Queconfusão e qual será a justificação da AFN(e daCATPF!)para estas surpreendentes 3 excepções e para ignorar, em 60 p.f. de mancozebe, a classificação de perigo (R63) da EFSA (Quadros_1 e 2)?

CONCLUSÕES

Em Portugal, o uso do mancozebe teve início em 1965, com 2 p.f. de 2 empresas e em 1/1/11, estavam autorizados 65 p.f. de 24 empresas, com as vendas, em 2009, de 833,6 t, correspondentes ao lugar, após enxofre e glifosato (Fig._1 e 2).

Perante as classificações do mancozebe pela: EFSA deR63; eEPAdeR40;e as de duas Bases de dados (Pan Pesticides Database e PPDB Footprint) de Cancerígeno+R63,a AFN ignora, em 60 p.f. com mancozebe(92% dos 65p.f.), a classificação R 63, adoptada pela EFSA. E, com grande surpresa, classifica de R40+ R63 três misturas de mancozebe (Quadros_1e 2). Como justifica a AFN esta diversidade de classificação toxicológica? Parece que a AFN invoca características da classificação na base do risco que justificariam a não atribuição de classificações de perigo de elevado risco (ex: T+, T, R46, R60, R61, R40, R63) a mais de 70 s.a., incluindo, em relação a R63, os 60 p.f. de mancozebe. Por mera questão de transparência, além de outras razões, seria aconselhável a urgente divulgação pública de informação dos 8 países da Zona SUL relativa a: (1) Entidadesque decidem as autorizações dos p.f.; (2) Classificação toxicológicados p.f.; (3) Justificação, por redução do risco, da não adopção das CT de perigo da EFSA (5).

A credibilidade dos especialistas das duas famosas Agências oficiais, a EPA e a EFSA, é maltratada perante a chocante diversidade da classificação toxicológica do mancozebe(Quadros_2), a reforçar a diversidade da classificação de cancerígeno, pelas duas Agências, dos pesticidas autorizados em Portugal em 1/1/11 (5).

O mancozebe é, sem dúvida, um óptimo e dos melhores exemplos, a nível nacional (AFN/EFSA) e a nível internacional (cancerígenos: EFSA/EPA) da estranha e muito confusa diversidade de classificação toxicológica dos pesticidas.


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