Caso endoscópico
A Margarida, sexo feminino, 18 anos, foi observada na consulta externa de
Gastroenterologia Pediátrica por queixas dispépticas por vezes associadas a
sensação de mal estar durante a deglutição, que melhoravam com a inibição da
secreção ácida. A doente era observada desde os 15 anos na consulta de
obesidade mórbida por quadro de obesidade com IMC de 43 (peso 110Kg e estatura
1,60m). Depois de diversas tentativas de emagrecimento com terapêutica
dietética, a doente não conseguiu perda de peso significativa, pelo que lhe foi
sugerida a colocação de banda gástrica, que aceitou. Esta foi-lhe colocada por
via laparoscópica cerca de um ano depois sem complicações e com êxito, uma vez
que foi perdendo progressivamente peso. Aos 18 anos apresentava um IMC de 27,5
(Peso 57kg e estatura 1,65m) e referia queixas dispépticas, azia, pirose e, por
vezes, odinofagia, com duração de cerca de três meses que aliviava sempre que
tomava omeprazol (40mg oral/dia), o que fazia de forma intermitente mas
frequente. Em face deste quadro clínico efetuou endoscopia digestiva alta que
permitiu observar os aspetos apresentados nas imagens seguintes (Figuras_1, 2 e
3).
Qual o seu diagnóstico?
1 ' Esofagite eosinofílica
2 ' Esofagite péptica
3 ' Migração de banda gástrica
4 ' Aspeto normal
COMENTÁRIOS
A Figura_1 mostra-nos o esófago distal, onde se observa a junção esófago-
gástrica com cárdia aberto e apresentando a mucosa esofágica discretos sinais
inflamatórios compatíveis com esofagite péptica. No centro da imagem é possível
adivinhar a presença de estrutura submucosa circular, melhor evidenciada na
Figura_2 e indicada pelas setas e que corresponde à impressão provocada pela
banda gástrica. A Figura_3 mostra a parte alta do estômago, onde observamos o
aparelho rodeado de estrutura submucosa circular que corresponde à banda
gástrica, agora observada pela sua face gástrica em inversão (setas). O aspeto
da mucosa gástrica e duodenal era normal. A estrutura circular observada nas
duas imagens tem aspeto regular o que evidencia correta posição da banda. A
imagem da Figura_1 sugere uma discreta câmara gástrica acima da banda, o que
faz pensar no seu possível deslizamento proximal e parece muito pequena a
câmara gástrica criada pela colocação da banda. Em face dos achados observados,
não temos elementos sugestivos de esofagite eosinofílica e concluímos pela
existência de esofagite péptica grau I e possível deslocação proximal da banda
gástrica.
A realização posterior de estudo radiológico contrastado esófago-gástrico veio
confirmar a deslocação.
Palavras-chave: Banda gástrica, dispepsia, esofagite péptica, obesidade.