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EuPTCVAg0871-018X2013000400004

EuPTCVAg0871-018X2013000400004

variedadeEu
ano2013
fonteScielo

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Desempenho de híbridos de milho cultivados em diferentes espaçamentos na região do cerrado brasileiro

Introdução Um dos principais cereais produzidos no mundo é o milho (Zea mays L.) devido a ser fornecedor de produtos para a alimentação humana, animal e matéria-prima para a indústria (Moraes e Brito, 2010). A produtividade média brasileira, que em 2012 alcançou 4,7 toneladas por hectare (Conab, 2012), é considerada baixa, quando comparada à de outros países produtores, sendo relacionada a diversos fatores como a nutrição do milho, arranjo e densidade populacional das plantas (Cruz et al.,2008).

A maior região produtora de milho encontra-se no Centro-Sul brasileiro, havendo duas safras distintas, onde uma é considerada a época normal, realizando sua semeadura no final de setembro e estendendo a dezembro, e a outra é a safrinha, com semeadura nos meses de janeiro a abril, dependendo da região, tornando-se uma prática economicamente muito importante, com um acréscimo na área cultivada (Gonçalves et al., 1999; Casagrande e Fornasieri Filho, 2002).

A produção brasileira de milho na safra de 2011/12 atingiu um volume de 72,73 milhões de toneladas, das quais aproximadamente 39 milhões de toneladas foram produzidos na segunda safra. A área total cultivada com milho no país é de 15,2 milhões de hectares. Para o Estado de Mato Grosso do Sul a produção esperada para a safra de 2012/13 está em torno de 6,2 milhões de toneladas, com área plantada de aproximadamente 1,2 milhões de hectares (Conab, 2012).

De acordo com Gilo et al. (2011), os ensaios de cultivares de milho são muito importantes, pois estes são utilizados como referência para a recomendação aos agricultores das cultivares que possuem maior potencial de produtividade e as suas formas de manejo. Tais pesquisas aliadas ao surgimento de novos genótipos, como o uso de híbridos com alto potencial produtivo e arquitetura foliar mais ereta, contribuíram para o acréscimo da densidade de plantas e a diminuição do espaçamento entre linhas (Argenta et al., 2001).

Além do espaçamento reduzido proporcionar maiores produtividades, pesquisa comprovada por alguns trabalhos (Nascimento et al., 2012; Gilo et al., 2011), o fato de se poder utilizar a mesma semeadora, sem mudança no espaçamento entre linhas para efetuar as semeaduras das culturas do milho, soja, sorgo, feijão e girassol, fez com que muitos produtores rurais da região Centro-Oeste utilizassem os espaçamentos de 45 ou 50 cm. Outro motivo a contribuir foi o advento das indústrias de máquinas e implementos agrícolas no desenvolvimento de plataformas para colheita de milho cultivado em espaçamentos reduzidos (Silva et al., 2008).

Neste contexto, o objetivo desta pesquisa foi avaliar os efeitos de dois espaçamentos entre linhas sob três híbridos de milho nos componentes de produção e produtividade da cultura, na região do Cerrado Sul-Mato-Grossense brasileiro.

Material e Métodos O experimento foi conduzido no ano agrícola de 2010 na área experimental da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - Unidade Universitária de Aquidauana (UEMS/UUA), setor Fitotecnia/Produção Vegetal, localizado no bioma Cerrado, situado no município de Aquidauana, (MS), compreendendo as seguintes coordenadas geográficas 20º27'S e 55º40'W, com uma altitude média de 170 m.

O solo da área foi classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico de textura arenosa (Embrapa, 2006), com as seguintes características na camada de 0 - 0,20 m: pH (H2O) = 6,2; Al trocável (cmolc dm-3) = 0,0; Ca+Mg (cmolc dm-3) = 4,31; P (mg dm-3) = 41,3; K (cmolc dm-3) = 0,2; Matéria orgânica (g dm-3) = 19,74; V (%) = 45; m (%) = 0,0; Soma de bases (cmolc dm-3) = 2,3; CTC (cmolc dm-3) = 5,1. O clima da região, segundo a classificação descrita por Köppen- Geiger é do tipo Aw (Tropical de Savana) com precipitação média anual de 1200 mm e temperaturas máximas e mínimas de 33 e 19ºC, respectivamente (Schiavo et al., 2010).

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso em esquema fatorial (3x2), com quatro repetições. A área foi dividida em quatro blocos com um total de vinte e quatro parcelas experimentais, cada uma com área de 45 (4,5 x 10 m), com cinco metros de espaçamento entre blocos. Os seis tratamentos foram constituídos por dois espaçamentos (0,45 e 0,90 m) e por três híbridos.

Foram utilizados os híbridos AGROCERES AG9040 (híbrido simples, ciclo superprecoce e arquitetura foliar ereta), PIONEER P30F35 (híbrido simples, ciclo precoce e arquitetura foliar normal) e o híbrido PIONEER P30K75Y (híbrido simples modificado, ciclo precoce e arquitetura foliar normal).

Na preparação da área experimental, foi realizada uma dessecação com o herbicida Roundup WG, com ingrediente ativo glifosato, na dose de 1 kg ha-1.

Após a secagem e a morte completa das plantas, os sulcos foram abertos com utilização de uma semeadora simples, realizando semeadura manualmente sob sistema de plantio direto, no dia 17/03/2010, dez dias após a dessecação, onde foram distribuídas 2,5 e 5 sementes por metro na linha de plantio, nos espaçamentos de 0,45 e 0,90 m, respectivamente, para estabelecimento de 55.555 plantas ha-1.

A adubação no momento da semeadura constituiu-se de 300 kg ha-1 da formulação 4-20-20. Na adubação de cobertura foi utilizada ureia como fonte de nitrogênio, aplicando-se 100 kg ha-1 em superfície quando as plantas possuíam de cinco a oito folhas completamente expandidas, conforme recomendações de Broch (1999).

O controle da lagarta do Cartucho (Spodoptera frugiperdaSmith) foi realizado aos 30 dias após a semeadura com a utilização do inseticida comercial Certero (ingrediente ativo triflumurom) na dosagem de 75 mL ha-1. Para controle das plantas invasoras em pré-emergência, foram utilizados 1,125 g ha-1 do princípio ativo atrazina e, posteriormente, capina manual.

Por ocasião da colheita, quando os grãos apresentavam aproximadamente 18% de umidade, foram feitas as medições de altura final de plantas e inserção da primeira espiga, sendo realizadas com régua graduada, em cinco plantas por parcela. O diâmetro do colmo foi avaliado logo acima do terceiro entrenó, com auxílio de um paquímetro analógico. Em cada parcela experimental foram colhidas cinco espigas aleatoriamente, que foram numeradas de acordo com as plantas avaliadas, determinando-se o diâmetro e comprimento da espiga, além do número de fileiras por espiga e grãos por fileira.

A colheita das espigas de milho e debulha foram realizadas manualmente em três linhas centrais de 5 m de comprimento, de acordo com o ciclo de cada cultivar.

A produtividade (PROD) foi estimada por meio da extrapolação da produção colhida na área útil para um hectare, corrigindo-se para 13% de base úmida. A massa de cem grãos (MG) foi determinada pela contagem manual, pesagem e correção da umidade para 13%. Os valores mensais médios de temperatura e umidade relativa do ar e acumulados de precipitação pluviométrica no decorrer da condução do presente experimento são apresentados no Quadro_1.

Os dados foram submetidos à análise de variância (Teste F) e as médias comparadas pelo Teste de Tukey, a 5 e 1% de probabilidade, utilizando o software estatístico SISVAR (Ferreira, 2011).

Resultados e discussão No Quadro_2 estão apresentados os valores médios de altura da planta e inserção da espiga e diâmetro do colmo, onde não foram identificadas diferenças significativas para o espaçamento utilizado (E) e para sua interação com híbridos (E x H). Contudo, os valores médios destas variáveis para os diferentes híbridos (H) utilizados apresentaram diferenças significativas (P<0,01).

O híbrido AG9040 se destacou por maior porte das plantas, obtendo também com o híbrido P30K75Y maior altura de inserção das espigas. Para a variável diâmetro do colmo, o híbrido P30F35 apresentou a maior média, porém não diferiu do P30K75Y, sendo superior ao AG9040.

Segundo Argenta et al. (2001), a utilização de espaçamentos maiores entre linhas favorece a competição por luz, o que determina algumas modificações no desenvolvimento das plantas como: maior elongação do colmo, folhas mais compridas e finas e elevadas perdas de raízes. A redução do espaçamento entre linhas quando se mantém a mesma população, reduz a competição entre plantas, na linha de semeadura, por água, luz e nutrientes, em razão da melhor distribuição das plantas (Sangoi, 2000).

Lana et al. (2009) e Scheeren et al. (2004), trabalhando com populações de híbridos de milho e espaçamentos entre linhas (0,45, 0,75 e 0,90 m) observaram que quanto maior o espaçamento, maior a altura de plantas e de inserção de espiga, o que não foi evidenciado neste experimento.

Resultados obtidos por Gilo et al. (2011) e Nascimento et al. (2012) corroboram os obtidos nesse trabalho, onde a diminuição do espaçamento entre linhas não proporcionou maior altura nas plantas e de inserção da espiga.

Com relação ao diâmetro do colmo, Dourado Neto et al. (2003), afirmam que quanto maior o espaçamento entre linhas, menor é o diâmetro de colmo. Contudo, tais resultados estão de acordo com os encontrados por Gilo et al. (2011) e Nascimento et al. (2012), que ao avaliar o desempenho de híbridos de milho no cerrado sul-mato-grossense em diferentes espaçamentos, não obtiveram diferenças significativas entre os espaçamentos de 0,45 e 0,90 m para esta variável.

Os valores médios do diâmetro e comprimento da espiga e número de grãos por espiga são demonstrados no Quadro_3, sendo obtida significância entre os híbridos estudados (P<0,01) em todos os parâmetros e, para o espaçamento, nas variáveis comprimento da espiga (P<0,01) e número de grãos por espiga (P<0,05).

O híbrido P30F35 obteve o maior valor para as variáveis do Quadro_3, entretanto não diferiu do AG9040 e do P30K75Y para os parâmetros diâmetro e comprimento da espiga, respectivamente.

Os resultados obtidos neste trabalho corroboram os de Gilo et al. (2011) que, concluíram em seu trabalho que o espaçamento de 0,90 m proporciona um incremento no comprimento da espiga, porém não interfere em seu diâmetro.

De acordo com Santos et al. (2005), o valor mínimo para o diâmetro de espiga aceito no mercado é de três centímetros. Diante disto, os diâmetros de espiga dos híbridos avaliados neste trabalho são considerados normais e dentro do padrão comercial.

Nascimentoet al.(2012), ao avaliar o comportamento de híbridos de milho no cerrado sul-mato-grossense em diferentes espaçamentos, verificaram que o espaçamento de 0,45 m proporcionou maior número de grãos por espiga em relação ao de 0,90 m, fato oposto a este trabalho.

No Quadro_4 estão apresentados os valores médios da massa de cem grãos e produtividade sendo obtida significância em relação ao espaçamento (P<0,05) para a produtividade e entre os híbridos estudados (P<0,01) para ambas as variáveis.

O híbrido P30F35 foi superior para ambos os parâmetros do Quadro_4, apresentando maior produtividade em relação aos demais, contudo não diferiu do P30K75Y para a variável massa de cem grãos.

Com relação à massa de cem grãos, os dados obtidos neste experimento estão de acordo com Gilo et al.(2011) e Nascimento et al. (2012), que não constataram diferenças significativas para esta variável para os espaçamentos avaliados.

Os estudos de redução do espaçamento entre linhas sobre o rendimento de grãos de milho apresentam resultados bastante heterogêneos. Enquanto, alguns resultados indicam aumentos expressivos de rendimento de grãos com a redução do espaçamento entre linhas (Balbinot Junior e Fleck, 2005; Johnson e Hoverstad, 2002; Sherestha et al., 2001; Strieder, 2006), outros não detectaram qualquer benefício da utilização de linhas mais próximas sobre o rendimento de grãos de milho (Flesch e Vieira, 2004; Pitombeira e Nunes, 1995). Esses resultados existentes na literatura podem ser atribuídos a diversos fatores, entre os quais se pode citar o tipo de híbrido, a população de plantas, as características climáticas da região e o nível de fertilidade do solo, dentre outros (Sangoi et al., 2002).

O espaçamento de 0,90 m proporcionou aos híbridos analisados maior produtividade em relação ao de 0,45 m. Este resultado discorda de Gilo et al.

(2011) que não obtiveram diferenças significativas entre os espaçamentos para este parâmetro e Nascimento et al. (2012) que constataram que o espaçamento de 0,45 m proporcionou maior produtividade aos híbridos estudados.

Conclusões O espaçamento de 0,90 m proporcionou os maiores valores de comprimento da espiga, número de grãos por espiga e, consequentemente, produtividade para os híbridos avaliados.

O híbrido P30F35 apresentou maior número de grãos por espiga, massa de cem grãos e produtividade.


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