Olhar com olhos de ver
POSTERS
PM-35
Olhar com olhos de ver
Carlos Pedro MendesI; Ana Luís PereiraI; Ana Pinheiro TorresI; Beatriz SoaresI;
Célia SilvaII
IUSF Salvador Machado, ACES Entre Douro e Vouga I
IIUSF Famílias, ACES Entre Douro e Vouga II
Introdução:A abordagem das situações agudas em idade pediátrica tem
características e necessidades específicas e, por isso, a detecção rápida e
precoce dos sinais de alarme numa criança doente exige prática, atenção e
sensibilidade. O facto de muitas vezes as queixas serem reportadas por um
adulto e não pela própria criança acrescenta subjetividade e aumenta a
dificuldade na avaliação.
Caso clínico:LYSMC, sexo feminino, 5 anos. Família nuclear, fase III do Ciclo
de Vida Familiar de Duvall, classe social média baixa de Graffar. Sem
antecedentes pessoais de relevo (parto eutócico às 40 semanas, bom
desenvolvimento estatoponderal e psicomotor), sem medicação crónica. Os pais
recorreram à consulta aberta por nesse dia terem sido contactados por parte do
infantário por recusa da criança em descer as escadas porque tinha medo de
cair. Da anamnese destaca-se episódios recorrentes de cefaleias com 2 semanas
de evolução de predomínio frontal e vespertinas, não associadas a despertares
nocturnos, sendo referida alguma irritabilidade durante os episódios. Sem
alterações do comportamento (manteve frequência no infantário). Durante este
período há agravamento das queixas (tanto em frequência como em severidade) e
na última semana teve episódios esporádicos de vómitos sem horário
preferencial. Apesar da pouca colaboração da criança, ao exame neurológico foi
possível observar: oculomotricidade preservada, sem nistagmo, reflexo pupilar e
consensual diminuídos, hipovisão sobretudo no olho direito, capacidade de
identificar objetos com o olho esquerdo mas não com o olho direito, sem
assimetrias da face, protusão simétrica da língua, elevação do palato
simétrica. Tendo em conta as alterações encontradas a criança foi referenciada
ao SU do CHEDV, tendo sido posteriormente reencaminhada para o Hospital Geral
de Santo António, onde esteve internada durante 7 dias por encefalomielite
disseminada aguda.
Discussão:Uma grande percentagem das situações agudas em idade pedi átrica são
auto-limitadas e passíveis de resolver nos cuidados de saúde prim ários. Muitas
vezes existe dificuldade em atribuir importância a sintomas vagos, inespec
íficos e descritos por outra pessoa que n ão o doente. Este caso clínico surge
nesse contexto, pretendendo demonstrar a importância de uma boa anamnese e
exame físico, uma vez que por detr ás de uma queixa aparentemente simples e
possivelmente benigna pode estar algo mais complexo.