Home   |   Structure   |   Research   |   Resources   |   Members   |   Training   |   Activities   |   Contact

EN | PT

EuPTCVHe0872-07542013000100011

EuPTCVHe0872-07542013000100011

National varietyEu
Year2013
SourceScielo

Javascript seems to be turned off, or there was a communication error. Turn on Javascript for more display options.

Caso endoscópico

O nosso doente de hoje é uma menina de 10 anos que recorreu à nossa consulta por ter dores abdominais em cólica localizadas ao andar superior do abdómen, associadas a episódios de vómitos incoercíveis, inicialmente alimentares e depois aquosos, que motivaram recurso por diversas vezes ao Serviço de Urgência com necessidade de internamento. Estes episódios resolviam após hidratação endovenosa e tratamento com metoclopramida e por vezes butilescopulamina. A doente teve durante os dois anos anteriores cerca de seis episódios com curta duração e passando bem, sem qualquer sintoma, no intervalo entre as crises.

Durante os episódios não apresentava sintomas gerais e o estudo analítico efetuado não evidenciava alterações. Não estabelecia qualquer relação entre os episódios e a ingestão de qualquer tipo de alimentos nem com medicamentos.

Filha única de pais saudáveis com normal desenvolvimento estaturo-ponderal e psicomotor. Sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. O seu exame objetivo era normal.

Era portadora de estudo radiológico do intestino delgado por trânsito que não evidenciava alterações. O hemograma, a função hepática e renal e o exame sumário de urina eram normais e realizou endoscopia digestiva alta que permitiu observar ao nível duodenal a imagem (Figura_1) que mostramos.

Qual lhe parece o diagnóstico mais adequado? 1 ' Exame normal 2 ' Neoplasia duodenal 3 ' Leiomioma 4 ' Compressão extrínseca duodenal

COMENTÁRIOS A imagem endoscópica apresentada mostra-nos uma zona abaulada do lado direito da imagem, com cerca de 2,5cm de diâmetro, sugerindo ou lesão submucosa ou compressão extrínseca, uma vez que a mucosa parece íntegra. Ao toque com pinça verificávamos que se tratava de estrutura com alguma dureza e a mucosa desliza facilmente sobre a lesão. Uma vez que não dispúnhamos de ecoendoscopia a doente efetuou TAC (Figura_2) abdominal que revelou a existência de rim direito mal rodado, com duplicação do sistema excretor, com pielões distintos e proeminentes, estando o superior em relação anatómica com a segunda e terceira porções duodenais. Não se observou qualquer lesão da parede duodenal. Em face deste resultado a doente foi observada pela Urologia Pediátrica que decidiu proceder a intervenção cirúrgica durante a qual se confirmou a duplicidade e dilatação do sistema excretor e mobilidade anómala do rim direito. Foi efetuada pieloplastia e fixação do rim. Após a intervenção cirúrgica a doente ficou clinicamente bem e não voltou a ter qualquer episódio de dor o vómitos nos dois anos de  seguimento. Concluímos estar perante compressão extrínseca duodenalintermitente causada por rim anómalo. A hipótese de leiomioma ou até de um tumor do estroma (GIST) era possível mas ficou excluída pelo TAC e a neoplasia duodenal é uma lesão da mucosa e não submucosa pelo que não constituía uma verdadeira alternativa.


Download text