Escala de Avaliação de Papéis Familiares: avaliação das propriedades
psicométricas
Introdução
Sendo a Enfermagem uma profissão que, na área da saúde, tem como objetivo
prestar cuidados de enfermagem ao ser humano, são ou doente, ao longo do ciclo
vital, e aos grupos sociais em que ele está integrado, de forma que mantenham,
melhorem e recuperem o seu projeto de saúde, torna-se importante perceber como
é que os papéis familiares evoluem, qual o impacto que produzem no
funcionamento de uma família. Para isso é relevante que o enfermeiro avalie a
categoria funcional dos papéis de forma orientada para a família e não só para
o indivíduo (Wrigth & Leahey, 2002; Ordem dos Enfermeiros, 2012). Dada a
inexistência de um instrumento de medida de raíz, para a população portuguesa,
que avalie a distribuição dos diferentes papéis familiares, desenvolvemos uma
escala de avaliação. Deste modo, o objetivo do presente estudo foi construir um
instrumento de avaliação de papéis familiares e verificar as propriedades
psicométricas do mesmo, quando aplicado a famílias, em que todos os elementos
estão saudáveis, independentemente da tipologia familiar. A construção desta
Escala de Avaliação de Papéis Familiares é uma mais-valia para as Ciências de
Enfermagem, para melhor identificação dos focos de intervenção dos enfermeiros
numa família.
O reconhecimento desta necessidade está na base de uma importante transformação
de paradigma no campo de cuidar em Enfermagem: de uma perspetiva de cuidar
tendo a família como contexto para o paradigma da família como sistema de
intervenção. Sentimos necessidade da construção deste instrumento porque as
famílias estão a ser solicitadas para assumirem mais responsabilidades nos
cuidados de saúde. Espera-se que elas cuidem dos seus membros com saúde e ou
com doenças agudas e crónicas.
Enquadramento
A família, atualmente, é perspetivada como um grupo de seres humanos, vistos
como uma unidade social ou um todo coletivo, composta por membros ligados
através da consanguinidade, afinidade emocional ou parentesco legal, incluindo
pessoas que são importantes para o indivíduo (Conselho Internacional de
Enfermeiros, 2006). A família é um sistema social composto por uma ou mais
pessoas que coexistem dentro de um contexto com algumas expetativas de afeição
recíproca, responsabilidade mútua e duração temporária. Caracteriza-se pelo
compromisso, tomada conjunta de decisões e partilha de objetivos. Perspetivar
família desta forma permite incluir as diferentes configurações e composições
de famílias que estão presentes na sociedade contemporânea.
Compreender a estrutura, a função e os processos de cada unidade familiar é de
extrema importância para caracterizar a saúde da família bem como os
contributos para a saúde individual e para a saúde do grupo.
Várias têm sido as mudanças que ocorrem nas famílias contemporâneas, mas a
mudança mais nítida é ao nível da sua estrutura, entendendo-se esta como o
conjunto ordenado de relações entre as partes da família e entre a família e os
outros sistemas sociais (Hanson, 2005, p. 86). Para se identificar a estrutura
é necessário identificar os indivíduos que constituem essa família, as relações
que se desenvolvem entre eles, e as relações entre a família e outros sistemas
sociais. A autora referenciada advoga que os padrões organizacionais de uma
família são mais ou menos estáveis, podendo ser previsíveis algumas das suas
alterações ao longo do ciclo vital da mesma.
A sociedade espera, ainda hoje, que a família desempenhe funções específicas no
sentido de dar respostas às necessidades da própria família. Numa perspetiva
internacional, e na ótica das ciências da saúde, concretamente para a
Enfermagem, é importante compreender não só as funções como os processos
familiares. Estes são um tipo de fenómeno de Enfermagem com características
específicas. Baseia-se nas interações positivas ou negativas que se vão
desenvolvendo e nos padrões de relacionamento entre os membros da família
(Conselho Internacional de Enfermeiros, 2006).
Na expressão de outros autores, o processo familiar é visto como interação
contínua entre os membros, através dos quais realizam as tarefas instrumentais
e expressivas. Hanson (2005) é da opinião que o processo é o que torna as
famílias únicas, podendo a sua estrutura e funções serem idênticas mas
interagir de modo diferente o que promove a singularidade de cada família.
Para que a família sobreviva, nas interações de uns com os outros, os
familiares desenvolvem expetativas acerca do modo como cada um se deve
comportar, para isso assumem diferentes papéis e adotam comportamentos que os
concretizam de forma única e distinta dentro de cada unidade familiar.
O conceito de papel no horizonte da psicologia social e na sociologia
caracteriza-se por atitudes e comportamentos vinculados com o sexo do indivíduo
que os realiza, exprimindo assim uma dimensão normativa (Amâncio &
Oliveira, 2002).
Na sociologia, Talcott Parsons foi dos primeiros a utilizar o conceito de papel
segundo o sexo do indivíduo, e concebeu-o de uma forma funcionalista, tanto ao
nível da estrutura familiar como ao nível do processo de socialização. Evoca
que, desde o princípio da vida, a mulher seria socializada para desempenhar um
papel de líder expressivo na família, papel que garantia o bem-estar dessa
unidade social; já o homem seria socializado de forma a exercer uma função de
sustento e garante da satisfação das necessidades da família (Amâncio &
Oliveira, 2002). O conceito proposto por Parsons na década de cinquenta teve
vários desenvolvimentos e ocupa um lugar central na teorização das ciências
sociais. Profundamente trabalhado na década de oitenta, no campo dos estudos
sobre o género, é hoje fundamental para a análise dos papéis associados à
família, lugar onde se produzem, reproduzem e manifestam os papéis de género.
Da pesquisa bibliográfica efetuada sobressai que foram várias as reformulações
que o conceito de papel sofreu ao longo dos tempos. Na expressão de Burr (1998)
o papel corresponde ao conjunto de comportamentos, deveres e expetativas,
ligados a uma posição na hierarquia social. O autor acrescenta que a aplicação
desta definição aos papéis sexuais corresponde a um conjunto de comportamentos,
expetativas e deveres, aplicados à pertença de um determinado indivíduo a um
determinado grupo.
Conceções mais recentes mostram que os papéis familiares podem ser entendidos
como padrões estabelecidos de comportamentos dos diferentes membros de uma
família face aos objetivos que a própria família identifica (Wright &
Leahey, 2002). Um papel é um comportamento constante, numa situação específica,
desenvolve-se pela interação entre os indivíduos e é influenciado por
diferentes normas, crenças e valores. Os diferentes elementos de uma família
assumem papéis diferentes ao longo do ciclo vital individual e familiar.
Apesar da escassez de estudos na área de papéis familiares, Hanson (2005), faz
referência a oito papéis ligados à posição do cônjuge: provedor, dona de casa,
prestador de cuidados à criança, socialização, parceiro sexual, terapeuta,
organizador de atividades recreativas e papel parente.
O papel de provedor, ou chefe de família está relacionado com a necessidade de
proteger e assegurar o rendimento para satisfazer as necessidades da família. O
papel de dona de casa está diretamente relacionado com todo o tipo de tarefas
domésticas, cuidar do lar, incluindo as de manutenção da casa e jardim. O papel
prestador de cuidados à criança abrange o cuidar dos filhos para satisfação das
necessidades humanas básicas de segurança e diversão. O papel de socialização
agrega a interação com os diferentes membros da família e elementos externos. O
papel sexual caracteriza-se por um conjunto de ações como partilha de afetos,
apoio emocional, interesse pela vida sexual, tudo o que promove uma relação
satisfatória entre dois parceiros. O papel terapêutico envolve ajudas como a
partilha de preocupações, vontade de escutar os outros, participação ativa na
resolução de problemas e apoio emocional; inclui ainda, atividades que promovam
a saúde e previnam a doença e de reabilitação aquando da doença. O papel
recreativo abrange o planeamento e realização de atividades de lazer, tempo
livre, festas com membros da família e externos à família. Por último, o papel
de parente envolve a manutenção do contacto com a restante família e amigos.
Metodologia
Realizámos um estudo descritivo exploratório transversal com o objetivo de
construir e validar as propriedades psicométricas de uma Escala de Avaliação de
Papeis Familiares (EAPF). O instrumento de colheita de informação foi um
questionário. Foi selecionada uma amostra de conveniências (n=909) familiares
de famílias residentes num distrito do norte de Portugal. Esta técnica de
amostragem é especialmente adequada quando o investigador tem um conhecimento
prévio da homogeneidade da população. Para calcular o tamanho da amostra
tivemos em conta as recomendações de Anastasi (1990), calculado com base em 10
participantes por cada item do instrumento de medida.
Participantes - critérios de inclusão
Podiam ser incluídos agregados familiares em que na sua estrutura nenhum dos
seus membros tivesse limitações funcionais ou cognitivas. À semelhança de
outros estudos, podiam participar todos os elementos do agregado com idade
igual ou superior a 12 anos (Onso, 1988; Derogatis, 1993).
Instrumento de colheita de dados
Com base na fundamentação teórica de Hanson (2005) e análise qualitativa de
entrevistas a famílias e peritos em Enfermagem de família (estudo realizado
previamente, não apresentado neste artigo), construímos uma Escala de Avaliação
de Papéis Familiares (EAPF), ou seja, operacionalizámos as diferentes dimensões
e definimos os itens a incluir. A primeira versão do instrumento contemplava
oito dimensões (para avaliar os papéis familiares), com um total de 74 itens.
Estes itens foram avaliados por uma escala ordinal (tipo Likert) que variou de
1 a 5 (Nunca, Raramente, Muitas vezes, Sempre e Não se aplica). O instrumento
contemplou dois grupos de questões. Grupo I: grupo de variáveis
sociodemográficas e grupo II: variável papéis familiares.
Procedimentos
Após a construção do questionário passamos à fase empírica do estudo. Para a
implementação do instrumento, e no sentido de ter acesso a um número elevado de
participantes, solicitámos colaboração e autorização a um grupo de estudantes
que frequentava uma Instituição de Ensino Superior. Após parecer institucional
favorável, reunimos com estudantes, onde apresentamos os objetivos e finalidade
do estudo, assim como, as entidades e instituições envolvidas. Foram, ainda,
esclarecidos do direito à autodeterminação de se recusarem a participar. Desta
forma, o acesso às famílias para o preenchimento do instrumento de colheita de
dados fez-se através da Instituição de Ensino Superior e consequentemente dos
estudantes como elo de ligação às suas famílias.
Foram distribuídos 950 questionários, por diferentes agregados familiares.
Foram devolvidos 918 questionários, nove foram eliminados por não se
encontrarem completamente preenchidos. Assim, ficamos com n=900. O conjunto de
informação recolhida foi codificada, armazenada e posteriormente processada.
Para tratamento estatístico dos dados utilizou-se o SPSS versão 18.0.
Numa primeira fase, os dados foram analisados á luz da estatística descritiva,
nomeadamente, medidas de tendência central, dispersão e frequência. Para
determinar as características psicométricas da EAPF utilizámos análise de
Componentes Principais com rotação ortogonal Varimax. Para seleção do número de
fatores seguimos as orientações recomendadas por Polit e Hungler (1997): (1)
valores próprios ou específicos (eigenvalues) >1; (2) exclusão de cargas
fatoriais inferiores a 0,30; (3) aplicação do princípio da descontinuidade. A
consistência interna da escala foi determinada pelo valor alpha de Cronbach e
pelo método teste-reteste.
Resultados
Os participantes responderam a todas as questões da EAPF, o que transmite uma
adequação do instrumento à amostra. A amostra foi composta por 900
participantes, destes, 535 (59,4%) eram do sexo feminino e 365 (40,6%) do sexo
masculino. A sua idade variou entre 12 e 89 anos e apresentou uma média de
34,29 e um desvio padrão de 15,274. No que respeita ao estado civil dos
participantes, 443 (49,2%) eram casados, 428 (47,6%) solteiros, 13 (1,4%)
divorciados e 16 (1,8%) viúvos.
Dos colaboradores, a sua maioria, eram escolarizados: 130 (14,5%) com o 1º
ciclo, 146 (16,2%) com 2º ciclo, 282 (31,3%) com 3º ciclo, com o secundário 222
(24,7%), com bacharelato 25 (2,8%), com licenciatura 86 (9,6%), com mestrado e
doutoramento 3 (0,3%), com a mesma percentagem 3 participantes sem
escolarização.
Análise das Componentes Principais
A análise das componentes principais avalia a carga (saturação de cada item nos
fatores identificados, indicando essa carga a covariância existente entre o
fator e o item). Através deste procedimento estatístico foram identificados 14
fatores distintos (papéis), no entanto, por razões conceptuais, como Hanson
(2005) advoga, forçámos os resultados a oito fatores. E com oito fatores
obtivemos o mesmo coeficiente de esfericidade (KMO) do que com os 14 fatores.
Como o KMO foi 0,916 (p=0,000) implica uma grande esfericidade dos nossos
fatores, e como consequência o qui-quadrado torna-se elevado o que implica a
existência de uma forte relação entre as variáveis que constituem os fatores.
Pela análise fatorial, e sendo a nossa preocupação construir um instrumento com
fidelidade para avaliar os diferentes papéis familiares, definimos como
critério eliminar itens com peso inferior a 0,3, o que implicou uma eliminação
de cinco itens. Posteriormente procedeu-se a nova análise fatorial dos
componentes principais, na qual se obteve os resultados apresentados na Tabela
1. Com os seguintes resultados KMO = 0,916; X2= 35065,895 e p=0,000, com um
alpha de Cronbach 0,894 para todos os itens que segundo Hill e Hill (2000) é
excelente. Assim, com a aplicação dos testes supracitados, reforçamos pelo KMO
uma correlação muito boa com as diferentes variáveis e com o teste t de
esfericidade de Bartlett uma correlação muito significativa para a maioria das
variáveis da Escala de Avaliação de Papeis Familiares. A consistência interna
também tem uma leitura muito boa, particularizada para cada Fator, a saber:
Fator 1 com alpha de Cronbach 0,963; Fator 2 com alpha de Cronbach 0,923; Fator
3 com alpha de Cronbach 0,837; Fator 4 com alpha de Cronbach 0,811; Fator 5 com
alpha de Cronbach 0,839; Fator 6 com alpha de Cronbach 0,695, Fator 7 com alpha
de Cronbach 0,719, Fator 8 com alpha de Cronbach 0,624.
Assim, após várias simulações com recurso à análise fatorial, consistência
interna e coeficiente de correlação intraclasse (consistência e concordância
absoluta) e adaptações a versão final ficou reduzida a 68 itens com as
seguintes características: A EAPF mede diferentes papéis familiares. Para
avaliar estes papéis a escala tem oito sub-escalas: Provedor ou chefe de
família (6 itens); Dona de casa (10 itens); Prestador de cuidados à criança (14
itens); Socializador (4 itens); Sexual (6 itens); Terapeuta (11 itens);
Organizador de atividades recreativas (14 itens); Cuidados externos à casa (3
itens).
A consistência interna foi avaliada através do coeficiente alpha de Cronbach.
Este procedimento estatístico está indicado para escalas tipo Likert. Esta
prova avalia se a variância total dos resultados do teste se associam ao
somatório da variância de item a item. A consistência interna da escala global
foi de alpha = 0,894. Todas as subescalas apresentaram valores de consistência
interna adequados, sendo o valor mais baixo relativo a 0,624 relativo ao papel
cuidados externos à casa (3 itens) e o mais alto 0,963, referente ao fator
papel de prestador de cuidados à criança (14 itens). Para se considerar uma boa
consistência interna deve ter um alpha > 0,80, sendo aceitáveis valores
superiores a 0,60, em escalas com um número reduzido de itens (Ribeiro, 1999;
Freire & Almeida, 2001).
Para cada subescala da EAPF foi calculado o score médio, ou seja, o somatório
da sub-escala foi dividido pelo número de itens aplicáveis (Tabela_2).
Pela leitura da Tabela_2, verificámos que o fator 7 e 8 foram os que obtiveram
os scores ponderados mais baixos, o que nos mostra que estes papéis são pouco
visíveis nas famílias estudadas, contrariamente, os fatores 3 e 1, foram papéis
com muita visibilidade no mesmo contexto.
Discussão
A recente organização dos cuidados de saúde conduz para um aumento de cuidados
sob a responsabilidade da família, aumentando a sobrecarga dos papéis da mesma,
principalmente, em situações de promoção de saúde e ou tratamento de doença. Da
revisão bibliográfica a que tivemos acesso, sobre papéis familiares, fomos
confrontados com a inexistência de uma escala ou outros instrumento para
avaliação da distribuição dos papéis familiares. Assim, a construção e
validação da EAPF é um contributo para as Ciências de Enfermagem.
Os resultados desta investigação demonstraram que a EAPF tem propriedades
psicométricas satisfatórias. Este instrumento tem potencialidades de aplicação
em atividades de investigação e monitorização de papéis familiares. Os
resultados psicométricos foram confrontados com orientações de diferentes
autores e comparados com outros trabalhos que tiveram como objetivo validar
escalas (Fernandes & Almeida, 2001; Freire & Almeida, 2001; Xavier,
Pereira, Corrêa, & Almeida, 2002; Gonçalves, Simões, Almeida, &
Machado, 2006; Nave, Jesus, Barraca, & Parreira, 2006; Pimenta, Leal, &
Maroco, 2008).
A versatilidade deste formato de instrumento de avaliação permite a sua difusão
nos diferentes domínios do comportamento individual ou de grupo, indicadas para
adultos, adolescentes e mesmo junto de crianças (Freire & Almeida, 2001).
Assim, ponderando as limitações relacionadas com o tipo de amostra e não tendo
em conta as diferentes tipologias de famílias, consideramos que a EAPF pode ser
aplicada a todos os membros de um agregado familiar, com idade superior ou
igual a 12 anos, desde que os mesmos não apresentem défices cognitivos que
impeçam a compreensão do questionário. No caso de analfabetismo, dificuldades
visuais ou iliteracia, está previsto o auxílio adequado (questionário por
inquérito), sendo o tempo médio de preenchimento de 15 minutos aproximadamente.
Com a realização deste estudo contribuímos para colmatar uma lacuna nas
Ciências de Enfermagem, em particular na Enfermagem de Família.
Conclusão
Com este trabalho foi nossa intencão dar a conhecer a construção e validação de
uma escala que avaliasse os diferentes papéis familiares. Papéis que podem ser
desempenhados por diferentes elementos pertencentes a uma unidade familiar.
Tivemos em conta procedimentos teóricos, empíricos e analíticos. A nível
teórico foi importante não avançar na construção e validação sem que a teoria
que a fundamenta se encontre devidamente explicitada. A nível empírico
clarificamos o plano, as etapas e os cuidados a ponderar na aplicação do
instrumento nos vários momentos ou fases da sua implementação e validação. Com
os procedimentos analíticos estatísticos evidenciámos a sensibilidade,
precisão, validade do instrumento.
Foi também nosso propósito incluir na nossa amostra apenas indivíduos que não
apresentassem nenhuma dependência física ou cognitiva.
Os resultados apurados neste estudo permitem concluir que a EAPF reúne
critérios de validade e fidelidade. O instrumento está bem estruturado, com
terminologia clara que apesar de um pouco extenso, revelou boa aceitação por
parte dos participantes. No que se refere ao conteúdo dos itens, o estudo de
correlações entre as sub-escalas não evidenciou quaisquer associações atípicas
ou contraditórias. É um instrumento de aplicação simples. Esta característica
torna-o particularmente adequado para a utilização em populações com nível de
instrução baixo e facilita a eventual aplicação sob forma oral.
Sendo um desafio para a Enfermagem a promoção da saúde familiar, a estratégia
de (re)orientar na distribuição dos papéis familiares pode-se afirmar como
fundamental para o bem-estar das famílias no sentido de conseguirmos famílias
saudáveis e por consequência comunidades saudáveis. Assim, sugerimos a
implementação da EAPF como um instrumento de avaliação inclusivo do processo
clínico das famílias registadas em Unidades de Saúde Familiares e ou Centros de
Saúde. Os dados obtidos com a aplicação deste instrumento podem ter interesse
para a tomada de decisão dos cuidados a prestar às famílias.
Como sugestões para futuros trabalhos de investigação consideramos oportuno a
realização de outros estudos, com a utilização da EAPF, ponderando as
diferentes tipologias das famílias e considerar famílias saudáveis ou com algum
dos seus membros portadores de doença crónica para comparação das diferentes
realidades.