Apneia obstrutiva do sono e hipertrofia amigdalina: causa reversível de
hipertensão pulmonar
RESUMO DAS COMUNICAÇÕES LIVRES
PM-1
Apneia obstrutiva do sono e hipertrofia amigdalina - causa reversível de
hipertensão pulmonar
Vasco LavradorI; Isabel MartinsI; Céu MotaI; Paula FerreiraI; Sílvia ÁlvaresI
ICentro Hospitalar do Porto (CHP)
Introdução:O síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) define-se pela
presença de obstrução das vias aéreas superiores (VAS) durante o sono. Na
criança a causa mais frequente é a hipertrofia amigdalina ou adenoideia mas
factores anatómicos e neuromusculares podem estar na base desta entidade.
Caso clínico:Criança do sexo masculino, 2 anos de idade, transferido para a
UCIP por quadro de insuficiência cardíaca secundária a obstrução crónica das
VAS.
Antecedentes pessoais: défice de IgA, episódios infecciosos das VAS com
obstrução nasal crónica desde os 7 meses. Adenoidectomia aos 7 meses com
melhoria clínica transitória.
Agravamento progressivo da sintomatologia (rinorreia crónica, roncopatia e
apneia de sono) com programação de amigdalectomia. Na avaliação pré operatória
constata-se quadro de insuficiência cardíaca, com dispneia de decúbito, cianose
e edemas generalizados. Apresenta-se febril (37,8ºC), frequência respiratória
50ciclos/min, frequência cardíaca-110bat/min, saturação transcutânea de
oxigénio-88%, TA-120-76mmHg, AC- S1 normal, S2 com P2 aumentado, sem sopros,
APcrepitações em ambos os campos pulmonares, hepatomegalia.
Rx torax-cardiomegalia com congestão pulmonar.
ECG-RS, f card-110bat/min, desvio direito do eixo eléctrico, anomalia auricular
direita, hipertrofia ventricular direita.
Eco2D/doppler: ausência de cardiopatia estrutural, dilatação das cavidades
direitas e sinais de hipertensão pulmonar (insuficiência tricúspide com
gradiente VD/AD de 64mmHg).
Iniciou terapêutica anticongestiva e foi submetida a amigda- lectomia em D2 de
internamento.
Verificou-se evolução favorável com normalização do ECG, Rx tórax e
ecocardiografia aos 5 meses pós-cirurgia.
Comentários: crianças com hipertrofia adenoamigdaliana e obstrução crónica das
vias aéreas superiores, podem evoluir para quadro de ICC grave e hipertensão
pulmonar. O ecocardiograma bidimensional Doppler cor é de primordial
importância para o diagnóstico, e a amigdalectomia é o tratamento definitivo.