Impacto de diferentes níveis de desfolha artificial nos estádios fenológicos do
algodoeiro
Introdução
Uma desfolha significativa reduz o potencial fotossintético e, dependendo da
intensidade e fase de crescimento da planta, ocasiona prejuízos à produção
(Marchini, 1976). Algumas doenças e pragas, fitotoxicidade de pesticidas ou
adubos, granizo e certas injúrias mecânicas são eventos de comum ocorrência em
áreas de cultivo, e estes podem causar perdas na área foliar das plantas desta
cultura.
Desfolhas significativas podem provocar problemas de qualidade de fibra no que
tange ao micronaire (combinação de finura e maturidade), antecipar o final do
ciclo da cultura e, em alguns casos, deixar manchas na pluma provocadas pelas
fezes de insetos, especialmente se houver umidade (Degrande, 2002). Plantas de
algodão podem suportar até 57% de desfolha simulada, antes do primeiro botão
floral, sem mostrar uma significativa redução na produção de fibra (Kerby et
al., 1988). Todavia, Russell et al. (1993) sugeriram que uma desfolha superior
a 20%, durante a fase de maturação de maçãs, pode impactar significativamente
na produtividade do algodoeiro pela redução da produção de fotossintatos
necessários ao desenvolvimento máximo dos frutos. Torrey et al. (1997)
relataram significativa perda de produtividade associada com a remoção de todas
as folhas da parte inferior de 66% do dossel do algodoeiro, quando o
desenvolvimento das plantas estava com até cinco nós acima da flor branca e 350
unidades de calor NAWF (número de nódulos acima da flor branca) ≤ 5 + 350 HU
(unidade de calor).
De acordo com Gallo et al. (2002) o nível de controle para desfolhadores é de
25% de desfolha no terço superior das plantas dos 90 aos 140 dias. Degrande
(2004) descreve que para lavouras jovens (até 30 dias após a emergência) deve-
se considerar como nível de dano econômico uma a duas lagartas por metro linear
de cultivo, e não deixar ultrapassar 10% de desfolha. Nas demais idades,
controlar desfolhadores quando a população for superior a duas lagartas por
planta, ou 25% de desfolha no topo da planta, ou 10% de desfolha na planta
inteira.
Estudos relacionados à desfolha artificial produzem informações básicas e
técnicas seguras que possibilitam o conhecimento quantitativo a respeito da
capacidade das culturas tolerarem perdas de área foliar em diferentes estádios
fenológicos (Fazolin e Estrela, 2004). Em algodoeiro, trabalhando com desfolha
artificial, os autores (Oosterhuis e Urwiler, 1988) e (Beltrão e Azevedo, 1993)
concluíram que a retirada das folhas da haste principal causa uma redução na
produção de mais de 30%, e o desenvolvimento da planta também foi afetado.
Jácome et al. (2001) relataram que as produções de capulhos, biomassa e o
número de frutos do tratamento com remoção das folhas da haste principal foram
inferiores à do tratamento sem remoção.
O crescimento dessa espécie é muito dinâmico, variando em função do ambiente e
do manejo (Monteiro et al., 2005). Experimentos realizados por Yang e Midmore
(2004) indicaram que, onde havia irrigação, quando suspenso o fornecimento de
água, a desfolha diminuiu fortemente o impacto negativo causado por estresse
hídrico. A desfolha evoca muitas respostas morfológicas e fisiológicas nas
plantas.
Face à grande influência do desfolhamento nos componentes de produção,
repercutindo em última instância na produtividade, qualidade e rentabilidade,
os estudos sobre níveis de desfolha nos diferentes estádios fenológicos do
algodoeiro fornecem subsídios sobre o comportamento da planta no que diz
respeito à capacidade de suportar desfolhas, como daquelas decorrentes do
ataque de pragas, doenças, ou qualquer outro fator que venha a reduzir o IAF.
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito da redução da área foliar de
algodoeiros cultivados em casa-de-vegetação, em seus diferentes estádios
fenológicos, mediante a técnica de desfolha artificial.
Material e métodos
O estudo foi realizado na Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade
Federal da Grande Dourados (UFGD) em condições de casa-de-vegetação. Para o
preparo dos vasos para a semeadura do algodão foi utilizado solo oriundo do
horizonte B textural de um Latossolo Vermelho distroférrico, coletado na FCA da
UFGD. Após secagem ao ar livre, sobre lona preta de polietileno, o solo foi
peneirado com peneira de 2 mm de malha e enviado para análise química. Os dados
foram interpretados, realizou-se a calagem e adubação conforme a necessidade da
cultura, recomendado para experimentos em casa-de-vegetação de acordo com
Novais et al. (1991). Em seguida, foram preparados 125 vasos experimentais
contendo solo corrigido, adubado num total de 6,0 kg do solo por vaso.
Depois de preparados, os vasos foram semeados com a cultivar NuOpal®, na
proporção de 4 sementes por vaso. No estádio V2, de acordo com a escala
fenológica de Marur e Ruano (2001), foi realizado o desbaste para padronizar
duas plantas por vaso. Uma camada com aproximadamente dois centímetros de palha
foi colocada na superfície dos vasos a fim de promover a estabilidade da
temperatura no solo e reduzir a perda de água por evaporação.
Os níveis dos fatores foram combinados segundo um esquema fatorial, sendo cinco
níveis de desfolha (0, 25, 50, 75 e 100%) e cinco estádios fenológicos (V3, B1,
F1, F5 e C1) descritos na escala de Marur e Ruano (2001), em delineamento
experimental inteiramente casualizado, com cinco repetições. Cada parcela
consistiu de um vaso com duas plantas. A máxima fotossíntese das folhas ocorre
quando o fruto está no início de seu desenvolvimento e, devido a esse fato, o
estádio de florescimento que vai do surgimento da primeira flor até o primeiro
capulho, foi dividido em duas partes, correspondendo à fase de F5 à segunda
parte do estádio de frutificação, ou seja, quando do surgimento da primeira
maçã. Assim foi escolhido o estádio F5 por significar o aparecimento da
primeira maçã.
Os níveis de desfolha artificial foram aplicados nas épocas definidas pelos
níveis do fator estádio, utilizando-se tesouras para a retirada da área foliar.
Cada uma das folhas das plantas recebeu o mesmo nível de desfolha. Para
prevenir eventual ocorrência de pragas e doenças, foi realizado o controle
químico preventivo. A eliminação de plantas daninhas nos vasos foi feita pelo
método manual.
Para avaliação dos efeitos da desfolha as variáveis-respostas observadas foram:
número total de capulhos produzidos (TC), número de capulhos viáveis (CV) e
peso de capulhos em gramas (PC). O TC corresponde ao número total de estruturas
produzidas pelas plantas, enquanto que o CV é o número de estruturas que pode
ser colhido. Os dados observados foram submetidos à análise de variância,
segundo um modelo fatorial 5x5 para testar a significância das fontes de
variação. Quando o efeito do fator estágio foi significativo, aplicou-se o
teste de comparação de médias Tukey. Quando o efeito do fator desfolha foi
significativo fez-se o ajuste de modelos de regressão polinomial. O teste de
normalidade e homogeneidade de variância foi aplicado aos resíduos do modelo
para verificar se todas as inferências estatísticas eram válidas. Quando houve
presença de interação, realizou-se o estudo de um fator fixando o nível do
outro fator, usando as mesmas técnicas acima citadas. Para todas as
inferências, adotou-se nível nominal de significância de 5% de probabilidade.
Todas as análises e gráficos foram realizadas com o aplicativo R Development
Core Team (2008).
Resultados e discussão
A análise de variância apontou efeito significativo do estádio fenológico e da
desfolha, bem como da interação entre os fatores níveis de desfolha e níveis de
estágio (Quadro 1), o que indica que incrementos nos níveis de desfolha causam
reduções nas respostas observadas, cuja intensidade depende do estágio em que
ocorrem.
Quadro_1 -
Quadrados médios para as variáveis-respostas número total de capulhos (TC),
número de capulhos viáveis (CV) e peso de capulhos (PC), em gramas, nas fontes
de variação. Dourados, MS. 2008(1).
Enquanto os níveis de estádios fenológicos (V3, B1, F1, F5, e C1) são
qualitativos, os níveis de desfolha (0, 25, 50, 75, 100%) são quantitativos.
Então, os efeitos dos diferentes estádios foram comparados por meio do teste de
Tukey 5% (Quadros 2, 3 e 4) e o efeito dos níveis de desfolhamento foi
interpretado por meio de modelos de regressão polinomial (Quadro 5; Figuras 1,
2 e 3).
Quadro_2 -
Comparação de médias do Número de Total de Capulhos (TC) em cada estádio
fenológico de desfolha e para cada nível de desfolha(1). Dourados, MS. 2008.
Quadro_3 -
Comparação de médias do Número de Capulhos Viáveis (CV) em cada estádio
fenológico de desfolha e para cada nível de desfolha(1). Dourados, MS. 2008.
Quadro_4 -
Comparação de médias para a variável Peso de Capulho (PC), segundo cada
estádio de desfolha e para cada nível de desfolha(1). Dourados, MS. 2008.
Quadro_5 -
Equações estimadas para os modelos de regressão ajustados e respectivos
coeficientes de determinação para as variáveis estudadas, segundo as épocas de
desfolha. Dourados, MS. 2008.
Figura_1 - Valores observados e preditos pela equação estimada para variável-
resposta "Número total de capulhos (TC)" em função do nível de desfolha
artificial de plantas de algodão (0%, 25%, 50%, 75% e 100%) em cada estádio de
desfolha (1- V3; 2- B1; 3- F1; 4- F5 e 5- C1 ' de acordo com a escala de Marur
e Ruano,2001).
Figura_2 -Valores observados e preditos pela equação estimada para a variável-
resposta "Número de capulhos viáveis (CV)", em função do nível de desfolha
artificial de plantas de algodão (0%, 25%, 50%, 75% e 100%) em cada estádio de
desfolha (1- V3; 2- B1; 3- F1; 4- F5 e 5- C1 ' de acordo com a escala de Marur
e Ruano, 2001).
Figura_3 -Valores observados e preditos pela equação estimada para a variável-
resposta "Peso de capulhos (fibra+caroço)" (em gramas), em função do nível de
desfolha artificial de plantas de algodão (0%, 25%, 50%, 75% e 100%) em cada
estádio de desfolha (1- V3; 2- B1; 3- F1; 4- F5; e 5- C1 ' de acordo com a
escala de Marur e Ruano, 2001).
Quando as plantas não foram submetidas à desfolha (nível de 0%), as quantidades
totais de capulhos (TC variando de 8, 4 a 10 ' Quadro_2), capulhos viáveis (CV
variando de 8, 4 a 10 ' Quadro_3) e peso de capulhos (PC variando de 28, 75 a
34, 18 gramas ' Quadro_4) não foram estatisticamente diferentes nos diferentes
estádios fenológicos, o que indicou ausência de variabilidade do potencial
produtivo das plantas dos vasos que compunham as parcelas dos tratamentos,
indicando que a forma condução das plantas nos vasos atendeu aos propósitos do
estudo.
A análise das informações obtidas, mostrou que o efeito 25% de desfolha das
plantas no número total de capulhos nas plantas foi mais intenso quando ela
ocorreu nos estádios de primeira flor (F1) e primeira maçã (F5) do que o mesmo
nível de desfolhamento durante o estádio de primeiro botão floral (B1),
enquanto que a ocorrência desta desfolha em V3 e C1 não causou perdas
significativas, comparativamente (Quadros 1 a 3). Quanto ao número de capulhos
viáveis, desfolhas de 25% nos estádios F1 e F5 reduziram significativamente a
formação destas estruturas úteis. Já com relação ao peso de capulhos, a
desfolha de 25% feita em F1 reduziu a produção significativamente quando
comparada com o mesmo nível de desfolha feito em B1, C1 e V3, mas não diferiu
de desfolhas feitas quando do aparecimento da primeira maçã; que por sua vez
teve resposta estatisticamente similar às desfolhas feitas em B1, C1 e V3.
Também ficou evidente que desfolhas de 25% feitas nos estádios V3 e C1 não
afetaram as três variáveis-respostas mensuradas, sendo esta uma importante
informação para futuras interpretações da capacidade da planta suportar o
ataque de desfolhadores e outros agentes que reduzem a área foliar. Desfolhas
de 50% e 75% não afetaram significativamente o TC entre os estágios da sua
realização, no entanto, afetaram a viabilidade dos capulhos, já que ocorreram
reduções significativas do número de capulhos viáveis quando ela foi feita em
nível de 50% no estádio F1 e 75% nos estádios F1 e F5; também evidenciou-se que
desfolha de 75% em V3 mostra-se como limiar para perda de capulhos viáveis, uma
vez que este tratamento foi semelhante estatisticamente aos tratamentos com
danos tanto significativos quanto não significativos.
Quanto à produção (PC), desfolhas de 50% em F1 e 75% em F1 e F5 foram
significativamente prejudiciais à produtividade das plantas, com impacto maior
para injúrias destes níveis realizados no estádio F1. De modo similar, as
desfolhas no nível de 100% foram mais destrutivas se ocorriam na fase de
primeira maçã ou F1 do que no momento do primeiro botão floral ou C1. A
interpretação do teste de comparação de médias evidenciou claramente que
qualquer nível de desfolha estudado e aplicado em C1 foi menos prejudicial que
desfolhas em estádios anteriores da planta. Por outro lado, desfolhas em B1 são
menos prejudiciais que aquelas ocorridas no florescimento pleno e início de
formação de maçãs. Isto indica necessidade de melhor manejo dos agentes
causadores de desfolha nesta fase do período reprodutivo, em relação à fase
vegetativa, B1 e final do ciclo das plantas. Assim, nota-se que à medida que se
intensifica o grau de desfolha aumentam-se as perdas.
Uma redução de área foliar de 25% feita no estádio vegetativo promoveu também
um maior TC e CV quando comparado à testemunha sem desfolha (Quadro 2 e 3);
porém, quando a produção (PC) foi comparada, a diferença não foi significativa
entre os tratamentos (Quadro_4). Isso indicou que, durante o estádio
vegetativo, o algodoeiro tolera desfolhas de até 25%, havendo alta capacidade
de recuperação das plantas. No entanto, podem ser observadas perdas médias
entre 8,56 e 10,34% para os tratamentos com 75% e 50% de desfolha,
respectivamente, chegando à redução de 34,21% quando comparados os resultados
de produtividade do tratamento com 100% de desfolha. O tratamento com 75%, para
esse estádio, apesar de ter apresentado menor número de capulhos em relação ao
tratamento com 50% de desfolha, obteve maior produtividade (1,78% superior). A
elevada recuperação das plantas quando submetidas à desfolha nesse estádio pode
estar ligada ao vigoroso crescimento do sistema radicular, e que, os primeiros
quatro a cinco nós da haste principal são vegetativos e suas folhas têm duração
curta (Rosolen, 2007).
As desfolhas no estádio vegetativo V3 resultaram em considerável aumento em
relação à testemunha para TC e CV. No estádio B1, todos os tratamentos exceto o
tratamento com 100% de desfolha, obtiveram média superior à testemunha para as
variáveis TC e CV (Quadros 2 e 3), entretanto, a variação não foi significativa
(Figuras 1 e 2), pois a reta de regressão demonstra que não existe relação
funcional linear entre nível de desfolha e as variáveis TC e CV no estádio de
botão floral.
Quanto a produção, nenhum dos tratamentos se sobressaiu à testemunha, mantendo
um decréscimo linear conforme se aumentou o nível de desfolha (Figura_3). Esse
decréscimo até os 75% de desfolha não ultrapassou os 8,80%, chegando à redução
máxima de 20,23% da produção quando comparada à testemunha.Contrariamente
Bleicher et al. (1983) mostram que as plantas não toleram grandes perdas de
área foliar nos primeiros 45 dias de desenvolvimento, assim como Degrande
(2004) que indica maior cuidado com prevenção da desfolha na fase vegetativa.
Essa capacidade de recuperação das plantas pode explicar por que certos
produtores toleram alguma injúria às folhas, nesta fase, causada por mosca-
minadora, fitotoxicidade de produtos químicos ou mesmo granizo, sem prejuízo
aparente à produtividade.
Desfolhas nos estádios de desenvolvimento vegetativo e de formação de botões
florais apresentaram menores perdas na produção quando comparados os níveis de
desfolha à testemunha. Yang e Midmore (2004) constataram que os rendimentos
reprodutivos (sementes e fibra) foram reduzidos após desfolhas realizadas aos
43 dias após a emergência.
De outra forma, no estádio de florescimento, quando as plantas foram submetidas
a 25% de desfolha artificial, as perdas em relação à testemunha foram próximas
às encontradas por Yang e Midmore (2004), que citaram diminuição de 53,36% na
produção em relação à testemunha, quando realizadas desfolhas de 100% nas
plantas.
Quirino e Soares (2001) constataram que, em relação à área foliar, o ataque de
A. argillacea é mais severo após a floração, pois, sob o estresse da desfolha
no estádio de florescimento, foi percebida claramente a maior influência sobre
o desenvolvimento e produção das plantas, e isso também pode ser crítico para
outras lagartas desfolhadoras, como S. eridania, T. ni e P. includens.
No presente experimento, observou-sequeda de 26,50% na produção aos 25% de
desfolha, atingindo 53,36% de redução no tratamento com 100% de desfolha. Já,
em relação ao CV e ao peso dos capulhos no tratamento com desfolha de 100%
durante o estádio F5, essas variáveis atingiram médias de 65,12% e 76,79%,
respectivamente, mais baixas que a testemunha.
O TC para o estádio de floração não teve muita variação em relação à
testemunha, quando comparadas às desfolhas de 25%, 50% e 75%. Com relação à
desfolha de 100%, a diferença foi aproximadamente 40% menor que a testemunha. O
mesmo ocorreu na avaliação do CV, mas com maiores diferenças quando comparadas
com a testemunha.
No algodoeiro, os pontos frutíferos são alimentados pelos assimilados das
folhas subtendidas do caule e do ramo simpódio (Beltrão e Souza, 2001). Essas
afirmações podem ajudar a elucidar o fato de que, nessa segunda parte do
estádio de frutificação, foram encontradas as maiores perdas médias para o
tratamento com 100% de desfolha (Quadros 2, 3 e 4), o que provavelmente se deve
a maior queda das estruturas reprodutivas devido ao estresse da desfolha.
O tratamento com 50% de desfolha se igualou à testemunha no TC e CV, porém,
obtiveram maior produção em relação à mesma e aos demais tratamentos. Como em
plantas de algodoeiro é de fundamental importância que haja equilíbrio na
distribuição dos assimilados entre estruturas vegetativas e reprodutivas, é
possível que o índice de desfolha de 50% faça com que a planta se ajuste
fotossinteticamente promovendo demanda de assimilados para as estruturas em
crescimento.
De acordo com Eaton e Ercle (1965), desfolhamentos de 50% em plantas de
algodão, até a formação dos frutos, resultam em redução de até 14% na produção.
Resultados obtidos nessa pesquisa demonstram que, com exceção dos níveis de
desfolha de 100% dentro do estádio vegetativo e de botão floral, as reduções de
produtividade apresentaram-se sempre inferiores a 14% em relação à testemunha,
enquanto que durante a fase de floração, independente do nível de desfolha,
houve reduções sempre superiores a 14% na produtividade. Por outro lado, após o
surgimento da primeira maçã, os níveis de desfolha de 25 e 50% obtiveram
reduções na produtividade inferiores a 14%. Já desfolhas de 75% resultaram em
perdas de até 76,79%.
A desfolha no estádio de capulho não teve muita influência nas variáveis
estudadas. Observa-se que não houve relação funcional linear significativa para
as variáveis TC e CV em relação aos níveis de desfolha para esse estádio
(Quadro_5). A maior diferença no TC em relação à testemunha foi na desfolha de
50%, que obteve 16% menos estruturas reprodutivas. Para esse mesmo tratamento,
a relação TC e CV obtiveram diferença de 2,38% a menos para CV. Nos demais
tratamentos não houve diferença entre esses dois fatores. Esse estádio foi o
que obteve menor diferença entre TC e CV, sendo que o TC e o CV foram os mesmos
em praticamente todos os tratamentos, com exceção do tratamento com 50% de
desfolha que apresentou diferença muito pequena entre esses fatores.
Também observou-se que o peso dos capulhos é decrescente conforme se aumenta o
nível de desfolha. Nesta fase, a carga pendente deve ser suficientemente alta
para inibir o crescimento vegetativo, e a ocorrência de um estresse nas plantas
pode causar prejuízo na qualidade da fibra e não na produtividade (Rosolen,
2007).
Conclusões
Para todos os níveis de desfolha, em todos os estádios fenológicos do
algodoeiro, há perda de produtividade à medida que o grau de desfolha vai se
intensificando. Exceção a esta regra ocorre com desfolhas de até 25% feitas em
V3 e F5.
Desfolhas de 25% no estádio vegetativo (V3) e de primeira maçã verde (F5) não
reduziram significativamente o rendimento das plantas.
Desfolhas ocorridas no estádio B1 não causaram efeitos significativos sobre
número de capulhos produzidos e sua viabilidade para colheita, mas afetaram
linearmente a produtividade.
As desfolhas realizadas no estádio de florescimento (F1) resultaram nas maiores
perdas do índice de produtividade do algodoeiro e com resposta linear.
As desfolhas realizadas no estádio de início de frutificação (F5) resultaram em
grandes perdas nos índices de produtividade do algodoeiro a partir de 50% de
área foliar reduzida.
Desfolhas de feitas no estádio C1 não afetaram o número e a viabilidade de
capulhos, mas em qualquer nível reduziram linearmente a produtividade.