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EuPTCVHe0874-02832013000200022

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variedadeEu
ano2013
fonteScielo

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+ Contigo na promoção da saúde mental e prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar

Introdução O suicídio é um problema de saúde pública. Anualmente morrem por suicídio cerca de um milhão de pessoas em todo o mundo. Entre os jovens abaixo dos 25 anos é a terceira causa de morte (WHO, 2013). Estima-se que por cada suicídio consumado ocorram cerca de 30 tentativas. Todavia, se tivermos em conta apenas os jovens entre os 15 e os 24 anos esses números sobem para um intervalo entre 100 e 200 tentativas (Bertolote e Fleischmann, 2009).

Em Portugal o suicídio nos jovens é um fenómeno de baixa intensidade quando comparado com o suicídio em idades mais avançadas, sobretudo acima dos 65 anos.

Contudo, os comportamentos autolesivos são relativamente comuns em jovens e, particularmente em jovens do sexo feminino (DGS, 2013). A prioridade de intervenção nesta faixa etária mantem-se dado que a ocorrência destes comportamentos na adolescência aumenta o risco de problemas na idade adulta (Wasserman et al, 2010).

A escola assume-se como um palco privilegiado de intervenção dado que a ideação suicida e os comportamentos suicidários são comuns em idade escolar; a maioria dos suicidas, se detetados precocemente são preveníveis; permite maior custo- efetividade (Shaffer e Gould, 2009). Por outro lado, apenas uma minoria dos jovens com necessidade de cuidados de saúde mental recebe tratamento e, quando o fazem, a maioria é através da escola (Burns et al., 1995; Cheung e Dewa, 2007), sendo do 1/3 dos problemas detetados através de programas de rastreio (Scott et al., 2009) Em Portugal, o Programa Nacional de Saúde Escolar (Despacho 12045/ 2006) considera a promoção da saúde mental como uma das prioridades, através do desenvolvimento de competências pessoais e sociais, aumento da resiliência, promoção da autoestima e autonomia, visando prevenir comportamentos de risco.

Segundo Shaffer e Gould (2000) podemos identificar quatro tipos de programas: psico-educacionais; de rastreio; formação de porteiros sociais; de pósvenção.

Não havendo ainda evidência sobre a metodologia mais eficaz, os programas multiníveis que associam duas ou mais estratégias têm demonstrado ser mais eficazes (Gould, 2011; Zenere e Lazarus, 2009; Asseltine et al., 2007).

Os objetivos do Projeto +Contigo passam por promover a saúde mental e bem-estar e prevenir comportamentos da esfera suicidária em jovens do ciclo e secundário.

Projeto +Contigo O projeto +Contigo constitui-se como um projeto de investigação longitudinal baseado numa intervenção multiníveis em rede. Tem como objetivos gerais promover a saúde mental e bem-estar em jovens do ciclo e secundário; prevenir comportamentos da esfera suicidária; combater o estigma em saúde mental; criar uma rede de atendimento de saúde mental e como objetivos específicos promover habilidades sociais; promover o auto-conceito; promover a capacidade de resolução de problemas; promover a assertividade na comunicação; melhorar a expressão e gestão de emoções; detectar precocemente situações distúrbio mental; fortalecer redes de apoio nos serviços de saúde.

A população alvo do projeto são os adolescentes do ciclo e ensino secundário e as pessoas com maior proximidade com os mesmos tendo a equipa de saúde escolar do centro de saúde da área da escola um papel determinante no desenvolvimento do processo.

Os critérios de inclusão são: profissionais das equipas de saúde escolar do centro de saúde da área da escola frequentarem o módulo formativo com a equipa coordenadora do projecto; responsáveis da escola demonstrarem vontade de participar e apresentarem candidatura conjunta com equipa de saúde escolar; ser incluído no programa de educação para a saúde da escola e plano de atividades da equipa de Saúde Escolar; encarregados de educação concordarem em participar.

Os critérios de exclusão são: não haver garantia de conclusão do projecto no decorrer de todo o ano lectivo; as turmas alvo de intervenção participarem noutro qualquer projecto similar.

Fig._1_'_Modelo_de_intervenção_do_Projeto_+Contigo

O desenvolvimento do projeto inicia-se com a apresentação de candidatura onde conste um cronograma das atividades a desenvolver, meios disponíveis, e responsáveis locais. Posteriormente a equipa coordenadora avaliará a candidatura e, uma vez aceite, será realizada formação aos profissionais de saúde, professores e assistentes operacionais e, posteriormente, sensibilização para os encarregados de educação. Uma vez criada a rede de apoio inicia-se a intervenção em sala de aula com as turmas alvo de intervenção, incluindo um grupo de controlo com características idênticas ao grupo de intervenção.

Formação A formação de porteiros sociais é feita através de sessões formais onde a adolescência, a depressão, os mitos sobre o suicídio, sinais de alarme, fatores protetores, factores de risco, noção de crise e a gestão de casos em ambiente escolar são abordados. As metodologias utilizadas são expositivas, discussão de casos e role-play.

A formação de professores visa sobretudo os mitos sobre comportamentos suicidários, fatores de proteção e de risco, sinais de alarme e o que fazer em situação de crise, nomeadamente como procurar ajuda.

Na sensibilização com os encarregados de educação é abordada a adolescência, sinais de alarme para comportamentos de risco, particularmente os suicidários, fatores protetores e de risco e como pedir ajuda em situação de necessidade.

Intervenção A intervenção em sala de aula compreende 6 momentos de 45 minutos. Inclui três momentos de preenchimento de questionário. Uma primeira fase antes do início da intervenção, uma segunda imediatamente após a mesma e a terceira seis meses depois. Ao longo das sessões programadas são abordados temas como o estigma, a adolescência, a autoestima, a capacidade de resolução de problemas e o bem- estar. Transversal a todo o programa surge a questão da comunicação assertiva, gestão de emoções e comportamentos de risco. O grupo de controlo participa nos momentos de diagnóstico e avaliação, bem como nas actividades dinamizadas pelos alunos em projeto para toda a escola, nomeadamente cartazes alusivos ao dia da saúde mental, de combate ao estigma ou outros. As metodologias de intervenção utilizadas são a expositiva, a discussão de situações concretas, o role-play e jogos socioterapêuticos.

Figura_2_'_Plano_de_intervenção_+Contigo

O diagnóstico e avaliação são feitos através de questionário que inclui identificação do género, idade, ano de escolaridade e localidade de residência e escalas para caracterizar o bem-estar, o coping, a depressão e o auto- conceito. A análise de resultados é feita através de estatística descritiva e inferencial.

Os casos identificados no decorrer da intervenção ou sinalizados pelas equipas da comunidade educativa são, em articulação com a equipa coordenadora do projeto, encaminhados para o médico de família/equipa do aluno do centro de saúde, e quando identificados como casos mais graves, encaminhados para ser encaminhados pela equipa coordenadora para acompanhamento em serviços de especialidade da área de influência do centro de saúde, isto sempre com a cooperação do encarregado de educação/família do aluno.

O projeto + Contigo solicitou à Comissão Nacional de Proteção de Dados autorização para tratar os dados que foi concedida. Também foi dada autorização para o estudo pela MIME (Monitorização de Inquéritos em Meio Escolar).

O projeto +Contigo tem como entidades promotoras a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e a Administração Regional de Saúde do Centro, como entidades parceiras, a Direção Regional de Educação do Centro, a Consulta de Prevenção do Suicídio dos Hospitais da Universidade de Coimbra, CHUC, o Serviço de Pedopsiquiatria do Hospital Pediátrico, CHUC e o Serviço de Pedopsiquiatria do H. Infante D. Pedro (Aveiro). Encontra-se inscrito na UICISA-E.

Os autores constituem-se como coordenadores do projeto e consultores para as situações que, a nível local, são identificadas e que requerem consultadoria no âmbito da saúde mental.

Conclusão O projeto +Contigo caracteriza-se por ter uma intervenção em rede incluindo os profissionais de saúde, os encarregados de educação, os professores e assistentes operacionais e os alunos. Envolve as estruturas existentes, criando sinergias ao nível comunitário, esperando ser custo-efetivo para a promoção de saúde mental e prevenção de comportamentos suicidários em meio escolar.


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