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EuPTCVHe0871-34132014000600004

EuPTCVHe0871-34132014000600004

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0871-3413
Year2014
Issue0006
Article number00004

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Effective perinatal intensive care in europe (epice): Descrição do Projeto e primeiros resultados em Portugal

Projeto epice Este projeto internacional iniciou-se em 2011 em 19 regiões de 11 Estados Membros da União Europeia. Estas regiões abrangem mais de 750000 partos por ano, 550 unidades de obstetrícia, 250 unidades de neonatologia e cerca de 10000 nascimentos muito pré-termo. Em Portugal, integram o estudo 13 unidades de obstetrícia e neonatologia da Região Norte e 17 da Região de Lisboa e Vale do Tejo. Em 2010, ocorreram nestas duas regiões 65762 nascimentos, dos quais 681 antes das 32 semanas de gestação.18 O projeto EPICE tem como objetivos: (a) gerar conhecimento sobre a forma como a evidência científica se traduz na prestação de cuidados de saúde em unidades de obstetrícia e de neonatologia; (b) identificar os fatores que promovem a adoção de práticas baseadas em evidência científica; (c) desenvolver estratégias que favoreçam alterações na prestação de cuidados de saúde perinatal, com a participação de clínicos, investigadores e decisores políticos.

Para a concretização destes objetivos foram desenhados quatro estudos, recorrendo a metodologias quantitativas e qualitativas e com delineamentos transversal e longitudinal. Todas as intervenções clínicas consideradas para estudo foram selecionadas tendo por base os seguintes critérios: (a) relevância -se as intervenções têm um impacto significativo nos resultados em saúde e se são implementadas nas diferentes unidades -; (b) qualidade da evidência -se existe evidência bem definida para o uso de determinadas intervenções -; (c) nível de confiança e comparabilidade dos indicadores -se é possível obter medidas estandardizadas em todas as unidades participantes -; (d) variabilidade inter-regional e inter-unidades na prevalência das intervenções médicas.

Em Portugal, o estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (autorização 7426/2011) e pelas comissões de ética de todos os hospitais envolvidos. foi ainda obtido consentimento informado escrito de todos os participantes para a avaliação de seguimento.

Estudo 1: recrutamento De uma Coorte europeia De recém-nascidos muito pré-termo Faz a identificação, convite à participação e recolha de informação clínica sobre todos os recém-nascidos muito pré-termo (entre as 22+0 e as 31+6 semanas de gestação) das regiões em estudo. Adicionalmente, e para descrever a frequência dos resultados perinatais das gestações terminadas antes das 32 semanas, recolhem-se informações sobre interrupções médicas da gravidez e mortes fetais.

A coorte, a nível europeu, tem uma avaliação prevista aos 24 meses de idade corrigida mas, em Portugal, as crianças participantes são mais frequentemente avaliadas, sendo inquiridas aos 12 meses de idade corrigida e aos 36 meses de idade. O acompanhamento da coorte permitirá relacionar as práticas clínicas e, em geral, as políticas de intervenção, com os resultados em saúde medidos nomeadamente através de indicadores de crescimento e de desenvolvimento.

Estudo 2: caracterização das unidades De obstetrícia e neonatologia Descreve e compara formas de organização, procedimentos e intervenções clínicas dirigidos a recém-nascidos muito pré-termo. A informação é obtida através de inquérito aos diretores de serviço ou um seu representante em cada unidade participante. são também recolhidos e analisados os protocolos em vigor em cada unidade para as seguintes intervenções clínicas: administração de corticosteroides, antes do parto e após o nascimento, transferências in utero, utilização de surfatante e suspensão ou abstenção de tratamento.

Em Portugal integram este estudo 17 unidades (9 da região Norte e 8 da região de Lisboa e Vale do Tejo), tendo em conta os critérios de elegibilidade estabelecidos (unidades com 10 ou mais admissões de recém-nascidos muito pré- termo, nas primeiras 48 horas pós-parto). No entanto, para todas as unidades é obtida informação sobre as características gerais do seu movimento assistencial.

Estudo 3: estudo qualitativo em unidades De neonatologia Considerando dois agregados de unidades -um integrado em atividades académicas e o outro apenas com componente assistencial, selecionam-sealeatoriamente duas unidades de neonatologia em cada país participante (uma de cada grupo) e nessas unidades são convidados quatro profissionais de saúde para participar em entrevistas semiestruturadas. As entrevistas exploram as experiências, comportamentos e atitudes dos diferentes profissionais de saúde em relação ao desenvolvimento, implementação e uso de orientações clínicas e protocolos, para compreender melhor os obstáculos e os facilitadores da adoção de práticas baseadas em evidência científica, tanto a nível local como comparando as diferentes regiões europeias.

Estudo 4: estudo De caso Com base em protocolos e linhas De orientação Compreende a identificação de estruturas governamentais, agências e organismos públicos, e sociedades científicas na área de obstetrícia e neonatologia que definem orientações e políticas de atuação no cuidado a recém-nascidos muito pré-termo em cada uma das regiões participantes, bem como os documentos por elas produzidos. Em Portugal foram identificadas 23 regulamentações ou recomendações ou linhas orientadoras, provenientes de 8 estruturas governamentais, 3 agências e organismos públicos e 2 sociedades científicas.

Estudo Piloto Em Portugal, no mês de março de 2011, foi realizado um estudo piloto centrado no estudo 1 ' recrutamento e recolha de informação conducente à criação de uma coorte de recém-nascidos muito pré-termo. Participaram as seguintes unidades de obstetrícia e neonatologia da região Norte de Portugal: Centro Hospitalar do Alto Ave (Guimarães); Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga (Santa Maria da feira); Centro Hospitalar de São João (Porto) e Unidade Local de Saúde de Matosinhos (Matosinhos). Colaboraram também, em casos de transferências hospitalares, os serviços de Neonatologia do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/ Vila do Conde (Póvoa de Varzim) e do Centro Hospitalar Tâmega e sousa (Penafiel). A informação dos processos clínicos foi recolhida pelos clínicos responsáveis da unidade, como se previa no estudo. O preenchimento dos questionários teve a duração aproximada de 30 minutos.

Amostra Foram incluídos 21 nados-vivos com idade gestacional entre as 22+0e as 31+6semanas, nascidos entre maio e dezembro de 2010.

Instrumento para a recolha de dados A informação clínica foi obtida através de um instrumento de recolha de dados estruturado, desenvolvido com base no que fora utilizado no projeto MOSAIC, e desenhado por uma equipa multidisciplinar composta por obstetras, neonatalogistas e epidemiologistas dos países envolvidos no estudo. O inquérito era constituído por 144 itens, agrupados em7 grupos ' (1) Dados gerais, (2) Cuidados pré-natais, (3) Parto, (4) Cuidados neonatais, (5) Hospitalizações, (6) Alta final/Óbito e (7) Processo de decisão.

Na Tabela_1apresenta-se o conteúdo do questionário utilizado no estudo piloto e a sua versão final em resultado das indicações obtidas durante a fase piloto.

Informação resultante do estudo piloto De uma forma geral, em Portugal, a informação registada nos processos clínicos permitia responder à maior parte dos itens do questionário.

Após a recolha de dados decorrente dos estudos piloto conduzidos nas diferentes regiões europeias que integram o projeto, alguns itens que constituíam o questionário EPICE foram alterados por consenso.

Para os dados recolhidos no estudo piloto, em Portugal, foi realizada uma análise descritiva através do programa STATA (versão 9.0). Na Tabela 2apresentam-se as características da amostra e os dados em falta.

Verificaram-se omissões em alguns processos clínicos quanto às datas e horas de múltiplas ocorrências, na informação relativa à execução e resultados da gasimetria do sangue do cordão umbilical em sala de partos, ou quanto ao tipo de alimentação utilizada na primeira refeição enteral e no momento da alta. Nem todos estes aspetos se puderam ultrapassar na fase de recolha por rotina de informação para o estudo.

Recrutamento E amostra final Da coorte Em Portugal, o recrutamento da coorte EPICE decorreu entre 1 de junho de 2011 e 31 de maio de 2012. Foram identificados 724 recém-nascidos elegíveis,bem como 95 interrupções médicas da gravidez e 155 mortes fetais, com menos de 32 semanas de idade gestacional. Na Tabela_3apresenta-se o número de casos identificados em cada uma das unidades hospitalares que integram o projeto EPICE em Portugal, de acordo com a unidade onde ocorreu o parto. Não foi ainda possível determinar, com segurança, qual a proporção dos eventos realmente ocorridos que foi identificada durante o estudo. No entanto, nomeadamente tendo em conta a informação de registos nacionais, prevemos uma identificação praticamente total na maioria das unidades.

Dos 724 nados-vivos, 607 tiveram alta hospitalar (ocorreram 117 óbitos) das UCINS da região Norte e da região de Lisboa e Vale do Tejo. Foi obtido consentimento para as avaliações de seguimento referente a 544 (89,6%) participantes. Verificam-se diferenças estatisticamente significativas quanto à região onde ocorreu o parto e ao país de nascimento da mãe quando se comparam as características das crianças de acordo com a obtenção de consentimento para o seguimento (Tabela_4).

Para além da avaliação contemplada em todas as regiões europeias aos 24 meses de idade corrigida [em Portugal obtiveram-se 405 (74,4%) questionários] as crianças Portuguesas foram também avaliadas aos 12 meses de idade corrigida [456 (83,8%) questionários realizados] e continua a avaliação aos 36 meses de idade. Estes dados contribuirão para analisar a sobrevivência das crianças e os seus resultados de saúde a curto e a médio prazo, com base em informações reportadas pelos pais ou cuidadores principais.

Conclusão O protocolo de recolha de dados foi testado e o instrumento de recolha de informação foi avaliado em Portugal, possibilitando verificar que, à semelhança do que aconteceu em outros países, algumas questões não estavam disponíveis de forma sistemática nos processos clínicos. O estudo piloto permitiu ainda o estabelecimento do contacto direto com as equipas médicas das unidades de saúde, bem como compreender e antecipar potenciais dificuldades no processo de recolha de dados. Desta forma, o processo de recrutamento da coorte decorreu de forma muito satisfatória, confirmando experiências anteriores.19 Foi possível constituir a primeira coorte de recém nascidos muito pré-termo em Portugal, que fornece uma estrutura de investigação de grande qualidade às comunidades científica e clínica portuguesa e permitirá retratar a realidade da extrema prematuridade no nosso país.


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