Escala de Identidade Profissional de Professores de Educação Física:
Procedimentos de construção e validação
INTRODUÇÃO
A educação física em Portugal nos últimos 70 anos tem sido marcada por muitas
mudanças que têm influenciado o seu rumo concetual e metodológico (Oliveira,
2012), com reflexos evidentes na construção e desenvolvimento da identidade
profissional dos professores desta área (Ferreira & Moreira, 2010, 2012;
Ferreira, Moreira & Ferreira, 2011; Moreira & Ferreira, 2011, 2012).
Nesse sentido procurámos desenvolver um estudo que indagasse a forma como os
professores de educação física provindo de diferentes escolas de formação
existentes em Portugal desde a criação do Instituto Nacional de Educação
Física, que se afirmou como a primeira grande escola de formação de professores
desta área, na década de 40 do século XX, se percecionam e se avaliam enquanto
docentes; como se percecionam relativamente a colegas do grupo disciplinar, a
colegas de profissão de outros grupos disciplinares, aos seus alunos e a outros
profissionais; ou como definem a sua profissão. Após uma análise exaustiva da
literatura acerca do fenómeno identitário construto em questão, verificámos a
inexistência de instrumentos que nos permitissem avaliar a identidade
profissional dos professores deste grupo disciplinar, que apresenta algumas
especificidades devido à natureza da disciplina. Assim, baseados na literatura
e na revisão de estudos na área, sobretudo no quadro concetual definido por
Kelchtermans (1993, 1995) operacionalizámos o conceito de identidade
profissional em três dimensões: a dimensão motivacional, relativa ao projeto
profissional e incidindo na escolha da docência e na motivação para a mesma; a
dimensão representacional, relacionada com a perceção profissional, no plano da
imagem de si enquanto professor e da imagem da profissão; e a dimensão
socioprofissional, localizada aos níveis social e relacional, baseando-se
sobretudo nos processos de socialização profissional.
Após a definição deste quadro concetual e de ter realizado um conjunto de 15
entrevistas (semiestruturadas) a professores de educação física de diferentes
escolas de formação inicial, que procurou definir um quadro empírico e
interpretativo das opiniões destes professores, partimos para a construção de
uma escala que nos permitisse avaliar as diferentes dimensões da identidade
profissional dos professores deste grupo disciplinar. São as principais etapas
e procedimentos da construção dessa escala, que intitulámos de Escala de
Identidade Profissional de Professores de Educação Física (EIPPEF) e as suas
qualidades psicométricas, que iremos aqui apresentar.
Assim, neste estudo descreveremos os principais procedimentos relativos à sua
construção e validação, tendo como referência: as etapas da sua conceção, o que
mede especificamente; o tipo de operacionalização que representa; a análise de
validade de construto e a análise da consistência interna, através do cálculo
do coeficiente alfa de Cronbach.
MÉTODO
Pré Teste: amostra e procedimentos
Após a definição de um sistema de categorias, resultante do quadro concetual
existente e da análise de um conjunto de entrevistas que realizámos
previamente, procurando definir um quadro categorial interpretativo das
opiniões dos professores a nível do construto analisado, definimos um conjunto
de itens relativos a esta categorização. Assim, a Escala de Identidade
Profissional dos Professores de Educação Física (EIPPEF) ficou com 40 itens,
sendo composta exclusivamente, por respostas fechadas e estruturadas segundo o
modelo da escala de Likert. Depois da sua elaboração, a escala foi testada,
junto de 8 professores especialistas, com o intuito de verificar, entre outros
aspetos, se todas as questões eram compreendidas pelos inquiridos, se não
haveria perguntas inadequadas à informação pretendida ou repetitivas, se não
faltariam itens relevantes ou se os inquiridos não considerariam a escala
demasiado longa e difícil. Para além destes aspetos de natureza estrutural, a
nossa intenção com a testagem foi, também, avaliar os seus índices
psicométricos. Este procedimento permitiu, também, averiguar as condições em
que a escala deveria ser aplicada, a sua qualidade gráfica e a adequação das
instruções que a acompanham. Este grupo de professores foi encorajado a fazer
observações e sugestões respeitantes à estrutura da escala e a cada uma das
suas perguntas.
De seguida, conduziu-se um pré-teste, sendo a escala aplicada a uma amostra de
40 professores de Educação Física dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e
Ensino Secundário de escolas dos distritos de Bragança e do Porto, pertencentes
à população do inquérito (mas que não fizeram parte da amostra selecionada).
Dos 40 professores iniciais a nossa amostra ficou reduzida a 33, devido à
omissão de dados pessoais ou profissionais e/ou por falta ou duplicação de
respostas a alguns itens da escala e cuja caracterização por sexo, idade,
instituição de formação inicial, tempo de serviço, situação profissional e
habilitações académicas se encontra sistematizada na Tabela_1.
Procedemos, depois, à análise de consistência interna da escala global e das
diferentes dimensões da EIPPEF, que veio a revelar uma boa consistência interna
com um valor de 0.87, enquanto as diferentes dimensões, Motivacional,
Representacional e Socioprofissional, apresentaram respetivamente valores de
0.76, 0.54 e 0.29. Partindo do pressuposto que um instrumento que apresente uma
consistência interna de 0.70 (Cronbach, 1984; Nunnally, 1978) pode ser
considerado adequado para avaliar a variável que se pretende medir,
considerámos que o instrumento apresentou, nesta fase, uma consistência interna
adequada.
Com o intuito de aumentar o coeficiente de fiabilidade, calculámos a correlação
item/ questionário e, para uma análise mais precisa, relativa a cada uma das
dimensões do instrumento, calculámos ainda a correlação item/ dimensão, isto
porque assumindo que cada item contribui para a formação da atitude que se quer
medir deve, pois, existir uma correlação estatisticamente significativa e
relativamente forte entre cada item e o total (Oppenheim, 1979). No processo de
validação de instrumento, a análise da correlação de cada item com o total da
escala a que pertence, excluindo o item em causa, é sempre efetuada no sentido
de escolher os melhores itens (Nunnally, 1978). Para um maior rigor na sua
seleção, alguns autores consideram, também, que os itens devem apresentar
correlações com o total da escala superiores a 0.30 (Cronbach, 1984; Nunnally,
1978).
Os resultados da análise da consistência interna da EIPPEF, com 40 itens,
sugeriram a eliminação do item 3 que apresentou um valor de 0.201. Apesar de
outros itens apresentarem uma correlação fraca, e estarem próximos dos valores
críticos, considerámos que, por exemplo, os itens 12, 25 e 31 não deviam ser
rejeitados nesta fase, porque apresentaram validade de conteúdo, medindo
diretamente aspetos ligados às dimensões em questão.
Após a eliminação do item 3 a EIPPEF ficou com 39 itens. Atendendo ao reduzido
tamanho da amostra, optámos por uma seleção menos exigente, mantendo alguns dos
itens que não estavam correlacionados de forma significativa com o instrumento
na sua globalidade, mas cuja exclusão conduziria a valores mais baixos da
escala total e da dimensão de que faziam parte.
O estudo final: caracterização da amostra
Com a realização do pré-teste pretendíamos realizar uma abordagem preliminar à
adequação da metodologia e ao comportamento psicométrico do instrumento de
avaliação. Este, como verificámos apresentou índices de consistência interna
satisfatórios, permitindo-nos avançar para um estudo final, abrangendo uma
amostra mais extensa e diversificada de professores. No entanto, e tendo em
conta que a construção de instrumentos de avaliação é um processo contínuo de
análise das qualidades psicométricas das medidas elaboradas, recorremos
novamente nesta fase ao cálculo dos coeficientes alfa de Cronbach para a escala
total e para cada uma das dimensões e à análise fatorial, permitindo-nos obter
evidências de validade de construto da escala, nomeadamente acerca da sua
dimensionalidade.
Nesta fase, a população deste estudo contemplou professores de educação física
a lecionar em diferentes escolas de Portugal. Distribuímos 260 questionários
por diferentes escolas do país e após termos percorrido todas as etapas do
processo tínhamos na nossa posse 206 questionários que foi considerado o N da
nossa amostra e que correspondeu a uma taxa de retorno de 79.2%, número
suficiente para conduzir uma análise fatorial, tendo em conta o número de itens
da escala (Stevens, 1986; Tinsley & Tinsley, 1987).
Assim, fizeram parte da amostra do nosso estudo 206 professores, cuja
caraterização por sexo, idade, instituição de formação inicial, tempo de
serviço, situação profissional, habilitações académicas e outras atividades se
encontra sistematizada na Tabela_2.
Como podemos verificar na Tabela_2, dos 206 professores de Educação Física de
diferentes escolas do país que participaram na investigação, 41.3% são do sexo
feminino e 58.7% do sexo masculino. Relativamente à idade, 40.3% dos
professores encontram-se entre os 26 e 35 anos, seguindo-se as faixas etárias,
dos 36 aos 45 anos com 35.9% dos professores e a dos 46 aos 55 anos, com 16.5%.
Observamos, também, que apenas 5.6% dos inquiridos têm idade inferior a 25 anos
e 1.5% idade superior a 56 anos. Notamos, pois, por estes dados que, pelo
menos, 75% dos professores que constituem a amostra têm idade inferior a 45
anos, sendo, pois, um grupo de professores ainda não muito envelhecido.
Por sua vez, no que diz respeito à instituição de formação inicial foram
obtidas 195 respostas. Como seria de esperar o número de diplomados pelo
Instituto Nacional de Educação Física é muito pouco expressivo, representando
apenas 4.5% dos professores da amostra, o que não deixa de ser um número
razoável, tendo em conta o número muito limitado de professores formados por
esta escola ainda no ativo. O mesmo se aplica aos diplomados pelos Institutos
Superiores de Educação Física de Lisboa e do Porto que representam uma minoria
de professores no ativo, que se traduziu na nossa amostra numa percentagem de
13.3%. Como seria expectável a maioria dos inquiridos 54.9% fizeram a sua
formação nas instituições mais recentes, nomeadamente no ensino universitário,
público e privado, e 27.2% no ensino politécnico, concretamente em escolas
superiores de educação.
No que diz respeito às habilitações académicas, observamos que a maioria dos
professores inquiridos, 80.5%, tem como grau académico a licenciatura, enquanto
17% possuem mestrado, 1% o grau de doutor e apenas 1.5% tem o grau de
bacharelato. A maioria dos professores que constitui a amostra do estudo,
67.5%, referiu ainda que possui outras atividades profissionais ligadas à
educação física. Entre estes profissionais, 54%, afirmaram exercer atividades
em clubes e 23% em ginásios, tendo apenas 5% respondido exercer atividades de
animação desportiva, enquanto 18% disseram participar/pertencer a outros
espaços não nomeados.
Finalmente, no respeitante à situação profissional, e diretamente relacionado
com o tempo de serviço, 28.4% dos professores estão em regime de contrato,
enquanto 52.8% são professores do quadro de nomeação definitiva e 18.8%
pertencem ao quadro de zona pedagógica.
Instrumento
A escala, depois de modificada e adaptada, fruto da nossa reflexão pessoal,
após a consulta a especialistas e à literatura da área, dos pré-testes
efetuados e dos estudos de validade e fidelidade realizados (e.g., análise da
consistência interna, análise fatorial exploratória e confirmatória), deu
origem à versão final que a seguir apresentamos com uma estrutura segundo o
modelo da escala de tipo Likert, a exigir que os professores respondam de
acordo com as seguintes alternativas: Discordo Totalmente (DT): 1, Discordo
(D): 2, Nem Concordo/Nem Discordo (NC/ ND): 3, Concordo (C): 4 e Concordo
Totalmente (CT): 5 (Anexo_1).
A primeira dimensão, Envolvimento Pedagógico, composta por seis itens (Tabela
3), trata-se de uma dimensão fulcral na definição da identidade do professor de
educação física, relacionando-se com a perceção do seu envolvimento no processo
pedagógico, composta por itens relacionados com a forma como define o seu
trabalho, como se relaciona com os seus alunos e, sobretudo, como se perceciona
enquanto professor.
Por sua vez, a segunda dimensão, designada de Motivacional, composta por cinco
itens (Tabela_4), aponta para os aspetos motivacionais relacionados com a
prática profissional.
RESULTADOS
No que diz respeito aos estudos de fidelidade e validade da escala, realizámos
a sua análise em duas etapas distintas. Numa primeira etapa, com o objetivo de
avaliar as propriedades dos itens calculámos as suas médias, desvios-padrão e
correlação com a escala (excetuando o item 3) e realizámos a análise da
consistência interna através do coeficiente alfa de Cronbach. Numa segunda
etapa, realizámos o processo de validação da escala, avaliando os resultados
das análises fatoriais a que foram submetidos. Optámos por esta análise, porque
este método é considerado como um dos mais eficazes e poderosos, sendo,
frequentemente, utilizado com instrumentos de avaliação psicológica, a fim de
calcular a sua adequação para medir a dimensão que pretende avaliar (Bryan
& Cramer, 1993; Cronbach, 1984; Nunnally, 1978; Stevens, 1986; Tinsley
& Tinsley, 1987).
No presente estudo, a validade fatorial do instrumento foi inicialmente
avaliada através da análise de componentes principais (ACP), e, posteriormente,
através da análise fatorial confirmatória, testando um modelo de dois fatores,
que emergiram como interpretáveis a partir da análise fatorial exploratória,
sendo que revelaram igualmente indicadores de consistência interna bastante
satisfatórios, considerando o número relativamente reduzido de itens das duas
dimensões, designadamente a de Envolvimento Pedagógico e a Motivacional.
Análise da consistência interna
A análise dos itens permitiu-nos verificar que dos 39 itens apenas os itens 5,
6, 13, 14, 17, 18, 19, 21, 22, 25, 29, 30, 36 e 37 se correlacionam com a
escala total de forma significativa (valores > a 0.30; ver Tabela_5).
Todos os outros apresentaram valores de magnitude baixa ou moderada, por isso
optámos por eliminá-los. Após a sua eliminação, foi encontrado um alfa de
Cronbach para a escala total de 0.81, valor que se pode considerar bastante
razoável.
Análise fatorial exploratória
Para avaliar a dimensionalidade da escala da EIPPEF recorremos à análise
fatorial exploratória, em componentes principais, com rotação Varimax. Os
resultados revelaram uma estrutura em três fatores com valores próprios
superiores a 1, explicando 50.08% da variância dos resultados. Na tabela_6 é
apresentada a distribuição final dos itens pelos referidos fatores, bem como os
seus valores de saturação.
O primeiro fator, designado por Envolvimento Pedagógico, agrupa os itens 13,
19, 21, 25, 29 e 37, explica 19.6% da variância; o segundo fator, denominado de
Motivacional agrupa os itens 5, 14, 22, 30 e 36, explica 18.75% da variância; o
terceiro fator, que agrupa os itens 6, 17 e 18, explica 11.73%, mas não se
revelou muito interpretável. Importa, no entanto, sublinhar que os dois fatores
emergentes da análise fatorial mostraram-se internamente consistentes,
apresentando alfas de Cronbach no valor de 0.73 e 0.78, respetivamente.
Análise fatorial confirmatória
As medidas de avaliação do ajustamento para verificar a adequabilidade do
modelo aos resultados foram as seguintes: chi square (X²), ratio chi square
statistics/degrees of freedom (X²/df), comparative fit index (CFI), goodness of
fit index (GFI), adjusted goodness of fit index (AGFI) e root mean square error
of approximation (RMSEA).
Os resultados revelaram um X² significativo (67.56, df= 43, p< 0.001),
sugerindo que o modelo em estudo não se adequa aos dados. No entanto,
considerando que o X² é bastante sensível ao tamanho da amostra, muitos
investigadores têm sugerido a utilização do rácio X²/df, havendo algum consenso
para se considerar valores inferiores a 3 como satisfatórios. No presente
estudo o rácio X²/df foi de 1.57, revelando um ajustamento adequado. Os outros
indicadores de ajustamento, designadamente o CFI com um valor de 0.951, o GFI
com 0.942, o AGFI com 0.911 e o RMSEA com 0.053 sugerem, igualmente, que o
modelo com dois fatores se ajusta aos dados, confirmando uma estrutura em duas
dimensões na avaliação da identidade profissional dos professores de educação
física. Temos, assim, como primeiro fator o Envolvimento Pedagógico, que
compreende os itens 13, 19, 21, 25, 29 e 37 e como segundo fator o
Motivacional, que compreende os itens 5, 14, 22, 30 e 36.
DISCUSSÃO
Numa sociedade onde a mudança ocupa um lugar central, a compreensão da
identidade profissional docente tem de considerar, necessariamente, o professor
em exercício em ambiente profissional e formativo, ou seja, tem de considerar a
existência de uma identidade que é criada tanto no palco da profissão, como no
palco da formação (inicial e contínua) porque não pode deixar de estar sujeita
à influência das experiências pessoais e profissionais (Borges, 2003; Lahire,
2002; Rezer, 2007).
Ora a indagação da identidade profissional do professor de educação física,
nestes diferentes palcos, afigura-se como uma tarefa complicada, porque estudar
a sua identidade profissional implica também o reconhecimento da
heterogeneidade que carateriza este grupo disciplinar. Assim, desde as
diferenças individuais dos percursos de formação inicial e contínua até às
afinidades grupais que distinguem, aproximam ou opõem uns professores em
relação aos outros no seio do mesmo grupo disciplinar, é possível encontrar uma
grande diversidade de variáveis que sustentam esta heterogeneidade (Moreira
& Ferreira, 2011). A proliferação dos cursos a partir da década de noventa
e que se foram apresentando com designações diferenciadas, em várias
instituições do setor estatal e do domínio privado, concorreram para a
heterogeneidade da identidade dos professores de educação física (Moreira,
2013). Sendo numerosas as variáveis que concorrem para esta heterogeneidade,
podendo considerar-se, entre outras, o nível de ensino em que os professores
lecionam, a situação profissional, a habilitação académica, o tempo de serviço
e a posição na carreira, a experiência profissional, entendemos importante
estabelecer o que os define como docentes no espaço de educação formal.
Motivados, pois, por esta complexa tarefa procurámos desenvolver um estudo que
possibilitasse indagar a forma como estes professores de educação física,
provindo de diferentes escolas de formação existentes em Portugal desde a
década de 40 do século XX, se percecionam no exercício da sua profissão e se
afirmam enquanto docentes de uma disciplina singular no contexto escolar.
Diante da dificuldade de encontrar um instrumento específico fidedigno para
avaliar a identidade dos professores de educação física, o que, de algum modo,
se alinha diante da ideia de outros investigadores que referem a escassez de
estudos relacionados com a identidade profissional destes docentes (Dowling,
2006, 2011; Gomes et al., 2013), decidimos construir uma escala de avaliação da
identidade profissional para este grupo disciplinar, inspirados, sobretudo, nos
estudos desenvolvidos por Kelchtermans (1993, 1995), que se revelaram
determinantes para o desencadear da etapa inicial da exploração e clarificação
das principais dimensões da identidade docente.
Após a realização de um pré-teste, e posteriormente administrada a Escala de
Identidade Profissional de Professores de Educação Física, a uma amostra de 206
professores de educação física, concluiu-se que o instrumento possui qualidades
psicométricas satisfatórias. A análise da consistência interna dos dois fatores
identificados - Envolvimento Pedagógico e Motivacional - revelou que se trata
de um instrumento fidedigno. Ora, uma vez que estes fatores se apresentam
internamente consistentes, bem definidos pelos itens, concluímos que a escala
revela qualidades psicométricas pelo que nos parece interessante o seu uso em
futuros estudos a desenvolver nesta área.
Na verdade, para além de bons indicadores de validade, globalmente, as medidas
aplicadas caraterizam-se por uma fidelidade que consideramos boa ou adequada e
com estruturas fatoriais interpretáveis, pressupondo, portanto, que avaliam, de
forma consistente, as variáveis que pretendem medir, constituindo-se como uma
escala capaz de contribuir para o esclarecimento da identidade profissional dos
professores de educação física.
CONCLUSÕES
Em síntese, podemos afirmar que o instrumento de investigação que construímos é
válido para avaliar a identidade profissional destes professores, medindo duas
dimensões distintas deste construto: a dimensão Envolvimento Pedagógico
relacionada com a forma como o professor define o seu trabalho, como se
relaciona com os alunos e, sobretudo como se perceciona enquanto profissional e
a dimensão Motivacional que aponta para aspetos motivacionais relacionados com
a prática profissional.