Atrésia brônquica: caso clínico
POSTERS
PM-13
Atrésia brônquica ' caso clínico
Mariana Matos MartinsI; Inês AzevedoII; José Aires PereiraI
IServiço de Neonatologia, Hospital Pedro Hispano ' Unidade Local de Saúde de
Matosinhos
IIUnidade de Pneumologia Pediátrica, Serviço de Pediatria, Centro Hospitalar
São João
Introdução:A atrésia brônquica é uma doença congénita rara com predominância no
sexo masculino, em que tem prevalência estimada de 1.2 casos por 100.000. O
diagnóstico pré-natal é possível mas, na maioria dos doentes, o diagnóstico é
feito radiologicamente de forma acidental na 2ª ou 3ª décadas de vida e dois
terços desses doentes estão assintomáticos.
Os autores apresentam o caso de uma criança com cl ínica respiratória no
período neonatal interpretada como consequente a pneumonia cong énita, sendo
posteriormente diagnosticada atrésia brônquica.
Caso clínico:Gestação de termo, vigiada, sem intercorrências. Ecografias
obstétricas normais. Parto traumático por ventosa após rotura prolongada de
membranas, com profilaxia antibiótica completa. I. Apgar 4/7/8 com necessidade
de reanimação neonatal avançada e internamento na UCIN. Apresentava gemido,
cianose, taquipneia e murmúrio diminuído na base direita. Radiografia pulmonar
em D1 de vida: diminuição do volume do hemitórax direito e hipotransparência na
base do lobo inferior direito (LID). Ecografia torácica em D9: atelectasia do
segmento posterior do LID. Durante o internamento manteve-se em ventilação
espontânea e sem necessidade de oxigenoterapia. Completou antibioterapia; alta
com diagnóstico de sépsis/ pneumonia congénita.
Por manter hipotransparência no LID realizou angioTAC torácica aos 42 dias de
vida que mostrou atelectasia total dos lobos médio e inferior do pulmão direito
com redução do volume do hemitórax, desvio mediastínico ipsilateral e ausência
de visualização do lúmen do brônquio intermédio. A broncofibroscopia aos 2
meses confirmou o diagnóstico. Sem outras anomalias congénitas, além de 5º arco
costal hipodesenvolvido. Seguimento regular com intercorrências respiratórias
normais para a faixa etária até à data.
Discussão:A clínica respiratória neonatal imediata é frequente, sendo diversos
os diagnósticos diferenciais. Neste doente a sintomatologia respiratória foi
provavelmente consequente ao quadro de sofrimento fetal e não secundária à
atrésia brônquica. O diagnóstico, em idade tão precoce, foi efectuado por
manutenção da imagem de hipotransparência, sendo que o conhecimento desta
alteração congénita permite um seguimento individualizado.
Com este caso, os autores querem salientar a necessidade de suspeição de
patologia pulmonar malformativa quando surge uma alteração radiológica
persistente, especialmente se acompanhada de sinais indirectos de assimetria
pulmonar.