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EuPTCVHe0872-07542013000100010

EuPTCVHe0872-07542013000100010

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0872-0754
Year2013
Issue0001
Article number00010

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Caso dermatológico

Adolescente do sexo feminino com 16 anos de idade, sem antecedentes médicos conhecidos, é referenciada à consulta de dermatologia para avaliação de uma erupção cutânea pruriginosa em ambas as axilas com dois anos de evolução. Ao exame físico, observavam-se múltiplas pápulas eritematosas peri-foliculares em ambas as axilas (Figura_1), sem outras alterações de relevo.

Qual o seu diagnóstico?

DIAGNÓSTICO Doença de Fox-Fordyce

DISCUSSÃO A Doença de Fox-Fordyce, também conhecida como miliária apócrina, foi descrita pela primeira vez em 1902 por G. Fox e J. Fordyce. É uma erupção cutânea papular pruriginosa crónica pouco frequente de etiologia desconhecida provocada pela obliteração do canal excretor das glândulas apócrinas. Atinge principalmente mulheres jovens entre os 13 e os 35 anos de idade, sem predilecção racial.

Ao exame objectivo, observam-se múltiplas pápulas peri-foliculares cor de pele e/ou eritematosas nas áreas ricas em glândulas apócrinas (axilas, região genital, aréolas mamárias e pregas infra-mamárias). A queixa principal é o prurido que frequentemente interfere com a qualidade do sono. Stress emocional, calor, humidade e atrito são factores de agravamento conhecidos.

Escoriações e áreas de liquenificação podem ser vistos nos doentes com prurido intenso de longa duração.

O diagnóstico da Doença de Fox-Fordyce é clínico, não necessitando na maioria dos casos de confirmação histológica.

O diagnóstico diferencial deverá incluir as seguintes patologias: foliculite (pustulação peri-folicular de etiologia infecciosa), líquen nítido (pápulas cor de pele assintomáticas brilhantes, arredondadas ou poligonais de etiologia desconhecida mais frequentemente localizadas ao nível do tronco, membros superiores e/ou região genital), miliária rubra (pápulas eritematosas pruriginosas não foliculares com eritema circundante resultantes da oclusão dos canais sudoríparos écrinos) e siringomas (neoplasia epitelial benigna caracterizada por pápulas cor de pele assintomáticas na região peri-orbitária e/ou genital).

Não ocorre resolução espontânea e não existe cura para a Doença de Fox-Fordyce.

Os retinóides tópicos são eficazes, no entanto a irritação local observada em muitos doentes tem limitado o seu uso prolongado.

A isotretinoína oral induz, por via de regra, uma melhoria apenas transitória com recorrência dos sintomas após a interrupção do tratamento. Muitas mulheres referem uma melhoria do prurido quando iniciam uma pílula contraceptiva oral.

Também existem relatos de sucesso com a aplicação tópica de antibióticos (clindamicina ou eritromicina) e imunomoduladores (pimecrolimus ou tacrolimus).


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