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EuPTCVAg0871-018X2013000100002

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variedadeEu
ano2013
fonteScielo

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Atributos químicos do solo e produção da cana-de-açúcar em resposta ao silicato de cálcio

Introdução A cultura da cana-de-açúcar (Saccharum officinarumL.) destaca-se no Brasil, pela sua importância econômicae social como fonte de energia. Esta cultura vemapresentando significativa expansão em sua área cultivada,assim, aspectos como produção, eficiência,lucratividade e sustentabilidade, são itens da maior relevância para quem deseja obter sucesso em sua produção.

Savant et al.(1999) observaram fatores que indicam a importância do silício (Si) na nutrição e na produção da cana-de-açúcar. Embora, o Si não seja considerado um elemento essencial, os baixos teores em algumas classes de solos podem limitar a produção dessa monocultura, devido à alta extração desse elemento do solo ao longo dos ciclos da cultura (Camargo, 2011).

Escórias de siderurgia, mais conhecida como silicato de cálcio e/ou magnésio, são fontes abundantes e baratas, que podem ser utilizadas como corretivo de acidez do solo e fonte de silício. Segundo Korndörfer et al.(2003), o silicato pode ser utilizado em substituição total ou parcial à aplicação de calcário na cultura da cana-de-açúcar.

Os benefícios da utilização do silicato nas propriedades químicas do solo estão relacionados à elevação do pH, dos teores de cálcio e magnésio, CTC, V% e diminuição da acidez potencial (Prado et al., 2003).

Quanto à produção, a fertilização com silicatos em cana-de-açúcar, demonstra resultados consistentes. Por exemplo, Korndörfer et al.(2002) obtiveram aumento de produção de cana-planta de 14 t ha-1 (toneladas por hectare) com a utilização de 4 t ha-1 de metassilicato de cálcio. Gurgel (1979) aplicou três toneladas de silicato de cálcio, no plantio da cana-de-açúcar e observou o aumento entre 6,4% e 16% na produção de colmos do primeiro e segundo cortes, respectivamente.

Outra vantagem da aplicação do silício refere-se a um maior índice de folhas eretas das plantas, o que implica maior interceptação da radiação solar, refletindo em maior taxa fotossintética, com prováveis ganhos em termos de produção de biomassa (Korndorfer e Datnoff, 1995).

Para avaliar o potencial do silicato de cálcio para ser empregado na cultura da cana-de-açúcar, necessidade de acompanhar os efeitos na produção da cultura, uma vez que os materiais corretivos podem afetar a fertilidade do solo, a disponibilidade dos elementos e, consequentemente, a absorção e translocação de nutrientes.

A partir dessas informações, realizou-se um ensaio em condições de campo, com o objetivo de avaliar o efeito do silicato de cálcio na produção da cana-de- açúcar, bem como sobre os atributos químicos do solo.

Coletaram-se amostras do solo nas camadas de (0,0-0,2 e 0,2-0,4 m). As amostras de solo secas ao ar foram destorroadas e passadas em peneiras de 2,0 mm, constituindo a Terra Fina Seca ao ar (TFSA) para caracterização química, determinado segundo método descrito por Claessen (1997), cujos resultados estão apresentados no Quadro_1.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, com quatro repetições, os tratamentos foram constituídos de doses distintas de silicato de cálcio. As doses de silicato de cálcio foram: 0, 700, 1400, 2800, 5600 kg ha-1.

O silicato de cálcio apresentava as seguintes características químicas: 57,4 g kg-1de Si; 292,4 g kg-1 de Ca; 43,62 g kg-1 de Mg; 24,7 g kg-1 de Mn; 261,8 g kg-1 de Fe e 90,5% de poder de neutralização.

As parcelas experimentais foram constituídas por seis linhas espaçadas de 1,30 m e com 7,5 m de comprimento, totalizando 1, 170 m2 de área total. As bordaduras entre parcelas foram de 2,0 m. A área útil da parcela ficou constituída pelas três linhas centrais com 4 metros de comprimento perfazendo 312 m2. O preparo do solo foi realizado por meio de gradagem. Durante o preparo do solo, aplicaram-se as doses de silicato de cálcio manualmente a lanço, incorporado com grade niveladora, a fim de proporcionar um maior revolvimento do produto no solo. O sulcamento foi realizado mecanicamente, na profundidade de 0,2 ' 0,3 m.

Posteriormente, realizou-se a plantação da cana-de-açúcar, variedade SB803250, em 31-07-07, procurando deixar 15 gemas por metro linear de sulco. Todas as parcelas receberam adubação química, baseada na análise de solo, sendo aplicado no sulco de plantação 650 kg ha-1 de um adubo composto de NPK (08-20-12). Não houve necessidade de nenhum tipo de controlo de pragas e doenças durante a condução do trabalho, sendo feito apenas o controlo de plantas infestantes, através de capinas realizadas manualmente, sempre que necessário, e irrigação por aspersão com objetivo de suprir qualquer défice hídrico.

A colheita da cana-de-açúcar foi realizada manualmente, na área útil, sete meses após a plantação. Logo após o corte, as plantas foram divididas em ponteiro (palmito + folhas) e colmos, sendo pesados somente os colmos.

Após a colheita da cana, aos 210 dias, coletaram-se amostras de terra, sendo coletadas cinco amostras simples para compor uma amostra composta em cada parcela, nas profundidades de 0,0 - 0,2 e 0,2 -0,4 m. As amostras de solo foram analisadas quimicamente, para determinação de pH, Ca, Mg, Al, K e P. Também foram realizados as determinações da acidez potencial (H +Al) e carbono orgânico (MO).

Os micronutrientes Cu, Fe, Mn e Zn foram extraídos pelo Mehlich-1, conforme Raij e Quaggio (1983). Extraiu-se o silício com CaCl2 (Korndörfer et al., 2004). Os resultados obtidos, em cada variável analisada, foram submetidos a análise de variância, com vistas em avaliar a significância ou não do teste F, com o auxílio do pacote computacional SISVAR (Ferreira, 2000). Após atenderem as premissas procedeu-se a análise de regressão de cada variável, a fim de analisar o efeito das doses, usando o programa estatístico ASSISTAT (Silva e Azevedo, 2006).

Resultados e Discussão Atributos Químicos do Solo A aplicação de silicato de cálcio promoveu aumentos significativos nos valores de pH, e nos teores de cálcio e magnésio, onde os maiores valores foram encontrados na camada de 0,0 ' 0,2 m (Figuras_1_A,_B_e_C), e redução da acidez potencial (H + Al) (Figura_1_D).

Estes resultados são condizentes, ao alto poder reativo do silicato de cálcio (Prado et al., 2002; Alcarde e Radella, 2003; Prado et al., 2003). Segundo Ribeiro et al.(1986), esse material apresenta propriedade corretiva da acidez do solo, semelhante à do calcário, isto se deve pela presença da constituinte neutralizante (SiO23).

O aumento nos teores de Ca e Mg nas duas profundidades analisadas (Figuras_1_B e_C), foi devido à adição direta desses nutrientes com a aplicação do silicato.

O aumento nos teores de fósforo com as doses de silicato de cálcio (Figura_2_A) pode ser explicado pela adsorção do silício e, ou, interação Si-P no solo. A similaridade química das duas formas aniônicas de P e Si, H2PO4- e H3SiO4-1, respectivamente, é grandemente responsável por isto (Hingston et al.,1972; McKeague e Cline, 1963). Assim, o silício ao ser adsorvido nas superfícies oxídicas, dificultaria a adsorção do fósforo, aumentando a disponibilidade do nutriente para as plantas. Entretanto, observa-se que a partir de três toneladas por hectare, uma redução no teor de P, o que pode ser explicado pela precipitação do P com o cálcio.

Segundo Raij (2004), a maior disponibilidade de fósforo no solo está na faixa de pH em H2O de 5,5 a 6,8, trata-se das condições que permitem a combinação das maiores solubilidades, ao mesmo tempo, de fosfato de Al, Fe e Ca. A partir da adição de três toneladas por ha-1 de silicato, o pH do solo ficou próximo de 7,0 e conforme aumentou a disponibilidade do corretivo, houve um aumento no valor de pH (Figura_1A) e redução na disposição de fósforo (Figura_2_A).

Para o nutriente potássio, não houve diferença estatística com a aplicação do silicato de cálcio (Figura_2_B).

Houve diferença significativa no teor de matéria orgânica com aplicação de silicato de cálcio (Figura_3A). Os teores de matéria orgânica, como esperado, foram mais altos na camada de 0-0,2 m. Independente da profundidade, observa-se que, praticamente o teor de matéria orgânica diminui com o aumento das doses de silicato, provavelmente, em valores mais altos de pH, tenha contribuído para o aumento da população de microrganismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, pois os microrganismos decompositores são ativados com o aumento de pH e com aplicação de nutrientes (Furtini Neto et al.,2001). Outro fator que pode ter contribuído para a redução da matéria orgânica do solo foi a mobilização do solo para a incorporação do silicato de cálcio no início do estudo. Segundo Balesdent et al.(2000) o revolvimento do solo diminui o teor de carbono orgânico devido à exposição aos microrganismos.

Observou-se, como o esperado, um acréscimo nos valores de CTC, SB e V% (Figuras 3_B,_C_e_D), provavelmente, pela adição direta de Ca e Mg no momento da adição do corretivo ao solo.

Dos micronutrientes analisados, observa-se aumento nos teores de ferro e manganês no solo (Figuras_4A_e_B), e decréscimo nos teores de zinco e cobre com e B), e decréscimo nos teores de zinco e cobre com a adição do silicato de cálcio (Figuras_4C_e_D). Para o elemento boro não houve diferença, apresentando teor médio de 0,76 mg dm-3.

Sabe-se que o pH do solo constitui um dos fatores que mais influenciam a disponibilidade de nutrientes. Desta forma, para os micronutrientes Fe, Cu, Mn e Zn, a sua disponibilidade decresce com o aumento do pH (Furtini Neto et al.,2001). Entretanto, observa-se que somente as disponibilidades de Cu e Zn decresceram com o aumento do pH. Isso pode ser explicado pelo fornecimento de Fe e Mn juntamente com a adição do silicato, visto que, tem em sua composição: 24,7 g kg-1 de Mn e 261,8 g kg-1 de Fe. Uma segunda hipótese se deve a complexação desses micronutrientes catiônicos com matéria orgânica aumentando a sua disponibilidade.

Embora os teores de Zn e Cu decresçam com o aumento das doses de silicato de cálcio (Figura_4_C_e_D), esses elementos encontram-se em concentrações suficientes para suprir as necessidades nutricionais da cana-soca. Para o silício, Korndorfer et al. (2001) consideram como nível satisfatório, 20 mg dm- 3, ou seja, para o solo em estudo o teor de Si no solo antes da aplicação do silicato de cálcio apresentava um teor adequado, principalmente, na camada de 0,2 ' 0,4 m (Quadro_1). E conforme se observa na Figura_5, o teor de Si no solo decresce, à medida que aumenta as doses do corretivo. Este fato pode ser explicado em parte, pela maior presença de Ca2+ na solução, o qual estaria complexando parte do Si. Outro fator importante que contribui para a diminuição dos teores de Si no solo é a extração do elemento por culturas acumuladoras (Lima Filho et al.,1999), como a cana-de-açúcar.

Avaliação da Produção A produção aumentou significativamente e de forma linear com as doses de silicato de cálcio (Figura_6). Este resultado mostra que a cana-de-açúcar foi altamente responsiva à correção do solo com silicato de cálcio.

Resultados semelhantes foram descritos por Prado e Fernandes (2001). Anderson et al. (1987) e Elawad et al.(1982) também encontraram efeito positivo da aplicação de silicato na produção da cana-de-açúcar, porém, para doses acima da maior dose utilizada no ensaio (5600 kg ha-1). Contudo a produção encontrada por esses autores aumentou de forma quadrática, com o aumento das doses de silicato, indicando um efeito depressivo em doses acima de 15 t ha-1.

O aumento na produção da cana pode ser atribuído a ação corretiva da acidez do solo, promovida pela ação do íon silicato e aumento da disponibilidade de Ca e Mg (Figura_1_B_e_C) para as plantas, melhorando assim as condições químicas do solo, para o desenvolvimento da cana-de-açúcar. Segundo Barbosa Filho et al.

(2001), em áreas de cerrado alguns solos podem ser deficientes em Ca e Mg, sem que apresentem problemas com o alumínio. Assim, a simples adição de Ca e Mg aos solos é suficiente para elevar os teores desses nutrientes no solo e promover aumentos na produção das culturas. Uma das causas deste efeito é o papel do cálcio no crescimento radicular (Ritchey et al.,1982).

Conclusões O estudo efetuado permitiu concluir que:

O silicato de cálcio adicionado ao solo favoreceu o aumento do pH, Ca, Mg, Fe, Mn, SB, CTC e V% do solo, diminui os teores de (H+Al), MO, Zn, Cu e Si.

A aplicação de silicato de cálcio no solo proporcionou incrementos significativos na produção da cana-de-açúcar.


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