Crescimento e nutrição foliar de mudas de Eucalyptus sp. irrigadas com
diferentes qualidades de água
Introdução
O eucalipto é a espécie florestal mais adotada nos programas de reflorestamento
no Brasil. As características de rápido crescimento, boa adaptação às condições
climáticas e edáficas existentes em expressiva área do país, principalmente as
da região de cerrado, explicam a participação importante dessa essência nos
povoamentos tecnicamente implantados para fins de reflorestamento (Neves et
al., 1990).
As florestas plantadas de eucalipto no Brasil atingem, hoje, uma área de 4 515
730 ha e estão em franca expansão na maioria dos estados brasileiros (ABRAF,
2010). Todavia, a crescente redução da disponibilidade de recursos hídricos; os
custos elevados dos fertilizantes; a alta demanda por nutrientes em função das
extensas áreas utilizadas em plantios comerciais, o que muitas vezes implica
aquisição de terras mais baratas e, consequentemente, com maiores limitações,
interferem na produtividade florestal.
Dentro desse contexto, a utilização de águas de qualidade inferior, tais como
esgotos de origem doméstica, águas de piscicultura e drenagem agrícola
apresentam-se como uma alternativa para suprir parte da demanda hídrica e de
nutrientes. Segundo Blum (2003), essas águas geralmente contêm os nutrientes
necessários para o crescimento de plantas, tais como fósforo, azoto, potássio,
zinco, boro e enxofre, cujos teores atendem, se não toda, pelo menos boa parte
das necessidades das plantas em geral.
Estudos realizados em outros países têm demonstrado a eficiência do uso das
águas residuais na fertirrigação de culturas agrícolas, com obtenção de
excelentes resultados (Bastos, 1999). Além da fertirrigação aumentar a
disponibilidade hídrica e servir como fonte de nutrientes para as plantas,
reduzindo assim os custos com a aquisição de fertilizantes químicos comerciais,
a aplicação de efluente no solo é vista como uma forma efetiva de controle da
poluição (Madeira et al., 2002; Medeiros et al., 2005). Porém, quando se
pretende a utilização de esgotos sanitários para irrigação, além dos aspectos
de saúde humana e animal, deve ser considerado o potencial fertilizante dos
esgotos sanitários, procurando-se o melhor balanço possível entre a demanda e a
oferta de água e nutrientes (Bastos e Bevilacqua, 2006). Dessa forma, na
utilização de tais águas como fonte de nutrientes torna-se necessário o
acompanhamento do crescimento e da nutrição foliar com a finalidade de evitar
possíveis problemas de toxicidade nas plantas ou mesmo de deficiência de
nutrientes.
Na caracterização do estado nutricional das plantas têm sido procurados meios
indiretos como alternativa para o uso dos valores das concentrações dos
nutrientes nos tecidos. Número de folhas, diâmetro do caule, altura da planta,
área foliar e outras características morfológicas e fisiológicas da planta, em
determinada fase do crescimento da cultura, podem servir como indicativos da
deficiência de determinado nutriente no solo (Fontes, 2001).
Assim, pensando no aproveitamento dos nutrientes contidos em efluente de esgoto
e água de piscicultura, esta pesquisa teve como objetivo avaliar o crescimento
e a nutrição foliar de mudas de Eucalyptus sp. submetidas a diferentes
qualidades de água de irrigação.
Materiais e Métodos
O ensaio foi conduzido no período de fevereiro a junho de 2010 em estuda
localizada no Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES), em Jerônimo Monteiro, localizado na região sul do estado
do Espírito Santo, a 120 m de altitude, latitude 20°47'25 S e longitude
41°23'48 W.
O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado no esquema
fatorial 2×3×3 (dois períodos de avaliação, três padrões de qualidade de água e
três espécies de eucalipto) com três repetições.
Foram utilizadas mudas de Eucalyptus grandisW. Hill ex Maiden, Eucalyptus
urophylla S.T. Blake e o híbrido de E. grandis x E. urophylla(Eucalyptus
urograndis'), produzidas em tubetes, por sementeira, no viveiro da área
experimental do Centro de Ciências Agrárias da UFES (CCAUFES), localizado no
Distrito de Rive em Alegre, Espírito Santo.
Mudas com aproximadamente 90 dias foram plantadas em vasos com capacidade de
aproximadamente 5 L, preenchidos com Latossolo Vermelho Amarelo previamente
adubado, o qual foi destorroado e passado em peneira de 4 mm. A análise química
do solo encontra-se no Quadro_1.
Durante 20 dias as mudas ficaram em local aberto. Nesse período, em função das
chuvas constantes, poucas vezes foi necessário irrigar as mudas. Após os 20
dias, as mudas foram transferidas para a estufa, onde foram irrigadas
diariamente com água de abastecimento, água de piscicultura e efluente de
esgoto doméstico tratado em reator anaeróbico de fluxo ascendente durante 80
dias.
A quantidade de água aplicada nos vasos foi determinada utilizando-se o método
da pesagem, em que a diferença dos pesos dos vasos saturados e secos
correspondeu ao volume de água necessário para elevar o solo à capacidade
máxima de retenção de água. O cálculo do volume de água a ser adicionada ao
solo foi feito utilizando-se a média de três vasos (controle) previamente
identificados para cada qualidade de água utilizada.
Durante o ensaio foram coletadas amostras de água e encaminhadas para o
laboratório para determinação dos seguintes constituintes: potássio, sódio,
cloreto, ferro, fósforo total, azoto amoniacal, boro, cálcio, magnésio e
enxofre; segundo metodologias descritas por APHA (2005). Também foram
determinados os valores de pH e condutividade elétrica e calculada a RAS (razão
de adsorção de sódio) (Quadro_2).
Na análise do crescimento das mudas foram realizadas duas avaliações: a
primeira 20 dias após o plantio das mudas nos vasos (9 mudas de cada espécie,
totalizando 27 mudas) e a segunda 80 dias após a primeira avaliação, período em
que as mudas foram irrigadas com água de abastecimento e fertirrigadas com água
de piscicultura e efluente de esgoto doméstico tratado (9 mudas para cada tipo
de água, sendo 3 mudas por espécie, totalizando 27 mudas).
As avaliações consistiram na colheita, em cada unidade experimental, da parte
aérea e raiz das mudas. Na parte aérea foram determinados a altura, o diâmetro
do caule, a massa seca e calculada a área foliar. Por sua vez, as raízes foram
lavadas para retirada do solo, sendo feita a determinação da massa seca.
A altura foi medida por meio de uma régua graduada. O diâmetro do colo foi
determinado com o auxílio de um paquímetro digital e a área foliar foi
determinada em amostras, na forma de discos de área conhecida, sendo a área
foliar igual à relação entre o peso total das folhas e o peso dos discos
multiplicados pela área dos discos (cm²).
Após a determinação das características citadas anteriormente, as plantas foram
colocadas em estufa com circulação forçada a 65 °C ± 3 por 72 horas, para
obtenção da massa seca das raízes e da parte aérea.
De posse dos resultados da massa seca da parte aérea e das raízes, foi
realizada uma análise de crescimento conforme metodologias descritas por
Benincasa (2003), em que foi determinada a razão de área foliar (RAF), taxas de
crescimento absoluto (TCA), relativo (TCR) e assimilação líquida (TAL).
Determinou-se também, segundo metodologias propostas por Carneiro (1995), a
relação entre altura da parte aérea e diâmetro do colo (RAD), relação entre
parte aérea e raiz (RPA/R) e percentagem de raízes (PRA). Para as determinações
descritas, foram usadas as seguintes equações:
Durante o período experimental foram também realizadas duas análises
nutricionais das folhas. Uma antes da utilização das diferentes qualidades de
água (mudas com 110 dias de idade) e outra 80 dias após a utilização das
diferentes qualidades de água (mudas com 190 dias). Na primeira avaliação foram
colhidas folhas de 27 mudas, sendo 9 de cada espécie. Já na segunda avaliação,
foram colhidas 9 mudas para cada qualidade de água (três de cada espécie)
totalizando 27 mudas. As folhas foram secas em estufa a 65°C e encaminhadas ao
laboratório para análise dos teores de azoto, fósforo, potássio, cálcio,
magnésio, enxofre, zinco, ferro, manganês, cobre e boro; conforme metodologia
utilizada pela EMBRAPA (1999).
Análise de dados
Os resultados obtidos foram analisados, estatisticamente, ao nível de
significância de 5%, por meio de análise de variância. Usou-se o Teste de Tukey
para comparação das médias. As médias das características avaliadas foram
comparadas entre as espécies e entre as qualidades de água utilizadas.
Resultados e Discussão
Avaliação do crescimento das mudas
Como resultado da análise de variância dos dados obtidos na primeira avaliação
(mudas aos 110 dias), observou-se que as três espécies estudadas não diferiram
entre si (Quadro_3). Já na segunda avaliação, após a utilização das diferentes
qualidades de água de irrigação (aos 190 dias), houve crescimento diferenciado
entre espécies e para utilização das diferentes qualidades de água.
De acordo com o teste de Tukey (Quadro_4), as espécies diferiram entre si ao
nível de 5% de probabilidade para as características diâmetro do colo, massa
seca total, taxa de crescimento absoluto, taxa de crescimento relativo, razão
de área foliar, taxa de assimilação líquida e relação entre altura da parte
aérea e diâmetro do colo.
O híbrido E. urograndis' apresentou maior diâmetro do colo, massa seca total,
taxa de crescimento absoluto, taxa de assimilação líquida e, juntamente com a
espécie E. urophylla, maior taxa de crescimento relativo. Enquanto as espécies
E. grandis e E. urophylla apresentaram maior razão de área foliar e maior
relação entre altura da parte aérea e diâmetro do colo.
Em relação à qualidade das águas, com exceção da relação entre parte aérea e
raiz, percentagem de raízes e relação entre altura da parte aérea e diâmetro do
colo, de acordo com o teste de Tukey houve diferença significativa ao nível de
5% para as características avaliadas (Quadro_4).
Considerando que o efluente de esgoto apresentou maiores teores de nutrientes
do que os outros dois tipos de água, principalmente de azoto; já era esperado
maior crescimento das mudas fertirrigadas com o efluente. Segundo Neves et al.
(1990), a fertilização azotada normalmente promove ganhos no crescimento,
controlando o ritmo de crescimento, tamanho e vigor.
Resultados semelhantes foram obtidos em outros trabalhos com a utilização de
efluentes de esgoto. Lougon (2010), ao trabalhar com mudas de E. grandis e de
E. urograndis', porém com idade de 40 dias,tal como no presente trabalho,
observou que as mudas fertirrigadas com efluente de esgoto doméstico tratado
apresentaram maior altura da parte aérea, diâmetro do colo, área foliar, massa
seca da parte aérea, massa seca da raiz e massa seca total.
Araújo et al. (2007) também obtiveram maior altura da parte aérea e diâmetro do
colo em mudas de Tabebuia impetiginosa (ipê-roxo) fertirrigadas durante 105
dias a partir da emergência com efluente de esgoto doméstico tratado do que em
mudas irrigadas com água de abastecimento.
Nalguns casos, o uso de efluentes de esgoto na fertirrigação de mudas supera a
utilização de fertilizantes. Lucena et al. (2007) observaram que a utilização
de efluente de esgoto pré-tratado proporcionou maior crescimento em altura,
área foliar, massa seca da raiz e massa seca da parte aérea em mudas de Delonix
regia(Hook.) Raf.(Flamboyant) do que a utilização de fertilizante mineral e
fertilizante orgânico.
Entretanto, os melhores resultados, geralmente, são obtidos com o uso de
fertilizantes, conforme observado por Augusto et al. (2007), que verificaram
maior crescimento em altura, área foliar, massa seca da parte aérea, massa seca
da raiz e razão raiz/parte aérea em mudas de E. grandis fertirrigadas com água
e fertilizantes do que com a utilização de efluente de esgoto doméstico
tratado.
Resultados diferentes dos obtidos neste trabalho também foram obtidos por Singh
e Bhati (2005) em mudas de Dalbergia sissoo DC. (indian rosewood) com 24 meses
no campo. Os autores observaram que a utilização de efluente de esgoto
municipal durante 12 meses proporcionou o mesmo crescimento em altura da parte
aérea que a utilização de água superficial de canal e menor crescimento em
diâmetro.
Embora tenha sido observado no presente trabalho e nos trabalhos citados acima
que o efluente de esgoto proporcionou maior crescimento do que a água de
abastecimento, problemas de toxicidade podem ocorrer. Santos et al. (2007)
comparando o efeito da utilização de duas fontes de água no crescimento de
mudas de Anadenanthera macrocarpa (angico-preto) observaram sintomas de
toxicidade nas mudas fertirrigadas com efluente de esgoto.
No entanto, nesta pesquisa não foram observados sintomas de toxicidade nas
plantas fertirrigadas com efluente de esgoto.
Avaliação da nutrição foliar
Os teores de macro e micronutrientes obtidos na primeira análise foliar das
mudas, realizada antes da utilização das diferentes qualidades de água de
irrigação, encontram-se nas Figuras_1 e 2, respectivamente.
Os teores de macro e micronutrientes obtidos da segunda análise foliar, feita
após a utilização das diferentes qualidades de água de irrigação durante 80
dias, encontram-se nas Figuras_3 e 4, respectivamente.
De acordo com o Teste de Tukey, os teores de azoto, cálcio, ferro, manganês e
boro diferiram entre si para o fator qualidade de água de irrigação, ao nível
de 5% de probabilidade.
Quanto aos teores de macronutrientes, verificou-se maior teor de azoto nas
folhas das mudas fertirrigadas com efluente de esgoto do que nas mudas
fertirrigadas com água de piscicultura e nas mudas irrigadas com água de
abastecimento (Figura_3). Comparando os teores de azoto obtidos nas duas
análises (Figura_1 e 3), observam-se, após a utilização das diferentes
qualidades de água, menores teores de azoto nas folhas das mudas irrigadas com
água de abastecimento e das mudas fertirrigadas com água de piscicultura;
ficando estes valores ficaram abaixo da faixa considerada adequada para o
eucalipto (14 e 16 g kg-1) por Martinez et al. (1999). O azoto é um nutriente
essencial à vida vegetal, pois é constituinte de estruturas do protoplasma da
célula, da molécula da clorofila, dos aminoácidos, proteínas e de várias
vitaminas, além de influenciar as reações metabólicas das plantas,
proporcionando aumento do crescimento vegetativo e do rendimento da cultura
(Lopes, 1989). É o elemento que mais limita o crescimento dos vegetais na
maioria dos solos (Mendonça e Lopes, 2007). Os teores de azoto nas folhas das
mudas fertirrigadas com efluente de esgoto ficaram acima da faixa considerada
adequada para o eucalipto, no entanto não foram observados sintomas de
toxicidade. Os nossos resultados estão de acordo com os obtidos por Singhe e
Bhati (2005). Estes investigadores observaram que a utilização de efluente de
esgoto municipal na fertirrigação de Dalbergia sissoo com 2 anos de idade,
proporcionou maior teor foliar de azoto do que a utilização de fonte de água
superficial.
Os teores de fósforo nas mudas foram iguais para a utilização das três
qualidades de água (Figura_3), apesar do efluente de esgoto ter apresentado
maior teor de fósforo (227 mg L-1) do que as águas de abastecimento e
piscicultura (0,2 mg L-1). Comparando os teores de fósforo obtidos nas duas
análises (Figuras_1 e 3), observam-se após a utilização das três qualidades de
água, menores teores de fósforo nas folhas das mudas. No entanto, os teores
ainda são considerados altos para cultura (1,0 a 1,2 g kg-1) por Martinez et
al. (1999).
Os teores de potássio nas folhas foram iguais com a utilização das três
qualidades de água (Figura_3). O mesmo foi observado por Singhe e Bhati (2005)
com a utilização de efluente de esgoto municipal e água de fonte superficial em
plantio de Dalbergia sissoo (indian rosewood), cujos teores de potássio nas
folhas foram iguais com a utilização das duas qualidades de água. Comparando os
teores de potássio obtidos nas duas análises (Figuras_1 e 3), observa-se que
após a utilização das três qualidades de água, os teores foram praticamente os
mesmos e menores do que o teor considerado adequado para o eucalipto (10 a 12 g
kg-1) por Martinez et al. (1999). O potássio exerce uma série de funções nas
plantas, como regulação da turgidez do tecido, ativação enzimática, abertura e
fechamento de estômatos, transporte de carboidratos, entre outras. Os sintomas
visíveis de deficiência mais comuns são a clorose das folhas, seguida de
necrose das pontas e margens (Malavolta, 1980). Entretanto, tais sintomas não
foram detectados na presente pesquisa.
Os teores de cálcio nas folhas foram menores com a utilização do efluente de
esgoto do que com a utilização das águas de abastecimento e de piscicultura
(Figura_3). Levando-se em consideração que o teor de cálcio foi igual nas três
qualidades de água, é provável que tenha havido um efeito de diluição do cálcio
em função do maior crescimento observado nessas mudas. No entanto, os teores de
cálcio verificados nas mudas fertirrigadas com efluente de esgoto estão dentro
na faixa considerada adequada para a cultura (8 a 12 g kg-1) por Martinez et
al. (1999). Já nas plantas irrigadas com a água de abastecimento e
fertirrigadas com água de piscicultura, os teores encontram-se um pouco acima
da faixa considerada adequada.
Os teores de magnésio nas folhas das mudas foram iguais com a utilização das
três qualidades de água (Figura_3). No entanto, em plantios de Dalbergia Sissoo
(indian rosewood) com 2 anos de idade, Singh e Bhati (2005) observaram maior
teor de magnésio nas folhas das mudas fertirrigadas com efluente de esgoto
municipal do que nas mudas irrigadas com água de fonte superficial. Comparando
os teores de magnésio obtidos nas duas análises (Figuras_1 e 3), observam-se
que após a utilização das três qualidades de água, os teores de magnésio nas
folhas das mudas foram menores que na primeira análise, ficando estes abaixo do
valor considerado adequado para a cultura (4-5 g kg-1) por Martinez et al.
(1999). O magnésio é um constituinte da clorofila, participa da ativação
enzimática, é carregador de fósforo. A falta de magnésio inibe a fixação de
CO2 (Malavolta, 1980).
Os teores de enxofre nas folhas foram iguais para a utilização das três
qualidades de água (Figura_3). Teores semelhantes aos encontrados no presente
trabalho, foram obtidos por Augusto et al. (2003) em mudas de Croton
floribundus(capixingui)e Copaifera langsdorffii(copaíba) fertirrigadas com
efluente de esgoto doméstico tratado e água com fertilizantes químicos. Da
mesma forma, os dois tratamentos não diferiram entre si. Teores de enxofre
entre 1,5 a 2,0 g kg-1 são considerados baixos para o eucalipto, segundo
Martinez et al. (1999); sendo, portanto, verificados baixos teores de enxofre
nas folhas das mudas. O enxofre desempenha um importante papel na estrutura das
proteínas, sendo importante nas membranas das células, além de desempenhar
importantes funções metabólicas. Sua deficiência causa diminuição na
fotossíntese e na atividade respiratória, queda da síntese de proteínas,
redução no teor de gorduras, entre outros (Malavolta, 1980).
Em relação aos teores de micronutrientes nas folhas, verificaram-se os mesmos
teores de zinco com a utilização das três qualidades de água de irrigação
(Figura_4). Já em plantio de Dalbergia Sissoo (indian rosewood) com 2 anos de
idade, Singh e Bhati (2005) observaram maiores teores foliares de zinco nas
mudas fertirrigadas com efluente de esgoto municipal do que nas mudas irrigadas
com água de canal superficial. Comparando os teores de zinco obtidos nas duas
análises (Figuras_2 e 4), observam-se após a utilização das três qualidades de
água, menores teores de zinco. De acordo com os valores de referência
apresentados por Martinez et al. (1999), os teores estão abaixo da faixa
considerada adequada para o eucalipto (40 a 60 mg kg-1). Embora, no presente
trabalho o teor de zinco no efluente de esgoto não tenha sido suficiente para
suprir a demanda das mudas, em outra pesquisa conduzida por Augusto et al.
(2007), foi verificado que os teores médios de zinco em folhas de E.
grandisficaram dentro da faixa considerada adequada para cultura (55 mg kg-1);
porém maiores teores de zinco foram obtidos com a utilização de água com
fertilizantes (131,75 mg kg-1). O zinco é essencial para a síntese do
triptofano, que por sua vez é um precursor do AIA (ácido indol acético), o qual
é um dos responsáveis pelo aumento no volume celular. Um dos sintomas da
carência de zinco consiste no encurtamento dos internódios e na produção de
folhas novas, pequenas, cloróticas e lanceoladas (Malavolta, 1980).
Nesta pesquisa foi observado em algumas mudas, tanto irrigadas com água de
abastecimento, como fertirrigadas com água de piscicultura, encurtamento dos
internós e folhas pequenas.
Os teores de ferro nas folhas das mudas foram maiores com a utilização do
efluente de esgoto do que com a utilização das águas de abastecimento e
piscicultura (Figura_4). Assim como neste trabalho, Singh e Bhati (2005), em
plantios de Dalbergia Sissoo com 2 anos de idade, observaram maior teor foliar
de ferro nas mudas fertirrigadas com efluente de esgoto municipal do que nas
mudas irrigadas com água de canal superficial. Entretanto, comparando os teores
de ferro obtidos nas duas análises (Figuras_2 e 4), observam-se após a
utilização das águas de abastecimento e de piscicultura, menores teores de
ferro nas folhas das mudas. Para a utilização do efluente de esgoto, os teores
foram praticamente os mesmos nas duas análises. Levando-se em consideração que
os teores de ferro presentes nas três qualidades de água foram os mesmos (<0,01
mg L-1), o esperado é que os teores de ferro nas folhas das mudas fossem
semelhantes após a utilização das três qualidades de água. Nota-se também que
os teores de ferro ficaram abaixo da faixa considerada adequada para o
eucalipto (150 a 200 mg kg-1) por Martinez et al. (1999), com a utilização das
três qualidades de água. Augusto et al. (2007) utilizando água com
fertilizantes e efluente de esgoto doméstico tratado na fertirrigação de mudas
de E. grandis, obtiveram maior teor de ferro nas mudas com a utilização dos
fertilizantes. No entanto o teor de ferro nas mudas fertirrigadas com efluente
ficou dentro da faixa adequada para cultura.
Os teores de manganês nas folhas das mudas foram maiores com a utilização da
água de abastecimento do que com a utilização da água de piscicultura e do
efluente de esgoto (Figura_4). Comparando os teores de manganês obtidos nas
duas avaliações (Figuras_2 e 4), observam-se após a utilização das três
qualidades de água maior teor de manganês nas folhas das mudas, com destaque
para a utilização da águas de abastecimento e piscicultura, que proporcionaram
os maiores teores de manganês. É provável que tenha havido acumulação de
manganês nos tecidos foliares, porém sendo maior nas mudas fertirrigadas com a
água de piscicultura e nas mudas irrigadas com a água de abastecimento, que
apresentaram menor crescimento. No entanto, mesmo assim os teores de manganês
ficaram dentro da faixa considerada adequada para cultura (100-600 mg kg-1) por
Martinez (1999). Ao contrário do observado no presente trabalho, Singh e Bath
(2005) utilizando efluente de esgoto municipal e água de canal superficial na
irrigação de Dalbergia sissoo com 2 anos de idade, verificaram maior teor de
manganês nas folhas das plantas fertirrigadas com efluente de esgoto.
Os teores de cobre nas folhas das mudas foram iguais para as três qualidades de
água (Figura_4). Comparando os teores obtidos nas duas análises (Figuras_2 e
4), observam-se após a utilização das três qualidades de água, menores teores
de cobre. Os teores de cobre nas folhas das mudas ficaram abaixo da faixa
considerada adequada para o eucalipto, que segundo Martinez et al. (1999) é de
8,0 a 10 mg kg-1. Segundo Malavolta (1980), excesso de azoto, fósforo e zinco
na adubação são condições para carência de cobre. Assim como no presente
trabalho, Augusto et al. (2007) também verificaram baixos teores de cobre (7,0
mg kg-1) em mudas de E. grandisfertirrigadas com efluente. Porém, também foram
verificados baixos teores de cobre com a utilização de água e fertilizantes
minerais. Entretanto, Singh e Bhati (2005), observaram maiores teores de cobre
(43 mg kg-1) em folhas de Dalbergia Sissoo com a utilização de efluente de
esgoto municipal.
Os teores de boro nas folhas das mudas foram maiores com a utilização das águas
de abastecimento e piscicultura do que com a utilização do efluente de esgoto
(Figura_4). Comparando os teores de boro obtidos nas duas análises (Figuras_2 e
4), observam-se após a utilização das três qualidades de água, menores teores
de boro nas folhas das mudas, principalmente nas mudas fertirrigadas com
efluente de esgoto. É provável que tenha havido um efeito de diluição de boro,
principalmente nas mudas fertirrigadas com efluente de esgoto, que apresentaram
maior crescimento. Dessa forma, as mudas fertirrigadas com o efluente de
esgoto, ao final do estudo apresentaram teor foliar de boro abaixo da faixa
considerada adequada para a cultura (35-70 mg kg-1) por Martinez et al. (1999).
Porém, embora os teores de boro nas folhas das mudas fertirrigadas com efluente
de esgoto tenham ficado abaixo da faixa considerada adequada para cultura,
teores satisfatórios de boro foram obtidos por Augusto et al. (2007) em mudas
de E. grandis fertirrigadas com efluente de esgoto doméstico tratado (53 mg L-
1); sendo inclusive, iguais aos teores obtidos com utilização de água com
fertilizantes minerais.
Em alguns casos, para alguns nutrientes, o uso de efluente de esgoto como fonte
de nutrientes pode superar a utilização de fertilizantes minerais. Augusto et
al. (2007) verificaram maiores teores de azoto, fósforo, potássio e manganês
com a utilização de efluente de esgoto do que com a utilização de água e
fertilizantes minerais. Os mesmos autores (2003) também verificaram em mudas de
Copaifera langsdorffiimaiores teores foliares de boro com a utilização de
efluente de esgoto doméstico tratado do que com água e fertilizantes minerais.
Conclusões
O estudo efetuado permitiu concluir que o efluente de esgoto foi a qualidade de
água que proporcionou maior crescimento das mudas, diferindo significativamente
das demais. Por outro lado, não houve diferença significativa no crescimento
das mudas com a utilização da água de piscicultura em relação à água de
abastecimento. Verificou-se também que as três qualidades de água
proporcionaram teores semelhantes de macro e micronutrientes nas folhas das
mudas, com exceção do azoto e do boro, cujos teores foram maiores nas mudas
fertirrigadas com o efluente de esgoto.
Em relação às espécies, de modo geral, concluiu-se que o Eucalyptus
urograndis' apresentou maior crescimento que o E. grandis e o E. urophylla.