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EuPTCVHe0872-07542014000100011

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National varietyEu
Year2014
SourceScielo

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Caso dermatológico QUAL O SEU DIAGNÓSTICO?

Criança do sexo feminino, com dois anos de idade, sem antecedentes pessoais e familiares relevantes. Vive com os pais e uma irmã em meio urbano, com boas condições sócio-económicas. Sem animais domésticos. Segunda a mãe, a criança apresentava uma lesão anular ligeiramente pruriginosa localizada na região vulvar, com quatro semanas de evolução. A criança foi inicialmente observada em Pediatria sendo medicada para uma dermatite irritativa das fraldas. Por aumento progressivo da lesão a criança foi referenciada à consulta de dermatologia (Figura_1).

Ao exame objetivo observava-se uma placa eritematosa, policíclica com centro claro e bordo elevado ocupando toda a área vulvar. O restante exame objetivo era normal.

Qual o seu diagnóstico?

DIAGNÓSTICO A observação de uma placa eritematosa anular com centro mais claro e crescimento centrífugo sugere o diagnóstico de uma tinha do corpo.

COMENTÁRIOS A dermatite irritativa das fraldas é realmente uma das afeções cutâneas mais frequentemente observada em crianças da primeira infância, sobretudo nos países desenvolvidos. Estima-se que afeta entre 25-65% das crianças(1,2). Embora possa ocorrer em qualquer idade é mais frequente entre os 6 e os 12 meses de idade e clinicamente caracteriza-se por um eritema confluente de aspeto brilhante, que varia de intensidade ao longo do tempo. Atinge sobretudo as áreas de maior contato com as fraldas, poupando carateristicamente as pregas, esboçando uma imagem em W. Existem vários fatores que parecem estar implicados na sua fisiopatologia (hiperhidratação, fricção, temperatura elevada, irritantes químicos, a urina e as fezes), podendo por vezes originar quadros clínicos graves, recorrentes e resistentes à terapêutica(3). São esses os casos que realmente devem ser referenciados para a Dermatologia. A melhoria na qualidade do material das fraldas têm contribuído nos últimos anos para uma diminuição da dermatite irritativa das fraldas e por essa razão existem várias hipóteses de diagnósticos diferenciais que devem ser colocados, como a dermatite de contacto alérgica, candidose, dermatite seborreica, dermatite atópica, psoríase e as dermatofitoses. A dermatitte de contato alérgica é pouco comum em crianças com menos de dois anos de idade(4). Clinicamente caracteriza-se por lesões simétricas nas faces laterais das nádegas, padrão em Lucky Luke (coldre das pistolas). A candidose é uma infeção fúngica por Candida albicans,provocada pelo ambiente húmido e quente da fralda(5). Caracteriza-se por um eritema vermelho vivo brilhante e lesões em colarete satélites localizadas nas pregas.

A dermatite seborreica é mais frequente no 1 º mês de vida e geralmente observamos um eritema com descamação, mas ausência de lesões satélites. A Dermatite atópica raramente afeta a área das fraldas, no entanto deve ser considerada em crianças com lesões crónicas e história pessoal de dermatite atópica. A psoríase é rara em crianças. O aparecimento de lesões na área da fralda sugere geralmente uma resposta a um traumatismo crónico (fenómeno de Koebner).

Nesta caso em particular, a clínica sugere o diagnóstico de uma dermatofitose.

As infeções fúngicas estão entre as doenças infeciosas mais frequentes observadas na prática clínica de um Dermatologista(6). A constante modificação dos hábitos sociais em meio urbano, como maior acessibilidade a piscinas e balneários, o aumento do número de animais domésticos têm contribuído para um aumento das infeções fúngicas em crianças e adolescentes.

As dermatofitias, ou tinhas, são causadas por fungos que crescem em estruturas queratinizadas da epiderme, cabelos e unhas.

As infeções fúngicas são contagiosas e podem ser transmitidas por contato direto, pelo solo ou por objetos como por exemplo, pentes, roupas e superfícies de chuveiros ou piscinas. Também podem ser transmitidas pelo contato com animais domésticos portadores do fungo ou infetados.

A apresentação clínica das dermatofitias varia com a localização anatómica, mas também com o estado imunológico do hospedeiro, fatores ecológicos e epidemiológicos dos dermatófitos. Pode variar desde uma descamação discreta até reação inflamatória exuberante no local da infeção.

As lesões cutâneas de uma tinha do corpo geralmente caracterizam-se por manchas eritematosas, arredondadas, anulares ou policíclicas, de tamanho variável, bem delimitadas e cobertas por descamação branca fina. O bordo geralmente é mais eritematoso e elevado, e as lesões têm geralmente um crescimento centrífugo. O prurido é muito variável.

Apesar do diagnóstico ser clínico, a resposta ao tratamento com antifúngicos corrobora o diagnóstico clínico, que em caso de dúvidas pode ser confirmado por exame microscópico direto e cultura.

Na ausência de tratamento adequado a infeção pode ter uma evolução clínica persistente. O tratamento com antifúngicos tópicos, como ostriazóis, imidazóis e alilamina, geralmente são eficaz(7). Os antifúngicos sistémicos (itraconazol, terbinafina), devem ser reservados para casos com lesões extensas e resistentes aos antifúngicos tópicos, com as dividas reservas específicas para este grupo etário.


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