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EuPTCVAg0871-018X2012000200032

EuPTCVAg0871-018X2012000200032

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0871-018X
Year2012
Issue0002
Article number00032

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Avaliação de feromonas na monitorização de Bichado-da-Castanha, Cydia Splendana (Hubner) (Lepidoptera: Torticidae) na ilha Terceira, Açores

INTRODUÇÃO Na Europa, a cultura de castanheiro ocorre no Centro e Oeste, na região Mediterrânea e nos Arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias (Ventura, 2005) (cit. Fernandes, 1987).

A presença de castanheiro nos Açores foi referenciada no início do século XIX, em manchas, entre os 100 e 200 m de altitude, em locais abrigados do vento, de solo profundo e permeável, onde a variedade de castanha Viana é a única cultivada (Ormonde, 1994). A importância económica e social desta cultura atingiu proporções significativas nos Açores, de modo particular, na Ilha Terceira, à semelhança do que aconteceu em outras regiões de Portugal.

Na Ilha Terceira, o local de maior expressão desta cultura abrange a freguesia da Terra-Chã e as suas limítrofes: S. Pedro, Posto Santo, S. Mateus e S.

Bartolomeu. No entanto, a Norte da Ilha, podem ainda encontrar-se algumas parcelas isoladas e dispersas, nas freguesias dos Biscoitos, Altares e Quatro Ribeiras. Nos Biscoitos, a Norte, existe a maior mancha produtiva de castanheiro. Nas restantes freguesias, a cultura é residual, registando-se pontualmente a presença de castanheiro (Ormonde, 1994; Lopes et al., 2009a; 2009b; 2009c).

O bichado-da-castanha, Cydia splendana(Hubner) (Lepidoptera: Tortricidae) é a praga-chave desta cultura, aparecendo os seus adultos a partir de meados de Junho e aumentando as suas densidades até meados de Outubro, em que se registam os níveis populacionais mais elevados (Aguin-Pomboet al., 2009a; Lopes et al., 2008; 2009a; 2009b; 2009c).

As lagartas de C. splendana, pela sua ação, são mais facilmente identificadas, sendo importante fonte de preocupação para todos os produtores, pois, ao desenvolverem-se no interior do fruto, onde fazem galerias à medida que se vão alimentando, afectam muito, principalmente nos últimos anos, a rentabilidade da produção de castanha na Ilha Terceira.

Este estudo teve 2 objetivos: (1) avaliar a importância económica da praga, através da determinação da intensidade de ataque nos frutos; (2) qual a feromona mais eficaz na monitorização dos adultos de C. splendana.

No futuro, depois de conhecer melhor a biologia desta praga na Ilha Terceira, pretende-se estudar a aplicação da captura em massa, técnica ensaiada na Ilha da Madeira, com resultados positivos (Aguin-Pomboet al., 2008; 2009b).

MATERIAL E MÉTODOS Para avaliar a importância económica desta praga, através da determinação da sua intensidade de ataque, em 2010, foi realizada a amostragem de 500 frutos por parcela, em 6 pomares, 4 na zona Sul da Ilha, abrangendo as freguesias da Terra-Chã e de S. Pedro e 2 na zona Norte, nos Biscoitos. Estes frutos foram recolhidos, de forma aleatória, ao longo de toda a parcela, sendo posteriormente abertos em laboratório para prospeção do seu interior quanto à presença de larvas.

Através de geo-referenciação, recorrendo ao software ArcGis 9.2, à fotografia aérea e aos Sistemas de Informação Geográfico (SIG), foi elaborado o mapa de localização das armadilhas, na parcela de castanheiro onde decorreu o ensaio de avaliação da eficácia de 3 feromonas na monitorização dos adultos do bichado'da-castanha (Figura1). As armadilhas Delta, com as 3 feromonas, foram colocadas no campo em 25de Junho de 2010. As armadilhas Delta foram posicionadas no interior da copa do castanheiro com o auxílio de uma corda (Figura_2) e distribuídas recorrendo a um GPS, de modo alternado para tipo de feromona a ensaiar, mantendo a distância, entre elas, de 25 metros (Figura1).

As 3 feromonas: Oecos, Pherobank e Syngenta, adquiridas no mercado nacional, foram colocadas em 15 armadilhas do tipo Delta, com 5 repetições de cada feromona.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Avaliação da intensidade de ataque de C splendana A intensidade de ataque, no conjunto dos frutos amostrados, foi de 20% sendo mais elevada (26%), na zona Sul do que na zona Norte (8%) (Quadro_1).

Esta intensidade de ataque, em 2010, foi muito inferior à registada em 2006 (40%) e em 2007 (77%), em alguns casos, (Lopes et al., 2008; 2009a; 2009b; 2009c). Perante estas intensidades de ataque dos frutos, que comprometeram parte da produção, considerou-se importante continuar, anualmente, a avaliar a incidência desta praga na produção terceirense.

Na ilha da Madeira, a intensidade de ataque foi superior (45%) à dos Açores em 2010 e inferior (50%) à de 2007 (Aguin-Pomboet al., 2008).

Avaliação da eficácia das 3 feromonas ensaiadas Os adultos de bichado-da-castanha, C. splendanasurgem, normalmente, a partir de meados de Junho e registou-se o aumento da sua densidade populacional até meados de Outubro, mês em que ocorreram os valores mais elevados (45%) desta praga (Aguin-Pomboet al., 2009a; Lopes et al., 2008; 2009a; 2009b; 2009c). Neste ensaio, em contraste com estes dados de 2008 e 2009, no conjunto das capturas de adultos C. splendana, pela atração das 3 feromonas, verificou-se, em 2010, a ocorrência mais elevada (32%) em Setembro e Julho e, depois, em Agosto (21%) e Outubro (15%) (Quadro_2).

O total de capturas, no conjunto dos 4 meses, em 2010, evidenciou a muito destacada maior eficácia (75%) da feromona Pherobank, em nítido contraste com a Oecos (14%) e a Syngenta (11%) (Quadro_2). Esta clara evidência justificará a opção pela utilização da feromona Pherobank, na monitorização de adultos desta praga do castanheiro.

Em ensaios anteriores, a feromona Pherobank também foi a mais eficaz (75%) na atração dos adultos do bichado da castanha (Lopes et al., 2009a). Na Ilha da Madeira, a feromona Oecos foi a mais adequada (80%) às condições madeirenses na monitorização desta praga (Aguin-Pomboet al., 2008).

A procura de soluções, no domínio das medidas de proteção contra o bichado'da- castanha, deve, de acordo com os dados obtidos neste estudo, prosseguir para a utilização das feromonas mais eficazes, contribuindo, assim, quer para o melhor conhecimento do período de aparecimento, presença dos adultos e de maiores densidades populacionais desta praga, quer para a redução dos adultos e posterior redução das populações larvares de C. splendana na Ilha Terceira.

É importante, para a monitorização, cobrir todo o período de presença no campo desta praga, com a colocação das armadilhas com feromona sexual, desde o início de Junho, antes do início do voo dos adultos. É também importante referir que estas armadilhas com feromona sexual apenas devem ser retiradas do campo no fim de Novembro, abrangendo, assim, todo o normal período de aparecimento dos adultos nas parcelas produtivas.

CONCLUSÕES

A intensidade de ataque do bichado-da-castanha nos frutos, entre Julho e Outubro de 2010, foi mais elevada (26%), na zona Sul da ilha Terceira do que na zona Norte (8%) (Quadro_1).

A feromona Pherobank, na armadilha Delta, foi a que evidenciou, claramente, a maior eficácia (75%), na captura de adultos de C. splendana, em relação às outras feromonas (Oecos e Syngenta), o que poderá justificar a sua utilização, no futuro, na monitorização dos adultos desta importante praga do castanheiro (Quadro_2).

As capturas de C. splendana foram mais elevadas (32%) em Julho e em Setembro de 2010 (Quadro_2).


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