Estudo da relação entre a Atividade Física e a função respiratória: análise da
composição corporal e dos valores espirométricos de alunos Portugueses e
Italianos
INTRODUÇÃO
A literatura científica é unânime em considerar que a prática regular de
atividade física (AF) proporciona efeitos positivos sobre o organismo, nos
diversos órgãos e sistemas (Dias et al., 2008), e que, por sua vez, a
inatividade física/sedentarismo tem influência no sobrepeso e obesidade (Padez,
Fernandes, Mourão, Moreira, & Rosado, 2004), podendo provocar uma síndrome
restritiva, pelo acumular de gordura peritorácica e abdominal, podendo originar
diminuição dos volumes pulmonares (He et al., 2009; Silva, Boin, Pareja, &
Magna, 2007).
Mesmo sendo um prognosticador débil da gordura corporal, o Índice de Massa
Corporal (IMC) é bastante útil devido à sua relação direta com vários
indicadores de saúde, ou seja, à medida que aumenta o IMC, aumenta também o
risco de complicações cardiovasculares, alguns cancros, diabetes mellitus,
osteoartrite e doença renal, daí a sua importância em termos epidemiológicos
(McArdle, Katch, & Katch, 2011). Por sua vez, o perímetro da cintura (PC)
permite avaliar a distribuição central da gordura corporal, sendo esta medida
importante na avaliação do risco cardiovascular, pelo facto de ser forte
preditora da quantidade de gordura visceral, principal responsável pelo
aparecimento de alterações metabólicas e de doenças cardiovasculares (Pereira,
Sichieri, & Marins, 1999; Rizzo, Ruiz, Hurtig-Wennlöf, Ortega, &
Sjöström, 2007). O sobrepeso e a obesidade estão também relacionados com o
aumento do risco da disfunção respiratória, sendo que a prevalência dos
sintomas aumenta, quanto maior for o IMC e o PC (Sahebjami, 1998).
A espirometria é o exame que mensura capacidades e débitos pulmonares, a partir
de manobras respiratórias padronizadas, comparando-os com padrões de referência
para a altura, o sexo, a idade e estados diferenciados de saúde, como o perfil
tabágico (Rodrigues et al., 2002). Averigua a existência de obstrução ao débito
de ar, ou seja, se as vias aéreas têm alguma anormalidade, ou se o volume dos
pulmões está normal.
Diversos estudos que relacionam o desempenho respiratório, em indivíduos com
idades e hábitos díspares, e a prevalência de sobrepeso e obesidade (Chinn,
2005; Rubinstein, Zamel, DuBarry, & Hoffstein, 1990) consideram ter
identificado alterações ao nível do sistema respiratório, especialmente a
redução dos volumes e capacidades pulmonares: volume de reserva expiratória,
volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), capacidade vital forçada
(CVF) e das taxas de débito expiratório.
As complicações respiratórias como a intolerância ao exercício, a asma e a
apneia do sono são constantes em adolescentes e jovens obesos, podendo limitar
a prática de AF e desportiva, dificultando a perda de peso (Chinn, 2005; de Sá
Pinto, de Barros Holanda, Radu, Villares, & Lima, 2006). Com o aumento da
deposição de gordura na cavidade torácica e na cavidade abdominal, progressivas
alterações podem ocorrer na função respiratória (Fung, Lau, Chow, Lee, &
Wong, 1990). Tais modificações nesta função são mais comuns na obesidade
central, em que a acumulação de tecido adiposo se localiza, principalmente, na
região da cintura (Collins, Hoberty, Walker, Fletcher, & Peiris, 1995; Sue,
1997).
A gordura armazenada na cavidade abdominal, designada de ginóide, exerce,
provavelmente, um efeito mecânico direto na caixa torácica e no diafragma, por
um mecanismo de compressão, que, por sua vez, limita a expansibilidade
pulmonar, causando diminuição dos volumes pulmonares (Paulo, Petrica, &
Martins, 2013; Sue, 1997). Desta forma, a obesidade e o padrão de distribuição
da gordura corporal podem influenciar os resultados da função respiratória
(Lazarus, Sparrow, & Weiss, 1997).
Deste modo, a avaliação dos valores espirométricos representa uma ferramenta
essencial para o diagnóstico de patologias pulmonares. A CVF é o volume
eliminado em manobra expiratória forçada desde a capacidade pulmonar total até
ao volume residual. A CVF é um teste importante porque, durante a expiração, um
indivíduo pode atingir o limite do débito máximo, mas, como a curva define o
limite para o débito, ela é altamente reprodutível e, mais importante, o débito
máximo é muito sensível na maioria das patologias comuns que afetam o pulmão
(Salas et al., 2011). Outro volume avaliado e de extrema importância é o VEF1,
que corresponde à quantidade de ar eliminada no primeiro segundo da manobra
expiratória forçada. Também o Débito Expiratório Máximo Instantâneo (DEMI) é um
indicador importante da espirometria.
A presente investigação teve como principal objetivo averiguar qual a
influência e a relação da AF na composição corporal (IMC e PC) e nos valores
espirométricos (CVF, DEMI e VEF1), verificando se há correlação entre os
valores da composição corporal e os volumes pulmonares dos sujeitos da amostra,
investigando as diferenças entre os dois países.
MÉTODO
Amostra
A amostra foi composta por 179 indivíduos voluntários de ambos os sexos (85
Italianos e 94 Portugueses), aparentemente saudáveis, com idades compreendidas
entre os 18 e os 31 anos, com uma média de idades de 21.94 anos (DP ± 2.56).
Todos os sujeitos da amostra são alunos do ensino superior público, em Itália e
em Portugal. A amostra foi selecionada por conveniência, mas foram
estabelecidos, em ambos os países, os mesmos critérios de inclusão a fim de se
selecionarem os sujeitos. Todos os indivíduos tinham que ser alunos do Ensino
Superior público, tinham que preencher os requisitos para um dos três grupos da
amostra, não apresentar contraindicações para a prática de exercício físico e
consentimento positivo para a participação no estudo (incluindo a realização de
todas as avaliações).
Neste estudo, a amostra foi dividida em três grupos, por país, de acordo com
critérios subjacentes ao questionário: GESC+EXERC: grupo de 64 alunos (22
Italianos e 42 Portugueses), praticantes de AF e desportiva com exercício
supervisionado (programa multicomponente) com intensidade periodizada,
participantes de atividades letivas (aulas práticas de distintas modalidades) e
extracurriculares (clubes, ginásios, entre outros), com 4 sessões/semana no
mínimo; GESCOLA: grupo de 66 alunos (36 Italianos e 30 Portugueses) praticantes
de AF e desportiva, participantes de atividades letivas, com exercício
supervisionado com intensidade periodizada, com 2 sessões/semana no mínimo;
GSEDENTÁRIOS: grupo de 49 alunos (27 Italianos e 22 Portugueses) sedentários
(tabela_1).
Instrumentos
Questionário de AF
Aplicou-se uma adaptação de um questionário validado por Telama, Yang, Laakso,
e Viikari (1997) que apenas teve como objetivo constituir critério para a
divisão e seleção da amostra, pelos diferentes grupos, e não recolher dados
fulcrais para as variáveis dependentes, facto que levou a que não fosse
necessária a sua validação, para este estudo.
Estatura
Os valores de estatura foram mensurados em metros com aproximação aos
milímetros através de um estadiómetro SECA (Germany, Hamburg), considerando o
plano de referência do solo e o vértex, atendendo às padronizações sugeridas
por Gordon, Chumlea e Roche (1991).
Massa corporal
A massa corporal foi medida em Kg, através de uma balança digital, SECA 708
(Germany, Hamburg) com aproximação às centésimas, estando os sujeitos descalços
com roupa leve (Gordon et al., 1991).
Para o IMC (kg/m2), as classificações utilizadas foram as da World Health
Organization (1998).
Perímetro da cintura
Relativamente ao PC, os valores foram mensurados com uma fita Métrica
(Rosscraft) em fibra de vidro, de dois metros, e com resolução de 1 mm, de
acordo com procedimentos recomendados (Callaway et al., 1988).
Espirometria
Finalmente, para a mensuração dos valores espirométricos (DEMI, VEF1 e CVF),
recorreu-se ao espirómetro Microquark da Cosmed. A espirometria é um teste que
auxilia no diagnóstico, na prevenção e na quantificação dos distúrbios
ventilatórios, sendo realizada durante uma manobra expiratória forçada. Pela
sua complexidade, a sua realização exige a compreensão e colaboração do
paciente, equipamento calibrado (através de seringa apropriada) e utilização de
técnicas padronizadas empregadas por pessoal especializado. Os valores obtidos
devem ser comparados aos previstos para determinado grupo populacional e a sua
interpretação feita à luz dos dados clínicos e epidemiológicos. O espirómetro
mensura o volume de ar expirado, especialmente útil na análise dos dados
derivados da manobra expiratória forçada, seguindo o protocolo de acordo com as
recomendações de Miller et al. (2005). Os sujeitos da amostra apresentavam
caraterísticas clínicas, aparentemente saudáveis, tendo sido devidamente
selecionados os parâmetros do programa da Cosmed.
Procedimentos
Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética da Faculdade de Ciências da
Saúde da Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal. Foi obtida
autorização por escrito dos sujeitos avaliados, por meio do termo de
consentimento livre e informado, sendo estes antecipadamente informados do
âmbito e objetivos do estudo, bem como da salvaguarda dos dados individuais.
Todas as instruções relativas aos procedimentos foram apresentadas para que
cada sujeito recebesse as mesmas indicações. Foram respeitadas as normas
internacionais de experimentação com humanos (Declaração de Helsínquia, 1975).
Os critérios subjacentes à seleção dos sujeitos dos dois grupos estudados eram
comparáveis nas suas principais variáveis socioeconómicas e biológicas
(confirmado com a aplicação do questionário), além dos testes terem sido
aplicados com a mesma técnica e os mesmos aplicadores.
Análise Estatística
Relativamente aos procedimentos estatísticos, recorrendo ao Software SPSS 19.0,
na primeira análise, procedeu-se à verificação da normalidade da amostra
(Kolmogorov-Smirnov). Para a variável que apresentou distribuição normal
(VEF1), utilizou-se a Análise de variância (Anova), através do teste LSD. Para
as restantes variáveis, que não apresentaram distribuição normal (IMC, PC, CVF
e DEMI), procedeu-se à utilização do teste Mann-Whitney.
Para as análises da correlação, utilizámos o teste de correlação não-
paramétrico de Spearman. Adotou-se para ambas as análises um nível de
significância de 5%.
RESULTADOS
Para a análise entre as variáveis categóricas, são apresentados, numa primeira
fase, os resultados através da média e desvio padrão. Na tabela_2, e numa
primeira análise, verifica-se que o GESC+EXERC_PORTUGALapresenta valores médios
absolutos mais favoráveis em todos os indicadores avaliados comparativamente ao
GESCOLA_PORTUGAL, o mesmo se verificando na comparação com o
GSEDENTÁRIOS_PORTUGAL, à exceção da CVF, que é semelhante.
Relativamente ao GESC+EXERC_ITÁLIA, este apenas apresenta valores mais
favoráveis ao nível dos valores espirométricos, comparativamente ao
GSEDENTÁRIOS_ITÁLIAe ao GESCOLA_ITÁLIA, porque apresenta valores mais elevados
em relação aos indicadores de composição corporal, principalmente no PC.
Na comparação dos 3 grupos de cada país, entre si, podemos observar na tabela_3
que, ao nível da composição corporal, para o IMC e o PC, quer os Portugueses,
quer os Italianos apresentam diferenças estatisticamente significativas (p >=
.05) e muito significativas (p>= .01) entre o GSEDENTÁRIOS e o GESC+EXERC,
apesar de no caso dos alunos Italianos, serem os sedentários a apresentar os
melhores resultados para o IMC. Já para os valores espirométricos avaliados,
podemos verificar que, também aqui, para a VEF1 e o DEMI, ambos os países
apresentam diferenças estatisticamente significativas (p >= .05) entre o
GESC+EXERCcomparativamente ao GSEDENTÁRIOS e ao GESCOLA. Relativamente à CVF,
os dois países apresentam diferenças estatisticamente significativas na
comparação entre o GESC+EXERCe o GSEDENTÁRIOS.
Para a comparação entre os grupos homólogos dos dois países, podemos verificar
que, para a composição corporal (IMC e PC), apenas o GESC+EXERCapresenta
valores semelhantes. Quer o GSEDENTÁRIOS, quer o GESCOLA, apresentam diferenças
estatisticamente significativas (p >= .05) e muito significativas (p >= .01)
para este indicador. Nesta comparação, os alunos Italianos apresentam os
resultados aparentemente mais favoráveis, com valores de IMC e PC mais baixos.
Relativamente aos valores espirométricos avaliados, para a CVF, verificamos
diferenças estatisticamente significativas entre os 3 grupos dos dois países,
manifestando os alunos Portugueses resultados conducentes a indicadores mais
favoráveis. Para os outros indicadores (DEMI e VEF1), apenas se verificam
diferenças estatisticamente significativas entre o GESCOLA, sendo também os
alunos Portugueses a revelar resultados aparentemente mais favoráveis.
Correlação
Um dos objetivos deste estudo pretendia verificar a correlação entre as
variáveis de estudo. Desta forma, podemos observar na tabela_4 que, quer para
os alunos Portugueses, quer para os alunos Italianos, em todos os grupos,
verifica-se uma correlação positiva muito significativa estatisticamente (p <=
.01) entre o IMC e o PC, com coeficientes de correlação elevados. Desta forma,
à medida que aumenta o IMC, há também uma tendência para aumentar o PC.
Também na mesma tabela, relativamente às restantes variáveis, para os grupos de
Portugal, observamos que apenas se verificam correlações negativas,
estatisticamente significativas (p<= .05) entre o IMC e a CVF para o
GESCOLA_PORTUGALe entre o PC e o DEMI para o GSEDENTÁRIOS_PORTUGAL. Assim, para
estes grupos, à medida que aumenta o IMC e o PC, há uma tendência para
diminuírem os valores da CVF e DEMI, respetivamente. Verificamos ainda uma
correlação positiva, estatisticamente significativa (p <= .01), entre o IMC e a
CVF, para o GESC+EXERC_PORTUGAL.
Podemos ainda verificar na tabela_4 que, relativamente aos alunos Italianos, há
uma correlação positiva, estatisticamente significativa (p <= .05), entre o IMC
e a CVF e entre o IMC e o DEMI, para o GESCOLA_ITÁLIA. Ainda no mesmo grupo
verificamos uma correlação positiva, estatisticamente significativa (p <= .01),
entre o IMC e o VEF1. Verificamos também uma correlação positiva, na mesma
ordem de grandeza, entre o IMC e o DEMI, para o GESC-EXERC_ITÁLIA. Para os
grupos de Itália o PC não ostenta correlação com nenhuma variável
espirométrica.
DISCUSSÃO
Um dos objetivos do presente estudo pretendeu verificar se a AF supervisionada
e planificada poderá estar relacionada, influenciando a composição corporal
(IMC e PC) e os valores espirométricos (CVF, DEMI e VEF1) dos alunos
Portugueses e Italianos. Os resultados obtidos parecem reforçar a importância
da prática da AF orientada e supervisionada, na manutenção e melhoria dos
valores espirométricos e da composição corporal, comparando com atividades e
estilos de vida sedentários (Chinn, 2005; de Sá Pinto et al., 2006; Dias et
al., 2008; Padez et al., 2004; Paulo et al., 2013; Silva et al., 2007).
Relativamente à composição corporal, procurou-se verificar se os indivíduos
mais ativos apresentavam valores inferiores e mais ajustados em relação aos
sedentários, encontrando-se diferenças significativas e muito significativas em
relação a algumas comparações entre os grupos, principalmente entre o
GESC+EXERCe o GSEDENTÁRIOSde cada país.
Na comparação entre os dois países, para os valores de composição corporal,
verificámos que apenas o GESC+EXERC apresentou valores semelhantes. Para os
outros dois grupos, os alunos Italianos apresentam valores mais favoráveis,
estatisticamente aceitáveis. Uma explicação plausível será um maior gasto
energético, no grupo dos praticantes de atividades físicas com prescrição
planificada, sendo que também o tipo de alimentação e de hábitos de vida,
determinados culturalmente, podem influenciar as diferenças. Apesar de a dieta
alimentar não ter sido controlada nem prescrita aos sujeitos da amostra,
sabemos que esta é um fator que pode influenciar alguns indicadores avaliados,
pois, de acordo com Slentz et al. (2004), a combinação de uma dieta equilibrada
e AF regular formam o meio mais efetivo do controlo do peso.
Relativamente aos valores espirométricos avaliados (CVF, DEMI e VEF1), o
GESC+EXERCapresenta os melhores resultados, para os dois países, mostrando
diferenças estatisticamente significativas em algumas comparações entre os
grupos. Desta forma, parece que a prática de exercício físico supervisionado
parece contribuir para a manutenção de valores espirométricos adequados,
diminuindo assim o risco de patologias respiratórias . Na comparação entre os
dois países, para os valores espirométricos avaliados, os alunos Portugueses
apresentam os valores mais elevados e mais favoráveis, com diferenças
acentuadas no GESCOLA, podendo, no entanto, acontecer que a fórmula de cálculo
do valor predito seja influenciada, principalmente, pelas caraterísticas
antropométricas dos sujeitos.
Verificámos uma correlação positiva, muito significativa, entre as variáveis da
composição corporal, para os dois países. Desta forma, os nossos resultados
indicam que, à medida que aumenta o IMC, o PC tem também tendência para
aumentar, podendo indicar uma maior possibilidade de deposição de gordura na
região abdominal, predizendo um eventual aumento da quantidade de gordura
visceral, principal responsável pelo aparecimento patologias cardiovasculares
(Paulo et al., 2013; Pereira et al., 1999; Rizzo et al., 2007).
No nosso estudo, para os alunos de ambos os países, não é evidente que o
aumento do IMC e do PC contribuam de forma relevante para a diminuição dos
valores espirométricos avaliados, isto porque não se verificou correlação
negativa, aceitável estatisticamente, entre alguns dos valores, o que também se
verificou em outros estudos (Dockery, Berkey, Ware, Speizer, & Ferris,
1983; Fung et al., 1990) Mas, por outro lado, houve alguns desses valores
espirométricos que revelaram correlação negativa com a composição corporal,
mostrando assim, tal como noutros estudos (Chen, Horne, & Dosman, 1993;
Inselma, Milanese, & Deurloo, 1993; Paulo et al., 2013), que as elevações
dos valores de composição corporal (IMC e PC) poderiam acarretar diminuição na
função respiratória. O sobrepeso e a obesidade estão também relacionados com o
aumento do risco de sintomas respiratórios (Sahebjami, 1998), ou seja, a
prevalência dos sintomas aumenta, quanto maior for o IMC ou a circunferência da
cintura.
Distintos mecanismos têm sido propostos como possíveis efeitos da obesidade na
função respiratória. As anomalias mais comummente referidas são a redução da
capacidade residual funcional e do volume expiratório de reserva, devido à
diminuição da expansibilidade da parede torácica, da compliance pulmonar e da
maior resistência das vias aéreas (Zerah et al., 1993).
Limitações e Sugestões
Depois de uma reflexão exaustiva sobre os resultados e experiências retiradas
da consecução deste estudo propomos algumas sugestões para futuros estudos,
nesta área de investigação. Pensamos que, utilizando instrumentos semelhantes,
os estudos longitudinais, com grupo de controlo e grupo(s) experimental(ais),
com pré-teste e pós-teste, são mais efetivos, se o programa de exercício for
ajustado, visto que este tipo de estudo (experimental), controla mais variáveis
que podem influenciar os resultados, sendo as conclusões mais concretas.
Uma das problemáticas deste tipo de estudo passa pelas limitações ao nível da
recolha de dados, mesmo depois de delimitar a amostra. Este tipo de estudo, com
a aplicação destes instrumentos, com protocolos tão rígidos e demorados, levam
a que muitos dos sujeitos, individualmente, ou aos que estão inseridos em
instituições, muitas das vezes se recusem participar nas investigações, não
dando consentimento. Outro problema, associado ao que acabamos de reportar,
prende-se com o facto de que, para sujeitos menores de idade, ser obrigatório
o preenchimento de um termo de consentimento informado, assinado pelo
encarregado de educação. Fica, para este indicador, uma chamada de atenção
para, no momento da seleção da amostra, ter em conta todos estes alvitres, para
evitar constrangimentos.
Outro aspeto que seria interessante estudar, seria associar a estes parâmetros
avaliados, alguns indicadores de aptidão física/capacidade funcional, com a
aplicação de uma bateria de testes específica, visto que também surge a
possibilidade de variar as idades dos sujeitos da amostra, o que levaria a
aplicar testes de baterias validadas, de acordo com a faixa etária a eleger.
Finalmente, uma referência a um parâmetro de composição corporal utilizado
neste estudo, o IMC. Este indicador, apesar de ser bastante utilizado em
estudos epidemiológicos, revela uma margem de erro elevada, principalmente
quando utilizado com indivíduos que praticam exercício físico frequentemente.
Apesar de todas as lacunas deste parâmetro e estando nós conscientes delas
optámos pela sua utilização visto ser um indicador utilizado em inúmeros
estudos deste género, sendo mais um indicador a ter em consideração.
Os aspetos que acabámos de referir são, naturalmente, apenas alguns,
conscientes de que imensas perguntas sem resposta vagueiam neste preciso
instante pela mente de variadíssimos investigadores e outros profissionais que
têm a necessidade de, para além da imensa informação científica sobre esta
matéria, poderem melhorar a cientificidade da temática em causa.
CONCLUSÕES
Os resultados evidenciam que, na comparação entre os dois países, os alunos
Italianos apresentam resultados mais favoráveis nos indicadores de composição
corporal (IMC e PC) avaliados, já para os valores espirométricos mensurados, os
alunos Portugueses apresentam resultados mais elevados.
Verificamos ainda que, tanto os alunos Portugueses, como os alunos Italianos
que praticam exercício supervisionado, regular e com intensidade planificada,
apresentam valores mais favoráveis a um bom estado de saúde comparativamente
aos alunos sedentários.
Os resultados parecem evidenciar que as atividades físicas supervisionadas e
com objetivos quanto à intensidade e tipo de exercício, de forma continuada e
regular, consolidam uma melhoria na composição corporal e na funcionalidade
pulmonar, comparativamente a alunos sedentários que recorrem sistematicamente a
estilos de vida pouco ativos, independentemente do país. Estes indicadores
evidenciam que estilos de vida sedentários podem causar alterações negativas
nos valores de composição corporal e nos valores espirométricos, limitadores da
funcionalidade do dia-a-dia e, possivelmente, também da prática de atividades
físicas. Com base nestes indicadores, cremos ser de importância considerável a
criação de mais estratégias e incentivos para a prática de atividades físicas
supervisionadas nas instituições de Ensino Superior e, quem sabe, proporcionar
a introdução de unidades curriculares de cariz prático, com exercício
supervisionado, nos planos de estudos de todos os cursos deste nível de ensino,
independentemente da área de formação, podendo estas ser optativas.