Um passado com futuro
INVITED SPEAKERS / COMUNICAÇÕES POR CONVITE
CC-12
Um passado com futuro
Daniel SerrãoI
IUniversidade Católica Portuguesa, Porto, Portugal. E-mail:
spserraodaniel@gmail.com
O Instituto de Genética Médica Doutor Jacinto de Magalhães tem um passado que é
a garantia de ter futuro; um futuro que vai poder ser criado e vivido sem
destruição do passado.
Porque acompanhei, de perto, a sua vida desde que o saudoso Doutor Jacinto de
Magalhães o concebeu, posso apresentar um depoimento sobre todos os sucessos
que marcaram a sua existência, sobre a forma como foi sendo fragilizado e sobre
a esperança que se abre com o seu acolhimento no Centro Hospitalar do Porto.
Para o seu arranque foi necessário que tivesse autonomia financeira e
administrativa, com um Director nomeado directamente pelo Ministro da
Saúde e com ele resolvendo as decisões a tomar para que o Instituto crescesse
rapidamente e sem os controlos burocráticos que tudo resolvem com lentidão. Com
a instalação e o desenvolvimento muito avançados tornou-se naturalmente
necessária a integração do Instituto na estrutura geral do Ministério e a
aceitação progressiva do controlo burocrático-administrativo: orçamento
próprio, quadro de pessoal científico, administrativo e técnico.
Esta evolução foi-se processando, com alguns acidentes de percurso, at é que
uma reforma dos organismos do Minist ério da Saúde, levada a cabo pelo Ministro
Correia de Campos, originou a sua perda de identidade e a integra ção no
Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. Esta integra ção não teve o
benefício que era antecipado pelas convicções do Ministro, nem quanto às
economias, nem quanto à funcionalidade, nem no que respeita ao enquadramento do
pessoal nele existente. A dist ância física entre Porto e Lisboa, e a di
ficuldade em explicar as necessidades financeiras e outras para um regular
funcionamento, originou um período de grande instabilidade com saída de alguns
investigadores, acolhidos noutras institui ções, e com uma dramática
instabilidade para os que permaneceram fiéis ao espírito de Jacinto de
Magalhães, de um Instituto com uma vertente cl ínica e uma vertente de
investiga ção avançada ao serviço da resolução dos problemas clínicos. Tudo
estava parado, em Lisboa, a aguardar decisões que não apareciam, nem boas nem
más.
A decisão superior de integrar o Instituto nas actividades de investigação do
Centro Hospitalar do Porto, surge como uma solução inteligente, direi mesmo
sábia, para dar a esta questão uma saída honrosa para todas as partes e com um
potencial de crescimento no futuro que presta homenagem à memória de Jacinto de
Magalhães e à sua visão profética do futuro da Genética Clínica e de
investigação.