Uma causa de ataxia aguda em que é preciso pensar
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PM-17
Uma causa de ataxia aguda em que é preciso pensar
Patrícia CarvalhoI; Idalina MacielI; Hugo RodriguesI; Sandra PerdigãoII; Suzana
FigueiredoI
IServiço de Pediatria, Unidade Local de Saúde do Alto Minho
IIServiço de Neurologia, Unidade Local de Saúde do Alto Minho
Introdução:Os acidentes são frequentes na criança e a ingestão acidental de
fármacos um motivo importante de recurso ao Serviço de Urgência (SU). As
manifestações clínicas são heterogéneas e o diagnóstico difícil, sobretudo
quando a ingestão ocorre de modo não presenciado.
Caso clínico:Criança do sexo masculino, 3 anos de idade, que é levada ao SU por
afasia, ataxia e presença de movimentos involuntários dos membros, de início
súbito cerca de 3 horas antes da admissão. Os pais negavam história de ingestão
acidental de fármacos ou outros tóxicos. Sem febre ou outros sintomas
associados. Sem história de intercorrência infeciosa recente. A criança
apresentava um desenvolvimento psicomotor adequado e não havia história de
crises convulsivas febris ou afebris, bem como história familiar de epilepsia.
Ao exame neurológico apresentava olhar vago, sem resposta verbal, não respondia
a ordens simples. Pupilas isocóricas e fotorreactivas. Movimentos aparentemente
completos e simétricos, sem assimetria facial. ROTS normais e simétricos, RCP
em flexão bilateral. Sinais meníngeos negativos. No SU a criança teve um
movimento clónico do tronco com duração de cerca de 5 minutos. Administrou-se
diazepam rectal, seguido de bólus e posteriormente perfusão de ácido valpróico,
tendo revertido e ficado mais reactiva e colaborante, mantendo-se sem
focalizações. Analiticamente apresentava hemograma, PCR, glicose, ureia,
creatinina, ionograma, AST, ALT e gasimetria venosa normais e pesquisa de
drogas de abuso na urina negativa. A TC crânio-encefálica foi normal. Cerca de
2 horas após a admissão, a criança referiu ter ingerido um comprimido em casa
de familiares que os pais concluíram tratar-se de Topiramato 100mg. Atendendo
ao carácter de incerteza da informação cedida pela criança realizou-se punção
lombar que foi normal (citologia, bioquímica, pesquisa de antigénios solúveis e
bateriológico). A criança ficou em vigilância com hidratação endovenosa e teve
alta cerca de 24h após a ingestão, assintomática, sem registo de novos
episódios ou equivalentes convulsivos.
Discussão:Com a apresentação deste caso clínico os autores pretendem reforçar a
noção de que a ingestão acidental de fármacos consiste numa causa a pensar
perante uma criança que se apresenta com ataxia aguda. Uma vez que muitas
destas situações não são presenciadas, torna-se importante descartar outras
etiologias cuja gravidade torna necessária uma actuação urgente e atempada.