Análise do tempo de reação a partir do desempenho motor de adolescentes
praticantes do nado Crawl
INTRODUÇÃO
Desde a sua concepção o indivíduo passa por mudanças que constantemente alteram
a interação com o ambiente e com as tarefas físicas e mecânicas. As mudanças no
repertório motor, próprias da aprendizagem, ocorrem no número, na complexidade
e na qualidade de execução das ações motoras (Canfield, 2000; Wulf, Shea, &
Lewthwaite, 2010). Mudanças de comportamento são analisadas considerando
aqueles movimentos mais complexos dentro da estrutura do movimento, denominadas
habilidades motoras. Estas podem ser definidas como atividades ou execuções que
têm uma meta definida a ser atingida, como, nadar, dirigir, jogar futebol,
entre outras (Dayan & Cohen, 2011; Magill, 2000). Além disso, as
habilidades motoras também estão relacionadas às características que distinguem
o nível de proficiência demonstrada por um executante (Bôscolo, Santos, &
Oliveira, 2011; Schmidt & Wrisberg, 2001).
Neste contexto, de acordo com a aprendizagem das habilidades motoras, certas
características do movimento são modificadas, o que acontece, normalmente, em
uma sequência hierárquica (Pellegrini, 2000; Pereira, Teixeira, & Corazza,
2012). Pellegrini (2000) classifica as etapas pelas quais passam os aprendizes
em três estágios, definidos como iniciante, intermediário e avançado, cada um
com características definidas. No primeiro estágio, o executante parece
descoordenado, com movimentos desnecessários e sem fluência, não se detém a
detalhes, têm dificuldade de identificar os estímulos importantes para a ação e
apresenta grande quantidade de erros. Já no segundo estágio o aprendiz vai
eliminando os movimentos desnecessários, procurando focar-se nos estímulos e
nos detalhes importantes, diminuindo os erros apresentados. Desta forma, a
sequência de movimentos ganha fluência e harmonia, que conjuntamente com a
progressiva estabilização do padrão motor, resulta na poupança de tempo e
energia. Por fim, no último estágio, o aprendiz já tem certeza de como se
executa a habilidade, o padrão motor é estável e, por isso, utiliza um mínimo
de energia para uma execução eficiente (Pellegrini, 2000).
É importante realçar que a aquisição e o aperfeiçoamento das habilidades
motoras dependerão da base motora de cada indivíduo, juntamente com o
desenvolvimento das capacidades motoras que são essenciais, uma vez que uma
habilidade motora pode ter, na sua estrutura, o envolvimento de várias
capacidades (Pereira et al., 2012). As capacidades motoras são qualidades
inatas de uma pessoa relacionadas ao seu desempenho na execução de tarefas e,
por isso, aparecem subjacentes ao sucesso na aprendizagem e desempenho motor
(Dayan & Cohen, 2011; Magill, 2000; Wulf et al., 2010).
No que se refere a natação, uma das capacidades motoras necessárias para seu
desenvolvimento é o tempo de reação (TR), preponderante na fase de partida
(Miyamoto & Meira, 2004; Pereira, Teixeira, Villis, & Corazza, 2009). A
mensuração do TR fornece um esclarecimento dos processos internos que ocorrem
no movimento voluntário, determinando a velocidade e a eficácia da tomada de
decisão (Martins, Dascal, Bruzi, Caldeira, & Turetta, 2010; Morales,
Maciel, Silva, & Silva, 2011).
Como uma capacidade perceptivo-motora, o tempo de reação representa o intervalo
de tempo entre a apresentação de um estímulo e o início do movimento, que é a
resposta gerada. Pode ser dividido em tempo de reação simples (TRS), quando se
utiliza somente um estímulo ou sinal e somente uma resposta; tempo de reação de
escolha (TRE), quando são apresentados dois ou mais estímulos e duas ou mais
respostas são possíveis, sendo necessário optar pela mais adequada; ou ainda,
de descriminação, quando há mais de um sinal, mas somente uma resposta possível
(Magill, 2000; Morales et al., 2011; Schmidt & Wrisberg, 2001). Sobre este
especto, tendo em conta que as capacidades motoras, como o TR, se podem
modificar nos diferentes estágios de aprendizagem, procuramos com este estudo
avaliar o tempo de reação a partir do desempenho motor de praticantes do nado
crawl em diferentes estágios de aprendizagem.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo de caráter qualitativo (Thomas, Nelson, &
Silverman, 2007), que procurou analisar o tempo de reação e descrever as
características do desempenho motor do nado crawl de praticantes de natação.
Participantes
Os participantes foram selecionados de maneira intencional pelo critério de
voluntariado em três academias da cidade de Santa Maria ' RS. O grupo foi
composto por 26 praticantes de natação, 13 do sexo feminino (11.69±1.03 anos de
idade), e 13 do sexo masculino (12.07± 1.25 anos de idade). Como critérios de
inclusão adotou-se: faixa etária entre 11 e 14 anos; estar envolvido com a
prática de natação há no mínimo seis meses e no máximo dois anos; não fazer uso
de nenhum medicamento de uso contínuo; não apresentar patologias crônicas e/ou
osteo-musculares que impossibilitassem a realização dos testes.
Todos os indivíduos participavam das atividades de natação com frequência de
duas vezes semanais, no turno contrário ao horário escolar e relataram não
participar de outras atividades extracurriculares. No que se refere à prática
da natação, todas as instituições selecionadas seguiam um programa similar para
o desenvolvimento das aulas em relação às atividades e exercícios propostos.
Procedimentos
O estudo obedeceu às normas e critérios exigidos pela lei 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde ' CNS. O projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética
em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Maria ' UFSM, e
aprovado sob o protocolo n° 003.0.243.000-0. Todos os participantes assinaram
um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
A coleta dos dados foi realizada, individualmente, nas dependências das
academias. Inicialmente os sujeitos foram avaliados quanto ao tempo de reação,
em uma sala reservada em um ambiente calmo e tranquilo, onde não houve
interferência de estímulos externos e ambientais; e, em seguida, foram
realizadas as avaliações do desempenho do nado crawl nas piscinas.
A partir da avaliação das características do nado crawl, foram formados dois
grupos com 13 indivíduos cada: G1 (iniciante), com idade média de 11.61 anos e
tempo de prática 6 meses; e G2 (avançado), com idade média de 12.69 anos e
tempo de prática 2 anos. Embora a diferença na faixa etária seja pequena entre
os grupos, as características das atividades desenvolvidas na natação são
diferenciadas de acordo com o nível dos aprendizes e o seu tempo de prática. No
grupo iniciante, eram realizadas aulas com material didático de apoio
(prancha), exercitando membros inferiores e membros superiores de forma
isolada, treinando a respiração na borda da piscina, concomitantemente com o
ensino do nado crawl. Já no grupo avançado, as atividades eram voltadas
principalmente para o aperfeiçoamento da técnica do nado, sempre junto ao
aprimoramento dos fundamentos.
Instrumentos
Para avaliação do nado crawl e classificação dos estágios de aprendizagem,
utilizou-se um teste criado e validado por Corazza, Pereira, Villis, e Katzer
(2006). O teste é composto por seis itens subdivididos em: (1) posição do
corpo; (2) movimentos das pernas; (3) fase não propulsiva dos braços; (4) fase
propulsiva dos braços (tração e empurre); (5) respiração e sincronização de
braços e pernas; (6) respiração. Cada item do teste é subdividido em outros
subitens, que no total podem pontuar o desempenho do nado de 0 a 29 pontos. Os
indivíduos foram avaliados durante a execução do nado, por um avaliador
treinado, no qual foi verificada para cada subitem do teste a execução correta
ou não conforme a sua descrição. Em caso de execução correta era atribuído um
ponto, caso contrário era atribuído o valor zero.
A partir da pontuação obtida, os indivíduos são classificados quanto aos
estágios de aprendizagem em iniciante, intermediário ou avançado. No estágio
iniciante, são classificados os desempenhos de 0 a 9 pontos; no intermediário
aqueles com pontuação entre 10 e 19 pontos; e no avançado os que obtiveram
pontuação entre 20 e 29. Além da pontuação mínima, para ser classificado como
avançado, o indivíduo não pode obter zero em nenhum subitem do teste.
A avaliação do Tempo de Reação Simples e do Tempo de Reação de Escolha foi
realizado por meio de um software específico criado e validado por Pereira,
Dias, e Corazza (2007), desenvolvido na ferramenta Borland Delphi7, que utiliza
a linguagem de programação object pascal. O softwareavalia o tempo de reação a
partir de um estímulo visual que deve ser respondido, após surgir na tela, o
mais rápido possível com a utilização dos botões do rato do computador. A
resposta é a reação do movimento do membro superior dominante, calculando assim
o tempo entre a apresentação do estímulo e o início do movimento ou resposta.
Análise Estatística
Primeiramente por meio do teste de Shapiro Wilk, foi verificada a normalidade
dos dados. Assumidos os pressupostos de normalidade (p> .05) foi aplicado o
teste t para amostras independentes com o objetivo de verificar a diferença
entre os grupos. Para análise da correlação utilizou-se o coeficiente de
correlação de Pearson. Foi utilizado um programa estatístico SPSS, versão 14.0,
com nível de significância de 5%.
RESULTADOS
Para o desenvolvimento do estudo, inicialmente, todos os sujeitos foram
avaliados quanto ao desempenho motor do nado crawl, de modo que os resultados
obtidos no teste fossem utilizados para a classificação quanto ao estágio de
aprendizagem e posterior divisão nos grupos iniciante (G1) e avançado (G2).
Nesse sentido, quanto ao desempenho motor do nado crawl, conforme é possível
observar na tabela_1, a média em pontos que gerou o G1 foi visivelmente
inferior a média que gerou o G2 em todos os sub-itens do teste, o que resultou
em uma pontuação média total de 7.92 pontos e 25.38 pontos para cada grupo,
respetivamente. A partir destes valores obtidos foi feita a classificação dos
grupos, na qual a baixa pontuação alcançada pelo G1 caracterizou o estágio
iniciante em que os aprendizes se encontram, do mesmo modo que as pontuações
mais altas do G2 caracterizam o estágio avançado da aprendizagem.
No que se refere a análise do tempo de reação os valores são apresentados nas
tabelas_2 e 3. Considerando que para o tempo de reação, quanto menor o tempo,
melhor o desempenho, evidenciou-se por meio do teste t de student diferenças
estatísticas significativas tanto no TRS (t= ˗ 3.670; p= .001), quanto no TRE
(t= ˗ 4.016; p= .001) em benefício do grupo avançado. Foram obtidos valores
elevados para a magnitude do efeito tanto para o TRS (0.60), como para o TRE
(0.63).
Através da análise correlacional constatou-se moderada correlação entre o
desempenho no teste de nado crawl do G2 (avançado) e TRS (avançado) (r = -
0.685; p = 0.010), considerando que no estágio avançado o tempo de reação foi
menor.
Figura_1
DISCUSSÃO
O tempo de reação motora é uma medida bastante utilizada em pesquisas como um
indicador do desempenho sensório-motor. Investigações em torno desta temática
são importantes para a compreensão de como o sistema nervoso identifica
informações relevantes presentes no meio ambiente e seleciona as ações motoras
mais adequadas para a resposta (Araujo & Carreiro, 2009; Hedvall et al.,
2013; Penke et al., 2010). Nesse sentido, o presente estudo buscou identificar
este processo de perceção e resposta motora em indivíduos em diferentes níveis
de aprendizagem, levando em consideração a bagagem motora adquirida por meio da
prática.
As análises iniciais foram para a classificação dos grupos em relação aos
estágios de aprendizagem. O G1 obteve uma média 7.92 pontos, sendo classificado
como iniciante e o G2 teve média de 25.38 pontos, sendo classificado como
avançado de acordo com as características do movimento do nado Crawl avaliadas.
O teste de desempenho motor do nado crawl foi utilizado em estudos anteriores
(Corazza et al., 2006; Pereira et al., 2007) também com o objetivo de
identificar e classificar indivíduos quanto ao nível de aprendizagem.
Para Freudenheim et al. (2005), não é necessário utilizar equipamentos
sofisticados para distinguir indivíduos em diferentes estágios de aprendizagem,
uma vez que apresentam características claramente observáveis. Neste mesmo
aspeto, Bôscolo, Santos, e Oliveira (2011) chamam a atenção para a necessidade
de professores e pesquisadores buscarem identificar as características do
executante em cada um dos diferentes estágios da aprendizagem, visto que este é
um dos fatores que permitem determinar corretamente a progressão de atividades
no ensino de habilidades motoras aquáticas.
Na habilidade de nadar, a padronização espaço-temporal dos movimentos
caracteriza de forma evidente. O processo de aquisição dessa habilidade pode
ser descrito como cíclico e dinâmico de estabilidade-instabilidade-
estabilidade, direcionado a um maior grau de complexidade. Sendo assim, um
indivíduo com um padrão avançado de nado Crawl passou por mais ciclos de
estabilidade e quebra de estabilidade que um iniciante, na mesma habilidade
(Freudenheim et al., 2005; Seifert, Boulesteix, Chollet, & Vilas-Boas,
2008; Seifert, Leblanc, Chollet, & Delignières, 2010).
Em relação às análises de tempo de reação, os resultados encontrados revelaram
que,quanto melhor o desempenho no nado crawl, melhor o tempo de reação simples
e de escolha, uma vez que os valores foram significativamente menores (p= .001)
no grupo avançado em relação ao grupo iniciante. Nesse caso, uma vez que o TR
representa o tempo necessário para a execução de uma resposta, quanto menor for
o tempo de reação maior será a eficiência dos mecanismos e processos centrais
(Deary, Liewald, & Nissan, 2011; Droit-Volet & Zélanti, 2013; Kaufman,
DeYoung, Gray, Brown, & Mackintosh, 2009; Takeuchi et al., 2011).
As diferenças estatisticamente significativas encontradas entre os grupos podem
estar relacionadas a uma possível programação motora incompleta no início da
aprendizagem (Pereira et al., 2009), o que acarreta dificuldades em identificar
os estímulos internos ou externos que são mais relevantes para a ação o qual
leva a um dispêndio de tempo excessivo (Pellegrini, 2000). Estes resultados vão
ao encontro de outros estudos desenvolvidos com enfoques parecidos (Mori,
Ohtani, & Imanaka, 2002; Pereira et al., 2009; Vaghetti, Roesler, &
Andrade, 2007). Vaghetti, Roesler, e Andrade (2007) realizou uma análise de
tempo de reação simples auditivo e visual em surfistas profissionais, amadores
e praticantes e foram encontradas diferenças estatisticamente significativas
para o TRS auditivo e visual entre profissionais do sexo masculino versus
praticantes e entre profissionais do sexo feminino versus praticantes. Entre os
amadores versus praticantes verificou diferenças significativas apenas para TRS
visual com TRS menores para os mais experientes, ou seja, os indivíduos com
mais habilidade na prática do surf.
Outro estudo foi realizado por Pereira, Teixeira, Villis, e Corazza (2009) com
o objetivo de investigar a relação entre os resultados dos tempos de reação
simples e de escolha com o desempenho motor do nado crawl em jovens em
diferentes estágios de aprendizagem. Igualmente os melhores resultados foram
significativos tanto no TRS (r = -0.192 p = 0.284) quanto no TRE (r = -0.471, p
= 0.006) para o grupo no estágio avançado. Neste mesmo contexto, embora não
tenham analisado atletas de natação, Mori, Ohtani, e Imanaka (2002),
encontraram diferenças estatísticas significativas quando avaliaram atletas de
karatê, sendo que os menores tempos foram dos mais experientes.
O TR pode ser utilizado como medida de eficiência dos processos de antecipação
e tomada de decisão. Dessa forma, estímulos desconhecidos necessitam de um
maior TR em comparação a estímulos conhecidos (Macedo, Covre, Orsati, Oliveira,
& Schwartzman, 2007). No presente estudo constatou-se moderada correlação
entre o desempenho no nado crawl e o TRS no grupo avançado (r = - 0.685; p =
0.010), considerando-se que quanto maior o estágio para uma habilidade, menor
será o tempo de reação. Estudo de Lidor, Argov, e Daniel (1998) salienta que a
quantidade de prática representa um aspeto que pode interferir no TR, pois a
prática auxilia o indivíduo a discernir os aspetos relevantes de um estímulo
diminuindo o número de incertezas no estágio de seleção de respostas, reduzindo
o intervalo de tempo no estágio de programação do movimento, aumentando a
eficiência da performance e a diminuição do TR.
Um estudo de Miyamoto e Meira (2004), realizado com atletas federados e não-
federados, reforçou que para atletas federados foram detetadas correlações
significativas e positivas, porém fracas, entre tempo de reação de membros
inferiores (TRMI) e tempo de movimento nos 100 metros (TM100) e entre tempo de
movimento de 50 metros (TM50) e (TM100). No que tange ao grupo de não
federados, foi identificada apenas uma correlação significativa e negativa,
porém fraca, entre tempo de reação de membros superiores (TRMS) e (TM100), é
relatado que embora os atletas federados deste estudo apresentem melhor tempo
de movimento (TM) em relação aos não federados, o tempo de reação (TR) não se
configura como uma variável determinante de diferenças de desempenho entre
velocistas de níveis diferentes. Contudo no presente estudo a variável TR
esteve fortemente associada ao nível de estágio do executante. Dessa forma,
podemos inferir que o principal fator de influência sobre o TR são os
mecanismos centrais de processamento antecedentes ao movimento.
Vaghetti et al. (2007) encontraram uma correlação positiva para o TRS visual
entre os profissionais (femininos) versus no ranking (r = 0.269 p= 0.204). Os
processos fisiológicos de transformação dos estímulos auditivos e visuais em
resposta motora são idênticos, em todas as modalidades desportivas; o
diferencial está no produto final, que é a mecânica do movimento, ou seja, os
grupamentos musculares que são recrutados para realizar determinadas tarefas.
Os TRS estão associados à automatização dos gestos desportivos. Este estudo não
corrobora com o presente estudo, o qual encontrou correlações negativas.
De maneira geral, no presente estudo realizado com adolescentes, fica
evidenciado que mudanças ocorrem nas capacidades motoras, como o tempo de
reação, em decorrência da prática, o que reforça a importância do treinamento.
A adolescência é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o
período compreendido entre 10 e 19 anos de idade. Sabe-se que nessa etapa, o
crescimento e o desenvolvimento biológico são fortemente influenciados pela
interação de fatores genéticos e ambientais (Fortes, Miranda, Amaral, &
Ferreira, 2011), de modo que o nível de maturação somado às exigências
específicas do treinamento de cada grupo poderão também ter contribuído para as
diferenças encontradas nos resultados.
Sob esse especto, uma vez que o processo de aquisição de habilidades motoras
envolve um desenvolvimento hierárquico, o comportamento parcialmente
desordenado é gradualmente organizado em torno de uma meta e de consequências
ambientais, o que leva a uma maior consistência da habilidade aprendida (Doğan,
2009; Freudenheim et al., 2005; Yamashiro et al., 2013).
CONCLUSÃO
Análises em torno da aquisição de habilidades motoras em situações de meio-
líquido, bem como das capacidades motoras subjacentes ao sucesso na habilidade
executada, tanto com finalidades pedagógicas, quanto para investigações
científicas, são essenciais para profissionais e pesquisadores interessados em
testar e classificar os aprendizes em relação ao nível de aprendizagem. Os
resultados do presente estudo permitem concluir que o tempo de reação é uma
capacidade perceptivo-motora treinável, importante para o sucesso na
performance do nado crawl, uma vez que foram encontradas diferenças
estatísticas significativas quando comparados grupos de iniciantes e avançados,
indicando que no estágio avançado os aprendizes possuem melhores tempos de
resposta. Diante destes pressupostos ressalta-se a necessidade de professores e
técnicos de natação observarem a importância do desenvolvimento das capacidades
motoras, tanto quanto, da habilidade motora específica, com maior atenção as
mudanças que ocorrem nos níveis de habilidade dos aprendizes durante o processo
de aquisição e aprimoramento do nado.