Transplantação renal em idade pediátrica: experiência do Centro Hospitalar do
Porto
COMUNICAÇÕES ORAIS
CO-5
Transplantação renal em idade pediátrica ' experiência do Centro Hospitalar do
Porto
João NascimentoI; Catarina MendesI; Liliana OliveiraII; Teresa CostaII; Maria
Sameiro FariaII; Paula MatosII; Conceição MotaII,III; A Castro HenriquesIII
IServiço de Pediatria Médica do Centro Hospitalar do Porto
IIServiço de Nefrologia Pediátrica do Centro Hospitalar do Porto
IIIServiço de Nefrologia / Unidade de Transplante Renal do Centro Hospitalar do
Porto
Introdução:O transplante representa a terapêutica de substituição renal de
eleição conferindo aos doentes com insuficiência renal crónica terminal (IRCT)
em idade pediátrica, benefícios consideráveis que incluem uma melhoria do
crescimento e uma mais longa e melhor qualidade de vida. Objetivo: Estudo
retrospetivo sobre a experiência em transplantação renal (TR) em idade
pediátrica (<18 anos) do Centro Hospitalar do Porto (CHP).
Métodos:Análise estatística dos dados epidemiológicos e clínicos dos doentes
transplantados em idade pediátrica desde Janeiro de 1984 a Agosto de 2014.
Calculou-se a sobrevida do enxerto renal não censurada para a morte e a
sobrevida do doente no total da amostra. Apreciou-se a evolução temporal da
atividade de transplantação analisando as curvas de sobrevida do enxerto por
décadas. Foi comparada a sobrevida do enxerto nas crianças vs nos adolescentes
(< 11 e ≥ 11 anos à data do TR). A sobrevida foi analisada pelo método de
Kaplan-Meier e a comparação entre os grupos pelo Log rank test.
Resultados:Foram efetuados 147 TR em 139 doentes (58.3% ). Dez (6.8%) TR foram
de dador vivo. As anomalias congénitas do rim e trato urinário (CAKUT)
representaram 56.5% dos casos de IRCT nesta população. A idade mediana dos
doentes no momento da cirurgia foi de 13 anos (mín 2.8 anos e máx 17.9 anos). A
idade mediana dos dadores idade mediana dos dadores foi de 17 anos (mín 1.5anos
e máx 58 anos). O tempo médio de internamento após TR foi de 17 dias, tendo o
tempo médio de seguimento sido de 9.7 anos. A sobrevida do enxerto não
censurada aos 5, 10, 15 e 20 anos foi respectivamente 84.7%, 71.1%, 60.0% e
51%. A sobrevida do doente aos 5, 10, 15 e 20 anos foi respectivamente 97.9%,
95.9%, 94.7% e 94.7%. O tempo de sobrevida do enxerto n ão foi
significativamente diferente nas crianças e nos adolescentes à data do TR
(p=0.697). A diferença de sobrevida do enxerto renal por d écadas foi
estatisticamente significativa (p=0.004).
Conclusão:Os resultados do TR são encorajadores e comparáveis a outros centros
de refer ência, tendo-se verificado uma melhoria da sobrevida ao longo das d
écadas.