Desenvolvimento de mudas de mangabeira provenientes de frutos de diferentes
localidades do Estado de Goiás
Introdução
A mangabeira (Hancornia speciosaGomes) é uma frutífera arbórea de porte médio,
da família das Apocináceas, e que atinge de 5 a 10 metros de altura. Nativa do
Brasil é encontrada vegetando espontaneamente em várias regiões do país, desde
os tabuleiros costeiros e baixadas litorâneas do Nordeste, onde é mais
abundante, até as áreas sob Cerrado da Região Centro-Oeste; verifica-se ainda
sua ocorrência nas Regiões Norte e Sudeste (Vieira Neto e Veigas, 2002). É uma
planta de clima tropical, ocorrendo, sobretudo, em áreas de vegetação aberta.
Apresenta, na região dos cerrados, floração de agosto a novembro, com pico em
outubro. A frutificação concentra-se principalmente outubro a dezembro (Vieira
Neto e Veigas, 2002).
A propagação da mangabeira, realizada por sementes, apresenta menor custo e
contribui para a manutenção da diversidade genética da espécie, uma vez que as
plantas resultantes não apresentam características uniformes. Esta
particularidade também pode ser considerada como desvantagem, para aqueles
produtores que desejam plantas com características específicas, semelhantes às
de determinadas matrizes ou cultivares (Silva Júnior et al.,2011). As plantas
em viveiros, sob condições controladas ou semicontroladas, tendem a apresentar
características morfofisiológicas nem sempre representativas daquelas
cultivadas em campo (Lobo et al., 2010). Aspectos relacionados à produção em
viveiro de mangaba ainda são escassos, especialmente as mangabeiras do Cerrado
(Ganga et al., 2009). Os estudos com essa espécie ainda são recentes. Trabalhos
avaliando a taxa de crescimento são escassos, mas existem alguns caracterizando
populações adultas quanto a diversos caracteres, como emergência, altura da
planta, circunferência do caule, diâmetro de copa, produção e parâmetros
genéticos (Almeida et al., 1998; Rezende et al., 2002; Barreiro Neto, 2003;
Moura, 2003; Moreira et al., 2004; Moura, 2005; Silva, 2005; Capinan, 2007;
Silva Junior et al., 2007; Silva et al., 2009).
Entender o desenvolvimento torna-se relevante, para que se possa desenvolver
mecanismos de manejo para essa cultura em sua região de origem, uma vez que
existem materiais de mangabeira com características potenciais para serem
incorporadas ao processo produtivo, principalmente, considerando sua
rusticidade em relação ao solo e tolerância a pragas e doenças. Neste contexto,
o objetivo deste estudo foi avaliar o desenvolvimento, em viveiro, de mudas de
H. speciosaoriundas de diferentes áreas do Estado de Goiás.
Material e métodos
O trabalho de prospecção, para identificação de áre- as de coleta, foi
realizado de agosto a dezembro de 2008, sendo selecionadas 10 áreas de
ocorrência natural da mangabeira no Cerrado do Estado de Goiás, a saber: 1 -
Serra da Mesa, 2 - Serra do Aranha, 3 - Rio das Almas, 4 - Serra de Jaraguá, 5
- Serra dos Pirineus, 6 - Roncador, 7 - Serra Dourada, 8 - Orizona, 9 -
Silvânia I (Quilombo), 10 - Silvânia II (Estrada de Ferro). Nestas áreas
encontraram-se duas variedades botânicas de mangabeira; Hancornia speciosavar.
gardnerie Hancornia speciosavar. pubescens.
Em outubro de 2009 realizou-se uma pré-seleção de plantas para a coleta de
frutos, amostrando-se árvores consideradas adultas, com diâmetro de caule a 10
cm do solo, maior que 3 cm e que apresentavam bom aspecto fitossanitário. Foram
selecionadas plantas em áreas de formação natural de Cerrado, bem como, aquelas
que se encontravam isoladas em áreas de pastagens. As plantas escolhidas foram
aquelas que se apresentavam saudáveis e com frutos para a coleta. Assim, 116
plantas das 10 áreas de mangabeira, foram selecionadas para a coleta.
Os frutos foram coletados em outubro de 2009, época de maturação natural da
mangabeira na região. Preferencialmente coletaram-se frutos recém caídos no
solo, (frutos de caída, conforme se denomina no Nordeste) ou então frutos ainda
na planta (com sinais de maturação, ou seja, baixa resistência da polpa), sendo
acondicionados em embalagens de isopor, mantendo-se a identificação do fruto
por planta. Foram coletados até doze frutos por planta.
Os frutos, ao chegarem ao Laboratório de Fitotecnia da EA/UFG, foram numerados
e colocados em bandejas transparentes. Aqueles coletados na planta ficaram
armazenados por dois dias, para avaliação de processo de maturação, sendo
descartados os frutos não amadurecidos após o terceiro dia de armazenamento
(Gouvêa, 2007; Moura, 2005).
O experimento foi instalado e conduzido no período de janeiro a outubro de
2010, em viveiiro, com 100% de luminosidade, na Escola de Agronomia e
Engenharia de Alimentos, da Universidade Federal de Goiás (EA/UFG), em Goiânia-
GO.
Sabendo-se que as sementes do fruto de mangabeira são recalcitrantes, os frutos
foram prontamente despolpados de forma manual e lavados em água corrente até a
completa remoção da polpa. Após esta etapa, as sementes foram colocadas em
papel toalha por quatro horas e depositadas em copos de plásticos, cobertas com
chumaços de algodão umedecidos com água. As sementes ficaram armazenadas pelo
período de sete dias, em temperatura de 8,3ºC, na parte inferior da geladeira.
Tal procedimento foi adotado apenas para as sementes dos frutos coletados na
primeira etapa, para que a semeadura fosse realizada em um único dia. Desta
forma os frutos coletados na segunda etapa foram semeados logo após a despolpa.
A semeadura ocorreu ainda no mês de outubro sendo que as sementes de mangaba
foram colocadas em tubetes com substrato, a 1 cm de profundidade.
Os tubetes foram preenchidos com areia grossa lavada, Plantimax® e terriço de
mata, na proporção de 1:1:1, acrescidos de 4 kg m-3 de Osmocot, e 600g m-
3 superfosfato simples (SSP). O delineamento experimental foi inteiramente
casualizado, com 116 tratamentos (representados por cada matriz de origem) e
oito repetições (8 tubetes = 16 sementes). Os tubetes contendo as sementes
ficaram sob sombrite 50% e irrigação por microaspersão, até atingir a
capacidade de campo.
No viveiro, aos 70 dias após semeadura (DAS) foi realizada a primeira avaliação
das mudas e aos 75 DAS, fez-se o transplante para sacos plásticos perfurados e
sanfonados, próprios para a produção de mudas, preenchidos com areia grossa
lavada, Plantimax® e terriço de mata na proporção de 2:1:1, acrescidos de 4 kg
m-3 de Osmocot, e 600 g m-3 superfosfato simples (SSP). O delineamento
experimental foi inteiramente casualizado, com 116 tratamentos (representados
por cada matriz de origem) e oito repetições (8 tubetes = 16 sementes). Após o
transplante as mudas foram transportadas para viveiro sem cobertura, ficando
expostas a sol pleno.
As avaliações das progênies foram realizadas levado em consideração as
variáveis comprimento (cm) e número de par de folhas (NPF), ocorrendo durante o
período de janeiro a outubro de 2010, totalizando 10 leituras. Para a medição
da altura, os dados foram obtidos mediante a utilização de uma régua
milimétrica de 100 cm obtendo-se as medidas das mudas a partir do solo de onde
se emitiu o caule até o ápice caulinar (inserção das últimas folhas); para o nº
de par de folhas foram efetuadas as contagens, a partir das folhas
cotiledonares, periodicamente; e conforme a necessidade, foram realizados os
tratos culturais (irrigação, adubação, capinas, aplicação de fungicidas e/ou
inseticidas).
Os dados biométricos das mudas foram analisados com o auxílio de estatística
descritiva, estimando-se a média, o coeficiente e o intervalo de variação. O
delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com 116 tratamentos
(representados por cada matriz de origem) e oito repetições (8 embalagens = 16
sementes). Realizou-se a análise de variância para verificar possíveis
diferenças entre as áreas. Entre matrizes realizou-se, a fim de verificar
diferenças, o teste de média, o máximo, o mínimo e o coeficiente de variação.
As médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os dados
foram coletados mensalmente para cada progênie até a décima (10ª) avaliação.
Procedeu-se assim, a análise de variância, para os dados biométricos das mudas
e calculadas correlações de Pearson entre esses dados, para verificar a
proporção da variabilidade fenotípica entre níveis de áreas e mudas. As
análises de variância e as estimativas de parâmetros foram obtidas com o
auxílio do programa estatístico, Statistical Analysis System (SAS) versão 9.1,
(SAS Institute, 2011) por meio do procedimento proc anova.
Resultados e discussão
A análise de variância de crescimento em altura das plantas, assim como àqueles
referentes ao número de par de folhas (NPF) avaliados mensalmente em 10
leituras (Quadro_1), permitiram verificar a existência de variação
significativa entre progênies avaliadas, em todas as leituras e para todos os
parâmetros analisados, levando em consideração as épocas de avaliação,
excetuando-se a variável NPF, na quarta (4ª) leitura, onde não apresentou esta
característica.
Essas estimativas reportam-se ao fato da possibilidade de seleção de progênies
que apresentem um crescimento mais rápido e a manutenção de um maior número de
folhas, como indicativo de escolha para programas de melhoramento, ao mesmo
tempo em que proporcionam dados que permitem inferir sobre a produção em
viveiro de H. speciosado Cerrado.
A média geral da altura, entre as áreas na primeira leitura foi de 7,4 cm
(Quadro_1), a maior média para altura das mudas obtida na primeira leitura
ocorreu na Área 7 (9,4 cm) e a menor foi obtida na Área 9 (5,5 cm), com
amplitude de 3,9 cm, entre as áreas citadas. Percebe-se também diferenças
altamente significativa entre as áreas 1, 2, 3, 4, 5 e 6 com as áreas 8, 9 e
10, para a variável altura de plantas.
Quanto ao número de par de folhas (NPF), a área que obteve o maior desempenho
com 5,2, foi constatado na área 5, podendo serem observadas diferenças
altamente significativas entre esta e as demais áreas (2, 7, 8, 9 e 10). A
média geral de NPF na segunda leitura foi de 4,7, diferença de 0,2, com relação
a leitura anterior.
Estudos têm sido realizados com intuito de elucidar as variações significativas
existentes entre e dentro de populações e progênies de espécies arbóreas
nativas. Contudo estudos sobre a variabilidade genética de populações de
mangabeira no Cerrado ainda são incipientes (Ganga, 2008), assim como as
metodologias de produção de mudas em viveiro.
Da 3ª a 10ª leitura realizada quanto a altura (Quadro 1), as maiores médias
foram obtidas na área 5 com 15,3 cm; 23,2 cm; 24,1 cm; 24,5 cm; 24,5 cm; 25,8
cm; 26,1 cm e 33,2 cm respectivamente, observa-se um incremento de 17,9 cm
entre a terceira e a última leitura para a área 5 (Serra dos Pirineus). Essa
diferença corresponde ao percentual de 36,90%. Em uma observação mais acurada
de proporcionalidade de médias para esta área (5); a partir da primeira leitura
constata-se um ganho em altura de 25,3 cm quando comparada com a leitura de
número 10.
Quanto à área que obteve a melhor média em altura nas duas primeiras leituras,
a área 7 (Serra Dourada) pode-se observar uma amplitude de 9,4 cm a 28,9 cm,
com incremento de 19,5 cm entre a primeira e a última leitura. Em percentual,
esses dados correspondem a 66,21%, ao passo que a diferença das médias para a
área 5 entre a primeira e a última leitura corresponde a 61,54%.
Pereira e Pereira (2003), abordam que as mudas produzidas no Nordeste, entre 4
a 6 meses de viveiro, possuem altura variando de 20 cm a 25 cm. Este dado
corrobora com os encontrados neste estu- do para a área 5, na quarta leitura,
ou seja, no sexto mês após a semeadura onde obteve-se uma média de 23,2 cm/
muda.
No presente estudo, pode-se observar que a área que obteve a menor média geral
em altura (área 9) na sexta leitura (18,3 cm) (Quadro_1), estão acima dos
encontrados em avaliação de progênies de H. speciosado Cerrado em Ipameri-GO,
por Peixoto et al. (2005), que averiguaram no sexto mês de leitura, médias para
altura variando entre 6,49 cm, 7,88 cm e 7,92 cm para as progênies Gameleira
01, Gameleira 02, Gameleira 03, respectivamente.
Para o NPF, observa-se nível de significância entre todas as áreas, em todas as
leituras, excetuando-se a leitura de número 4. As maiores médias (Quadro_1)
podem ser observadas para as áreas 5 (1ª, 2ª 3ª, 4ª, 5ª e 8ª leituras), 6 ( 6ª,
7ª, 8ª e 10ª leituras) e 7 (9ª leitura) com 5,2; 8,3; 7,0; 7,6; 7,7; 7,4; 6,0;
5,5 e 7,2, respectivamente.
O mínimo e máximo em NPF para a 1ª leitura esteve entre 1,0 e 6,3 (mês de
janeiro), já na última leitura (mês outubro) este índice manteve uma amplitude
de 6,4 a 11,0 NPF, em média. Depreende-se para essa característica uma
manutenção das médias entre a 6ª e 7ª leituras (meses de 06-07/2010), com 22,0
NPF. A planta troca a folhagem durante o período mais seco do ano. No ápice dos
ramos das plantas adultas surgem brotações contendo flores e folhas novas, fato
que leva a tendência de maior floração e maior produção de frutos em plantas
mais ramificadas naturalmente (Aguiar Filho et al., 1998).
Lima (2008), em levantamento etnobotânico com H. speciosaem Minas Gerais,
observou as plantas mantidas em viveiro após seis meses de avaliação, possuíam
em média 12,55 cm de altura, 0,27 cm de diâmetro basal e 15,6 folhas. Os dados
para o NPF da autora estão acima dos encontrados no presente estudo, cuja maior
média geral (3ª avaliação), esteve em 7,3 (Quadro_1). Contudo, deve ser levado
em consideração o número de áreas de coleta, o número de matrizes e o número de
sementes e de progênies/ área, além de aspecto agrometereológicos em que o
presente estudo foi realizado.
As médias de NPF (Quadro_1), das áreas estudadas oscilaram entre 4,7 (1ª
leitura), a 7,3 (3ª avaliação) cuja média geral obtida foi a maior em todas as
leituras. Perpassando em 4,7 (2ª leitura), a variação de -0,2 e -0,3 nas 5ª, 6ª
e 7ª leituras (6,9, 6,8, 6,5), respectivamente. O período (junho, julho) em que
se observou a mesma média de taxa de crescimento (22,0 cm). Observa-se também
que a de perda de folhas (Quadro_1), inicia-se na quarta leitura (mês de
abril), com o início do outono período em que, na região, os dias são mais
curtos e noites mais longas e mais frias (termoperiodicidade). Percebe-se um
declínio crescente para o NPF, até a 9ª leitura (mês de setembro), com
percentual de 17,42% (NPF=6,4/4ª leitura; NPF= 4,5/9ª leitura), voltando a se
estabilizar em 6,4 na 10ª leitura, período da estação primaveril, com
proximidade do verão (dias mais longos, quentes e úmidos, bem como, noites mais
curtas e quentes).
Quanto à proporcionalidade entre altura e NPF, na 1ª leitura percebe-se (altura
7,4 e NPF 4,7) que a cada 1,57 cm, tem-se um par de folhas. Na 10ª leitura (mês
de outubro) observa-se uma altura em média/ área de 28,9 cm para um NPF = 6,4,
o que corresponde a uma inserção de pares de folhas a cada 4,6 cm de altura, o
que corresponde a 29,64%, de variação entre o altura/NPF da 1ª e da 10ª
leituras.
A folha é um órgão, geralmente laminar, cuja principal função é a fotossíntese,
para a manutenção da planta, embora possa apresentar outras funções, como a
transpiração, o armazenamento de água, proteção e atração de polinizadores
(Raven et al., 1996). Esse fato concorda com que argumenta Lobo et al.(2010) em
que as folhas são os órgãos responsáveis pelo intercâmbio gasoso nas plantas.
Por essa razão, os estudos relacionados com a assimilação do carbono e os seus
efeitos no crescimento e na ontogenia foliar dependem da quantificação da área
foliar como subsídio fundamental para a análise dos dados. Os dados aqui
abordados corroboram para denotar a relevância sobre o levantamento da
incidência e/ou permanência das folhas para as espécies nativas.
Na população da área - 1 os intervalos de variação para a altura e NPF na 1ª
leitura, estiveram entre 6,1 cm e 11,8 cm (variação de 31%); de 6,3 e 4,3
(19,43%) a 36,6 cm a 24,6 cm (variação de 19,22%); 8,7 e 5,6 (21,68%), na 10ª
leitura, respectivamente. Observa-se que a matriz que obteve o melhor
desempenho nesta área foi a de número 10. Já os valores mínimos obtidos foram
averiguados com as progênies da matriz de número 4.
Ganga et al. (2009) observaram uma altura de 1,2 cm quando da variância
genética entre progênies dentro da população analisada. A autora averiguou
entre populações, uma taxa de variação de 56,4% (1,52 cm2) na taxa de
crescimento e 72,05% na altura final, e que 48,9% e 48,4%, respectivamente,
referem-se a variação das progênies dentro da população. Ainda conforme Ganga
et al.(2009), esse fato se explica, por ser o objeto de estudo da referida
autora, a diferença entre variedades.
Na área 2 o percentual para o intervalo de variação na 1ª leitura, nos quesitos
altura e NPF foi de 69,9% e 61,0% enquanto na 10ª leitura de 41,5% e 24,0%,
respectivamente; as matrizes com o melhor desempenho em altura e NPF foram as
de número 11 e 12. Na área 3, observa-se que a diferença entre a altura máxima
e a mínima em 1ª leitura, corresponde a 18,3% (8,4 cm e 5,8 cm,
respectivamente), quanto ao NPF oscilou entre 5,6 e 4,3 (13,13%), na 10ª
leitura esse percentual situa-se 21,24% e 34,3% (altura: 37,1 cm a 23,6 cm e
NPF: 8,7 a 4,5). A matriz com maior probabilidade de seleção na área 3, seria a
matriz 30. Em avaliação sobre crescimento em viveiro de mudas de mangabeira em
diferentes substratos, Pereira et al.(2010), obtiveram uma média em altura de
10,95 cm e NPF de 5,9 aos 160 dias após a semeadura. Rosa et al.(2005), em
avaliação de H. especiosaaos 130 dias, constataram uma média de altura variando
entre 5,70 cm a 19, 60 cm e NPF oscilando entre 2,80 a 8,52.
Para a área 5, área que obteve as melhores médias (Quadro_1), constata-se que o
intervalo de variação na primeira leitura para altura e NPF oscila entre 24,08%
e 10,0% a 21,10% e 37,50% na décima leitura, respectivamente. A matriz de
melhor desempenho para as variáveis em questão foi a de número 44. Silva et al.
(2008), avaliando a produção de mudas de H. speciosaem tubetes sob diferentes
substratos, verificaram que aos 160 dias o número de folhas e altura variaram
entre 6,02 a 9,96 e 5,36 cm a 9,35 cm. Estes dados estão abaixo dos encontrados
no presente estudo na 3ª avaliação, áreas 9 e 1 (menor média aos 150 DAS), com
altura de 5,4 cm a 15,7 cm e NPF com 6,08 a 8,3 (pares de folhas: 8,3 x 2 =
16,6 folhas), respectivamente. Nas demais áreas os valores entre máximo e
mínimo percentual giraram em torno de 21,0 + 3,0% com relação a altura e 11,0%
+ 3,0% quando se compara o NPF.
A variabilidade genética segundo Ganga (2008), em estudo com mangabeiras,
estimam os coeficientes de variação tanto para taxa de crescimento em altura
(23,13%) e diâmetro (26,64%) quanto no diâmetro (23,10%) e altura (24,80%),
finais que se mostraram elevados se comparados com outras espécies (cabreúva),
a autora salienta o fato de as progênies terem suas origens em populações
naturais distintas, incrementando-se assim a variabilidade genética.
Em caracterização genética de populações naturais de mangabeira do Cerrado,
levando em consideração a análise de polimorfismo de cpDNA (Silva, 2006),
constatou elevados níveis de diversidade genética nas populações avaliadas,
sendo que nesses níveis, 7% a 9% referem-se a variação entre populações,
sugerindo a amostragem de elevado número de populações naturais em coletas
destinadas à conservação genética da espécie. Moura (2003) observou variação
significativa entre populações, quando em estudo sobre a estrutura genética de
populações com marcadores moleculares RAPD.
Conhecer os níveis de variabilidade morfológica possibilita a seleção de
materiais com melhores possibilidades de domesticação, promove a preservação
através de banco de germoplasmas, além de evitar perdas adicionais de
diversidade genética em populações que estão ameaçadas pelo desmatamento e
fragmentação de habitat.
A correlação existente entre os caracteres permite uma orientação na seleção e
favorece o aprimoramento dos genótipos para um conjunto de caracteres e não
para os mesmos de forma isolada, tornando possível a seleção indireta de
caracteres desejáveis correlacionados positivamente (Vencovsky e Barriga,
1992).
Observou-se correlação positiva e elevada para os caracteres avaliados,
associados ou não à época de leitura. Correlações positivas indicam que as duas
características são beneficiadas ou prejudicadas pelas mesmas causas de
variação. Merecem destaque as correlações positivas e elevadas observadas entre
o número de par de folhas, NPF1 e NPF2 (Figura_1), o que corresponde a 7,4 NPF,
existentes nas duas épocas de leitura. O conhecimento prévio das relações
existentes entre caracteres de planta, como estimados pelas correlações, tem
sido de grande importância nos trabalhos de melhoramento genético (Cruz e
Regazzi, 1997).
Para a variável altura, observa-se a ocorrência de correlação positiva e de
magnitude elevada entre A1 (8,0 cm) e A4 (21,0 cm), o que corresponde a um
incremento de 13,0 cm entre ambas as leituras; A6 e A5; A7 e A5; e também,
entre A9 e A5, A6, A7 e A8 (Figura_2). Quanto ao número de par de folhas (NPF
9), houve correlação negativa para todas as variáveis analisadas, excetuando-se
para o NPF 5, 6, 7 e 8, sendo o de maior expressão a correlação ocorrida com a
5ª leitura ( - 0,32). Este fato salienta uma característica que a mangabeira
apresenta de ser semidecidua, ou seja, apresenta perda consecutiva e parcial
das folhas. A planta, no entanto, atinge 28,9 cm de altura e 6,4 pares de
folhas retomando seu desenvolvimento no mês de outubro (10ª leitura), período
em que na região onde o estudo foi realizado, segundo Köppen enquadram-se no
tipo AW (inverno seco e frio, verão úmido e quente). Quando as correlações são
positivas e de alta magnitude, os caracteres podem ser considerados uma única
unidade de seleção. Por sua vez, as correlações negativas geralmente dificultam
a seleção simultânea dos caracteres superiores nos programas de melhoramento
(Sousa, 2007).
Através da análise abordada, observa-se que as progênies apresentaram
correlações positivas e significativas entre os caracteres neles mensurados.
Esses dados corroboram com Ganga et al.,(2009), que salienta a necessidade de
levar plantas para o campo com maior vigor juvenil, pois assim crescerão mais
rapidamente e alcançarão porte mais elevado do que as demais, significando
produção maior e mais precoce. Observa-se no trabalho realizado, que grandes
partes das correlações, embora positivas, não foram elevadas.
Cabe ainda reiterar que no presente estudo, pode-se observar que para as mudas
de H. speciosa,deve-se evitar o transplante destas do viveiro para o campo, em
período com baixa umidade e temperatura, para que as plantas tenham
possibilidade de melhor e maior desenvolvimento no campo.
Conclusões
As mudas praticamente estabilizam seu crescimento a partir do 7° mês até e o
11° mês (maio a setembro); A taxa média mensal para crescimento da mangaba
variou de 0,1 cm (janeiro a fevereiro) a 6,1 cm (setembro a outubro), com taxa
média final de 2,19 cm; É oportuno pesquisar alternativas de produção de mudas
em períodos menores.