Sobre o ensino na Universidade: Notas esparsas
FINALIDADE DESTE ARTIGO
Este texto é um esboço de reflexão sobre o ensino na universidade e visa tão-só
situar e expor um rol de perguntas, e partilhar notas esparsas, quais sementes
dormentes acabadas de germinar no solo da vida académica mais recente [2].
Certas observações e interpelações indiciarão as respostas pessoais, mas o que
aqui e agora mais importa é que elas possam suscitar réplicas, um novo pensar e
outras demandas. Para lá dos perfis dos alunos, dos cursos e disciplinas
leccionadas, convém dizer que, enquanto docente, a inquietude primeira tem sido
a de ajudar a cultivar o alfobre do pensar sociológico - necessariamente
crítico - sobre a problemática do desenvolvimento do meio rural em Portugal,
com particular ênfase para a agricultura. Sempre pensámos e ensinámos que este
domínio do saber é vital e, portanto, estratégico: comer é, em regra, um acto
diário, mas, no plano global, o acesso aos mercados alimentares é
escandalosamente desigual[3]. Ao invés do que é vulgar pensar-se, à sociedade
rural e à agricultura se une intimamente o estado geral do país e a evolução do
nosso planeta[4].
TRÊS ALICERCES DESTA REFLEXÃO
A este artigo subjaz sobretudo o ciclo dos últimos quatro anos do percurso de
vida e de ensino na UTAD, de 1977 até hoje, mas ele fica ainda a dever-se, em
grande medida, ao constante repto à reflexão e à praxis pedagógica por parte de
vários amigos e colegas[5]. A obra Transforming Agricultural Education, que foi
publicada nos EUA em 2009, constitui um terceiro alicerce. Trata-se de uma obra
colectiva de três, organizações sob, digamos, a batuta do National Research
Council of the National Academies. As ditas organizações são o Committee on a
Leadership Summit to Effect Change in Teaching and Learning; Board on
Agriculture and Natural Resources; Board on Life Sciences; Division on Earth
and Life Studies. A edição ficou a dever-se a The National Academies Press,
Washington, D.C.[6]
Esta obra começou a desenhar-se a partir da conferência Leadership Summit to
Effect Change in Teaching and Learning, em Washington, D.C., entre 3 a 5 de
Outubro de 2006 e, após um longo e participado processo de gestação, foi ainda
revista por 14 personalidades, as quais estavam ligadas a nove distintas
universidades americanas, a várias entidades e ilustres sociedades científicas,
bem como a organizações de agricultores e unidades agro-industriais. Em suma, a
fonte que compulsei, embora muito marcada pelo quadro sociocultural e político-
institucional norte-americano, é uma obra de teor amplo, profundo e rico, um
caso exemplar de seriedade e zelo no tratamento do seu objecto e, portanto, uma
base sólida para uma reflexão aprofundada noutros contextos.
URGE MUDAR O QUADRO DO ENSINO UNIVERSITÁRIO?
Sabemos todos, ou não, que vivemos num mundo cada vez mais micro e veloz? Será,
pois, insensato que nos demos ao esforço de nos pensarmos globalmente e
adiante, seja como nação, regiões-plano, ou escolas? Por exemplo, que tipo de
economistas e gestores antevemos para o mundo de 2015-2025, mundo este já tão
próximo? Na era da corrosão do carácter[7] e da incerteza diária, deverá um
jovem economista, qual transformer toy, ficar apto a mudar-se em sociólogo ou
filósofo, e um tempo depois ser capaz de se remodelar em CEO ou MD[8]
(especialistas em psicologia de grupos?), para, uma vez sénior, se converter de
novo à fé, mas agora a fé numa outra economia[9]? À saída da escola, quais as
várias línguas que esses licenciados e mestres deverão dominar? E como alcançar
isso, se a mestria da língua-mátria for apenas a do inculto[10]? Sendo pobre a
maioria da população mundial e sendo as nações muito desiguais, que economia
lhes será apresentada: a hegemónica e/ou as outras?
Quanto a engenheiros agrónomos, silvicultores e zootécnicos, que havemos de
pensar fora da caixa? Num tempo em que os alhos nos chegam da China e as
cebolas do Peru, convém também indagar: que sistemas de organização agrária, ao
nível planetário, poderão ser estudados, entendidos e talvez melhorados pelos
ex-alunos das escolas agrícolas nacionais? Mesmo que tão-só focados nas
agriculturas europeias reguladas burocraticamente até ao detalhe[11], faz algum
sentido que ensinemos a agricultura como um sector económico (a-histórico e
associal?) e, ainda por cima, um sector dissociado dos campos da alimentação,
da saúde e do ambiente[12]? Numa era em que nos perguntamos se ainda há
pastores e em que ocorrem grandes incêndios rurais, convém saber, em última
instância, qual o senso de leccionar especialidades de especialidades acerca de
uma floresta inexistente? Ou seja, quando a que está vigente se acha
desprotegida de pastagens e de campos (adjacentes e intercalares) e desapegada
da sociedade lusa, que desconsegue cuidar dela? Ou qual é o propósito de reger
acerca duma floresta que, na esfera da aprendizagem, acaba por estar desgarrada
das inovações tecnológicas e do design ao redor da cortiça, da madeira e do
papel, essas matérias-primas absolutamente fascinantes?
Perguntemo-nos: para nós, docentes, a agricultura é seriamente percepcionada
como um sistema, uma totalidade muitíssimo complexa e (des)integrada, com
fronteiras abertas e moventes? Ou é, pelo contrário, um único e estático foco
de atenção, que tornamos redutível à nossa mais querida especialidade
infradisciplinar? A agricultura, com A maiúsculo, que ensinamos contribuirá, ou
não, para matar sustentavelmente a fome global? E que subsídios incessantes
concederá ao nosso país?
Mesmo definida de um modo preambular, não se justifica que uma renovada ciência
agronómica, autociente do seu valor, caminhe e se afirme nas escolas de
ambiente, alimentação, saúde, economia e finanças? Por que razão isto tarda?
Note-se que a agricultura pode ser, com e sem razão, percepcionada como inimiga
do ambiente[13] e este, não raro, ora é tomado como travão à economia, ora como
um vero inimigo do Homem. Os diários económicos transbordam de doutas opiniões
sob aquele prisma. Quanto à segunda óptica - a de o Homem se tornar um
supranumerário do ambiente -, basta que se tire a temperatura ao sentir do povo
nas chamadas áreas protegidas. Neste quadro de pura ilusão, claro que essas
terras são apenas alegadamente tuteladas. Quem pisa o terreno sabe bem que, in
loco, as gentes e as armas dos fracos, sempre dissimuladas, são muito mais
fortes do que, no geral, se admite. As pequenas histórias, por exemplo, do
contrabando, dos baldios, ou da emigração a salto, comprovam isso mesmo.
Ainda neste intróito, reconheça-se que o ensino-aprendizagem tem três faces,
tal como sucede com a moeda não-papel: a cara, a coroa e a superfície que as
une. Sim, qualquer euro é um cilindro circular recto, cuja altura é diminuta, a
espessura da moeda. Parece-nos, pois, que não é coisa de somenos indagar o
seguinte: enquanto docentes, tratamos de zelar, com igual probabilidade, da
coroa do ensino e da cara da aprendizagem, ou vice-versa? E de que modo
cuidamos da sua junção? Unilateral ou bilateralmente? Ou seja, atentamos no
cariz duplo e na grandeza da espessura da moeda? Admitimos ser igualmente
aprendentes? As interacções com os alunos, as lições e métodos de cada
professor, os processos de ensino-aprendizagem instituídos, enfim, a pedagogia
escolar, juntam ou afastam aquelas faces? Entre o ensinar e o aprender, qual é
a distância? A respectiva escala é a atómica, como a da nanotecnologia, ou, ao
invés, é a dos anos-luz da astronomia? No fundo, os cursos e as unidades
disciplinares centram-se no débito ininterrupto, quiçá monocórdico, dos
docentes, ou o foco está no trabalho individual e de equipa (com camisola
vestida) dos alunos? Inclui-se na equação do ensino-aprendizagem, por exemplo,
a motivação, a autonomia e a criatividade dos aprendentes? E a que altura se
põem essas fasquias?
Admito estar enganado, mas parece-me que incompreensões, cegueiras e interesses
de comparsas justificam cargas horárias, tanto de uns, como de outros, que nos
precipitam, a todos e irremediavelmente, no abismo do ninguém tem tempo para
nada, um nada que é tamanho. Trata-se do ler, imaginar, reler. Pensar, criar e
repensar. O mesmo se diga quanto ao escrever, experimentar, discutir, testar e
reescrever. Ora, vem a propósito citar duas frases excelsas do Padre António
Vieira[14]:
Para aprender não basta só ouvir por fora, é necessário entender por dentro.
O mestre na cadeira diz para todos, mas não ensina a todos. Diz para todos,
porque todos ouvem, mas não ensina a todos, porque uns aprendem, outros não.
As dicotomias confinam os debates, mas, dada a falta de espaço ora disponível e
visto que este texto é, digamos, um balão-de-ensaio, contentemo-nos com outro
par de perguntas gerais: o ensino-aprendizagem no campo da agricultura faz-se
fria e longinquamente, portas escolares adentro? Ou tem, pelo menos, um sinal
de mangas arregaçadas e mãos na massa extramuros? E quanto aos domínios da
gestão e da economia, qual é a norma? Não é sabido que as visitas de estudo, os
estágios curtos, as colheitas de dados in loco, as saídas de campo dos
projectos de pesquisa, entre outras práticas, avivam a alma dos alunos para o
estudo entre quatro paredes? Mas, assim sendo, por que razões se erguem amiúde
barreiras, mal se proponha uma mudança na praxis habitual de dar as aulas?
Manifestamente, o outlier pedagógico ver-se-á enredado em relações custo/
benefício ruinosas.
Mas, do lado oposto, que pensar, e que fazer, quando vemos, ano após ano, que
bastam uns pingos de chuva para afugentar futuros agrónomos da leitura de um
perfil de solo, isto logo ali no campus da UTAD? Ou que pensar e que fazer
quando, no laboratório, os futuros zootécnicos se sentem incomodados por
sujarem as mãos, ao pedir-se-lhes que façam uma bola de solo humedecido, para
assim procederem à determinação expedita da textura do solo? Que pensar e que
fazer quando um pré-licenciado em silvicultura revela só conhecer perfis de
solos por meio de monólitos e por via de imagens da net? Entre outras razões,
haverá as que nos remetem para irracionalidades do sistema escolar, fora e
dentro da universidade, para excessos de pasmo frente à TV e, talvez ainda,
para a falta do leite materno e da bússola paterna.
Certo, a tais casos convém contrapor outros que espelham ânimo, vigor e
iniciativa por parte dos alunos sedentos de curiosidade e repletos da vontade
de esquadrinhar o mundo, começando pelo hábito salutar de buscar the latest
news and blog posts,a par de iniciativas, projectos e prémios. Por vezes, a sua
demanda só acha oferta satisfatória além-fronteiras escolares: no net surfing;
na aventura da viagem sonhada; na exploração da mata e gruta ignoradas; na
vivência do voluntariado; nas horas do part-time ou do on call work; ou até na
candidatura a sucessivos concursos e jogos com oferta de euros e fama.
Comparativamente, os professores podem ser uma grande seca: os colegas,
parvos, fixes, sonhadoras, bem-humorados, etc.; a escola não mais do
que uma loja de conveniência, um não-lugar[15], ou mesmo um sítio pouco
saudável, propício ao desnorte e ao tédio; à solidão e à depressão, enquanto o
mundo lá fora - cá dentro, através dos media e Internet -, alimenta desejos
fundos e reflecte promessas cintilantes.
Agora, dum novo ângulo de observação, que pensar, e que fazer, se verificamos
que as numerosas escolas superiores de agricultura disseminadas pelo país[16],
ano após ano, não logram criar e manter entre si redes fortes de cooperação,
seja no ensino, na difusão do saber extramuros, ou na investigação[17]?
Igualmente, que pensar, e que fazer, quando observamos, no geral e ao longo do
tempo, que cada escola é um arquipélago de ilhéus inexpugnáveis, só fraca e
ocasionalmente unidos? Seja por um protocolo ou convénio formal, só de boas
intenções repleto, seja, caso mais raro ainda, por um ou outro docente-
investigador insubmisso à cultura imperante no gueto? Para lá dos laços
pessoais e informais (em regra irregulares), o que há, a não ser uma pobreza
extrema de projectos e acções a juntar ex-licenciandos e ex-mestrandos às suas
escolas, mesmo quando todos estes viraram docentes no ensino superior?
Perante paradoxos gritantes, imobilismos inaceitáveis e mudanças estonteantes
dentro da aldeia global, onde vivemos, teremos, ou não, de fazer melhorias e
rupturas no statu quo do ensino na universidade? Parece-me que sim e tarda a
hora, pois o passo não pode ser maior que a perna, e depressa e bem há pouco
quem[18].
CONHECEMOS OS ALUNOS? MELHOR, AMAMO-LOS?
Mesmo que seja tão-só no final da sua carreira, um professor pode chegar à
conclusão - sem dúvida, perturbadora - de que, não amando os seus alunos, não
os conhece[19]. E, não os conhecendo, ignora o que os move por dentro, ou seja,
o impulso mais fundo, o sopro que pode iniciar o fogo e a luz do conhecimento
partilhado.
Mas simplifiquemos a questão cognitiva e indaguemos à superfície: o que
conhecemos dos nossos alunos e alunas? A aparência das unhas de cores variadas
e pontuado florido, ou a essência do seu trajecto no LycéeFrançaisde Porto? O
body piercinge/ou o seu cosmopolitismo e vício de viajar? A tradição musical
na família e/ou a dedicação à paróquia, ou a sua permanência Erasmus timbrada
na Polónia? A sua carreira como servente (de pedreiro, primeiro; de trolha,
depois; e de carpinteiro, a seguir) e, por ora, de pintor, ou a sua perdição
por cinema com pipocas? A instrução secundária na escola profissional privada
num concelho do interior, e/ou o seu gosto pelos desportos radicais, e/ou o seu
aplauso ao Ensaio sobre a Cegueira?
Conhecer o outro é, sem dúvida, uma meta difícil e inacabável, mas é consabido
que ensinar com algum sucesso reclama um mínimo de interconhecimento pessoal
entre o docente e os discentes, e quanto mais abundante for esse capital, tanto
melhor, pois todos estimularão o vaivém aprender-ensinar-aprender. Enquanto
docentes, temos, portanto, de nos interrogar sem cessar: escutamos os alunos?
Que sabemos nós da front region e da back region, as deles e as nossas[20]?
Para o joshua92@hotmail.com, quem são os seus trios e quartetos de eleição,
para ócio e/ou negócio, seja este o estudo de caso ou além disso? Que
conhecemos nós dos seus estilos de vida e das interacções regulares que mantêm?
Ao invés do que se possa julgar, não se trata aqui de colher informação
trivial, pois a pesquisa na esfera da educação transmite-nos, entre muitas
outras, três ideias-chave, que merecem adopção imediata: a) uso o que já sei
para chegar a um novo saber; b) aprendo ao meu próprio estilo, o qual é, em
grande medida, uma função do legado da vida vivida, dos interesses amadurecidos
e por aí adiante; c) a aprendizagem é reforçada por interacções que sejam
socialmente legitimadas e apoiadas. Dito de outro modo, sob um adequado clima
de interacção social, o que aprendo floresce[21].
É consabido que a ocupação escolar se entretece com a vida pessoal, familiar e
social, e que a aprendizagem de qualquer pessoa é um processo complexo em que
se jogam variáveis como a motivação para aprender e o esforço consequente, a
estima pelo saber, o quanto o aprendente vai aprendendo e, assim, o quanto se
vai entusiasmando no seu itinerário do fazer-aprender-ensinar. Talvez ajude à
reflexão aqui em curso ilustrar estes pontos com base na experiência pessoal. A
Marta[22], por exemplo, aluna isenta de pagamento de propinas, define-se como
feminista e abomina a discriminação salarial entre homens e mulheres, estando
assim muito sensível à leccionação sobre o emprego, o desemprego e a
inactividade; a Júlia, aluna aplicada, já sabe mais das três contabilidades - a
formal, a do saco azul e a que é exposta ao banco, ao pedir-se-lhe crédito - do
que aquela que no curso aprende, e sabe tudo isto precisamente porque já ajuda
na firma paterna. Mantém com esta uma relação muito afectuosa. Por sua vez, os
colegas Zita e Gaspar, noctívagos inseparáveis - ela miss do curso, ele mister
deejay-, têm ambos, actualmente, a sua vida pessoal e escolar ensombrada pelo
facto de os respectivos pais estarem separados.
Como se pode esperar, o trilho pedregoso do interconhecimento não se percorre
sem simpatia, empatia e um grau mínimo de confiança mútua. Enquanto docentes,
que traços de personalidade e esboços dos quadros de vida, de estudo e de
trabalhoidentificamos nas turmas? Turmas? Sim, há, mas são compostas de uma
população flutuante, de configuração variável de aula para aula, de grupos de
alunos que se desconhecem entre si e cujos estatutos[23], atitudes e condutas
são inimaginavelmente diversos. Neste contexto, como colher uma percepção,
fugaz que seja, do seu saber, saber-fazer, talentos e paixões? Como filtrar
temores, fraquezas, preconceitos, opiniões e queixas? Enfim, como ponderar os
seus percursos e posições? Temos e/ou buscamos as condições para isso? Sem um
entendimento mínimo acerca do saber, do querer e do ser daquele que é o
receptor da nossa pose, prosa e prédica, como aquilatar o afastamento e a
apatia de uns, ou o interesse e o entusiasmo de outros? Como lançar cordões
entre discentes e docentes-investigadores, se estes não são capazes de os
situar individualmente, se não têm nem meios nem ocasião para sondar o seu
quadro de vida próprio? Como projectar pontes entre o conhecimento (escolar e
extra-escolar) dos alunos e o novo saber disciplinar (aquele que ainda ignoram
e é leccionado) e, eventualmente, o saber novo gerado pelo professor et alii?
Claro, o ensino e a aprendizagem não se desligam do quadro de relações sociais
em que o aluno está envolvido, mas há o problema muito difícil de o docente
poder desconhecê-lo em larga, ou mesmo larguíssima, medida. Lembro, a
propósito, um episódio de agressividade, então surpreendente e incompreendida,
e a fuga às aulas por parte de Ismael, tudo resultado, afinal, do abalo causado
pela notícia de que à sua namorada fora detectado um cancro na cabeça. Recordo
ainda Inês, natural de Cete, Paredes, a filha do meio numa fraternidade de sete
irmãos, que, uma vez portas adentro de casa, não tinha trégua: ou cuidava dos
mais novos, ou tratava das lides domésticas, ou auxiliava no bar dos pais.
Fechado o negócio, poderia, exausta, embezerrar frente à TV. Contou ela ao seu
grupo de trabalho:
Para esta cadeira vou estudar cá [em Vila Real]. Em casa não dá, a televisão
está sempre ligada. Mal chego, se posso, é logo: não resisto, sento-me a ver.
Cisões, cansaços e alheamento podem converter-se em opostos, basta por vezes um
acaso ou uma vivência. Foi o caso, por exemplo, da flama de João e Luís, amigos
inseparáveis, logo depois de terem rasgado os horizontes do seu mundo de então
através do programa Erasmus na Grécia. A relação entre o trabalho não escolar e
o estudo é igualmente complexa, como ilustram os casos de Hugo, filho de
comerciante, e Mário, filho de madeireiro. Recordo-os como alunos sempre muito
atentos, ao invés de todos aqueles para quem é normal fazer algo distinto de
ouvir o docente ou um colega-orador: por exemplo, sobre a carteira fazer planos
para a Queima das Fitas e sob a carteira digitar SMS sem conta; explorar na net
outros sítios que não o indicado como foco da aula prática. Ser capaz de
prestar atenção e de se concentrar, hábitos essenciais dos ofícios de mestres e
discípulos, e que são amiúde escassos - por má gestão do sono, inclusive -,
pode ter subjacente um traquejo de trabalho, tanto voluntário como assalariado.
Hugo, barman numa discoteca em Braga, ao descrever numa aula a sua ocupação
regular, sabática, nocturna, expôs de modo conciso e claro à turma a seguinte
rotina: Ao sábado, dia e noite, trabalho duro; ao domingo durmo; à semana,
aqui, em Vila Real, estudo. Por sua vez, Mário, bombeiro, treinou os sentidos
da visão, da audição e do autocontrolo. O seu estado constante de vigilância e
prontidão é já traço imanente. Como Hugo, emitia sinais não-verbais de que
seguia palavra e gestos do ensinante.
Notemos ainda que, em regra, enquanto professores, estamos cientes do que
esperamos que os alunos saibam, mas é, talvez, bem maior (e deveras
significativa) a nossa ignorância acerca do que eles já sabem e, igualmente, do
que procuram saber. Gil, por exemplo, não fazia a mínima ideia do que é uma
lavoura ou um baldio, mas simultaneamente conhecia bem a história dos Steves (o
Jobs e o Wozniak) e já se pusera em campo para decidir para onde emigrar:
Brasil, Angola ou, quiçá, Alemanha. Jorge, apicultor e filho de apicultor, é
naturalmente um especialista e bem conhece os baldios onde recolhe o mel das
suas abelhas. Mais, sempre que possível, inscreve-se em seminários apiários,
justificando assim a ausência a aulas muito menos apelativas. Rui, um louco por
motocross e um aluno cooperante, fizera um estágio prolongado na Força Aérea
Portuguesa, tendo-se convertido num expert em informática. Evitou, assim, que o
seu professor se tornasse um info-excluído, risco que permanece iminente a cada
dia que passa. Rute, nascida no Luxemburgo e já baptizada como caçadora,
percebeu mais rapidamente as noções de associação, grupo primário e ritos de
passagem do que os seus colegas sem tal experiência e sem qualquer outra
vivência associativa. Ana, ginasta, extrovertida e alegre, já licenciada em
Sociologia, amiúde virou assistente da disciplina, tendo sido um auxílio
inestimável para o seu próprio grupo de trabalho, em particular aquando da
realização do estudo de caso. Um último exemplo: Abel, nado e criado em França
e que fizera a experiência de trabalhar numa floresta alemã, onde, então, se
dera conta da cumplicidade entre técnicos e produtores, realçou junto dos
colegas a chamada de atenção que eu acabara de fazer quanto à fragilidade da
extensão e do associativismo florestal entre nós.
Para lá do espaço de participação que tento criar, na aula e fora dela, para
permitir ao aluno a autoconfiança, a expressão da sua experiência e o
compartilhar do saber já existente, a busca da sua identidade e perfil começa,
em regra, pelo pedido, logo na primeira aula, do respectivo curriculum vitae,
instando que a vida não escolar seja mencionada. Outras abordagens para se
iniciar o interconhecimento professor-aluno são facilmente imagináveis, embora
concretizá-las seja sempre um repto maior. Recordo, por exemplo, a tradição de
James Alrichks, um professor de Pedologia da Universidade de Purdue, cuja aula
inaugural era nada mais e nada menos do que um prolongado barbecue no relvado
da sua moradia. Devo acrescentar que o seu nome figura na lista dos Teaching
Award of Excellence Award Recipients[24]. Recebeu o prémio em 1971.
Volto ao início: temos e/ou buscamos as condições para conhecermos os nossos
alunos?
NOVAS TECNOLOGIAS, VELHA PEDAGOGIA?
A mudança social, crescente e veloz, perpassa estudantes, escolas,
metodologias. Enfim, é uma constante. Enquanto docentes, acompanhamo-la? Ou
vamos mesmo adiante dela?
Para lá de lamúrias e elogios breves a um ou outro caso, à hora do café nas
semanas de praxe e da latada, que lugar e tempo ocupam, na agenda dos docentes,
os alunos, a pedagogia, os seus-nossos resultados? Além da gestão miudinha do
retorno anual às aulas, da redacção de doutos pareceres e atribuição de
equivalências, há ocasiões de debate regular (e de extracção das devidas
lições) sobre o mundo infinito do ensino-aprendizagem, mesmo apenas no seio de
grupos informais? Quem nisto se compromete? Coordenadores de curso entusiastas
e alguns colegas mais? Conselhos pedagógicos apostados na riqueza maior que a
educação é? Ou, estes órgãos acham-se divididos em trupes e estas unidas por
clientelismos, não cumprindo a sua raison d'être?
Lastimo, mas a história de vida diz-me que é vulgar sacudirmos a água do capote
e enunciarmos belas intenções, mas escasseia a reflexão persistente e traduzida
em inovação organizativa e pedagógica. O curriculum implícito, ou seja, a
prática observável, não raro desmente o que é proclamado oficialmente. Expõe-se
a noção de kaizen, mas não se faz nenhuma melhoria que podia ser concretizada
no minuto imediato. Ou ensina-se o valor do plano estratégico e/ou do
marketing, mas nada disso se converte em cultura de trabalho in situ, no seio
do curso ou da escola.
Para lá da oferta de formação pedagógica dos docentes do ensino superior - hoje
notoriamente mais farta do que outrora, embora ainda surja de modo desconexo e
errático -, que respostas colhemos, por exemplo, às três perguntas seguintes:
a) existindo há mais de um lustro, que uso fazemos de plataformas colaborativas
(baseadas no conceito wiki e utilizadas para fins pedagógicos), como, por
exemplo, o wikispaces? b) mesmo tal fazendo, estamos, ou não, na situação
descrita por B. Brecht: as novas antenas continuaram a difundir as velhas
asneiras[25]?; c) o caudal impetuoso e crescente da Internet exclui, ou, por
assim ser, exige ainda mais aprendizagem a partir de resolução de problemas e
mais aprendizagem oficinal? Precisamos mais, ou não, de pés a calcorrear as
geografias da nação? mãos a colher rochas, plantas e animais? olhos postos em
telescópios virados ao céu? e, para não mais dizer, equipas de laboratório
testando protótipos, e núcleos de centros de pesquisa planeando o lançamento de
inovações radicais? O que nos faz falta: o vero mundo e/ou o universo virtual
cibernético?
A resposta parece evidente, mas torna-se mais firme ao sabermos que a pesquisa
sobre a aprendizagem corrobora a noção de que as práticas e as actividades em
que me comprometo - aquilo que faço de alma e coração - enquanto aprendo
moldam, efectivamente, o que aprendo.
O QUE APRENDO NA ESCOLA, NA UNIVERSIDADE?
A resposta imediata de um estudante normal à pergunta acima poderá ser esta:
Aprendo um pouco do que me ensinam os meus colegas nas aulas e fora delas, e,
por vezes, quase sem eu dar conta (não na praxe, pois aí a prática é forte);
ganho alguma prática no campus, por exemplo, num dia aberto fixe', ou no dia
do ambiente ou da árvore, ou numa tarde de empreendedorismo nice, em feiras e
oficinas disto e daquilo, enfim, tudo o que for espectacular; e daquilo que me
ensinam nas ucês' (UC, unidade curricular), decoro e fico com umas ideias
suficientes para passar, e isto assim é, tanto mais quanto a matéria agrade e
tanto menos quanto os prófes' forem uma seca.
Esta hipótese provocadora sublinha que o ensino-aprendizagem não se deveria
apartar da socialização dos alunos (isto é, dos seus efeitos incontornáveis)
nos bares, cantinas e residências universitárias, na Internet e na TV, nos
grupos de jogo de cartas, tunas, etc. É um, e o mesmo, aluno o Homo sapiens, o
ludens e o faber. Além disto, que é muito, a pesquisa na área da educação diz-
nos ainda que qualquer aluno entende mais facilmente quando o conhecimento (o
saber prévio que assimilou e o saber novo que vai descobrir) é estruturado ao
redor das noções-chave da disciplina em causa. Em suma, a integração da vida e
traquejo pessoal do aluno no processo de ensino surge como acção indispensável
à aprendizagem. Ora, tanto quanto me é dado observar, a praxis do ensino na
universidade roda agora, muito mais do que outrora, à volta do profissional
especializado, individualista, liberal, mais activo do que reflexivo, e até
mesmo fantástico: o JEEP - jovem empresário de elevado potencial, agrícola
inclusive; o produtor florestal ambientalista e, quiçá, caçador; o talentoso
inovador-empreendedor que funda e vende por todo o planeta a sua marca; o
economista ou o gestor incansável a subir na vida e na multinacional, etc.
Caímos, assim, na armadilha dos incontáveis cursos alegadamente aplicados, dos
ciclos curtos e expeditos, dos semestres que o não são e das UC soltas e
retalhadas em módulos, perdidas das precedentes e das subsequentes. Há ainda
uns exames escritos para alunos desconhecidos. As orais foram banidas. O que
sucederia se ressuscitassem? Diz-me a experiência que ficaríamos atónitos,
suspensos: não parece haver unidade ou elos entre a vida, o saber e o saber-
fazer. Admito estar enganado, mas, em regra, a realidade que perscruto entre os
meus alunos surge fragmentada e fragmentária.
Muito estranhamente, na universidade parece prevalecer a ignorância de que em
qualquer ocupação ou profissão não há um só posto de trabalho que possa
funcionar associalmente, ou seja, alheado da acção ou inacção de outrem. Somos
sempre interdependentes, o que, aliás, é facto crescente e incessante. O
mercado de trabalho e os patrões sabem isto muito bem e, não raro, o
recrutamento dos futuros funcionários, os designados colaboradores, faz-se
não pelo curriculum vitae e notas na área técnica, mas sim pelo rasgo e
qualidades não profissionais. O que conta é aquilo que faz a diferença. As
competências transversais, de banda larga, ou seja, as que são utilizadas em
campos diversos, constituem-se em factor crítico para a filtração (por via do
CV, entrevistas, testes e provas) dos aspirantes a estagiários e iniciados,
todos estes a manter debaixo de olho, isto se tiverem sido admitidos. Os mais
experientes dentre estes já sabem que é um must zelar pela good personal
appearance, pela personal energy e, sobretudo, pela personal chemistry, além,
evidentemente, de duas outras soft skills sem igual: understanding what the
world is all about e awareness of how business works. Claro, tudo isto é ainda
pouco e é preciso manter vivazes mais de meia centena de outros requisitos
alegadamente, digamos, moles[26].
Se assim é, na universidade, os docentes não deveriam atentar nesta questão tão
crucial quanto afastada das suas preocupações habituais? Não deveriam
interrogar-se sobre os modelos de aprendizagem não só das hard skills mas
também das soft skills?[27] Para estas, será preferível usar o modelo
inclusivo, ou o especializado? Ou é melhor uma abordagem mista, a integrar as
vantagens dos dois modelos?[28] Ou seja, criam-se UC em que se ensina, por
exemplo, como se trabalha em equipa? Ou os alunos, nas várias disciplinas,
fazem tarefas e resolvem problemas em grupo? E, assim fazendo, vão aprendendo
não só acerca dos temas e problemas do teor disciplinar mas também sobre a
organização e o funcionamento eficiente e eficaz da sua equipa, justamente
porque, na ocasião, são instados a reflectir sobre a sua própria prática?
Qualquer opção, note-se, exige um compromisso forte por parte dos docentes e
uma reorganização da estrutura e funcionamento dos calendários e horários
escolares.
Concretizando um pouco a reflexão, perguntemos assim: sem soft skills, será o
futuro agrónomo capaz de instituir um bom relacionamento, interagir e trabalhar
eficazmente com os agricultores? Que dizer do engenheiro florestal que é
incapaz de reconhecer e respeitar atitudes, condutas e crenças distintas das
suas? Não será curial que o economista compreenda e assuma ora o papel de
líder, ora o de seguidor, e que se mostre igualmente capaz de perscrutar e
ajustar-se a ambientes de trabalho distintos? Não beneficiará a empresa cujo
gestor é capaz de concorrer para o planeamento e a coordenação do projecto
colectivo e se mostra responsável perante uma decisão de grupo? Para qualquer
desses ex-alunos, que dizer, antes de tudo, quanto ao sentido ético, moral e
profissional? Se estas soft skills passarem a ser questões essenciais de
ensino-aprendizagem, contribuiremos, mesmo que seja só um pouco, para maior
justiça fiscal e menor dívida pública? Ou para menor corrupção e maior
autoridade? O país sofreria de um défice democrático menor e a Segurança Social
teria o futuro garantido?
Se em cada disciplina científica se pode inscrever a preocupação com as soft
skills, é mesmo impreterível o cultivo constante das habilitações de
comunicação. Ou seja, não é aceitável a indiferença comum perante a
incapacidade notória de exposição de ideias de modo claro e eficaz, tanto de
forma verbal como escrita, seja isto realizado perante um só receptor ou uma
audiência. Pode dizer-se o mesmo quanto ao saber arguir, por escrito e
oralmente, e chegar a conclusões. Igualmente, na universidade em particular, a
afeição pelo pensamento crítico é um dever inalienável, tanto dos docentes como
dos alunos. Mas essa habilitação pressupõe, desde logo, que se saiba do ofício
de identificar e analisar problemas, mormente em circunstâncias difíceis, e se
saiba proceder a uma avaliação fundamentada dos mesmos e da própria discussão
dos argumentos postos em confronto. Crucial é ainda o poder de extracção de
conclusões assentes em factos e provas válidas e a habilitação de saber buscar
e encontrar ideias e soluções inovadoras.
CONCLUSÃO
O ensino-aprendizagem na universidade é objecto complexo, a clamar pela noção
de sistema como base de observação e compreensão. Neste quadro, as questões e
notas que expus são, como disse, esparsas e não nos conduzem a uma conclusão
extrema e única, a um só ponto de chegada. Ao invés, abrem-nos para
encruzilhadas e trilhos. Recordemos, por exemplo, alguns: ensinar só a economia
hegemónica e/ou as outras? Apostar no caudal verbal dos docentes ou no labor
pessoal e/ou torrente criativa e autónoma do grupo de alunos? Ensinar portas
adentro e/ou extramuros? Agir coordenada e colectivamente ou jazer no gueto?
Em qualquer caso, esta reflexão tem de fechar-se, pelo menos por ora, e faz
sentido, decerto, reabrir portas, com algumas ideias-força ou outras já
entalhadas no corpo do artigo ou nele subjacentes. São portas velhas e já
reabertas aqui e ali, entre nós inclusive, fazendo-nos lembrar Brecht, ao
dizer: Os tempos modernos não começam de uma vez por todas. / Meu avô já vivia
numa época nova. / Meu neto talvez ainda viva na antiga[29]. Ora, antes de
mais, o ensino na universidade deve fugir das tendências - sufocantes e ora
soberanas - da reestruturação e controlo burocrático acríticos, paradoxal e
absurdamente justificados nas novas tecnologias. E urge começar por afrontar o
medo[30] que tomou de assalto a casa da ciência, que é por natureza livre,
interpeladora e generosa. Como me dizia uma amiga, a universidade tem vindo a
transformar-se num mundo big-brotheriano, concentracionário, digno do olhar de
Foucault. Ora, vem também a propósito recordar Teixeira de Pascoaes: Só a
cabeça de um morto diz que sim a todos os movimentos que lhe imprimem.[31]
Que fazer, então, a começar por nós mesmos? Três coisas. Primeira: colocar a
questão do ensino-aprendizagem na nossa agenda de ensinantes na universidade
[32]. Segunda coisa: cumprir a instrução pare, escute, olhe e, perante este
último termo, ouçamos Saramago citar-nos, do Livro dos Conselhos: Se podes
olhar, vê; se podes ver, repara[33]. Então, partilhemos as perplexidades e as
dúvidas, os receios e as angústias, as irritações e, talvez mesmo, a
desmotivação que nos corrói a alegria da missão. Terceira acção: passar do agir
pessoal, atomizado, fragmentado e fragmentário, à acção colectiva, tal como nos
propõe, muito sabiamente, Pedro Ferrão[34]:
[ ] reduzir o peso que hoje tem a personalidade e a idiossincrasia individual
no trabalho docente. Não através da padronização mais ou menos burocrática das
práticas, mas pela introdução de dispositivos de aprendizagem promotores de uma
interacção alargada e diversa com todas as fontes produtoras de experiência de
aprendizagem, nas quais incluiria o(s) próprio(s) docente(s). Dois exemplos
notáveis de tais dispositivos seriam, por exemplo, o trabalho de projecto,
quebrando a segmentação disciplinar, e a docência em equipa eon demand.
Abertos à torrente de visões e ideias novas-velhas de labor conjunto entre
docentes e alunos, consideremos séria e aprofundadamente os estágios extramuros
[35], acções de comunicação de ciência, vivências e projectos de investigação
internacionais[36]. Acreditemos na capacidade de empenho ardente dos
aprendentes-ensinantes de todos os ciclos no rol numeroso de micro, pequenas e
grandes tarefas que a pesquisa científica implica, desde a concepção à execução
e avaliação dos resultados alcançados. Naturalmente, é preciso respeitar
requisitos e condições de enquadramento organizativo (gabinetes de apoio,
departamentos, verbas, etc.) e de coordenação e orientação (supervisor, tutor)
[37].
Se estudantes de Ciências do Mar se entusiasmam com a possibilidade de
participarem 10 dias num cruzeiro oceanográfico, a bordo de um navio de
investigação, e se igual ou maior contentamento sucede com alunos de
Arqueologia a realizarem escavações arqueológicas durante um mês, por que razão
não cremos que os futuros engenheiros agrónomos, silvicultores e zootécnicos
igualmente se arrebatarão com experiências de observação e colecta de dados e/
ou trabalho de campo sério em, por exemplo, vindimas, plantações florestais,
tosquia de ovelhas e arrolamento de cabras, seja isto realizado cá dentro ou lá
fora?
O ensino não é o único alicerce da universidade, nem a reflexão respectiva se
sustenta sem exercícios similares quanto a outras bases. Ora, a universidade
que não se pensa a si mesma no mundo em que está, está mal e não serve o país.
Atenta contra o seu princípio primeiro, o da liberdade intelectual, renega a
sua missão universal e vira balcão de vendas. Vende-se e busca fazer dos seus
clientes meros comerciais ou quadros servis. Não prepara cidadãos para os
dias de hoje, muito menos para os de amanhã.
NOTAS
[2]
É mister situar o texto no quadro próprio. A sua origem remonta a 2010. A.
Mexia instou-me então a que participasse numa mesa-redonda sobre ensino e
formação profissional, que teria cariz multidisciplinar e integraria o IX
Encontro Nacional de Protecção Integrada. Sublinhou a ideia de que a História
Agrária e a Sociologia Rural deveriam tomar assento nessa troca de saberes e
práticas pedagógicas. Aceitei o repto e comprometi-me a juntar três achas para
a fogueira do diálogo futuro. Assente ficou ainda que me centraria no ensino.
Os campos da formação profissional, da fitofarmacologia e da protecção
integrada não fariam parte da entrega a haver. Evento à porta, aquele colega,
qual frade a fazer a sopa de pedra, pede tora para o livro de resumos da
reunião. Tão-só na fase de leitura e reflexão preparatória para a dita mesa,
não tendo escrito qualquer texto (que não chegou a ser inequivocamente pedido,
nem, motu proprio, pensara elaborar), lá rabisquei quatro notas. Fiz, depois,
um diaporama para apoio às falas, que seriam, naturalmente, breves e
intercaladas. Foi só em Viseu, em pleno encontro, que percebi que, afinal, a
mesa começaria por ser mais linear do que redonda. De facto, esperava-se que
cada um dos convivas virasse mais pregador do que interlocutor. Assim sucedeu,
mas, felizmente, a mesa acabou por ser oval, dado o fluir das palavras por
entre a audiência e os sentados à mesa no palco do anfiteatro. Devo ainda
aclarar que arrumara já, num feliz escaninho da mente, a memória do encontro -
no qual tive o privilégio de participar numa homenagem muito afectuosa ao
Professor Pedro Amaro -, quando, de novo, A. Mexia, repleto de fé e paciência
de frade mendicante, me desafiou a converter o power point em artigo para esta
revista. Apesar da pouca food for thought que reunira e da falta de tempo para
a cozedura, como poderia recusar tal pedido de novo conduto? Resta dizer, a
todos e em especial a António Mexia et alii, quão grato estou por tanta estima.
Oxalá o texto adiante, já longe do rascunho gráfico viseense, possa ajudar um
pouco a responder a uma das inquietações do dito encontro: o delineamento de
boas práticas no ensino e formação da fitofarmacologia e da protecção integrada
numa perspectiva de futuro.
[3]
É deveras simbólico que o então director-geral da FAO, Jacques Diouf, tenha
feito uma greve de fome, em Roma, na sede da organização, para sensibilizar a
opinião pública antes do início da Cimeira Mundial sobre Segurança Alimentar
(16 a 18 de Novembro de 2009). Assim testemunhou a sua solidariedade com mais
de mil milhões de pessoas subnutridas em todo o mundo; assim sublinhou a ideia
de que os países mais pobres são os mais afectados pelos problemas globais,
sobretudo as especulações de preços dos alimentos. Na agenda internacional,
tende-se a registar tão-só, ou sobretudo, as crises financeiras e as alterações
climáticas, como se o dinheiro e o ecossistema global valessem muito mais que
as pessoas e as nações.
Disponível em http://www1.ionline.pt/conteudo/33064-director-geral-da-fao-fez-
greve-fome-simbolica-24-horas .
[4]
Recordemos que a alta dos preços dos alimentos tem provocado surtos de pânico
nos mercados internacionais, por exemplo, em 2007. Segundo http://www.un.cv/
arquivo-foodprices.php (consultado a 17.03.2012), entre 2005 e 2008, a nível
mundial, os preços dos produtos alimentares básicos atingiram o seu nível mais
elevado desde há 30 anos. Nos últimos 18 meses deste período o preço do milho
aumentou 74 por cento, enquanto o do arroz quase triplicou, com um aumento de
166 por cento.
[5]
Dentre eles, destaco Ester Portela e, muito em particular, o amigo e colega
Pedro Ferrão. Aproveito a ocasião para agradecer igualmente a vários colegas
amigos que me deram feed-back relativamente a uma versão pré-final deste
artigo, a saber: Isabel Alves, Maria de Fátima Ferreiro e Artur Cristóvão.
[6]
Vd em www.nap.edu. A obra contém seis capítulos, três quadros, sete figuras,
35 caixas e 102 referências bibliográficas, isto em 126 pp., a que se somam
seis anexos, em mais 63 p. Disponível em http://www.nap.edu/
catalog.php?record_id=12602 .
[7]
A Corrosão do Carácter-As consequências pessoais do trabalho no novo
capitalismoé um livro premonitório de Richard Senneth, um grande sociólogo. A
obra, publicada nos EUA em 1999, foi um manifesto êxito internacional: colheu
rasgados elogios de jornais e revistas manifestamente prestigiados: o Financial
Times, a Business Week, a The Economist, o Wall Street Journal e o Die Zeit. O
que expõe, com clareza cristalina, esse livro? A situação em que se acham agora
milhões de trabalhadores da aldeia global: ou não têm ocupação remunerada, ou
trabalham e vivem na incerteza e na insegurança, sem garantia sobre o futuro
dos seus postos de trabalho. A edição portuguesa é de 2001, editora Terramar,
260 pp. [ISBN: 9789727102877].
[8]
CEO, chief executive officer, em inglês americano; MD, managing director, em
inglês britânico.
[9]
Vd. Dicionário Internacional da Outra Economia, de A. D. Cattani; J.-L.
Laville; L. I. Gaiger; e P. Hespanha, Edições Almedina, «Colecção CES», Série
Políticas Sociais, 344 p., 2009 [ISBN: 9789724037226].
[10]
Com relação a esta questão vd. Maria do Carmo Vieira, O Ensino do Português.
Ensaios da Fundação. Lisboa, Edição da Fundação Francisco Manuel dos Santos e
Relógio d'Água, 2010.
[11]
Um mero exemplo: na União Europeia, segundo a Directiva 1999/74/CE do
Conselho, de 19 de Julho de 1999, que estabelece as normas mínimas relativas à
protecção das galinhas poedeiras, deve observar-se o seguinte: os bebedouros
contínuos terão, pelo menos, 2,5 cm de comprimento por galinha e os bebedouros
circulares terão, pelo menos, 1 cm de comprimento por galinha; deverá haver,
pelo menos, um ninho por cada 7 galinhas, tal como poleiros adequados (de, pelo
menos, 15 cm de comprimento por galinha), e ainda, pelo menos, 250 cm2 da
superfície da cama por galinha. Disponível em http://europa.eu/
legislation_summaries/food_safety/animal_welfare/l12067_pt.htm
[12]
Atentemos no seguinte sinal: de 1975 a 2011, entre os nove nomes distintos do
Ministério da Agricultura, surgem associados outros termos, a saber: Pescas e
Mar (5+1 vezes); Floresta (2 vezes); Alimentação (2 vezes); Desenvolvimento
Rural (2 vezes); Comércio (1 vez); Ambiente e Ordenamento do Território (1
vez).
[13]
A propósito, recordo aqui o caso absolutamente caricato de a comunicação a
seguir indicada, que versa sobre estrumação, ter sido acantonada numa sessão
sobre poluição do solo: Portela, E. 1994, Estrumação no Alto Barroso: Declínio
ou revitalização?, 4ª Conferência Nacional sobre a Qualidade do Ambiente, Vol.
II, Universidade Nova de Lisboa, 6-8 de Abril de 1994, pp. 037-053.
[14]
A primeira e a segunda citação acham-se no Sermão do Espírito Santo, que foi
pregado na Igreja da Companhia de Jesus, em São Luís do Maranhão.
[15]
Acerca desta noção, vd. Marc Augé (2006), Não-lugares: introdução a uma
antropologia da sobremodernidade, Editora 90º, 104 pp. [ISBN: 978-979-8964-02-
3].
[16]
Dada a origem desta reflexão e o local em que surge publicada, faz sentido,
creio, sublinhar a seguinte passagem de uma entrevista concedida pelo Professor
Pedro Amaro, que passo a citar: Quanto ao ensino superior, os erros cometidos
na excessiva expansão do número de universidades com ensino agrícola e de
escolas superiores agrárias exigem uma corajosa revisão da situação actual,
porventura, até com o encerramento de unidades que se verifique terem difícil
futuro e a intensificação de apoio financeiro às unidades responsáveis pelo
ensino e investigação de melhor qualidade. Só assim o ensino superior e a
investigação poderão optimizar a sua contribuição para o progresso da
agricultura em Portugal. (Acesso em 17.02.2012). Disponível em http://
www.bayercropscience.pt/internet/empresa/
artigo.asp?menu=& id_artigo=290& seccao=60.
[17]
Sem dúvida, no domínio da investigação, por via dos incentivos a tal
conducentes, há actualmente sinais de cooperação entre escolas politécnicas e
universitárias, mas, tanto quanto se estende a nossa percepção, há ainda um
longo caminho a percorrer para que observemos equipas integradas de
investigação. A noção de integração é distinta e mais exigente do que a de
agregação. No que respeita à extensão rural, a acção de cada escola e
universidade (para já não falar de acções concretas de cooperação
interinstitucional) tende a ser tão-só wishfull thinking. Da informação à
sabedoria, passando pelo conhecimento, há um longo itinerário a percorrer e é
caso para perguntar, com T.S. Elliot (cito tradução de memória): com tanta
informação, que fizemos nós ao conhecimento e com tanto conhecimento que
fizemos nós à sabedoria? Vd. Portela, J. (1995) - Desenvolvimento das
Agriculturas Portuguesas: Da Informação à (In) Comunicação. Comunicação
apresentada ao simpósio A Agricultura Portuguesa num Contexto de Mudança e o
Papel da Informação neste Processo de Transformação, Instituto Superior de
Agronomia, Lisboa, 24-25/5/95. Agroeconomia, 2, p. 17-24.
[18]
Pelas mesmas razões indicadas na nota anterior, cremos ser pertinente incluir
aqui duas passagens de um texto recente de A. Sevinate Pinto (de 16 de Janeiro
de 2012): A nossa agricultura só se desenvolverá [...] se, e quando, [...],
pelo menos dois pressupostos se concretizarem: o pressuposto do investimento na
modernização das unidades produtivas, que tem que ser intenso, permanente,
facilitado e esclarecido; o pressuposto da aquisição de capacidade técnica
(conhecimento), por parte dos agentes económicos com ligações ao sector, o que
implica que, de uma vez por todas, de uma forma responsável, racional, rigorosa
e não perdulária, se aposte na investigação, no ensino e na transmissão de
conhecimento até aos seus utilizadores finais. Mais adiante, o autor aclara:
Quanto ao conhecimento, [...] ainda que possa ser controverso, considero que é
nessa área, a par com os seus fracos recursos naturais e as dificuldades de
financiamento, que Portugal tem hoje as maiores desvantagens comparativas para
poder enfrentar, em condições mínimas de igualdade, os seus concorrentes [...].
De facto, o significativo enfraquecimento da acção concreta desenvolvida nesta
área pelos organismos do Estado no sector agrícola, florestal e agro-
industrial, não foi suficientemente compensado pelo seu alargamento nas
universidades e institutos politécnicos, nem pelo aumento da participação de
investigadores portugueses em projectos financiados pela UE, que, apesar de
interessante e com aspectos positivos [...], tem-se frequentemente desviado de
interesse prático em termos nacionais. Esta circunstância, de carência de
conhecimento prático, adaptado às nossas necessidades específicas, não é,
evidentemente, generalizada. Há, entre nós, excepções pontuais e casos de
sucesso e até de excelência, que deveriam ser estudados para melhor se
compreender as razões da sua existência. As carências não derivam
exclusivamente da falta de produção científica, mas também de evidentes
fragilidades no ensino agrário no seu conjunto e, obviamente, na ineficácia da
transmissão do conhecimento até aos seus utilizadores finais [...]. Isso
acontece, quer pela falta de estruturas de intermediação, quer por múltiplas
outras razões, até culturais, que afastam uma grande parte dos agricultores do
conhecimento técnico e científico. Infelizmente, em matéria de conhecimento
técnico/cientifico incorporado em práticas agrícolas, florestais e agro-
industriais, Portugal tem-se vindo a afastar de muitos países no âmbito da UE,
[...]. A única maneira de desenvolver a nossa agricultura e tornar sustentável
o seu desenvolvimento é fazer acompanhar o reforço do investimento produtivo
[...] por um grande esforço de aquisição e de transmissão de conhecimentos,
articulando o ensino com a investigação e com a formação profissional e
mobilizando os meios humanos e materiais, nestas três frentes, no âmbito de um
projecto comum, com benefícios públicos demonstráveis, com prioridades bem
definidas e no qual a maioria dos portugueses se possam rever e acreditar.
http://www.agroportal.pt/a/2012/aspinto.htm (consultado a 16.03.2012).
[19]
No fundo, parece-me ser esta a tese essencial da obra notável de Daniel
Pennac, Mágoas da Escola, Porto Editora, 2009, 256 pp. [ISBN: 978-972-0-04501-
0].
[20]
Erving Goffman (1922-1982) arguiu que nas interacções sociais nos envolvemos
em certas condutas para evitar embaraçar outrem ou sermos embaraçados. Haveria,
assim, uma região da frente, onde os actores estão no palco, face aos
restantes. Aqui se ressalta o lado solar de cada um. Na região de trás, o
bastidor, um lugar oculto ou privado, o actor tira a máscara e é ele mesmo, sem
preocupação com a sua identidade e função social.
[21]
Obra acima citada, Transforming Agricultural Education, 2009: 36, 37.
[22]
Obviamente, este e outros nomes são fictícios.
[23]
Para não pesar o corpo do texto, deixo aqui o leque extraordinário de
estudantes extraordinários (são 16 estatutos especiais 2010/2011, UTAD, mas,
antes, já foram em maior número), os quais levam a pensar que o estudante
ordinário será identicamente extraordinário: MP - Apoio Social às Mães e Pais
Estudantes; OH ' Associados a ONG de Acção Social e Humanitárias; AE - Atleta
Estudante; AF - Atleta Federado; AC ' Atleta de Alto Rendimento; BS ' Bombeiro
<2 anos; B ' Bombeiro = 2 anos; CT ' Coros, Tunas e Agrupamentos de Idêntica
Natureza; DA ' Dirigente Associativo; DJ ' Dirigente Associativo Juvenil; M '
Militar; AS ' Assembleia de Escola; OP ' Comissão Permanente do Conselho
Pedagógico; CP ' Conselho Pedagógico de Escola; PD ' Portador de Deficiências
Físicas Sensoriais; T ' Trabalhador Estudante. (Acesso em 16.03.2012).
Disponível em http://www.sa.utad.pt/images/normregul/
estatutos_especiais_dir.pdf .
[24]
Formally The Ensminger-Interstate Distinguished Teacher Award. Disponível
em http://nactateachers.org/teaching-award-of-excellence-recipients.html .
[25]
Penúltimo verso do poema Tempos modernos, in Bertolt Brecht, Poemas, Selecção
e estudo de Arnaldo Saraiva. Lisboa, Editorial Presença, 1976, p. 79.
[26]
Para lá de competências que nos podem surpreender, por as darmos por
garantidas, e apesar de algumas raiarem o despropósito, atente-se, por exemplo,
nas Top 60 soft skills em http://www.citehr.com/22023-top-60-soft-skills.html .
Note-se ainda o que é vulgar dizer-se acerca desta dicotomia: as hard skills
asseguram que poderá ser escolhido para uma entrevista num caso de
recrutamento, mas você necessita de soft skills para vir a ser contratado (e
para continuar a manter) o seu posto de trabalho. http://
searchcio.techtarget.com/definition/soft-skills
[27]
As competências soft podem ser definidas como atributos pessoais que potenciam
não só a interacção social de qualquer um e o seu desempenho profissional, mas
também as perspectivas de carreira. Ao contrário das hard skills, que são
relativas ao conjunto das capacidades pessoais para realizar um dado tipo de
tarefa ou actividade, as soft skills são interpessoais e aplicáveis a muitas
áreas de actividade. Nestas capacidades incluem-se amiúde traços de
personalidade (v.g., optimismo, responsabilidade, sentido de humor), a par de
competências que podem ser objecto de aprendizagem e treino, como, por exemplo,
comportar-se com empatia, trabalhar em equipa, liderar, comunicar eficaz,
eficiente e fielmente, negociar, nutrir sociabilidades e ensinar. Note-se,
porém, que estas habilidades requerem que o indivíduo goste genuinamente de
estar com outras pessoas. Disponível em http://searchcio.techtarget.com/
definition/soft-skills .
[28]
http://schoolofeducators.com/2009/02/importance-of-soft-skills-development-in-
education/ .
[29]
Primeiros versos do poema Tempos modernos, in Bertolt Brecht, Poemas,
Selecção e estudo de Arnaldo Saraiva, Lisboa, Editorial Presença, 1976, p. 79.
[30]
É (sempre) hora de relermos José Gil, Portugal, Hoje-O Medo de Existir,
Relógio d' Água, 2007 (11.ª Edição), 206 p. [ISBN: 9789727089369].
[31]
Teixeira de Pascoaes, Aforismos, Selecção e organização de Mário Cesariny,
Assírio e Alvim, 1998, p. 21 [ISBN: 972-37-0479-X].
[32]
Consideramos particularmente feliz a definição da noção de ensinante nos
termos seguintes: É o sujeito que investe o outro de desejo, permite ao outro
a expressão, apresenta um movimento de mostrar-guardar para despertar no outro
o desejo de buscar. É aquele que compartilha um saber já existente e assimila
outros saberes, que cria um espaço de liberdade, de confiança, de criatividade
onde o outro possa ousar experimentar, possa assumir a ignorância e a partir
dela buscar o conhecimento (Taís Aparecida Costa Lima). (Acesso em 21.03.2012)
. Disponível em http://www.psicopedagogia.com.br/atuacao/
glossario.asp?l_letra=E .
[33]
«Livro dos Conselhos», na contracapa da obra Ensaio sobre a Cegueira,
Editorial Caminho, 1995, 310 p. [ISBN: 972-21-1021-7].
[34]
Comunicação pessoal.
[35]
A título ilustrativo, note-se que há, ou poderão ser criadas, oportunidades de
estágio em empresas, escolas, unidades e centros de investigação (públicos e
privados), serviços da Administração Pública (central e local), em Instituições
Particulares de Solidariedade Social, em ONG (v.g., Oikos - Voluntários para o
Desenvolvimento, Leigos para o Desenvolvimento, etc.). Um exemplo específico,
entre outros, no quadro universitário é o Programa de Estágios de Curta
Duração/Verão e o Programa de Estágios Facultativos da Faculdade de Ciências
Humanas da Universidade Católica Portuguesa. (Acesso em 21.03.2012). Disponível
em http://www.fch.lisboa.ucp.pt/resources/Documentos/Erasmus/
Programa%20de%20est%C3%A1gios.pdf .
[36]
Aparentemente, pelo menos, é incontroverso que o programa Erasmus goza de
elevada simpatia e satisfação por parte dos estudantes que nele se envolvem.
Entre outras fontes, vd. http://www.letras.up.pt/gapro/
default.aspx?l=1& m=31& s=89& n=0
(Acesso em 21.03.2012). Disponível em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/
893783 .
[37]
O envolvimento dos alunos em acções deste tipo pode ocorrer muito cedo no seu
percurso escolar. A este propósito, vd. http://www.enciga.org/files/boletins/
64/de_lixo_para_projectos.pdf . Ainda como mero exemplo, assinalem-se os casos
constantes em faculdades de Medicina ou de Ciências Sociais e Humanas, por
exemplo (Acesso em 21.03.2012): .