Lesão óssea lítica: que diagnóstico?
POSTERS
PM-14
Lesão óssea lítica ' que diagnóstico?
Mariana Matos MartinsI; Joana CardosoII; Lisete LopesI; Helena Sá CoutoI; Jorge
QuelhasII; António Leite da CunhaII
IServiço de Pediatria, Hospital Pedro Hispano, Unidade Local de Saúde de
Matosinhos
IIServiço de Ortopedia, Hospital Pedro Hispano, UNIDADE Local de Saúde de
Matosinhos
Introdução:As lesões ósseas líticas constituem um desafio dada a ampla
variedade de causas possíveis e respectivo prognóstico. A faixa etária,
localização da lesão e aparência imagiológica podem ser pistas para o
diagnóstico mas, por vezes, apenas a biópsia óssea é capaz de o confirmar. Os
autores apresentam o caso clínico de uma criança com lesão óssea lítica
vertebral que revelou tratar-se de um granuloma eosinofílico. Esta doença faz
parte do espectro da Histiocitose de células de Langerhans (HCL), anteriormente
conhecida como histiocitose X.
Caso clínico:Criança de 10 anos, sexo masculino, antecedentes pessoais
irrelevantes, evolução estatural no percentil 50. Quadro de dorso-lombalgia com
3 semanas de evolução agravada com ortostatismo, com posição preferencial em
flexão do tronco, sem história de trauma ou outra sintomatologia associada. Ao
exame objectivo: sem dismorfias à inspecção, dor à pressão da região dorso-
lombar, exame neurológico sem alterações. Realizou TAC da coluna lombar que
mostrou exuberante lesão osteolítica no corpo de D12. Estudo radiológico
complementado por RM que confirmou presença de lesão expansiva nessa
localização mas mantendo-se a morfologia/altura do corpo vertebral. Restante
estudo complementar alargado incluindo estudo infeccioso inconclusivo pelo que
efectuou biópsia percutânea transpedicular da vértebra afectada. Diagnóstico
histológico de HCL.
Discussão:A HCL inclui um grupo de entidades raras com manifesta ções clínicas
variáveis e de etiologia desconhecida. O granuloma eosinof ílico constitui
cerca de 60% de todos os casos de HCL podendo afectar o esqueleto de forma
multi ou unifocal, atingindo mais frequentemente o cr ânio e os ossos longos. A
apresenta ção unifocal tem o melhor progn óstico mas, a vigilância a longo
prazo é essencial pois existe a possibilidade de aparecimento de novas lesões
ósseas e mesmo conversão para uma forma sistémica.
Dados os possíveis diagnósticos diferenciais de prognóstico possivelmente mais
agressivo e com diferentes tratamentos (sarcoma de Ewing, osteomielite,
linfoma, doença metastática, quisto ósseo), o doente foi submetido a biópsia no
sentido de estabelecer um diagnóstico definitivo. Até à data mantém um
seguimento regular, sem défices neurológicos e com melhoria radiológica
documentada.