Avaliação de feromonas na monitorização de Bichado-da-Castanha, Cydia Splendana
(Hubner) (Lepidoptera: Torticidae) na ilha Terceira, Açores
INTRODUÇÃO
Na Europa, a cultura de castanheiro ocorre no Centro e Oeste, na região
Mediterrânea e nos Arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias (Ventura, 2005)
(cit. Fernandes, 1987).
A presença de castanheiro nos Açores foi referenciada no início do século XIX,
em manchas, entre os 100 e 200 m de altitude, em locais abrigados do vento, de
solo profundo e permeável, onde a variedade de castanha Viana é a única
cultivada (Ormonde, 1994). A importância económica e social desta cultura
atingiu proporções significativas nos Açores, de modo particular, na Ilha
Terceira, à semelhança do que aconteceu em outras regiões de Portugal.
Na Ilha Terceira, o local de maior expressão desta cultura abrange a freguesia
da Terra-Chã e as suas limítrofes: S. Pedro, Posto Santo, S. Mateus e S.
Bartolomeu. No entanto, a Norte da Ilha, podem ainda encontrar-se algumas
parcelas isoladas e dispersas, nas freguesias dos Biscoitos, Altares e Quatro
Ribeiras. Nos Biscoitos, a Norte, existe a maior mancha produtiva de
castanheiro. Nas restantes freguesias, a cultura é residual, registando-se
pontualmente a presença de castanheiro (Ormonde, 1994; Lopes et al., 2009a;
2009b; 2009c).
O bichado-da-castanha, Cydia splendana(Hubner) (Lepidoptera: Tortricidae) é a
praga-chave desta cultura, aparecendo os seus adultos a partir de meados de
Junho e aumentando as suas densidades até meados de Outubro, em que se registam
os níveis populacionais mais elevados (Aguin-Pomboet al., 2009a; Lopes et al.,
2008; 2009a; 2009b; 2009c).
As lagartas de C. splendana, pela sua ação, são mais facilmente identificadas,
sendo importante fonte de preocupação para todos os produtores, pois, ao
desenvolverem-se no interior do fruto, onde fazem galerias à medida que se vão
alimentando, afectam muito, principalmente nos últimos anos, a rentabilidade da
produção de castanha na Ilha Terceira.
Este estudo teve 2 objetivos: (1) avaliar a importância económica da praga,
através da determinação da intensidade de ataque nos frutos; (2) qual a
feromona mais eficaz na monitorização dos adultos de C. splendana.
No futuro, depois de conhecer melhor a biologia desta praga na Ilha Terceira,
pretende-se estudar a aplicação da captura em massa, técnica já ensaiada na
Ilha da Madeira, com resultados positivos (Aguin-Pomboet al., 2008; 2009b).
MATERIAL E MÉTODOS
Para avaliar a importância económica desta praga, através da determinação da
sua intensidade de ataque, em 2010, foi realizada a amostragem de 500 frutos
por parcela, em 6 pomares, 4 na zona Sul da Ilha, abrangendo as freguesias da
Terra-Chã e de S. Pedro e 2 na zona Norte, nos Biscoitos. Estes frutos foram
recolhidos, de forma aleatória, ao longo de toda a parcela, sendo
posteriormente abertos em laboratório para prospeção do seu interior quanto à
presença de larvas.
Através de geo-referenciação, recorrendo ao software ArcGis 9.2, à fotografia
aérea e aos Sistemas de Informação Geográfico (SIG), foi elaborado o mapa de
localização das armadilhas, na parcela de castanheiro onde decorreu o ensaio de
avaliação da eficácia de 3 feromonas na monitorização dos adultos do
bichado'da-castanha (Figura1). As armadilhas Delta, com as 3 feromonas, foram
colocadas no campo em 25de Junho de 2010. As armadilhas Delta foram
posicionadas no interior da copa do castanheiro com o auxílio de uma corda
(Figura_2) e distribuídas recorrendo a um GPS, de modo alternado para tipo de
feromona a ensaiar, mantendo a distância, entre elas, de 25 metros (Figura1).
As 3 feromonas: Oecos, Pherobank e Syngenta, adquiridas no mercado nacional,
foram colocadas em 15 armadilhas do tipo Delta, com 5 repetições de cada
feromona.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Avaliação da intensidade de ataque de C splendana
A intensidade de ataque, no conjunto dos frutos amostrados, foi de 20% sendo
mais elevada (26%), na zona Sul do que na zona Norte (8%) (Quadro_1).
Esta intensidade de ataque, em 2010, foi muito inferior à registada em 2006
(40%) e em 2007 (77%), em alguns casos, (Lopes et al., 2008; 2009a; 2009b;
2009c). Perante estas intensidades de ataque dos frutos, que comprometeram
parte da produção, considerou-se importante continuar, anualmente, a avaliar a
incidência desta praga na produção terceirense.
Na ilha da Madeira, a intensidade de ataque foi superior (45%) à dos Açores em
2010 e inferior (50%) à de 2007 (Aguin-Pomboet al., 2008).
Avaliação da eficácia das 3 feromonas ensaiadas
Os adultos de bichado-da-castanha, C. splendanasurgem, normalmente, a partir de
meados de Junho e registou-se o aumento da sua densidade populacional até
meados de
Outubro, mês em que ocorreram os valores mais elevados (45%) desta praga
(Aguin-Pomboet al., 2009a; Lopes et al., 2008; 2009a; 2009b; 2009c). Neste
ensaio, em contraste com estes dados de 2008 e 2009, no conjunto das capturas
de adultos C. splendana, pela atração das 3 feromonas, verificou-se, em 2010, a
ocorrência mais elevada (32%) em Setembro e Julho e, depois, em Agosto (21%) e
Outubro (15%) (Quadro_2).
O total de capturas, no conjunto dos 4 meses, em 2010, evidenciou a muito
destacada maior eficácia (75%) da feromona Pherobank, em nítido contraste com a
Oecos (14%) e a Syngenta (11%) (Quadro_2). Esta clara evidência justificará a
opção pela utilização da feromona Pherobank, na monitorização de adultos desta
praga do castanheiro.
Em ensaios anteriores, a feromona Pherobank também foi a mais eficaz (75%) na
atração dos adultos do bichado da castanha (Lopes et al., 2009a). Na Ilha da
Madeira, a
feromona Oecos foi a mais adequada (80%) às condições madeirenses na
monitorização desta praga (Aguin-Pomboet al., 2008).
A procura de soluções, no domínio das medidas de proteção contra o bichado'da-
castanha, deve, de acordo com os dados obtidos neste estudo, prosseguir para a
utilização das feromonas mais eficazes, contribuindo, assim, quer para o melhor
conhecimento do período de aparecimento, presença dos adultos e de maiores
densidades populacionais desta praga, quer para a redução dos adultos e
posterior redução das populações larvares de C. splendana na Ilha Terceira.
É importante, para a monitorização, cobrir todo o período de presença no campo
desta praga, com a colocação das armadilhas com feromona sexual, desde o início
de Junho, antes do início do voo dos adultos. É também importante referir que
estas armadilhas com feromona sexual apenas devem ser retiradas do campo no fim
de Novembro, abrangendo, assim, todo o normal período de aparecimento dos
adultos nas parcelas produtivas.
CONCLUSÕES
• A intensidade de ataque do bichado-da-castanha nos frutos, entre Julho e
Outubro de 2010, foi mais elevada (26%), na zona Sul da ilha Terceira do que
na zona Norte (8%) (Quadro_1).
• A feromona Pherobank, na armadilha Delta, foi a que evidenciou, claramente,
a maior eficácia (75%), na captura de adultos de C. splendana, em relação às
outras feromonas (Oecos e Syngenta), o que poderá justificar a sua
utilização, no futuro, na monitorização dos adultos desta importante praga do
castanheiro (Quadro_2).
• As capturas de C. splendana foram mais elevadas (32%) em Julho e em
Setembro de 2010 (Quadro_2).