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EuPTCVHe0872-07542012000400013

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National varietyEu
Year2012
SourceScielo

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Caso dermatológico

Uma criança do sexo masculino, com seis anos de idade e sem antecedentes patológicos pessoais/familiares relevantes, foi referenciada à consulta de dermatologia pediátrica por erupção cutânea linear, acastanhada na parede torácica e lombar esquerda, com quatro meses de evolução. Não havia história prévia de episódios infeciosos ou toma de fármacos, assim como sintomatologia acompanhante.

Ao exame objetivo observavam-se múltiplas máculas e pápulas liquenóides castanho-alaranjadas, confluentes, de limites bem definidos e bordos irregulares, com distribuição segmentar ao longo da parede torácica e lombar esquerda. Foi realizada biopsia cutânea que revelou a presença de epiderme com hiperplasia irregular e infiltrado liquenóide exuberante da derme superficial e extravasamento eritrocitário.

Figura 1Imagem clínica do doente mostrando múltiplas máculas e pápulas liquenóides castanho-alaranjadas, confluentes, de limites bem definidos e bordos irregulares, com distribuição segmentar ao longo da parede torácica e lombar esquerda.

Figura 2Exame histológico (H&E 20x e 40x; ae brespetivamente) Epiderme com hiperplasia irregular, com infiltrado liquenóide exuberante da derme superficial e extravasamento eritrocitário (a). Pormenor da incontinência do pigmento (b).

Qual o seu diagnóstico?

DIAGNÓSTICO Líquen aureus segmentar.

DISCUSSÃO As dermatoses purpúricas pigmentadas constituem um grupo de doenças crónicas, de etiologia desconhecida. Resultam da inflamação e hemorragia, embora ligeiras, dos vasos da derme papilar superficial, geralmente capilares.

Caracterizam-se pelo extravasamento de eritrócitos na pele, com deposição marcada de hemossiderina. Incluem a doença de Shamberg, doença de Majocchi, líquen aureus, dermatite liquenóide purpúrica pigmentada de Gougerot e Blum e púrpura eczematóide-likede Doucas e Kapetanakis.

O líquen aureus é uma variante rara de dermatose purpúrica pigmentada, descrita inicialmente por Marten et al,em 1958(1). Ocorre com maior frequência em jovens adultos e os locais mais atingidos são os membros inferiores(2). O líquen aureus é mais raro na infância e ao contrário dos adultos, afecta mais frequentemente o tronco e membros superiores e geralmente tem um carácter auto- limitado(3). A sua etiologia permanece desconhecida, no entanto, vários mecanismos têm sido propostos, tais como insuficiência venosa, infeções e fármacos. Embora a progressão do líquen aureus para micose fungóide seja discutível, alguns estudos sugerem essa possibilidade, dada a semelhança dos achados histológicos e de populações clonais de linfócitos(4). Por este motivo, estes doentes deverão ser mantidos em seguimento regular.

O diagnóstico baseia-se na combinação dos achados clínicos e histológicos.

Clinicamente caracteriza-se pela presença de máculas e pápulas liquenóides castanhas e/ou douradas, confluentes e assintomáticas, que lembram uma equimose (2). Geralmente as lesões permanecem estáveis durante anos. O exame histopatológico do líquen aureus difere dos achados histológicos das outras dermatoses purpúricas pigmentadas devido à presença de exocitose variável de linfócitos, infiltração liquenóide da derme superficial a acumulação marcada de macrófagos contendo hemossiderina.

O tratamento pode incluir corticoterapia tópica, PUVAterapia, pimecrolimus tópico e pentoxifilina, mas geralmente sem sucesso.


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