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EuPTCVHe0872-07542014000100010

EuPTCVHe0872-07542014000100010

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0872-0754
ano2014
Issue0001
Article number00010

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Caso cirúrgico

Lactente de três meses com boa evolução estatutoponderal e psicomotora, sem antecedentes de relevo.

Desenvolveu anomalia genital, aparentemente indolor, com evolução desde o nascimento e noção de agravamento ao longo do tempo. Trata-se de uma patologia congénita, que se tornou mais evidente com o crescimento do lactente.

Lactente observado no serviço de urgência, e orientado para consulta externa de Cirurgia Pediátrica.

Qual o seu diagnóstico?

DIAGNÓSTICO Pénis oculto exacerbado pela associação com hidrocelo bilateral volumoso.

COMENTÁRIOS Anomalias dos órgãos genitais externos são particularmente preocupantes devido ao significado inconsciente emocional dessas estruturas reprodutivas e pela possível repercussão futura das deformidades. O Pediatra deve diagnosticar e orientar precocemente. A variedade de patologias associadas aos órgãos genitais externos amplia a complexidade destas malformações(1). O pénis oculto é uma anomalia invulgar, cuja etiologia não está completamente esclarecida. A fáscia de Dartos não se desenvolveu até à sua configuração elástica normal, que permitiria o deslizamento livre da pele sobre as camadas mais profundas do pénis. Estas fibras não elásticas retraem a extensão do pénis, que tem comprimento adequado(2-5).

Outras condições que promovem o pénis oculto: défice de pele peniana, adesão anormal da túnica albugínea à fáscia de Buckou excessiva gordura pré-púbica.

Entre as complicações associadas encontramos as balanites recorrentes(6).

A principal queixa parental foi de encurtamento peniano. Neste caso particular, foi exacerbado pelo volumoso hidrocelo bilateral. O hidrocelo pode obscurecer a presença de pénis oculto, sendo que a observação pelo cirurgião e meticuloso exame físico não devem deixar escapar a simultaneidade das duas condições, uma vez que, a correção cirúrgica apenas do hidrocelo, não resolveria esta condição (7).

Interessa ainda referir que cada uma das patologias existe isoladamente e este caso constituiu de alguma forma, um desafio, pela raridade da presença simultânea das duas condições.

Pretendemos com este caso, valorizar a correção cirúrgica precoce, entre os doze e os dezoito meses de vida, o que se traduz em benefício na diminuição da ansiedade parental, e evita intercorrências infeciosas e as repercussões futuras na autoestima da criança. As técnicas cirúrgicas aplicáveis são inúmeras(8,9). Os pais devem ser esclarecidos. É uma patologia benigna cuja cirurgia se justifica, com excelente outcome, resultados imediatos e complicações raras(10,11).

Palavras-chave:Hidrocelo bilateral, pénis oculto, anomalia genital, cirurgia pediátrica.


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