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EuPTCVAg0871-018X2012000200020

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variedadeEu
ano2012
fonteScielo

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Impacto da Traça-Verde Palpita vitrealis (Rossi) em diferentes cultivares de oliveirana Cova da Beira

INTRODUÇÃO A traça-verde Palpita vitrealis (Rossi) [=Palpita unionalis (Hübner); =Margaroniaunionalis Hübner] é uma praga importante da família Oleaceae nos géneros Jasminum , Ligustrum , Olea , Fraxinus e Phillyrea, causando prejuízos elevados nas folhas dessas plantas, principalmente em plantações jovens e viveiros (Katsoyannos, 1992; Bento et al., 2007). É um lepidóptero da família Crambidae, com comportamento polífago.

Observações efectuadas em Trás-os-Montes e na Beira Interior, entre 2002 e 2004 (Torres et al ., 2004) e no Ribatejo em 2003 e 2004 (Marques e Bento, 2005), mostraram uma curva de voo irregular, sugerindo a sobreposição de diferentes gerações entre meados do Verão e meados do Outono, com o pico de maior intensidade entre meados de Agosto e Outubro. No Ribatejo existe também um pico de capturas em Junho/início de Julho (Marques e Bento, 2005).

Em olivais, esta traça costuma ter densidades populacionais moderadas, embora existam períodos em que ocorrem surtos que podem causar prejuízos elevados. As lagartas atacam as folhas tenras, principalmente as dos rebentos terminais, podendo até atacar os frutos, embora sem significado económico nas árvores adultas. As jovens lagartas alimentam-se da página inferior das folhas e à medida que crescem, consomem as folhas inteiras e os rebentos e, na segunda geração, alimentam-se dos frutos e sementes se atingirem níveis populacionais elevados (Grossley, 2000).

MATERIAL E MÉTODOS Este estudo decorreu num olival localizado na Quinta do Galvão, na freguesia de Vale Formoso, junto a Belmonte, na região denominada Cova da Beira. Este olival é constituído por árvores de porte pequeno e médio.

O olival está instalado com um compasso de 5m x 7m, num vale orientado a NE/SW.

As cultivares presentes são ‘Cobrançosa', ‘Galega Vulgar' e ‘Arbequina'. As árvores tinham cerca de cinco anos; no entanto, a ‘Galega Vulgar' encontra-se plantada em duas manchas, uma com cinco anos e outra com um ano. Encontravam-se em bom estado sanitário, embora tenham tido alguns ataques de euzofera, Euzophera pinguins (Haworth) (Lepidoptera: Pyralidae) e de traça-verde, P.

vitrealis . Tinha ocorrido uma forte geada que provocou a morte de várias árvores, tendo-se replantado com ‘Galega Vulgar' (daí a existência de árvores com um ano de idade).

Efectuaram-se observações visuais dos rebentos atacados, utilizando a metodologia de estimativa do risco de Mendes e Cavaco (2008). Marcaram-se quatro blocos de 20 árvores em ‘Cobrançosa', ‘Arbequina' e ‘Galega Vulgar' de cinco anos. Por haver algumas falhas devido à geada e outrosataques referidos, a disposição dos blocos foi diferente nas diferentes cultivares. É de referir que na parcela ‘Galega Vulgar' com um ano se marcaram 20 árvores em oito zonas das parcelas para poder observar cinco rebentos em cada uma das 20 árvores (Mendes e Cavaco, 2008). Em qualquer das cultivares observaram-se 400 rebentos/ semana, durante 15 semanas. Registaram-se, também, os estados fenológicos nas quatro cultivares, de acordo com Mendes e Cavaco (2009). As observações decorreram entre 5 de Abril e 7 de Novembrode 2010.

Para avaliar a espessura das folhas de oliveira ‘Arbequina', ‘Cobrançosa' e ‘Galega Vulgar', seccionaram-se fragmentos de folhas com o auxílio de um micrótomo de congelação CM1850 (Leica). Os cortes, com espessura de 18 µm, foram depois corados, montados numa mistura clara de azul de algodão em lactofenol e observados em microscópio de campo claro (Rijo e Rodrigues, 1978).

Mediu-se a espessura das folhas com recurso a uma ocular micrométrica. Usaram- se20 folhas de cada bloco (1folha/árvore) em cada um dos quatro blocos de cada cultivar.

Os cortes transversais de folhas efectuados com micrótomo de congelação foram submetidos ao teste de fluorescência. Os cortes foram colocados numa solução de fosfato de potássio (K2HPO4; 0,07 M e pH 8,9) e, posteriormente, montados na mesma solução e observados ao microscópio (Silva et al. , 2002). A autofluorescência das células (com luz azul) é indicadora da acumulação e oxidação de compostos fenólicos (Bennett et al. , 1996).

As observações foram feitas em microscópio óptico DM-2500 (Leica) de campo claro e de fluorescência, equipado com lâmpada de mercúrio HB 100W, luz azul (excitação 450-490, filtro barreira 515) com câmara digital acoplada. A medida obtida foi multiplicada pelofactor de correcção de 12,5 para conversão em µm.

A análise estatística foi efectuada através de ANOVA a um factor (cultivar), com quatro blocos e 20 árvores ou cortes por bloco, seguida do teste de comparação múltipla de médias de Tukey, sempre que se detectava diferenças significativas. Em qualquer dos testes considerou-se o nível de significância de 0,05 e recorreu-se ao programa estatístico Statistix versão 9.0.

RESULTADOS E DISCUSSÃO O número de rebentos atacados foi inicialmente baixo, mas aumentou bastante para qualquer das cultivares, no início de Agosto (Fig._1). A ‘Cobrançosa' apresentou diferenças estatisticamente significativas em relação às restantes (Quadro_1).

Em relação à espessura das folhas não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre cultivares (Quadro_2). No entanto, é de salientar que apenas se fizeram 80 observações em cada cultivar.

A nível histológico não se observaram diferenças relativamente à presença e abundância de tricomas nas diferentes cultivares (Fig.2).

O facto da ‘Cobrançosa' evidenciar significativamente menos rebentos atacados levou a admitir que as folhas das diferentes cultivares poderiam apresentar diferentes espessuras que justificassem as diferenças observadas nos ataques registados e explicassem preferências da praga. Contudo, não se encontraram diferenças significativas ao nível da espessura das folhas entre as cultivares que justificasse as diferenças observadas. A nível histológico não se verificaram diferenças na abundância de tricomas nas diversas cultivares.

CONCLUSÕES Os ataques de traça-verde aos rebentos das três cultivares estudadas foram baixos no início da Primavera, mas subiram em Agosto para valores relativamente elevados. ‘Cobrançosa' foi significativamente menos atacada que ‘Arbequina' e ‘Galega Vulgar'. Não se detectaramdiferenças quer na espessura das folhas quer na abundância de tricomas nas diferentes cultivares que pudessem explicar a diferente susceptibilidade das cultivares estudadas.


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