Respostas do capim-elefante sob doses de adubação azotada de cobertura para
fins energéticos
Introdução
O capim-elefante, Pennisetum purpureum Schum., só recentemente despertou o
interesse dos empresários de energia, após décadas de pesquisa científica.
Trata-se de uma Poaceae semelhante à cana-de-açúcar, trazida de África há pelo
menos um século e usada como alimento para o gado. O interesse energético por
esta espécie surgiu devido à sua elevada produtividade. Enquanto que o
eucalipto, a árvore mais cultivada no Brasil para produzir celulose e carvão
vegetal, (produz 7,5 toneladas de biomassa seca por hectare ao ano, em média, e
até 20 toneladas nas melhores condições), o capim-elefante pode produzir de 30
a 40 toneladas. Além disso, o eucalipto necessita de sete anos para atingir um
tamanho conveniente para o corte, enquanto que o capim-elefante pode ser
colhido até duas vezes por ano, devido ao seu rápido crescimento (Mazzarella,
2008).
O capim-elefante é altamente eficiente na fixação de CO2 (dióxido de carbono)
atmosférico durante o processo de fotossíntese para a produção de biomassa
vegetal. Esta característica é típica de poaceaes tropicais, com metabolismo
C4, que crescem rapidamente e otimizam o uso da água, dos nutrientes do solo e
da energia solar (Lemus et al.,2002). Por apresentar um sistema radicular bem
desenvolvido, pode contribuir de forma eficiente para aumentar o conteúdo de
matéria orgânica do solo, ou o sequestro de C (carbono) no solo (Urquiaga et
al., 2006).
Segundo Morais et al. ( 2009a), num total de 18 meses de cultivo, a
produtividade de biomassa de todos os genótipos pesquisados, inclusive o
Cameroon, esteve próxima de 45 t ha-1, com exceção do genótipo Gramafante que
produziu 39,5 t ha-1. Estes resultados foram obtidos na experiência instalada
em solo do tipo Argissolo de textura média e de moderada fertilidade, no
município de Anchieta-ES na área experimental da Samarco Mineração em Ponta Ubú
em julho de 2005. A espécie capim-elefante (Pennisetum purpureumSchum.) está
entre as poáceaes de maior capacidade de acumulação de matéria seca, possuindo
também características qualitativas favoráveis para a produção de energia. E,
de acordo com Samson et al. (2005), existe a possibilidade de obter energia a
partir de biomassa vegetal, que pode ser transformada em carvão queimado, ou
mesmo diretamente para a produção de calor; desta forma um novo rumo pode ser
dado em relação às características que se deseja obter da planta. Deixou de ser
importante que uma planta seja rica em proteína para a alimentação de bovinos.
A planta ideal para esta finalidade deve ser rica em fibras e lignina, com
elevada relação de C:N, aliada à alta produção de biomassa associada à fixação
biológica de azoto (FBN), para que o produto que se quer produzir deste
material seja de boa qualidade e com o mínimo consumo de energia fóssil.
O uso da madeira com fins energéticos começou a apresentar dificuldades no
final dos anos 80, não só devido aos impactos ambientais mas também pela
concorrência de usos mais nobres, como a produção de pasta celulósica,
mobiliário e uso na construção civil. Alternativas à madeira, como a biomassa
de capim-elefante, passou a ser considerada mais cuidadosamente (Azevedo,
2003), visto o potencial da espécie na utilização alternativa para a produção
de energia renovável. O uso desta biomassa energética reduz o gasto de dinheiro
estrangeiro na importação de petróleo e contribui para reduzir o efeito estufa
ao substituir combustíveis fósseis (Morais, 2008). Neste sentido, há cerca de
30 anos, a queima da biomassa do capim-elefante foi proposta como fonte
alternativa para substituir o uso da madeira em algumas indústrias de cerâmica,
siderúrgicas e termoelétricas, as quais já utilizam o capim-elefante como fonte
alternativa de energia (Mazzarella, 2008). Cultivares melhoradas poderão
constituir-se numa das mais importantes demandas dos produtores da região Sul
capixaba. A sua inserção como fonte de energia renovável, do ponto de vista
socioeconómico e ambiental, contribuirá significativamente para o agronegócio,
diminuindo os impactos ambientais provocados pelo uso predatório de florestas
nativas, que tem causado danos ambientais, tais como acelerado o assoreamento e
consequente morte de diversos rios, uma vez que o corte de árvores e queima de
combustíveis fósseis tem sido a fonte de energia no fornecimento de calor
utilizada em cerâmicas, olarias ou caldeiras nesta região.
Neste contexto, pretendeu-se avaliar o efeito de doses de adubação azotada
sobre as principais características morfoagronómicas de três cultivares,
'Guaçu/IZ.2' (G1), 'Cameroon-Piracicaba' (G2) e 'Capim Cana D'África' (G3) na
produção de biomassa destinada ao fornecimento de energia, em três cortes no
município de Alegre-ES.
Material e Métodos
Os ensaios foram instalados numa área do Instituto Federal do Espírito Santo no
Campus de Alegre com latitude de 20o45'57,9 S, longitude de 41o27'23,93 W e
altitude de 126 m, informações obtidas pelo DATUM-SIRGAS 2000. O clima foi
classificado por Koppen, como sendo do tipo CWA.
As análises, granulométrica e química, do solo (0-20 cm profundidade),
realizadas pelo Laboratório de Física do Solo do Centro de Ciências Agrárias da
Universidade Federal do Espírito Santo, indicaram os seguintes valores: areia
76,25%; limo 2,52% e argila 21,23%, pH(H2O) 6,0; P 19,0 mg dm-3; K 67,0 mg dm-
3; Na 0,0 mg dm-3; Ca 1,5 cmol dm-3; Mg 0,5 cmol dm-3; Al 0,0 cmol dm-3; H+Al
1,9 cmol dm-3; CTC(t) 2,2 cmol dm-3; CTC(T) 4,2 cmol dm-3; S.B. =2,2 cmol dm-3;
V 53,4%; m 0,0%, sendo o solo classificado como Latossolo Vermelho Amarelo
Eutrófico (Embrapa, 2006).
O Delineamento experimental consistiu em blocos casualizados (DBC), num esquema
de parcelas subdivididas na ausência de irrigação com três cultivares de capim-
elefante: 'Guaçu/IZ.2' (G1), 'Cameroon-Piracicaba (G2)' e 'Capim Cana D'África'
(G3), sob duas doses de adubação azotada ( 500 e 1000 kg ha-1 de N) com doze
repetições.
A área experimental foi constituída por 36 linhas espaçadas de 1,5 m e a
unidade experimental (parcela) por quatro linhas de 12 m de comprimento,
espaçadas de 1,5 m e os 3 m das extremidades serviram como bordadura. Os 6 m
centrais constituíram as subparcelas com 3 m de comprimento que receberam a
adubação azotada de forma parcelada durante o ciclo da cultura no período de
chuva. Realizou-se, em 22 de abril de 2010, o plantio dos colmos disposto no
sistema pé com ponta dentro dos sulcos, posteriormente fizeram-se os cortes dos
colmos com aproximadamente 50 a 60 cm de tamanho dentro do sulco de plantio e
foram cobertos com 3 cm de solo. Cada bloco foi composto por três parcelas
(formadas pelos genótipos) que foram divididas em duas subparcelas
(constituídas pelas doses de 500 e 1000 kg ha-1 de N, na forma de ureia).
Foram realizados três cortes: 1° corte em agosto/setembro de 2011 com 180 dias,
2° corte em julho de 2012 com 300 dias e o 3° corte em janeiro de 2013 com 180
dias. A área útil da subparcela foi obtida, retirando-se 1,50 m da linha de
plantio com 2,25 m2. Desta obtiveram-se as amostras de plantas integrais, que
foram medidas para a obtenção dos valores médios relacionados com as
características: diâmetro do colmo, largura da lâmina e altura; depois foram
pesadas e secas numa estufa à temperatura de 65 oC sob circulação de ar forçado
durante 72 horas. Após a secagem, as amostras foram novamente pesadas, moídas
num moinho do tipo Wiley malha de 1 mm e acondicionadas em vidros.
Os teores de matéria seca foram obtidos mediante secagem numa estufa com
ventilação de ar forçado, a 105 oC durante 24 horas, servindo este parâmetro
para expressar a produção de matéria seca em t ha-1. Este procedimento foi
feito para avaliar a resposta de cada cultivar nas diferentes doses de azoto.
As características morfoagronómicas avaliadas foram: Produção de Matéria Seca
(PMS); Percentagem de Matéria Seca (% MS); Número de Perfilhos por Metro
(NPPM); Diâmetro Médio do Colmo (DC); Altura Média das Plantas (ALT) e Largura
Média da Lâmina Foliar (LL).
Os dados obtidos referentes às características avaliadas para a obtenção da
produção de biomassa foram submetidos à análise de variância (por corte) pelo
teste de F. Posteriormente, fez-se a análise de variância conjunta pelo teste
de F, por corte, realizada no modelo estatístico de blocos ao acaso, no esquema
de parcelas subsubdivididas para verificar a interação genótipos x tratamentos;
e para comparação das médias aplicou-se o teste de Tukey a 5%, utilizando o
software GENES.
O modelo estatístico utilizado foi o de blocos ao acaso, no esquema de parcelas
subdivididas descrito abaixo:
em que: Yi,j,k,l = valor observado relativo ao i-ésimo genótipo, na j-ésima
dose de azoto, no k-ésimo corte e no l-ésimo bloco; μ = média geral da
experiência; Gi= efeito do i-ésimo genótipo; Bl= efeito do l-ésimo bloco; εa=
efeito do erro a, associado ao i-ésimo genótipo no l-ésimo bloco; Nj= efeito da
j-ésima dose de azoto; GiNj= efeito da interação do i-ésimo genótipo com a j-
ésima dose de azoto; εb = efeito do erro b, associado ao i-ésimo genótipo a j-
ésima dose de azoto e no l-ésimo bloco; Ck= efeito do k-ésimo corte; GiCk=
efeito da interação do i-ésimo genótipo com k-ésimo corte; N jCk= efeito da
interação da j-ésima dose de azoto com k-ésimo corte; GiNjCk= efeito da
interação do i-ésimo genótipo com a J-ésima dose de azoto e k-ésimo corte; ε =
efeito do erro c, associado ao i-ésimo genótipo ca j-ésima dose de azoto e k-
ésimo corte e no l-ésimo bloco. εa, εbe εc~NID (0, θ2εa,b,c).
Resultados e Discussão
Os resultados das análises de variância conjunta para as características
morfoagronómicas avaliadas nos três cortes envolvendo três genótipos com duas
doses de azoto não foram significativamente diferentes para p>0,05, para todas
as características morfoagronómicas nas fontes de variação das interações
genótipo e azoto, e da interação tripla genótipo, azoto e corte, indicando a
independência entre os fatores genótipo, azoto e corte. Para a interação corte
e azoto houve somente efeito significativo p<0,05 para as características ALT e
LL.
A interação significativa entre genótipos e cortes evidenciou que a resposta
dos genótipos não é a mesma nos cortes sucessivos, ou seja, existem diferenças
entre as médias dos genótipos, ou na classificação das suas médias, entre os
três cortes. É importante ressaltar que a interação entre genótipos e cortes só
foi significativa para as características % MS, ALT, DC e LL. No que se refere
a PMS e NPPM não foi significativo, evidenciando diferenças genotípicas para
estas características. É desejável que os cultivares de capim-elefante
apresentem-se produtivas ao longo de todo o cultivo, e para a produção de
biomassa energética é importante que os genótipos tenham um desempenho mais
elevado e estável entre os diferentes cortes, minimizando os efeitos de
interação genótipos x ambientes (Daher et al., 2004). Em relação à fonte de
variação de genótipo, as características NPPM, DC e LL apresentaram diferenças
significativas, indicando respostas diferenciadas entre os genótipos. Este
resultado comprova a distinção existente entre cortes realizados em períodos
diferentes, mostrando que as plantas podem sofrer alterações na sua estrutura e
morfologia em virtude das condições ambientais adversas. A fonte de variação de
cortes foi altamente significativa para todas as características avaliadas,
indicativo imprescindível na distinção entre as cultivares avaliadas. Os dados
meteorológicos referentes à precipitação pluviométrica mensal, registradas no
período de fevereiro de 2011 a 14 de janeiro de 2013, no IFES-Campus de Alegre
no Sul do Espírito Santo registraram totais de 762; 1.190 e 391 mm referentes
aos cortes 1; 2 e 3, respectivamente, o que corrobora este efeito verificado
conforme Quadro_1.
Ao analisar os valores médios referentes às características morfoagronómicas
expressas no Quadro_2 pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade, verificou-se
que a característica produção de matéria seca (PMS), quanto à resposta das
cultivares às doses de azoto utilizadas nos cortes 1, 2 e 3 não houve diferença
estatística; porém ocorreu a diminuição na PMS destas cultivares no corte 3,
podendo estar relacionada ao estresse hídrico que ocorreu nesse período.
A produção de matéria seca da cv. 'Cameroon-Piracicaba' obtida de 38,7 t ha-1no
corte 2 (300 dias), na dose de 1000 kg ha-1de N, difere da obtida por Oliveira
(2012), pois esta cultivar respondeu melhor quando se utilizou a dose 800 kg
ha-1de N num corte com 10 meses, obtendo uma produção 52,8 t ha-1, e também da
produção obtida por Oliveira (2013) em dois cortes totalizando uma produção de
27,25 t ha-1ano-1, em Campos dos Goytacazes, RJ.
Os resultados obtidos podem ser considerados promissores, levando em
consideração a significativa falta de chuvas no segundo semestre de 2012. A
produção de matéria seca da cv. 'Cameroon-Piracicaba' difere de Morais et al.
(2009a,b) obtidos em 3 ciclos, para o mesmo genótipo utilizando uma adubação
azotada inferior, produziu no 1° ciclo 21,1 t ha-1, no 2° ciclo 15,4 e no 3°
ciclo 8,2 t ha-1 em 18 meses em Ponta Ubú, Anchieta-ES, apresentando o maior
valor para produção de biomassa, da ordem anual de 36,5 t ha-1nos primeiros
dois cortes. Considerando a produção obtida somente no 3° ciclo por Morais et
al. (2009a,b), pode-se observar que o resultado obtido de 14,7 t ha-1na dose de
500 kg ha-1 superando à de Morais et al.(2009a,b) sem aplicação da adubação
azotada. A produção de matéria seca obtida da cv 'Guaçu/ IZ.2' foi 45,2 t ha-
1ano-1, referente aos cortes 1 e 3, diferiu dos resultados obtidos por Andrade
et al.(2003), na experiência de Brotas 49,5 t ha-1ano-1, e do de Nova Odessa
cuja produção foi de 30,9 t ha-1ano-1, utilizando doses inferiores de azoto. A
produção de matéria seca obtida no corte 2 de 34,2 t ha-1, num período de 10
meses diverge de Andrade et al.(2003) e de Rossi (2010), pois obtiveram
elevadas produções para a cv. 'Guaçu/IZ.2', produzindo acima de 50 t ha-1num
período igual de tempo, utilizando uma dosagem de azoto inferior.
A produção de matéria seca da cv. 'Cana D'África' obtida no corte 2 num
intervalo de 10 meses de 33,9 t ha-1 foi semelhante à obtida por Rossi (2010),
de 36,2 t ha-1 num igual ciclo mesmo utilizando uma dose inferior de adubação
azotada. A média geral obtida de 26,7 t ha-1, referente à produção de matéria
seca das cultivares pesquisadas no corte 1; 2 e 3, corrobora com os resultados
obtidos por Leite (2000), que obteve uma produção de matéria seca de 27,7 t ha-
1com a idade de corte de 113,1 dias para a cv. 'Cameroon'. Ao analisar a
percentagem de matéria seca, todas as cultivares demonstraram uma diminuição
nesta característica nos cortes 1; 2 e 3 dentro das doses utilizadas. Somente a
cv. 'Guaçu/IZ.2' diferiu estatisticamente da cv. 'Cameroon-Piracicaba' e da cv.
'Cana D'África' no corte 1 na dose de 500 kg ha-1de N, por ter apresentado um %
MS maior que as demais.
A média obtida de 24,8% de matéria seca (% MS) no terceiro corte (180 dias)
referentes às cvs. 'Guaçu/IZ.2', 'Cana D'África' e 'Cameroon-Piracicaba', foi
semelhante à média de 24,5% obtida por Souza Sobrinho et al. (2005). No
entanto, foi diferente da obtida por Rossi (2010) de 37,2%. No segundo corte
(300 dias), a média obtida foi semelhante à obtida por Rossi (2010), oscilando
de 35,7% a 37,2%. Os teores de matéria seca observados, comparados com os
resultados encontrados por Souza Sobrinho et al.(2005), confirmam que há um
incremento de maté-ria seca quando se aumenta o intervalo de corte.
A variável, número de perfilho (NPPM) mostrou-se oscilante no que se refere à
resposta das cultivares nas diferentes doses utilizadas. Houve um incremento no
perfilhamento para a cv. 'Guaçu/ IZ.2' e 'Cana D'África' nos cortes 2 e 3
dentro da dose de 500 kg ha-1, diferindo estatisticamente da cv. 'Cameroon-
Piracicaba', esta apresentou um menor número de perfilhos nestes cortes.
Entretanto, dentro da dose de 1000 kg ha-1 este incremento ocorreu somente para
a cv. 'Guaçu/IZ.2' nos cortes 2 e 3, não diferindo estatisticamente das cvs.
'Cana D'África' e 'Cameroon-Piracicaba, sendo estas estatisticamente
diferentes, pois a cv. 'Cameroon-Piracicaba' apresentou um menor número de
perfilhos.
Os valores obtidos de NPPM, diferem de Rossi (2010), que obteve para as cvs.
'Guaçu/IZ.2', 'Cameroon-Piracicaba' e 'Cana D'Áfric'a, os respectivos valores
46,0; 33,3 e 36,0 NPPM, num intervalo de 10 meses utilizando uma dose inferior
de N e dos valores obtidos por Oliveira (2013), pois as cvs. 'Guaçu/ IZ.2',
'Cameroon-Piracicaba' e 'Cana D'África' apresentaram 28; 28 e 23 NPPM,
respectivamente, num intervalo de seis meses na menor adubação azotada. Segundo
Silva et al. (2010), as características número de perfilhos basais e aéreos por
metro apresentaram alta herditariedade, evidenciando pouca influência do
ambiente na variabilidade entre clones. A maior produtividade coincide com o
maior número de perfilhos por área e da altura da planta. Menores espaçamentos
tendem a promover o aumento dos perfilhos sem, no entanto, aumentar o seu
número por planta (Bhatti et al., 1985).
Na característica diâmetro médio do colmo, houve um incremento para a cv.
'Cameroon-Piracicaba' nos cortes 2 e 3 dentro da dose de 500 kg ha-1 de N,
diferindo estatisticamente das cvs. 'Guaçu/IZ.2' e 'Cana D'África'. No corte 2
dentro da dose 1000 kg ha-1 de N, houve um incremento no DC para as três
cultivares. Já no corte 3 dentro da dose 1000 kg ha-1de N, não houve incremento
para a cv. 'Guaçu/IZ.2'. A cv. 'Cameroon-Piracicaba' apresentou um maior
diâmetro diferindo estatisticamente das demais no corte 2 e 3 nas diferentes
doses utilizadas. Entretanto a cv. 'Cana D'África' foi a que apresentou menor
diâmetro no corte 1 dentro da dose 1000 kg ha-1 de N diferindo estatisticamente
da cv. 'Cameroon-Piracicaba', mas não diferindo da cv. 'Guaçu/IZ.2'.
Os valores do diâmetro variaram de 14,3 mm a 19,9 mm obtendo uma média geral de
16,5 mm. Daher et al. (2000) também encontraram valores semelhantes para o
diâmetro médio.
No presente estudo, a cv. 'Cameroon-Piracicaba' foi a que apresentou maior
diâmetro nos dois últimos cortes, porém não foi a que melhor respondeu quanto à
produção de matéria seca quando se utilizou a dose 500 kg ha-1, corroborando
com os resultados obtidos por Daher et al.(2004) que verificaram uma correlação
inversa entre as características diâmetro do colmo e produção de matéria seca,
em consequência, segundo os autores, das condições ambientais em que as plantas
se desenvolveram.
No que diz respeito à altura média, houve um decréscimo para a cv. 'Cana
D'África', nos cortes 2 e 3, diferindo estatisticamente da cv. 'Cameroon-
Piracicaba', somente no corte 2 dentro da dose de 500 kg ha-1 de N, por ter
apresentado a menor altura nesse corte. Entretanto, para as cvs. 'Guaçu/IZ.2' e
'Cameroon-Piracicaba' houve um declínio nessa característica, somente no corte
3, mas não diferiram estatisticamente.
Ao analisar a resposta das cultivares dentro da dose de 1000 kg ha-1 de N,
houve um decréscimo na altura para as cvs. 'Guaçu/IZ.2' e 'Cana D'África' nos
cortes 2 e 3. Enquanto que a cv. 'Cameroon-Piracicaba' manifestou essa resposta
somente no corte 3, mas não diferiu estatisticamente das demais nos três
cortes.
Os resultados obtidos referentes à altura média das cultivares nos três cortes
diferiram dos obtidos por Rossi (2010) com intervalo de 10 meses utilizando
dose inferior de adubação azotada. No corte 3, os valores obtidos foram
inferiores aos obtidos por Rossi (2010) e superiores aos de Oliveira (2013),
pois nos seus trabalhos a altura das cultivares 'Guaçu/ IZ.2', 'Cameroon-
Piracicaba' e 'Cana D'África' variaram de 3,7; 3,4 e 3,3 m, respectivamente.
Alguns trabalhos têm demonstrado que existe uma relação direta entre a
quantidade de água recebida e a altura das plantas de capim-elefante, tanto na
época seca quanto na época chuvosa (Mota et al., 2010 e 2011).
Algumas variedades de capim-elefante podem atingir alturas elevadas dependendo
das condições de clima e manejo. Kannika et al. (2011) avaliaram a altura do
capim- elefante com diferentes intervalos de corte e verificaram que aos 12
meses de idade o capim-elefante atingiu 5 m. As cvs. 'Cana D'África',
'Cameroon' e 'Guaçu/IZ.2' apresentaram uma altura média, em 24 semanas, igual:
de 203, 215 e 188 cm respectivamente, e foram as que apresentaram maiores
alturas, com exceção da 'Guaçu/IZ.2.' Enquanto que Rossi (2010) observou que as
alturas médias atingidas pelas cvs. 'Cana D'África', 'Cameroon-Piracicaba' e
'Guaçu/IZ.2' foram 330; 340 e 370 cm respectivamente. Segundo Xia et al.
(2010), esta variável é correlacionada positivamente com a produtividade. Na
característica largura média da lâmina foliar, houve um decréscimo para as cvs.
'Guaçu/IZ.2' e 'Cana D'África', no corte 2 dentro das doses 500 e de 1000 kg
ha-1 de N, diferindo estatisticamente na dose de 500 kg ha-1 de N; entretanto,
na dose de 1000 kg ha-1 de N, somente a cv. 'Guaçu/IZ.2' diferiu da cv.
'Cameroon-Piracicaba'. Já no corte 3, todas as cultivares responderam com um
incremento na LL; mesmo assim, a cv. 'Cana D'África' por apresentar a menor LL,
diferiu estatisticamente da cv. 'Cameroon-Piracicaba', pois foi a que
apresentou a maior LL, enquanto que a cv. 'Guaçu/IZ.2' não diferiu das demais
dentro da dose de 500 kg ha-1de N.
Os resultados da largura da lâmina (LL), no corte 3, mostram que esta
característica não foi influenciada pelos stresses hídricos, contradizendo os
resultados obtidos por Barreto et al. (2001), cuja conclusão foi de que a
largura da lâmina foliar era negativamente influenciada pelo stresse hídrico,
sendo que, nas parcelas submetidas a stresse, os valores corresponderam a 23,8;
29,4; 33,3; e 43,7% da largura das folhas das plantas irrigadas, para os
cultivares 'Mott', 'Roxo de Botucatu' e 'Cameroon' e para o híbrido HV-241,
respectivamente. Silva et al.(2010), verificaram que o diâmetro de colmo, o
número de perfilhos basais e aéreos por metro, o comprimento da folha, a
largura da folha, a percentagem de lâmina foliar e colmo, e a relação folha/
colmo apresentaram alta herditariedade. Contudo, estimativas de herditariedade
são próprias do conjunto de genótipos avaliados e de determinada condição
ambiental (Acquaah, 2007 Silva e Rocha, 2010) e Silva et al. (2010), em clones
de Pennisetum de porte baixo, observaram herditariedade de 83% para comprimento
de entrenós a 98% para largura da lâmina foliar e diâmetro do colmo, pois a
menor variação genética encontrada para estes clones, indica que grande parte
da variabilidade fenotípica tem causas genéticas. De acordo com os dados
pluviométricos, de 762,1 mm no primeiro corte, de 1190 mm no segundo corte, e
de 390,91 mm no terceiro, é possível observar que o período do primeiro corte
(de fevereiro a agosto/ setembro de 2011), e do segundo corte (setembro a julho
de 2012), de modo geral, foi mais favorável ao crescimento das plantas de
capim-elefante, uma vez que foi observado nesta modalidade a maior altura da
planta de 443,5 cm no corte 1 e de 420 cm no corte 2, valor superior ao
verificado no corte 3 de 280,8 cm. Este facto, provavelmente, foi consequência
da maior pluviosidade observada no primeiro e segundo período de crescimento.
No período do terceiro corte (julho de 2012 a janeiro de 2013), o efeito do
stresse hídrico foi maior para a variável produção de matéria seca e para a
altura da planta. A redução do crescimento e, consequentemente, da altura da
planta, pode estar relacionada com os sintomas do stresse hídrico. Tal
comportamento também foi observado em sete cultivares de capim-elefante
(Chavarria, 1985, Barreto et al., 2001).
Conclusão
Conclui-se que as cultivares usadas, de um modo geral, não diferiram entre si
quanto ao potencial para a produção de matéria seca nos cortes realizados nas
diferentes doses de azoto utilizadas, mesmo sob condições ambientais
contrastantes. Porém, houve um decréscimo na produção de matéria seca e na
altura destas cultivares no corte 3 em virtude do stresse hídrico ocorrido no
período deste corte. Entretanto, a cv. 'Cameroon-Piracicaba' apresentou um
menor perfilhamento, maiores diâmetro do colmo e largura de lâminas em relação
às demais. A cv. 'Guaçu/IZ.2' tendeu a apresentar valores próximos à cv.
'Cameroon-Piracicaba', enquanto que a cv. 'Cana D'África' apresentou essa
tendência apenas em relação à largura da lâmina para maiores doses de adubação
azotada.