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EuPTCVAg0871-018X2013000300006

EuPTCVAg0871-018X2013000300006

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaAgricultural Sciences
ISSN0871-018X
Year2013
Issue0003
Article number00006

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Comportamento de cultivares de mamona (Ricinuscommunis) sob diferentes densidades populacionais, no estado do Tocantins

Introdução A mamoneira (Ricinus communisL.) é uma oleaginosa (família Euphorbiaceae) de grande importância no Brasil e no mundo. Cultura produzida tradicionalmente em pequenas e médias propriedades tem importante valor social como geradora de renda e empregos no campo. Na área industrial são inúmeras as possibilidades de aplicações e também de utilização como potencial energético (Turatti et al., 2002). A mamoneira é importante também devido à sua tolerância à seca, sendo também plantada com excelentes resultados em diversas regiões do país. Tem-se verificado que uma procura energética crescente em todo mundo, onde as prioridades voltam-se para fontes energéticas renováveis, destacando-se dentre elas a mamoneira como excelente alternativa, diminuindo os impactos negativos sobre o meio ambiente, além de incentivo à fixação de populações e geração de renda no campo (Silva et al., 2008b).

O rendimento médio da mamona em bagas, no Brasil, na safra 2006/2007 foi de 728 kg.ha-1 (CONAB, 2007). A perda de competitividade é explicada pelo baixo nível tecnológico do produtor, uso incorreto de insumos e principalmente pela falta de cultivares melhoradas, adaptadas para colheita manual e/ou mecânica e para resistência às doenças, o que encarece o custo de produção (Savy Filho et al., 1999). O conhecimento do arranjo espacial ideal de plantas para cultivares de mamoneira, implica em tecnologia de produção para o produtor, com baixo custo.

O arranjo apropriado de plantas da cultura confere ganhos em habilidade competitiva com plantas daninhas e em produtividade das culturas. Maior capacidade de supressão de plantas daninhas obtém-se quando se reduz o espaçamento entrelinhas da cultura (Pires et al., 2001). O mesmo efeito acontece quando é incrementada a densidade populacional (Harker et al., 2003).

Espaçamentos menores, respeitando a densidade adequada de plantas podem propiciar uma melhor utilização dos recursos do ambiente, favorecendo uma rápida cobertura do solo, resultando em incremento da produção (Bianchi et al., 2007).

A população de plantas é definida, pelo espaçamento entre linhas e pela densidade de plantas na linha, que proporcionam a escolha do melhor arranjo espacial a ser utilizado. A distância entre as plantas na linha, embora seja uma técnica simples e praticamente sem custo para o produtor, tem grande impacto na produtividade (Silva et al., 2008a).

A densidade é quantificada em termos de número de indivíduos por unidade de área e determina o tamanho da área disponível por planta. O arranjo espacial é definido como padrão de distribuição de plantas e determina a forma geométrica da área disponível para cada indivíduo num plantio (Willey & Rao, 1981).

Assim, por exemplo, numa lavoura cultivada no espaçamento de 2,0m x 2,0m, com uma planta por cova, a população teórica será de 2.500 plantas/ha e o arranjo espacial, quadrangular.

A conveniência do produtor em consorciar a mamona com culturas alimentares para minimizar os custos de produção ou a necessidade do tráfego de máquinas, animais ou do próprio homem para fins fitossanitários, definirá na escolha do arranjo espacial de uma lavoura (Azevedo et al., 2006).

Quando submetida a grandes densidades populacionais, a mamoneira ramifica menos, sendo que cultivares de porte médio podem se comportar como cultivares de porte baixo, emitindo somente um ou dois racemos por planta, o que possibilita uma maior uniformidade de plantas e maturação dos frutos, facilitando a colheita mecânica e aumentando o índice de colheita (Ferreira et al., 2006; Moshkin, 1986).

Azevedo et al. (2006), utilizando densidades de plantas de 2.500 a 5.000 plantas por hectare e avaliando a variação do arranjo espacial em uma cultivar de mamona, observaram que os componentes da produção, assim como o rendimento da mamona em baga não sofreram alteração, porém encontrou os maiores rendimentos no arranjo de fileiras simples (2,0m x 1,0m) com 1 planta/cova (56%) e no arranjo duplo (4,0m x 1,0m x 1,0m) com duas 2 plantas/cova (54%).

Silva et al. (2008b) verificaram que as variedades de porte médio (AL Guarany 2002 e IAC Guarani), resultam em incremento da produtividade sem alterar os componentes do rendimento no aumento da densidade de semeadura, até uma população de 12.500 plantas por hectare.

Objetivou-se com este trabalho avaliar a influência de diferentes densidades populacionais em características agronômicas de quatro cultivares de mamona, em Gurupi ' TO.

Material e Métodos O experimento foi implantado na Universidade Federal do Tocantins ' Campus Universitário de Gurupi, 287 m de altitude, 11º 43' S e 49º 04' W, num solo vermelho amarelo distrófico. O preparo da área foi realizado com uma gradagem e posterior nivelamento. O plantio foi realizado no dia 18 de dezembro de 2007, com adubação de 150 kg ha-1 da formulação 5-25-15 de NPK. A colheita foi feita até o final de agosto de 2008. O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso em esquema fatorial, sendo o primeiro fator os tratamentos com densidades populacionais de 5.600, 7.400, 11.000 e 22.000 plantas ha-1 e o segundo fator as cultivares (IAC 226, Guarani, Nordestina e Paraguaçu).

As características avaliadas foram altura da planta (AP), medindo-se com fita métrica do solo até o último ramo; altura dos cachos (AC) medindo-se com fita métrica do solo até o último cacho; produtividade de cachos por hectare (PCHA), pesando os cachos da parcela e convertendo-os a valores de produção por hectare; peso de sementes por hectare (PSHA), pesando-se em balança analítica as sementes de cada tratamento e porcentagem dos cachos com mofo (%CM), contando-se o número de plantas com podridão cinzenta (Botrytis ricini)e multiplicando por 100 para as quatro cultivares avaliadas. Os dados foram analisados por meio de análise de variância e aplicado o teste de Tukey (1949) a 5% de probabilidade às suas médias.

Resultados e Discussão Para as densidades populacionais (Quadro_1), as características altura de planta e altura de cacho demonstraram influência não significativa pelo teste F (P>0,05), enquanto as características produtividade do cacho, peso da semente e porcentagem de cachos com mofo apresentaram efeito altamente significativo pelo teste F (P<0,01). Para cultivares (Quadro_1), todas as características estudadas apresentaram influência altamente significativa pelo teste F (P<0,01). Quanto à interação entre as densidades populacionais e cultivares (Quadro_1), todas as características apresentaram valores menores que 1% de probabilidade pelo teste F.

A altura média das plantas variou entre 295 cm (7.400 plantas ha-1) e 319 cm (5.600 plantas ha-1) mas não se registrou diferenças estatisticamente significativas entre as médias das alturas das plantas (AP) para as diferentes densidades populacionais (Quadro_2). Quanto às cultivares para esta característica, a Nordestina obteve a maior AP (346 cm), valor não significativamente diferente das cultivares IAC 226 e Paraguaçu. A cultivar Guarani foi a que obteve a menor AP (244 cm), diferenciando-se significativamente das demais.

Quando se planeja fazer colheita mecanizada, deve-se plantar uma cultivar de porte baixo e pouca ramificação lateral para permitir a passagem de colheitadeiras de milho nas quais foram feitas adaptações para a colheita da mamona, sendo a colheita manual indicada para pequenas e médias propriedades, onde a mão-de-obra é disponível e abundante (Silva, 2007). É importante ressaltar que o crescimento vegetativo da mamoneira está diretamente relacionado à disponibilidade hídrica durante o ciclo da cultura, pois o aumento do fornecimento de água às plantas promove um maior crescimento lateral e consequentemente aumenta a competição por luz, induzindo a um maior crescimento em altura (Severino et al., 2006).

Com relação à altura dos cachos (Quadro_3) nota-se que não houve diferença significativa entre as densidades populacionais e nem entre as cultivares IAC 226, Nordestina e Paraguaçu, que obtiveram as maiores médias de altura dos cachos. a cultivar Guarani diferenciou-se das outras, obtendo a menor média de altura de cachos, independentemente da densidade populacional, que aliada à baixa estatura (Quadro_2), apresenta aptidão para colheita mecânica. O comportamento das cultivares foi heterogêneo quanto à maior AC nas diferentes densidades populacionais, com as cultivares Nordestina e Paraguaçu alcançando valores máximos (253 e 261, respectivamente) na máxima densidade populacional.

a cultivar Guarani alcançou valor máximo (202) na densidade populacional de 11.000 plantas ha-1; a IAC 226 obteve valor máximo (263) na densidade populacional de 7.400 plantas ha-1.

A densidade populacional pode influenciar a altura de plantas em função da competição entre plantas por água, luz e nutrientes, de acordo com Severino et al. (2004) que afirmam, que em condições de boa disponibilidade de água e nutrientes, as plantas tendem a crescer excessivamente. Além disso, a altura de planta está correlacionada com altura do cacho (AC), de modo que plantas com menores portes e cachos mais baixos, favorecem a colheita manual, que é a predominante no Brasil.

Para o aproveitamento mais eficiente dos nutrientes fornecidos pelo solo, o controle eficiente de plantas daninhas e maior eficiência de uso da água do solo durante o desenvolvimento da cultura e o arranjo adequado entre as plantas é de extrema importância. No caso da mamoneira, a densidade de plantas por área apresenta efeito significativo na produtividade não do cacho principal, mas também, dos cachos laterais (Moshkin, 1986).

O estudo do peso da semente por planta em mamona assume grande importância, visto que a semente contém 90% do ácido ricinoléico, único ácido gordo hidroxilado, que confere ao óleo características singulares, possibilitando utilização industrial em ampla escala (Albuquerque et al., 2008).

É provável que o menor peso se deva ao desenvolvimento incompleto da semente que pode ter menor quantidade de reservas, principalmente óleo e proteínas (Lucena et al., 2006). Analisando os dados deste trabalho (Quadro_4), verificou-se que houve diferença significativa entre as populações e entre as cultivares. A população de 22.000 plantas ha-1 apresentou maior média no peso de sementes e a população de 5.600 plantas ha-1 a menor média. comparando as cultivares, notou-se que a cultivar Guarani apresentou a maior média no peso de sementes, sendo a cultivar IAC 226 a menos produtiva. Portanto, a cultivar Guarani e a população de 22.000 plantas ha-1 foram as mais produtivas na região deste estudo.

Nazareno et al. (2011), avaliaram quatro cultivares de mamona e observaram que a cultivar Guarani apresentou o maior peso de sementes também, com 754 kg ha-1, inferior ao encontrado no presente trabalho, apresentando uma produtividade 86% maior. A podridão cinzenta é uma das mais comuns e destrutivas doenças da mamoneira, pois afeta as inflorescências, os cachos e as sementes, reduzindo a produção de óleo pela diminuição dos frutos colhidos (Lima et al., 2001). O agente etiológico (o fungo Botrytis riciniGodfrey) causa aparecimento de pequenas manchas de tonalidade azulada no caule, folhas e inflorescências, as quais exsudam gotas de líquido amarelo; frutos e inflorescências atacados podem apodrecer e tomar cor escura, causando assim o chochamento das sementes (Lima et al., 2006).

Quanto à porcentagem de cachos com mofo (%CM) observou-se diferenças significativas entre as densidades populacionais e cultivares (Quadro_5). A densidade populacional de 5.600 plantas ha-1 apresentou maior média de porcentagem de cachos com mofo, sendo significativamente diferente das demais; este fato pode estar associado a uma maior circulação de ar entre as plantas.

Em relação às cultivares observou-se que IAC 226 e Nordestina apresentaram maiores médias, que foi significativamente diferente das cultivares Guarani e Paraguaçu.

Conclusões Foi verificado um comportamento diferencial das cultivares em função das densidades populacionais; A cultivar Guarani apresentou, de modo geral, o maior peso de sementes e características favoráveis à colheita mecanizada.


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