Home   |   Structure   |   Research   |   Resources   |   Members   |   Training   |   Activities   |   Contact

EN | PT

EuPTCVHe0874-02832014000300005

EuPTCVHe0874-02832014000300005

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0874-0283
Year2014
Issue0003
Article number00005

Javascript seems to be turned off, or there was a communication error. Turn on Javascript for more display options.

Alimentação complementar do latente: adaptação e avaliação de tecnologia de apoio para pais cegos portugueses

Introdução Transitar da amamentação exclusiva para a introdução de alimentação complementar ao lactente é uma fase que preocupa os pais e, estes procuram informações com amigos e familiares, em livros, páginas da internet dentre outras fontes (Ministério da Saúde, 2010; Silva, Venancio, & Marchioni, 2010).

Pais cegos apresentam dificuldades para cuidar dos seus filhos, especialmente quando pequenos, no âmbito da preparação de medicamentos, realização da higiene corporal e oferta dos alimentos, principalmente na fase da introdução de novos alimentos. Estudos realizados com mães e pais cegos do nordeste do Brasil evidenciaram que a oferta de novos alimentos ao filho aos seis meses, constituiu um momento de ansiedade, pois os pais reconheceram que não possuíam as competências necessárias para a preparação e introdução dos novos alimentos (Pagliuca, Uchôa, & Machado, 2009).

Ao considerar-se a assistência em Enfermagem à pessoa cega, temos como uma das suas ferramentas a Tecnologia de Apoio (TA), também denominada tecnologia assistiva. Trata-se de uma estratégia adaptativa e material que pretende promover independência, autonomia e inclusão das pessoas com deficiência em todas as fases do ciclo vital (Hersh, 2010).

Face a estas dificuldades e atendendo às múltiplas estratégias de promoção da saúde que os enfermeiros podem utilizar, desenvolveu-se uma tecnologia de apoio, de acesso à distância, para fornecer informações acerca dos cuidados com a alimentação complementar do lactente. A tecnologia, denominada Cuidando da alimentação do bebé, é composta por textos dialogais e um espaço no qual os pais cegos podem esclarecer as suas dúvidas. Esta tecnologia está descrita no site http://www.labcomsaude.ufc.br, do grupo de pesquisa do Laboratório de Comunicação em Saúde do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará-Brasil.

Após a sua construção, esta tecnologia foi avaliada por nove especialistas brasileiros (sendo três de cada uma das áreas: Saúde da Criança, Educação de Pessoas Cegas e Informática Acessível) e por um grupo de dez pais cegos brasileiros. Ambos os grupos afirmaram que a tecnologia estava adequada para a promoção da saúde e orientação dos pais cegos sobre a introdução de novos alimentos aos seus filhos, sugerindo uma difusão ampla desta estratégia (Cezario, Oliveira, Abreu, & Pagliuca, 2012).

Deste modo, o presente estudo tem como objetivos descrever a adaptação cultural do conteúdo à população portuguesa e avaliar a estrutura e apresentação da tecnologia de apoio Cuidando da alimentação do bebé.

Enquadramento A Tecnologia de Apoio ou assistiva (TA) é uma estratégia viável à promoção da saúde da pessoa cega. A TA ao considerar o ser humano como um todo, não se restringe a compensar uma falta, mas possibilita o desempenho de tarefas associadas às atividades de vida diária. Para atender as pessoas com deficiência de maneira integral, os materiais e serviços de TA devem ser preparados por profissionais de diversificadas áreas, engenheiros, arquitetos, programadores, terapeutas ocupacionais e, enfermeiros (Sartoretto & Bersch, 2014).

No caso dos pais cegos, verifica-se muitas vezes que a sua rede social é constituída por pais, irmãos, amigos e vizinhos, com dificuldade em fornecer informações sobre os cuidados de saúde ao lactente. Este fato pode dever-se à falta de experiência em comunicar-se com uma pessoa com deficiência ou as informações prestadas não considerarem as características da pessoa cega (Nóbrega, Andrade, Pontes, Bosi, & Machado, 2012).

Destaca-se ainda o fato de, na maioria das vezes, os profissionais de saúde não conseguirem estabelecer uma comunicação eficaz com as pessoas com deficiência sensorial, que muitos não possuem formação adequada (Pagliuca et al., 2009).

Dado que os pais cegos devem cuidar das suas crianças de maneira autónoma e segura, é necessário desenvolver mecanismos que os apoiem. Neste contexto, os profissionais em Enfermagem devem estabelecer parcerias e diversificar as suas estratégias de intervenção, com vista à promoção da saúde. Entre as possibilidades de ação intersetorial, está o uso do acesso à distância, mediado pela internet, para o fornecimento de informações sobre temas relacionados com a saúde (Carvalho, Silva, & Pagliuca, 2013).

O uso do computador como ferramenta de assistência em Enfermagem tem vindo a expandir-se. Constata-se que a utilização do computador possui diversas vantagens, tais como o acesso à informação, o aumento da possibilidade de comunicação e a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Questões de investigação Investigou-se qual a perceção dos enfermeiros e pais cegos portugueses sobre a adaptação de uma Tecnologia de Apoio sobre alimentação complementar disponível por meio do acesso online?

Metodologia Trata-se de um estudo metodológico, cujo objetivo é o desenvolvimento, avaliação e aperfeiçoamento de instrumentos e de estratégias metodológicas em Enfermagem (Polit & Beck, 2011). Este estudo desenvolveu-se em três etapas: adaptação cultural do conteúdo à população portuguesa; análise do conteúdo por enfermeiras e por pais cegos e; avaliação da estrutura e apresentação da tecnologia pelas especialistas e por pais cegos portugueses, que ocorreu no período de março a junho de 2012, na cidade do Porto. Em seguida estas etapas são descritas com detalhes.

Na primeira etapa do estudo, realizou-se uma ampla procura de artigos científicos em bases de dados, revistas, livros, manuais e sites da internet portugueses especializados no tema. Diferentemente do que ocorre no Brasil, não uma orientação específica sobre alimentação complementar para esta faixa etária na página do Ministério da Saúde de Portugal. Ao texto foram incorporadas expressões culturais e alimentos específicos da culinária portuguesa para esta faixa etária. Para consolidar esta etapa foram convidadas três enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica, que desenvolvem atividade profissional na área académica ou na prática clínica para, em grupo, consolidar o conteúdo do texto.

Na segunda fase, participaram da pesquisa três enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica convidadas a avaliar o material adaptado. Receberam cópia do conteúdo adaptado e instrumento de avaliação, com 24 questões relativas aos objetivos, estrutura e apresentação e, relevância da tecnologia de apoio, além de um espaço para realizarem críticas, sugestões e elogios. Cada item do instrumento foi avaliado através de uma escala tipo Likert, com cinco pontos, correspondendo o um à menor nota e cinco à maior. A partir destas informações, realizaram-se modificações no conteúdo da tecnologia e inseriu-se esta no site.

Na terceira e última etapa participaram pais cegos, com idade a partir dos 18 anos. Para a avaliação da tecnologia por pais cegos, constatou-se a direção de uma associação de cegos e amblíopes portugueses, que permitiu a presença da pesquisadora nas suas instalações para convidar os referidos pais a colaborarem no estudo. A pesquisa foi divulgada em três listas virtuais de pessoas cegas portuguesas, visando recrutar mais participantes.

Os participantes foram orientados a acederem ao referido site da internet, a apreciar a tecnologia de apoio online e avaliá-la, através do instrumento também disponibilizado virtualmente. No caso dos pais que apresentavam dificuldade em manusear o computador, a pesquisadora agendou encontros na referida associação ou na residência destes para os ajudar neste processo de avaliação.

O instrumento de avaliação dos pais cegos possuía 23 itens relacionados com o conteúdo, com educação especial e a acessibilidade virtual. Tal como o instrumento das especialistas, os itens foram avaliados através de uma escala tipo Likert.

Consideraram-se adequados os itens que receberam notas quatro e cinco de pelo menos dois avaliadores. No caso dos itens com notas inferiores ou ausência de acordo entre os avaliadores realizou-se ajustes no texto e foi solicitada nova avaliação. As sugestões dadas foram comparadas e acatadas ou não, de acordo com a literatura.

Os dados foram analisados de maneira descritiva o que, segundo Polit e Beck (2011) permite organizar, fornecer estrutura e extrair significado dos dados.

Envolve, tipicamente, quatro tipos de processos intelectuais: compreensão, síntese, teoria e recontextualização.

Em relação aos aspetos éticos, foi respeitado o preconizado para as pesquisas com seres humanos estipuladas pela Declaração de Helsinquia.

Resultados Em relação à bibliografia produzida em Portugal sobre a introdução dos novos alimentos, verificou-se que a mesma era escassa. Deste modo, da pouca literatura encontrada e das entrevistas realizadas aos profissionais, resultaram as seguintes mudanças na tecnologia: introdução primeiramente de papa de farinha com ou sem glúten, de acordo com a idade do lactente; pouca ênfase na oferta de água; desencorajar a oferta de sumos; uso apenas do azeite na preparação dos alimentos salgados; incentivo à introdução de iogurtes entre o oitavo e o nono mês de vida; introdução da gema de ovo entre o nono e décimo mês de vida; dieta familiar a partir do décimo segundo mês de vida; introdução de carne vermelha e miúdos aos 12 meses; incentivo à conservação e armazenamento de alimentos para refeições posteriores.

Apontaram ainda os alimentos culturalmente utilizados em Portugal, tais como: o peru, o borrego, o coelho e o linguado, em relação às carnes e peixes; brócolos, couve-galega, alho francês, concernentes às hortaliças; courgettes, em relação aos frutos, e o uso de farinhas lácteas e não lácteas como primeiro alimento a ser oferecido ao lactente.

Após a incorporação das práticas alimentares e alimentos típicos portugueses, o conteúdo da tecnologia foi traduzido para o português escrito em Portugal, passando a TA a ser denominada Cuidando da alimentação do bebé. Posteriormente, o conteúdo foi submetido à apreciação das enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica.

Na Tabela_1 apresentam-se as avaliações em relação ao conteúdo da tecnologia: notas e o número de enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica a atribuí-las.

Observa-se que não existiu acordo ou obtiveram nota abaixo de quatro os itens Aspetos relevantes sobre o aleitamento materno, Modo correto de preparação dos alimentos complementares e Diluição correta das fórmulas infantis.

Além disso, as enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica apresentaram as seguintes sugestões: inclusão de uma linguagem mais formal, evitando determinados vocativos e expressões coloquiais; inclusão da prática de oferta de alimentos posicionando o lactente em cadeira específica para este fim; acréscimo de considerações sobre o congelamento de alimentos para uso em refeições subsequentes e maior clarificação quanto à diluição do leite artificial; mudança e inserção de alimentos relativos ao universo cultural português. Destas sugestões, a única não acatada foi a inclusão de linguagem formal por a tecnologia ser voltada a um público leigo.

Considerou-se também o conteúdo acessível para pessoas cegas por possuir informação com frases curtas e indicações precisas, considerando-a inovadora e criativa podendo ser aplicada a todas as pessoas com esta necessidade.

Consideraram também o texto da tecnologia objetivo, claro e bastante completo.

Pelo fato de existirem itens cuja avaliação foi considerada negativa ou não, houve acordo entre as especialistas, solicitou-se uma nova avaliação dos mesmos após a realização dos ajustes sugeridos e considerados pertinentes.

Após os ajustes, o item referente à abordagem do aleitamento materno recebeu nota quatro de duas enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica; e os demais itens, preparação e oferta de novos alimentos e diluição correta de fórmula infantil, receberam notas quatro e cinco de duas avaliadoras. Sendo assim, os itens relativos ao conteúdo foram considerados válidos.

Na Tabela_2 apresentam-se os aspetos relativos à estrutura/apresentação e relevância da tecnologia. Observa-se que estas duas partes obtiveram notas quatro e cinco em todos os itens por pelo menos duas especialistas.

Concluída a etapa de avaliação por enfermeiras especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica e realizadas as alterações no conteúdo da tecnologia de apoio, esta foi inserida na página do Laboratório de Comunicação em Saúde da Universidade Federal do Ceará-Brasil. Deste modo, após a divulgação, os pais cegos iniciaram o processo de apreciação e avaliação da TA.

Em relação à avaliação da primeira parte do instrumento, conteúdo da tecnologia de apoio, todos os itens receberam notas quatro e cinco pela maior parte dos participantes (Tabela_3).

Participaram do estudo um total de 10 pais cegos, sendo oito mulheres e dois homens. A faixa etária variou entre os 30 e os 68 anos, com quatro participantes tendo idade entre os 50 e 59 anos. Entre as causas de cegueira, apenas um afirmou ter nascido com deficiência. Quanto ao estado civil, cinco são casados, dois solteiros, dois viúvos e um não respondeu. Quanto ao grau de escolaridade, quatro estudaram até ao primeiro ciclo, dois realizaram o terceiro ciclo, três o ensino secundário e um não respondeu. Em relação ao rendimento familiar, este variou entre os 530 e os 1600 euros, sendo que quatro pais optaram por não informar sobre este aspeto. Quanto à profissão, cinco são reformados, um assistente operacional, um telefonista, um estagiário, um está desempregado e outro não respondeu.

Quanto aos aspetos pedagógicos e ao acesso à distancia por pessoas com deficiência visual, os respetivos itens também foram avaliados como adequados pela maior parte dos participantes (Tabela_4).

Discussão A introdução de novos alimentos na dieta do lactente é muitas vezes vivenciada pelos pais com ansiedade o que dificulta a situação. A transição do aleitamento materno para a introdução de fórmulas e alimentos processados deve ser discutida entre profissionais da saúde e os pais (Brasil et al., 2012). É natural que pais que nunca cuidaram de crianças necessitem de ajuda de familiares, profissionais de saúde, livros e meios de comunicação para esclarecer as suas dúvidas (Avery & Magnus, 2011).

A adaptação da tecnologia de apoio à população portuguesa foi relevante para que os pais cegos deste país também tivessem acesso a esta TA (Cezario et al., 2012). Sabe-se que a utilização de alimentos regionais, adequados à realidade cultural de dada população, é essencial para o desenvolvimento da criança, através de seu aproveitamento nutricional. Para isto é essencial arrolar conhecimentos das mães sobre alimentos infantis para, então, intervir de forma a ofertar alimentação saudável respeitando os valores familiares (Gamarra Atero, Porroa Jacobo, & Quintana Salinas, 2010; Campagnolo et al., 2012).

As principais diferenças identificadas entre as práticas portuguesas e brasileiras foram: no Brasil o primeiro novo alimento a ser introduzido à dieta da criança não desmamada é a papa de frutas; e, simultaneamente, a água várias vezes ao dia, conforme a idade da criança; a oferta de sumos, especialmente de frutas ricas em vitamina C, após as papas; o uso de diversos temperos suaves na preparação das papas atendendo a preferência familiar; a introdução de iogurtes deve ser evitada antes dos doze meses de vida; a adoção da dieta familiar entre os oito e dez meses de vida; introdução gradual de carne de boi e miúdos entre o sexto e sétimo mês; e desencorajamento da conservação de refeições subsequentes (Ministério da Saúde, 2010; Silva et al., 2010).

Após a adaptação cultural da tecnologia de apoio, foi essencial a sua avaliação por especialistas em Saúde Infantil e Pediátrica a desenvolver a sua prática profissional em contexto clínico. Além da avaliação realizada pelos especialistas, reconhece-se que é importante conhecer a perceção dos utentes sobre a tecnologia. No processo de avaliação de instrumentos e tecnologias deve-se questionar a opinião de representantes da população estudada com vista a aperfeiçoar as suas características para uma dada especificidade (Pasquali, 2010).

Ressaltam-se, no contexto do perfil dos portugueses que avaliaram a tecnologia, algumas semelhanças em relação aos brasileiros avaliadores da primeira versão do material. Uma característica significativa dos pais cegos portugueses foi o fato de, embora tenha havido uma divulgação indistinta, a maioria dos participantes serem mulheres.

Ocorreram também algumas diferenças, pois, no Brasil, o nível de escolaridade da maior parte dos avaliadores situou-se no Ensino Médio e, no caso de Portugal, a escolaridade dos participantes situou-se no primeiro ciclo. Quanto ao rendimento familiar e ocupação, os brasileiros recebiam cerca de um salário mínimo (230 euros) e eram prestadores de serviços, enquanto que os portugueses recebiam em torno de um salário mínimo e sua maioria reformado por invalidez.

Além disso, quanto ao estado civil em ambos os casos, a maioria dos pais eram casados. Finalmente, a faixa etária dos portugueses foi mais elevada que a dos brasileiros.

Além destes aspetos, a avaliação propriamente dita da tecnologia foi bastante similar entre os pais de ambos os países. A maior parte dos avaliadores atribuiu notas quatro e cinco a todos os itens referentes à TA, demonstrando que esta é uma estratégia de promoção da saúde para este público (Cezario et al., 2012). A Enfermagem deve valer-se de diversificadas tecnologias para oferecer educação em saúde condizente com as necessidades da população (Nietsche et al., 2012).

Tecnologia de apoio para a pessoa com deficiência visual deve considerar suas peculiaridades de comunicação verbal e não verbal, para tal deve-se descrever objetos concretos verbalmente para que construam a abstração mental e, sempre que possível associar com objetos a serem tateados (Rebouças et al., 2012; Barbosa et al., 2011). Nesta linha, a descrição dos alimentos antes e após o preparo permite que pessoas cegas visualizem mentalmente o que estão a oferecer ao seu filho.

As pessoas cegas, foco do presente estudo, possuem diversas possibilidades de acesso à internet, contando com inúmeras estratégias para utilizar computadores da mesma forma que uma pessoa normovisual. Contactar novas culturas, aprofundar e acompanhar os estudos, realizar atividades de trabalho, conhecer novas pessoas, entre outras possibilidades, fazem parte da gama de novas perspetivas que este acesso permite aos cegos, sendo, por isso, um meio de promoção da inclusão.

Conclusão A procura de material em bases de dados, revistas, livros, manuais e sites da internet portugueses, especializados sobre o tema alimentação do bebé, teve um resultado pouco expressivo, evidenciando que não uma orientação específica sobre alimentação complementar para esta faixa etária. Neste cenário, para a adaptação cultural do conteúdo da TA ao contexto de Portugal foi de extrema valia a contribuição de enfermeiros da prática clínica e académica, o que permitiu incorporar expressões culturais e alimentos específicos da culinária portuguesa para esta faixa etária.

Para serem considerados validados foi necessário que no mínimo, dois avaliadores atribuíssem nota quatro ou cinco a cada um dos itens avaliados. O conteúdo adaptado foi avaliado por enfermeiros e pessoas cegas quanto aos objetivos, estrutura, apresentação e, relevância da tecnologia de apoio.

Destaca-se que o conteúdo, na sua descrição, contempla características específicas da comunicação com a pessoa cega. Pais cegos consideraram o conteúdo importante, reflexivo, motiva o diálogo, aborda aspetos variados da alimentação do bebé, esclarece dúvidas, aborda aspetos chaves com novos conhecimentos em que tinham dúvidas.

A tecnologia de apoio, quanto à sua estrutura e apresentação, foi disponibilizada no formato online. Neste, foi avaliada pelos enfermeiros especialistas que a consideraram apropriada para pais e mães; que as informações estão corretas, claras, em tamanho adequado; sequência lógica, aborda tópicos específicos da alimentação complementar da criança, linguagem adequada ao público leigo e incentiva a reflexão sobre o tema. Os pais cegos consideraram a tecnologia interessante para a pessoa cega, incentiva independência, mudança de atitude, tempo adequado, sequência lógica, tom amigável, acesso prático e fácil, favorece privacidade, autonomia e promove saúde.


Download text