Prevenir a hipotermia no perioperatório: revisão integrativa da literatura
Introdução
Durante um ato cirúrgico, grande parte dos utentes submetidos a anestesia ficam
hipotérmicos devido às alterações na termorregulação provocados, não só pelo
efeito anestésico, responsável por uma redução de 20% na produção metabólica de
calor, mas também devido ao ambiente frio da própria sala operatória. A
hipotermia surge quando a temperatura corporal está abaixo dos 36ºC (Galvão,
Liang, & Clark, 2010).
A temperatura corporal central é um dos parâmetros fisiológicos mais
rigorosamente controlados do organismo. O sistema termorregulador humano
permite variações de 0,2 a 0,4ºC em torno de 37ºC para manutenção das suas
funções metabólicas (Galvão et al., 2010). Quando a temperatura não se encontra
neste intervalo há ativação do hipotálamo e consequentemente dos seus
mecanismos de termorregulação. Estas incluem vasoconstrição ou vasodilatação
dos shunts arteriovenosos periféricos, termogénese sem shivering (contração
muscular involuntária) ou aumento da produção de calor pelo tecido adiposo
castanho, particularmente nas crianças, shivering e suor (Campbell, 2008).
Porém, segundo Burns, Piotrowski, Caraffa, e Wojnakowski (2009), estes
mecanismos compensatórios são insuficientes em 50 a 90% dos atos cirúrgicos,
ocorrendo a hipotermia.
A hipotermia pode causar consequências graves como diminuição do fluxo
sanguíneo, disritmias cardíacas, aumento das necessidades de oxigénio,
diminuição do metabolismo, alterações na função plaquetária e maior
suscetibilidade a infeção da ferida cirúrgica. O shivering (resposta motora
somática involuntária que ocorre em músculos esqueléticos de produção de calor
durante a exposição a ambientes frios ou durante o desenvolvimento de febre) é
uma das complicações menores, mas muito frequente aquando da anestesia e
cirurgia, e que os utentes referem como sendo desconfortável. O surgimento de
complicações resultará em maior tempo de internamento, necessidade de
permanência na unidade de cuidados intensivos e, consequentemente, aumento dos
custos de cuidados de saúde (Hong-Xia, Xbi-jian, Hong, & Zhiqing, 2010;
Burns et al., 2009).
Na indução da anestesia há inibição do mecanismo de vasoconstrição responsável
pela manutenção da temperatura. Deste modo ocorre vasodilatação, há um maior
aporte sanguíneo para as extremidades, aumenta a perda de calor corporal e o
utente fica hipotérmico. No caso da anestesia loco-regional, há um bloqueio
periférico da vasoconstrição abaixo do nível do bloqueio, resultando também em
perda de calor corporal. A combinação destes dois tipos de anestesia produz uma
desregulação da temperatura ainda mais acentuada (Campbell, 2008; Burns et al.,
2009; Kamal & Hussein, 2011).
Este mecanismo de perda de calor passa por três fases. Inicialmente, os
anestésicos provocam uma rápida diminuição na temperatura central (1-3ºC),
resultante da redistribuição súbita de sangue da região central para a região
periférica. Nas próximas 2 a 3 horas, a perda de calor continua mas o declínio
da temperatura é menos acentuado. Por último, ocorre o equilíbrio,
caracterizado pela contínua produção metabólica de calor, gerando um plateau na
temperatura que é capaz de restabelecer o gradiente normal entre os
compartimentos (Burns et al., 2009).
No período perioperatório é essencial ter em consideração os fatores de risco
de hipotermia. A evidência apresenta-nos como fatores de risco: a idade
(crianças e idosos), baixo índice de massa corporal, utentes vítimas de trauma,
sépsis e queimaduras, pressão sistólica no período pré-operatório inferior a
140 mmHg, técnica anestésica, temperatura da sala operatória, duração do ato
operatório, entre outros (Hooper et al., 2010; Torossian, 2008; Burns et al.,
2009). Porém, segundo Hooper et al. (2010), os fatores de risco da hipotermia
implicam correlação mas não causa-efeito, ou seja, o utente pode apresentar
fatores de risco e não desenvolver hipotermia.
Pelo supracitado, no período perioperatório a monitorização da temperatura
corporal, enquanto intervenção de Enfermagem, torna-se fundamental. Esta pode
ser monitorizada a nível central ou em locais mais acessíveis, periféricos,
cujos valores de temperatura se aproximam do valor da temperatura central.
Segundo as recomendações da American Society of PeriAnesthesia Nurses (Hooper
et al., 2010), a monitorização da temperatura deve ser realizada sempre pela
mesma via, pois existem pequenas diferenças de valores dependendo do local onde
esta é monitorizada.
Quando se verifica diminuição da temperatura corporal, o aquecimento do utente
é uma intervenção crucial para a prevenção da hipotermia. A determinação dos
métodos mais eficazes de aquecimento perioperatório vai permitir aumentar o
conforto do utente, diminuir as alterações hemodinâmicas do utente, diminuir o
tempo de permanência na Unidade de Cuidados Pós Anestésicos (UCPA) e,
consequentemente, diminuir os custos com os utentes submetidos a cirurgia
(Burns et al., 2009). Os enfermeiros, como parte integrante da equipa do bloco
operatório, são um elemento fundamental na manutenção da normotermia.
Existem diversos métodos de aquecimento, podendo estes ser ativos ou passivos.
Como métodos passivos existem, entre outros métodos menos comuns, os cobertores
de algodão, campos cirúrgicos aquecidos, cobertores isotérmicos (space
blankets) e aumento da temperatura do bloco operatório. O sistema de ar-
forçado, os cobertores de aquecimento, colchões e vestuário com circulação de
água quente, irradiação de calor e medidas adjuvantes (fluidos intravenosos e
de irrigação aquecidos, gases anestésicos quentes e humidificados) constituem
os métodos de aquecimento ativo usados na atualidade (Torossian, 2008; Hooper
et al., 2010).
Assim, existem inúmeras intervenções a implementar, descritas em vários estudos
e que orientam a prática de Enfermagem, em três momentos: período pré-
operatório, intraoperatório e pós-operatório (Burns et al., 2009).
Para uma melhor compreensão dos resultados desta revisão integrativa da
literatura, tivemos como referência o protocolo para a promoção da normotermia
no perioperatório, baseado em evidências clínicas, realizado pela American
Society of Perianesthesia Nurses, em 2009 - ASPAN's Evidence-Based Clinical
Practical Guideline for the Promotion of Perioperative Normothermia (Hooper et
al., 2010). Este protocolo classifica a força e qualidade da evidência segundo
uma escala. As escalas de classificação da evidência orientam os clínicos na
avaliação da resistência e qualidade das pesquisas sobre uma determinada
questão em estudo. Os critérios de interesse incluem a viabilidade e o risco
versus benefício da aplicação da recomendação na prática. Stetler (2001 cit.
por Hooper et al, 2010) classifica a força da evidência desde o nível I, que
consiste numa revisão sistemática e estatística de múltiplos estudos
controlados (por exemplo, meta-análise), a um nível VIII, o qual consiste na
opinião de consenso de autoridades respeitadas (por exemplo, um grupo de
formulação de protocolos a nível nacional). A qualidade da evidência também é
classificada de A a D, sendo que o nível A reflete o estudo de maior qualidade
e D representa informações derivadas de estudos com baixo nível de qualidade.
Assim, de acordo com as guidelines da ASPAN (Hooper et al., 2010) os métodos de
aquecimento ativo são necessários: Na fase pré-operatória se a pessoa está
hipotérmica (Classe IIb, nível B). No pós-operatório, se a pessoa está
hipotérmica, em adição às intervenções para manter a normotermia deve-se
aplicar o sistema de ar-forçado (Classe I, nível A); considerar medidas
adjuvantes: fluídos intravenosos quentes (Classe IIb, nível B) e oxigénio
quente e humidificado (Classe IIb, nível C). No intraoperatório, procedimentos
com um tempo de anestesia antecipada menos de 30 minutos, se a pessoa está
hipotérmica antes da indução anestésica e/ou apresenta fatores de risco para o
desenvolvimento de hipotermia; os métodos de aquecimento ativo devem ser
implementados (Classe I, nível A). A evidência sugere que os diferentes métodos
de aquecimento ativo podem manter a normotermia por si só ou usados em
combinação com o sistema de ar-forçado (Classe IIb, nível B). Essas medidas de
aquecimento incluem: fluídos intravenosos quentes (Classe IIa, nível B);
fluídos de irrigação quentes (Classe IIb, nível B); roupas/colchões com
circulação de água quente (Classe IIb, nível B); irradiação de calor (Classe
IIb, nível B); gel pad (Artic Sun) aquecimento da superfície (Classe IIa, nível
B); aquecimento resistivo (Classe IIa, nível B).
Esta problemática surgiu no âmbito do nosso exercício profissional enquanto
enfermeiros em Bloco Operatório, visando contribuir para a qualidade dos
cuidados prestados ao utente e optimização da gestão dos cuidados de saúde.
Assim, pareceu--nos importante questionar: quais os métodos de aquecimento
ativo mais eficazes para prevenir a hipotermia no perioperatório? Desta forma,
o objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia dos sistemas de aquecimento
ativo no pré e intraoperatório, para a prevenção da hipotermia no
perioperatório.
Procedimentos Metodológicos de Revisão Integrativa
O benefício último da investigação reside não só na geração de novo
conhecimento, como também na tradução do conhecimento em estratégias,
tecnologias e intervenções que são efetiva e adequadamente administradas para
beneficiar as pessoas ( ) (Organização Mundial da Saúde, 2005; cit. por ARS
Norte I.P., 2012).
Metodologicamente, foi realizada uma revisão integrativa da literatura com
recurso a material científico publicado em diversas bases de dados. Procurou-se
sumarizar as evidências relacionadas com o tema em estudo, reorganizando os
dados e informação e interpretando os significados.
Através do motor de busca EBSCO, a pesquisa foi realizada nas bases de dados
CINAHL e MEDLINE, no período de fevereiro a setembro de 2012. A seleção dos
artigos foi realizada com recurso às palavras-chave: hipotermia (hypothermia),
enfermagem perioperatória (perioperative nursing), anestesia (anaesthesia) e
reaquecimento (rewarming); pesquisadas em todo o texto. Para a combinação dos
descritores foram utilizados os operadores lógicos disponíveis nas ferramentas
de busca, assim como os filtros para exclusão de artigos de anos anteriores a
2007. Perante os resultados da pesquisa, incluíram-se na revisão aqueles que
foram publicados nos últimos cinco anos (2007-2012); com texto completo; em
inglês, espanhol ou português. E excluíram-se artigos relativos a grávidas e
utentes neurocríticos; estudos em que a hipotermia constituía um estado
induzido e tinham o seu foco nas variáveis que condicionam a hipotermia;
artigos de opinião, protocolos e estudos ainda em curso também foram excluídos.
Por fim, selecionaram-se os artigos que abordam as estratégias de prevenção da
hipotermia não intencional no perioperatório. A tabela ilustra os critérios de
inclusão e exclusão dos artigos (Tabela_1).
O processo de identificação e seleção dos artigos decorreu em três etapas. A
primeira etapa consistiu na leitura dos títulos dos artigos identificados na
pesquisa, de forma a excluir aqueles que não iam de encontro aos critérios de
inclusão previamente estabelecidos. Posteriormente, a seleção/exclusão dos
artigos para a continuação deste processo foi realizada com base na leitura do
resumo. Por último, os artigos cuja informação no resumo era suficiente e
obedecia aos critérios de inclusão e aqueles cujo resumo era incompleto ou
suscitava dúvidas foram analisados na íntegra.
Dois investigadores realizaram este processo de seleção e análise dos artigos,
de forma independente. Quanto ao processo de seleção, em cada etapa do mesmo,
em caso de divergência ou dúvida, ambos os investigadores analisavam o resumo
do artigo; ou se ainda assim, a informação do mesmo não fosse suficiente,
analisavam integralmente o artigo, de forma a decidir a sua inclusão/exclusão
do estudo.
No processo de extração de dados, criaram-se tabelas para facilitar a análise
dos artigos. Um dos investigadores procedeu à extração dos dados, enquanto o
outro confirmou a autenticidade dos dados recolhidos. Na análise dos estudos,
procurou--se extrair dados relativos à publicação em si e ao método empregue no
desenvolvimento do estudo, contemplando a identificação dos seguintes aspetos:
tipo de estudo, procedimento amostral, tamanho da amostra, intervenção,
objetivo e principais resultados.
Resultados e Interpretação
Dos 30 artigos obtidos no processo de seleção inicial, selecionaram-se sete
para análise integral, sendo que dois destes foram eliminados pelos objetivos
não corresponderem à questão de investigação em estudo.
Dos sete estudos incluídos na revisão, um é uma meta-análise, outro é um estudo
caso-controlo e cinco são ensaios clínicos randomizados e correlacionais, ou
seja, estabelecem relações de causalidade entre as variáveis dependentes/
independentes que estiverem em estudo.
Os investigadores analisam a eficácia de diferentes métodos de aquecimento
ativo e medidas coadjuvantes (administração de fluídos intravenosos aquecidos);
maioritariamente no período intraoperatório (cinco estudos); sendo que apenas
uma das evidências encontradas faz referência à utilização de métodos de
aquecimento no pré-operatório. Relativamente à técnica anestésica, os
participantes foram submetidos a anestesia geral/sedação profunda em seis dos
sete estudos. A tabela sintetiza os principais aspetos de cada uma das
evidências (Tabela_2).
Abordaremos de seguida cada método de aquecimento ativo: administração de
fluídos aquecidos, roupas com circulação de água, ar-forçado, radiação, método
de fibra de carbono, aquecimento condutivo Gel Pad, manta térmica e sistema
resistivo (Hot Dog). Relativamente à administração de fluídos aquecidos no
intraoperatório, os estudos dizem que constituem um método eficaz na manutenção
da temperatura central (próxima da normotermia) (Hong-Xia et al., 2010).
Concomitantemente, minimiza as alterações hemodinâmicas do utente, reduz a
prevalência de shivering no pós-operatório e o tempo de internamento (Hong-Xia
et al., 2010). Os investigadores Andrzejowski, Turnbull, Nandakumar, Gowthaman,
e Eapen (2010) referem no seu estudo que todos os fluídos intravenosos devem
ser aquecidos para minimizar a incidência de hipotermia perioperatória; o
objetivo do seu estudo era comparar dois sistemas de aquecimento de fluídos, o
cabinet e o in-line, tendo aferido que estes são idênticos. Contudo, outros
pesquisadores recomendam a sua associação com outras medidas de aquecimento
(Hong-Xia et al., 2010).
No que concerne às roupas com circulação de água, os investigadores Galvão et
al. (2010), concluíram na sua meta-análise que este é o meio mais eficaz para a
manutenção da temperatura e para prevenção de hipotermia comparativamente com
os sistemas de aquecimento de ar-forçado, por radiação ou método de fibra de
carbono. No entanto, o sistema de aquecimento por ar-forçado (convecção) é mais
eficaz do que os sistemas de aquecimento passivos e sistemas por radiação ou
método de fibra de carbono. O que é suficiente para confirmar a vantagem, em
termos de custos-eficácia, dos sistemas de ar-forçado em relação aos sistemas
passivos de aquecimento, como o cobertor; mas insuficiente para mostrar a
vantagem das roupas com circulação de água.
Os investigadores Kadam, Moyes, e Moran (2009) compararam o aquecimento por ar-
forçado com o aquecimento por radiação, tendo concluído que ambos são eficazes
na manutenção da temperatura intraoperatória e na prevenção da hipotermia
perioperatória, não apresentando diferenças estatisticamente significativas
entre eles. Todavia, o sistema de aquecimento por radiação requer maior nível
de vigilância na sua aplicação.
O sistema de aquecimento condutivo Gel Pad resulta numa temperatura corporal
mais elevada no intraoperatório e menor incidência de hipotermia em oposição
aos utentes que não utilizaram nenhum método de aquecimento ativo.
Simultaneamente, elimina a perda de calor por condução, reduz o risco de
úlceras de pressão e diminui a necessidade de medidas adicionais de
aquecimento, como sistemas de aquecimento convectivo, aquecimento de fluídos
intravenosos ou aumento da temperatura ambiente (Wagner, Smith, & Quan,
2010).
Quanto à manta térmica com fluxo de ar aquecido, esta é um meio eficaz para
prevenção da hipotermia intraoperatória quando é utilizada desde 30 minutos
antes da indução anestésica até 120 minutos após o início da anestesia
(Bernardis, Silva, Gozzani, Pagnocca, & Mathias, 2009). O uso em simultâneo
da manta térmica com fluxo de ar aquecido a 42ºC e o colchão com circulação de
água quente, demonstrou ser mais eficaz do que cada um dos métodos utilizados
isoladamente. Para além disso, apenas a associação dos dois métodos foi capaz
de impedir o surgimento de hipotermia no período de recuperação pós-anestésica
(Pagnocca, Tai, & Dwan, 2009).
Em análise das evidências encontradas e comparativamente com as guidelines
desenvolvidas pela ASPAN (2009), podemos aferir alguns factos, entre eles que a
administração de fluídos intravenosos aquecidos deveria constituir uma medida
adjuvante da manutenção da normotermia em todos os utentes submetidos a
procedimentos cirúrgicos/anestésicos e desde a sua admissão no bloco operatório
(pré-operatório) (Andrzejowski et al., 2010; Hong-Xia et al., 2010). Para além
disso, que a associação de métodos de aquecimento ativo é mais benéfica que o
recurso a um único método: os fluídos intravenosos aquecidos devem ser
associados a outros métodos (Hong-Xia et al., 2010); e encontramos também
evidência sobre a vantagem da associação do método condutivo ao método
convectivo ' colchão com circulação de água quente associado à manta de ar
aquecido a 42ºC (Bernardis et al., 2009). O sistema de ar-forçado é o método de
aquecimento mais vantajoso em termos de custo-eficácia, quando comparado com o
sistema resistivo ' Hot Dog ' o sistema de radiação (manta elétrica) e as
roupas com circulação de água quente (Kadam et al., 2009; Galvão et al., 2010);
os investigadores referem que as roupas com circulação de água quente são mais
eficazes na prevenção da hipotermia do que o sistema de ar-forçado. Todavia, a
relação custo-benefício tem de ser tida em conta, e os dados obtidos neste
estudo são insuficientes.
Os enfermeiros envolvidos no processo de decisão relativamente à aquisição dos
sistemas de aquecimento devem estar atentos ao facto das roupas com circulação
de água constituírem o meio mais eficaz para evitar a hipotermia. Uma maior
pesquisa é necessária para determinar os custos totais destes sistemas
competitivos (Galvão et al., 2010).
Conclusão
A hipotermia no período perioperatório é uma condição que afeta grande parte
dos utentes cirúrgicos. Condição esta que pode resultar num aumento do tempo de
recuperação, do tempo de internamento, custos, e diminuição da satisfação do
utente.
Os sistemas de aquecimento ativo (sistema de ar-forçado, os cobertores de
aquecimento, colchões e vestuário com circulação de água quente, irradiação de
calor) são comummente utilizados para prevenir a hipotermia durante o
procedimento anestésico/cirúrgico, sendo que estes demonstram ser mais eficazes
na manutenção da temperatura corporal do que os sistemas de aquecimento passivo
(cobertores de algodão, campos cirúrgicos aquecidos, cobertores isotérmicos e
aumento da temperatura do bloco operatório).
Desta revisão integrativa da literatura, evidencia--se que todos os métodos de
aquecimento ativo previnem a perda de calor corporal; no entanto quando
comparados, uns são mais eficazes que outros, sendo que as roupas de circulação
de água e o ar-forçado constituem os métodos mais eficazes.
Verificamos também que a associação de métodos de aquecimento ativo é mais
benéfica que o recurso a um único método.
Esta revisão integrativa da literatura tem como limitações: a análise de
artigos apenas em inglês, espanhol e português; os artigos disponibilizados
apenas nas bases de dados utilizadas.
O conhecimento da equipa de profissionais de saúde sobre os efeitos da
hipotermia e dos variados métodos para a sua prevenção são fundamentais para
promover cuidados de qualidade, com uma relação custo-efetividade adequadas.
Sugerimos estudos de investigação futuros tanto a nível nacional como
internacional sobre os diversos métodos de aquecimento ativo, bem como a sua
comparação, uma vez que a hipotermia condiciona tanto a saúde do utente como um
aumento dos custos de saúde. Neste momento a Cochrane Collaboration encontra-se
a realizar três revisões sistemáticas da literatura, que darão com certeza um
grande contributo nesta área.