Apoplexia hipofisária durante a gravidez: a propósito de um caso clínico
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PM-24
Apoplexia hipofisária durante a gravidez: a propósito de um caso clínico
Sara Pinheiro AlmeidaI
IUSF Famílias ACES Entre Douro e Vouga I
Introdução:A apoplexia hipofisária é uma emergência endócrina e está associada
a mortalidade e morbilidade significativas, se não for diagnosticada
atempadamente. É um evento raro durante a gravidez e estão descritos poucos
casos. Caracteriza-se por inicio súbito de cefaleia, vómitos, alterações
visuais ou diminuição do estado de consciência causados por hemorragia e/ou
enfarte da hipófise. Habitualmente está associada a um adenoma hipofisário
subjacente.
Descrição do caso:Grávida, com 27 anos de idade, caucasiana, casada,
pertencente a uma fam ília nuclear na fase II do ciclo de Duvall. Sem
antecedentes patol ógicos de relevo. Antecedentes obstétricos: IIIG IP (parto
por cesariana). Gesta ção actual vigiada na nossa consulta, sem intercorr
ências. Mantinha-se a amamentar o filho de 2 anos de idade.
Às 25 semanas de gestação, em Agosto de 2013, inicia quadro de cefaleia frontal
intensa e diminuição da acuidade visual do olho direito. É observada por
Neurocirurgia, no hospital da área de referência, e é diagnosticada Apoplexia
Hipofisária, com Prolactinoma subjacente, e foi realizada intervenção cirúrgica
urgente.
A partir dessa data, a grávida foi encaminhada para a consulta de Obstetrícia
de Alto Risco, onde manteve vigilância. A cesariana foi programada para as 39
semanas (9/12/2013) e decorreu sem intercorrências.
Actualmente, a doente encontra-se assintomática e a realizar suplementação com
levotiroxina; mantendo vigilância na consulta de endocrinologia.
Discussão do caso:Em 80% dos casos, a apoplexia hipofisária é o sintoma de
apresentação de um adenoma pré-existente da hipófise (como no caso desta
doente) e é um evento raro durante a gravidez. Neste caso, os sintomas
associados ao prolactinoma (nomeadamente, galactorreia e amenorreia) foram
mascarados pela manutenção da amamentação do 1ºfilho (com 2 anos de idade) e
posteriormente, pela gravidez, o que induziu a um atraso no seu diagnóstico.
Segundo a OMS, a amamentação até os 2 anos de idade ou mais, é adequada e
saudável; o que contribuiu para diminuir a suspeita
Contudo, o Médico de Família pela proximidade com os seus doentes e
continuidade de cuidados deverá estar atento e suspeitar mesmo quando os
sintomas estão mimetizados, de modo a efectuar um diagnóstico precoce e evitar
complicações.