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EuPTCVHe0871-34132014000200002

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variedadeEu
ano2014
fonteScielo

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Tumor neuroendócrino da laringe com metastização cutânea

Introdução Os tumores neuroendócrinos da laringe são tumores raros. eles podem corresponder a menos de 1% de todas as neoplasias primárias da laringe.1,4Ainda assim, constituem o segundo grupo mais comum de neoplasias nesta localização, depois dos carcinomas de células escamosas.1,4 A identificação do tipo de tumor é essencial, dado que o seu comportamento clínico e resposta à terapêutica estão intimamente relacionados com o diagnóstico histológico.1,2,4 A classificação da Organização mundial de saúde, divide os tumores neuroendócrinos da laringe em 4 subtipos: paranganglioma, carcinóide típico, carcinóide atípico e neuroendócrino de pequenas células.2,4recentemente, um subtipo agressivo dos carcinóides atípicos foi identificado como entidade isolada ' o carcinoma neuroendócrino de grandes células.2 O diagnóstico do subtipo do tumor, bem como seu estadiamento constituem um verdadeiro desafio clínico, dado que os diferentes subtipos podem sobrepor características histológicas e imunohistoquímicas. Os tumores neuroendócrinos podem representar ainda, parte de neoplasias compostas de tumor neuroendócrino e carcinoma de células escamosas, atrasando ou mesmo impedindo o tratamento adequado.3,4 Face à sua raridade, apenas uma pequena série de casos tem sido publicada.4Assim, a descrição da experiência das diversas instituições revela- se imprescindível, permitindo conhecer o comportamento clínico-patológico destes tumores.

Os autores descrevem, seguidamente, um caso clínico ilustrativo desta patologia, tendo-se procedido a uma revisão da literatura.

Caso clínico Doente do género feminino, 64 anos de idade, sem antecedentes patológicos relevantes, que iniciou em 2004 quadro de odinofagia e disfonia. Na laringoscopia apresentava espessamento da prega aritenoepiglótica direita. A histologia revelou neoplasia epitelial maligna não-pequenas células, com imunorreatividade para sinaptofisina, compatível com tumor neuroendócrino (Figura_1 ). A tomografia axial computadorizada (TAC) cervico-toraco-abdominal não evidenciava adenomegalias ou metastização à distância. Foi submetida a laringectomia parcial supraglótica direita com esvaziamento cervical homolateral seletivo dos níveis II, III e IV. Histologicamente confirmou-se tumor neuroendócrino, estadio TNM PT2pN0M0R0.

Permaneceu em vigilância em consulta de Otorrinolaringologia e, em março de 2008, surgiram adenopatias cervicais à esquerda. A citologia foi compatível com metástase de tumor neuroendócrino e foi submetida a disseção cervical radical modificada esquerda.

Cerca de 6 meses após a cirurgia, objetivou-se recidiva regional à esquerda (Figura_2 ) que justificou revisão de disseção cervical radical em Fevereiro de 2009.

realizou cintigrafia com análogos da somatostatina que mostrou focos de hiperfixação ao nível da base cervical bilateralmente decidindo-se iniciar terapêutica com octreotídeo.

Após 4 meses de tratamento, apresentou cervicalgias de agravamento progressivo e realizou TAC que mostrou dismorfia dos planos laterais esquerdos da hipofaringe e da laringe com várias formações ganglionares das cadeias linfáticas cervicais, tendo a citologia confirmado presença de tumor neuroendócrino.

Após reintervenção, com resgate cirúrgico cervical, iniciou radioterapia e manteve terapêutica com octreotídeo.

Em Abril de 2010, apresentou em ressonância magnética nuclear (rmn) múltiplas adenomegalias cervicais à esquerda, pelo que foi associada terapêutica com interferão-alfa 2b.

Em Outubro, surgem nódulos subcutâneos na região do couro cabeludo e infra- mamilares, cuja citologia foi compatível com lesões secundárias de tumor neuroendócrino.

Perante progressão da doença e elevado índice proliferativo (Ki-67 de 25%), foi decidido iniciar quimioterapia com o esquema cisplatino (75mg/m2dia 1) e etoposídeo (100mg/m2d1, 2 e 3) de 2 em 21 dias. A doente realizou um ciclo de quimioterapia com agravamento progressivo do estado geral, acabando por falecer.

Discussão Os tumores neuroendócrinos da laringe constituem um grupo raro e heterogéneo de tumores, com comportamento distinto do carcinoma de células escamosas.

Acredita-se que tenham origem nas stem cells pluripotenciais localizadas na submucosa da laringe.3,4 A maioria dos tumores, à excepção dos carcinóides típicos, apresenta uma elevada taxa de recidiva loco-regional e à distância.5 Contrariamente aos carcinomas de células escamosas da laringe, o prognóstico destes tumores está pouco relacionado como estadio à apresentação.4O indicador prognóstico mais preciso é o seu diagnóstico histológico.4 As diferenças do seu comportamento clínico levam a que as recomendações terapêuticas variem de acordo com o subtipo.6 Dentro dos tumores carcinóides, o típico é o mais raro e com melhor prognóstico embora sejam mais agressivos do que inicialmente se pensava, podendo metastizar em cerca de um terço dos casos.7Apresenta uma predominância no género masculino e na meia idade.7uma grande série reportou uma sobrevivência global aos 5 anos de 48,7%.5A cirurgia é o tratamento de eleição, habitualmente laringectomia parcial supraglótica.1,3 Os atípicos são mais comuns e agressivos e a sua recorrência local e metastização são bem conhecidas.4Estes tumores são mais frequentes na meia- idade e no género masculino, mas ao contrário dos carcinóides típicos, frequentemente apresentam ao diagnóstico metástases ganglionares.7O tratamento de eleição é a laringectomia parcial ou total, com disseção cervical eletiva ou terapêutica, de acordo com o tamanho e a extensão do tumor.1,3,8Alguns doentes podem também beneficiar de quimio-radioterapia.1,3,8está descrita uma sobrevivência global aos 5 anos de 46,7%.5 Os tumores neuroendócrinos de pequenas células são altamente agressivos e devem ser considerados disseminados ao diagnóstico inicial.1,9tal como os outros subtipos, este tumor tem uma predominância pelo género masculino, embora surjam numa população com idade mais avançada. O tratamento consiste na combinação da radioterapia e quimioterapia.1,3,9muito poucos doentes sobrevivem além dos 5 anos após o diagnóstico inicial, apresentando uma sobrevivência global semelhante aos carcinomas de pequenas células do pulmão.7 Os carcinomas de grandes células são a variante mais rara e de pior prognóstico, sendo a sua abordagem terapêutica ainda alvo de debate.4,10 O paraganglioma é de origem neural e é tratado com excisão local ou laringectomia parcial. Tem um comportamento, habitualmente, benigno e tem excelente prognóstico.1,11 Uma característica dos tumores neuroendócrinos da laringe, em particular do subtipo carcinóide atípico, é a sua capacidade para originar metástases à distância sob a forma de nódulos cutâneos dolorosos e que podem ser encontrados em diversas localizações.1,7,12O laser CO2 é uma das possíveis abordagens terapêuticas.12A grande revisão de Woodruff and senie, que incluíu 127 casos, reportou uma taxa de metástases cutâneas nos carcinóides atípicos de 22%.13Vários doentes sobrevivem por um longo período depois do surgimento das metástases cutâneas.13 Embora a literatura seja consistente relativamente ao tratamento inicial destes tumores, pouco tem sido publicado relativamente ao tratamento salvageoupaliativo.4Apesar da elevada taxa de recidiva, a cirurgia radical, quando exequível, deve ser sempre considerada, com benefício na sobrevivência destes doentes.4 No presente caso, pelas suas características histológicas raras, não foi possível enquadrar em nenhum dos subtipos carcinóides, o que poderá ter limitado a orientação terapêutica desde o diagnóstico inicial. No entanto, pela sua frequência, comportamento recidivante e metastização cutânea, o mais provável seria estarmos perante um tumor carcinóide atípico.

Tal como descrito na literatura, este caso demonstra que, apesar das várias recidivas regionais e à distância, é possível alcançar uma sobrevivência a longo prazo nestes doentes. Deste modo, a cirurgia com intuito salvage e o tratamento paliativo devem ser sempre considerados.


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