Tornar-se pai e mãe: um papel socialmente construído
Introdução
O nascimento de um filho é, habitualmente, considerado um dos acontecimentos
mais importantes e marcantes na vida dos progenitores e da família, que,
particularmente no caso de ser o primeiro, assinala o início de uma nova fase
de transição do ciclo vital, movendo-se da função conjugal para a parental
(Relvas, 2004). Apela a um conjunto de respostas (comportamentais, cognitivas e
emocionais) que habitualmente não integram o repertório cognitivo dos pais,
exigindo, por isso, a implementação de estratégias adaptativas, de maior ou
menor grau de dificuldade, e originando novos padrões de vida. Mesmo sendo
frequentemente esperado e desejado, o nascimento de um filho aciona um percurso
irreversível, que modifica decisivamente a identidade, os papéis e funções dos
pais e de toda a família (Relvas, 2004), num processo de mudança que exige um
tempo de reajustamento, durante o qual o filho toma o seu espaço e se redefinem
as relações entre os restantes membros (Giampino, 2007).
Apesar da transição para a parentalidade ser uma experiência quase universal
para os indivíduos e famílias, verifica-se a ausência de pesquisa sistemática
que se foque especialmente na compreensão das experiências parentais dos
progenitores durante o primeiro ano de vida da criança. A investigação tem
enfatizado preferencialmente os comportamentos parentais e os processos que
regulam esses comportamentos (Holden & Miller, 1999), mas as componentes da
parentalidade são abordadas de forma parcelar, o que não permite a compreensão
da natureza complexa deste fenómeno. Uma análise atenta dos estudos realizados
revela uma amplitude de temas em função das características da criança (idade,
sexo e temperamento), das características dos pais (género e qualidade da
relação conjugal) e de fatores extra familiares (trabalho remunerado, suporte e
contexto) (Cruz, 2005). Além disso, a maioria da pesquisa em Enfermagem tem
estado relacionada com a parentalidade de crianças doentes, com limitações
físicas ou de desenvolvimento.
Pretendemos, com este estudo, investigar o fenómeno da parentalidade,
utilizando a metodologia da Grounded Theory, com a finalidade de desenvolver
uma teoria de médio alcance em Enfermagem sobre o processo de transição para o
exercício da parentalidade, que contribua para melhorar a prática dos cuidados
em Enfermagem prestados à família nesta etapa do ciclo vital. Definimos como
objetivos específicos do estudo: compreender a vivência dos pais na transição
para o exercício do papel parental durante os primeiros 6 meses de vida da
criança, explorando influências sociais e culturais no processo.
Enquadramento
O conceito de parentalidade tem vindo a modificar-se ao longo das épocas,
traduzindo transformações socioeconómicas e culturais das sociedades. Sob o
ponto de vista histórico, a observação do exercício da parentalidade patenteia
que as características dos papéis e interações familiares sofreram modificações
na sociedade ocidental, desde o modelo patriarcal, onde toda a organização
familiar se centra na figura masculina (Narvaz & Koller, 2006), até à
multifacetada sociedade pós-moderna, com novos arquétipos de família. A
paternidade deixou de abarcar apenas o papel circunscrito à figura de provedor
para também envolver comportamentos e atitudes de maior envolvimento e contacto
afetivo com os filhos (Sutter & Bucher-Maluschke, 2008; Wall & Arnold,
2007), associados a diferentes expectativas, crenças e atitudes de cada género
no contexto familiar (Brasileiro, Jablonski, & Féres-Carneiro, 2002).
Se, por um lado, há indícios de que a linha que separa a paternidade da
maternidade se começa a diluir com expectativas de uma maior participação
masculina nos cuidados dos filhos (Wall & Amâncio, 2007; Miller, 2011), por
outro, vários estudos longitudinais realizados evidenciaram um aumento da
diferenciação por género durante e após a transição para a parentalidade (Cowan
& Cowan, 2000; Glabe, Bean, & Vira, 2005; Katz-Wise, Priess, &
Hyde, 2010).
A revisão sistemática da literatura realizada demonstra que os casais tendem a
tornar-se mais tradicionais na sua divisão de trabalho depois do nascimento de
um filho; o conflito relacionado tende a crescer e os cônjuges relatam níveis
mais baixos de satisfação conjugal; acresce stresse substancial, custos no bem-
estar pessoal e mudanças nos estilos de vida de ambos os progenitores; e os
novos pais incorporam uma nova identidade e redistribuem o seu investimento
noutros papéis. Vários fatores pré-natais predizem este ajustamento familiar e
satisfação conjugal (relação conjugal, experiências da família de origem,
expectativas quanto ao trabalho doméstico e de cuidado infantil, trabalho
remunerado e envolvimento de amigos e família), tendo sido identificado como
fator pivô do declínio matrimonial o não cumprimento de expectativas acerca da
divisão de tarefas domésticas e do cuidado infantil (Martins, 2009).
Isto significa que, embora os novos pais descrevam uma ideologia de maior
igualdade nos papéis familiares e na divisão de tarefas do que a dos seus
antecessores, permanece uma distância considerável entre o discurso e a
prática, com acordos/negociações de papéis quotidianos frequentemente menos
equilibrados do que esperavam (Miller, 2011), circunstâncias que tendem a gerar
frustração nas mulheres e a despoletar conflitos no casamento (Glabe et al.,
2005; Martins, 2009).
A noção de expectativas violadas, como um fator do declínio na satisfação
conjugal, foi avaliada em vários estudos, assim como a ideia de que o casamento
é mais afetado quando as atitudes sobre papéis sexuais do casal são
incongruentes com os padrões de género mais estereotipados que acompanham a
parentalidade (Brasileiro et al., 2002; Glabe et al., 2005).
A parentalidade é frequentemente associada a um maior número de mudanças na
vida das mães do que na dos pais, dado o pressuposto, culturalmente
generalizado, de que estas são as principais cuidadoras (Pinquart &
Teubert, 2010). Pais e mães, para além de terem atribuições específicas na
família, também interagem de modo distinto com os seus filhos (Dessen &
Oliveira, 2013; Wall & Arnold, 2007). Como consequência, mesmo que sem
intencionalidade, as mães parecem internalizar atitudes de uma maternidade
intensiva (Johnston & Swanson, 2006) e limitar o envolvimento dos pais nas
tarefas parentais, como forma de garantir a elevada performance que delas se
espera (Johnston & Swanson, 2006).
A magnitude e a natureza do ajuste de co-parentalidade que as famílias operam
nesta transição sugere-nos a importância de se avaliar o investimento
individual nos papéis parentais e de se intervir para ajudar os dois
progenitores a evitar a dinâmica problemática de papéis polarizados.
Reconhecendo o peso que as relações sociais de género têm na determinação do
significado individual e social atribuído ao ser mãe e ser pai, este estudo
permitirá dar voz aos pontos de vista da própria mulher e do homem, num
processo no qual eles são protagonistas.
Metodologia
A complexidade da experiência de ter um filho conduziu-nos ao paradigma
qualitativo de investigação e à metodologia Grounded Theory, por ser uma
abordagem adequada em situações de natureza psicossocial, que carecem de
teorização e desenvolvimento de conhecimento acerca do seu processo e
estrutura, sem descurarmos a sua potencialidade para desocultar emaranhados
detalhes dos fenómenos, nomeadamente sentimentos, processos de pensamento e
emoções, que são difíceis de extrair ou compreender através dos métodos de
investigação mais convencionais (Corbin & Strauss, 2008). Não pretendemos a
descrição de factos, mas um conjunto de conceitos fundamentados, organizados em
redor de uma categoria, e integrado em proposições, construindo uma teoria
enraizada nos dados, num processo evolutivo constante com recolha, codificação
e análise dos dados, realizadas de modo simultâneo e recursivo.
A recolha de dados decorreu no domicílio dos pais, entre junho de 2009 e março
de 2010, em momentos distintos deste processo de transição (1ª semana e 1º, 4º
e 6º mês de vida da criança), acompanhando, parcialmente, as idades-chave de
vigilância infantil recomendadas pela Direção-Geral da Saúde. Os dados foram
colhidos através de entrevistas semiestruturadas, orientadas por um guião de
questões abertas, que permitiu fazer as adaptações necessárias na exploração
dos conceitos emergentes. Em cada momento de colheita de dados foi realizada a
entrevista em separado ao pai e à mãe sobre a experiência de parentalidade,
seguida de uma breve entrevista em conjunto. Realizámos, no total, 60
entrevistas, a cinco casais, com idades compreendidas entre os 26 e 33 anos e
com filho nascido de termo e saudável (quatro do sexo masculino e um do sexo
feminino).
O tratamento e a análise dos dados, realizados com recurso ao programa NVivo
8.0, cumpriram as etapas de codificação do corpus (codificação aberta, axial e
seletiva) até à formulação de proposições teóricas, resultantes da análise das
relações entre categorias. Durante a codificação aberta, os dados foram
decompostos em partes discretas, com o intuito de os conceptualizar e
categorizar. A codificação axial implicou questionar o fenómeno em estudo, o
porquê do fenómeno ter ocorrido (causas), o contexto em que o fenómeno ocorreu,
o que foi feito pelos participantes quando esse fenómeno ocorreu (estratégias),
o que facilitou ou dificultou as ações sobre esse fenómeno e quais as
consequências dessa interação (Corbin & Strauss, 2008), permitindo
selecionar as categorias mais significativas, tendo como foco o paradigma de
codificação, que possibilitou identificar as características (propriedades e
dimensões) do fenómeno em estudo. A codificação seletiva foi a base para a
obtenção da categoria central ser pai, ser mãe: um processo em construção na
interação, onde todas as categorias se relacionaram e emergiu a teoria
referente aos dados obtidos.
Antes de iniciarmos a investigação, o projeto foi submetido à apreciação e
obteve aprovação do diretor executivo de um Agrupamento de Centros de Saúde da
região norte de Portugal. Foi-nos autorizado o acesso aos participantes através
da participação no curso de preparação para a parentalidade que estes se
encontravam a frequentar. No convite que formulámos aos pais para participarem
no estudo, ressalvámos o aspeto da voluntariedade e da interrupção da sua
participação sem qualquer prejuízo resultante. A sua aceitação foi firmada com
a obtenção do consentimento informado, livre e esclarecido e foi também
assegurado a confidencialidade dos dados e o anonimato. Utilizámos nomes
fictícios na investigação, de modo a não ser possível o reconhecimento dos
participantes.
Resultados
Os resultados aqui apresentados dizem apenas respeito à categoria encarnando a
personagem pai ou mãe, referente às condições, presentes na transição para a
parentalidade, que permeiam as ações (ou não ações) que os pais realizam frente
ao fenómeno e o modo como as conduzem, denominadas de condições intervenientes
no Paradigm Model (Corbin & Strauss, 2008).
A escolha por apresentar esta categoria deve-se ao facto dela explicitar as
vivências parentais de cada um dos progenitores, enquanto representam ou
personificam um papel maternal ou paternal socialmente construído. Dando vida
ou carácter à figura de pai ou mãe tradicional, dominante e convencional na
sociedade, homens e mulheres assumem diferentes papéis parentais e constroem e
reconstroem significados de si e dos parceiros como pais, conforme evidenciam
as subcategorias assumindo cuidados no masculino ou feminino, descrevendo-se
como pai, descrevendo-se como mãe, vendo a esposa como mãe e vendo o marido
como pai, representadas na Figura_1.
Assumindo cuidados no masculino ou feminino traduz a ideia de que ser pai ou
ser mãe reproduz maneiras de agir, fazer e pensar associadas ao ser homem ou
ser mulher, como partes interligadas e quase que indistintas da experiência de
cada progenitor. As mães assumem-se como principais cuidadoras dos filhos e
sentem satisfação ao fazê-lo e ao receber ajuda dos maridos, e os homens
desempenham um papel secundário, como que de apoio à mãe, a que associam
funções de ajuda, assistência, zelo e provisão material.
Para a mulher, assumir-se como prestador principal de cuidados abarca a esfera
do entregar-se ao processo de aprendizagem que entende ser a maternidade, para
poder ser uma mãe competente, que ama, cuida e está sempre presente:
Não, não é não querer é quero ser eu, quero quero-me habituar, quero-me
afeiçoar, quero aprender quero não sei é o meu menino! Gosto de estar
sempre de volta dele!(Sílvia).
As mães revelam ter consciência de que são as principais responsáveis e
cuidadoras dos filhos, mas não parecem ficar incomodadas com isso. Este assumir
dos cuidados pelas mães chama, ainda, atenção para a sua autodeterminação em
preservar o bem-estar dos maridos que, por já terem regressado ao mundo
laboral, apresentam fragilidade e precisam descansar, especialmente durante a
noite:
Tento poupá-lo um bocado porque entendo, quer dizer ele já chora por si só,
depois estar ali meia hora para arrotar, depois não-sei-quê, porque ele demora
muito tempo e depois não adormece logo, quer dizer se ele for a estar ali
aquele tempo todo, acaba por se já dorme pouco, ainda dorme menos e, se eu o
poupar um bocadinho nisso, quer dizer, também pode ir mais descansado um bocado
para o trabalho (Clara).
O homem, ao assumir-se como prestador secundário de cuidados, acaba por
legitimar a ideologia de que cuidar é uma tarefa feminina, que cumpre quando
chega a ser necessário ou quando a mãe não está presente, vendo-se no dever de
ajudar:
Se tiver que ser, assim em SOS, mudo, está a perceber? Mas se quando ela
estando ao lado, claro, peço-lhe a ela para vir lá, que é para apertar melhor,
para fazer as coisas (Vasco).
Em condições igualitárias, em que ambos os pais estão presentes e disponíveis,
os homens reconhecem que a mãe é quem faz:
Entrego-o à mãe, não é? A mãe é que muda a fralda muda a fralda, não é? Dá-
lhe de mamar(Vasco);
Ela toma mais conta dele do que eu(Anselmo).
O seu papel secundário na prestação dos cuidados é, ainda, justificado pelo
cumprimento de deveres profissionais e pela total disponibilidade da mãe
enquanto goza a licença de parentalidade:
Ela agora está em casa, os quatro meses, não é? Claro que tem que estar sempre
com o menino, não é? Eu pronto, eu trabalho, não é?!... Tem que ser, ela está
em casa tem que olhar tem que olhar por ele, não é? (Vasco).
Se a mulher aprecia dedicar-se ao bebé e prestar-lhe os cuidados, como
anteriormente já confirmámos, o homem/pai não vê razões para aumentar o seu
grau de participação ou concorrer pelo lugar de cuidador principal. Noutras
circunstâncias, o mesmo pai renega a condição de cuidador porque percebe
desconfiança por parte da mulher e pretende evitar conflitos iminentes:
Ai, eu deixo a mãe fazer porque faz como ela quiser porque eu ajudo eu
ajudo no facto de para não para não criar chatices, entre aspas, não não o
chegar a acordo, não é difícil, não chegamos a não chega a haver conflito nem
verbal, nem nem de outro tipo, é fácil. Nesse caso, é! E ainda outro dia, e do
banho a mesma coisa, ela o outro dia, achava que eu não estava a dar banho e eu
olha, então dá tu!... Por isso... se ela acha que sabe fazer melhor faz! É a
forma que nos entendemos (Manuel).
Tais afirmações revelam tensões e dilemas no exercício da parentalidade, que
depois são mitigados enquanto se procura, por outro lado, naturalizar o papel
de principal cuidador assumido pela esposa/mãe e afirmar-se com iniciativa:
Agora é natural, parece-me até a mim natural, que a mãe faça todas essas
tarefas com o miúdo mais vezes do que qualquer outra pessoa perfeitamente
natural para mim no caso dela precisar e sempre que ela precisar e pedir,
estamos cá nós para para agora isso também não estou aqui a dizer que não
que não tenho iniciativa, não (Manuel).
O papel de cuidador secundário permanece assumido pelos pais ao fim de 4/
6 meses de paternidade. Reiteram o condicionalismo profissional que impede a
sua participação mais regular, assim como a situação privilegiada da esposa, em
licença parental, que a sujeita à obrigatoriedade de cuidar. Quando esta não
está ou quando se faz necessário, asseguram os cuidados indispensáveis, mas na
generalidade das situações continua a ser a mãe quem o faz, reproduzindo um
comportamento social, normativo e esperado, isto é, natural de acontecer. Ao
longo dos últimos meses, foram adotando um papel cada vez mais passivo na
alimentação, higiene, muda da fralda e acompanhamento da vigilância de saúde do
filho, num:
esquema, que acho que é quase a evolução natural das coisas, não é?!
(Ricardo).
A adoção deste papel passivo encontra-se fortemente enraizado na ineptidão
masculina para amamentar:
Não me adianta a mim nada pôr-me a pé... não vale a pena, eu não lhe posso dar
de mamar (Anselmo).
Ajudar no que fizer falta, ajudar no que pode, dar assistência, estar presente,
tratar das burocracias necessárias e zelar para que tudo esteja bem são funções
que os homens reconhecem como sendo suas ao assumir papéis de pai.
O estar presente é mais evidente em momentos difíceis, como o parto e o
internamento do recém-nascido, denotando-se grande preocupação do pai em
fornecer apoio psicológico à esposa/mãe. Com um filho de 4/6 meses de idade, os
homens comungam do entendimento que detinham sobre as funções de pai no
puerpério e tentam:
estar em casa o o maior tempo possível, para poder ajudar e para partilhar
as alegrias e e as tristezas do dia-a-dia (Anselmo).
Bem como encarregar-se de fazer sempre o que faz falta (Ricardo), e ajudar no
que podem, faço o que posso, não é?! (Vasco), sentindo-se realizados com o
seu contributo. Em situações mais críticas, como a doença do filho, têm um
papel mais ativo na assistência à esposa e ao bebé.
Brincar e estimular o bebé é uma função que os pais acrescentam reconhecer como
sua neste estádio de transição, cumprindo-a com gosto.
O envolvimento do homem nas responsabilidades com o filho é percecionado como
louvável e presente, fazendo a mãe sentir-se satisfeita com a colaboração do
marido. Nos discursos das mulheres prevalece uma avaliação exagerada do nível
de participação dos maridos no trabalho familiar e doméstico e de uma certa
gratidão quando voluntariamente prestam alguns cuidados ao filho, que é de
ambos, ou as substituem enquanto estão debilitadas no puerpério ou se ausentam
de casa:
Às vezes ele já vê que ele começa a chorar já nem é preciso dizer, quer dizer
já tive situações em que eu acabei por adormecer, estava tão cansada, adormeci
acabou por ser ele a dar-lhe, não chamou por mim fez-lhe o biberão e deu-lhe
e eu estava a dormir, continuei a dormir (Clara).
O argumento não me diz que não suporta que esta avaliação seja considerada
positiva. Mesmo em situações em que a colaboração é limitada e diminuta, as
mães/puérperas continuam a considerar-se satisfeitas com a ajuda recebida,
valorizando os pequenos contributos e progressos alcançados. Como trabalha nem
sempre pode ajudar é outro dos motivos evocados pelas mães para desculpabilizar
o homem/pai dessa tarefa, não havendo lugar a queixas.
Nas falas das mulheres com 4/6 meses de vivência parental, permanece evocado
este fundamento que desculpabiliza a menor prestação masculina no cuidar por
questões profissionais, assim como a valorização da assistência dada pelo
cônjuge, porque vai fazendo, não tem medo e ajuda e não diz que não. A
constatação de uma colaboração que transcende as expectativas femininas é
suficiente para se sentirem satisfeitas:
Até esperava menos, nunca pensei que, prontos, que ele fosse assim tão tão
tolo pelo filho como são!... gosta muito de o adormecer e eu nunca pensei que
ele que fosse fazer isso, pensei que ele fizesse festas ao filho e assim, mas
tentar adormecê-lo e tudo quando ele está a chorar, nunca pensei que ele que
ele quisesse isso, não é?! (Sofia).
Assumir cuidados no feminino ou masculino evidencia também como as mulheres
acabam por afastar os homens/pais da prestação de cuidados, ao considerá-los
menos competentes e menos preparados durante o puerpério. Sem confiar no marido
para prestar cuidados apresenta como essas razões concorrem para perpetuar a
separação entre cuidar no feminino e no masculino, garantindo a sua
invisibilidade natural.
A sua maior perícia, quando comparada com o marido/pai pouco preparado para
prestar cuidados meticulosos, é realçada no impulso que a leva a tomar a
dianteira para não ter de censurar os cuidados, demonstrando receio que possam
não estar a ser prestados de forma adequada e desacordo nos procedimentos:
E eu tenho um bocado aquele impulso de ele está a fazer e eu não estás a
fazer bem!, pronto, às tantas eu é que não estou a fazer bem, mas pronto,
tenho a tendência de tentar ir não vou dizer fazer melhor, mas tentar ajudar
a fazer, tenho aquele receio deserá que ?, não sei, não sei explicar
(Clara).
A prestação masculina chega a ser considerada de tal forma desadequada que a
mãe evita estar presente quando o pai cuida, repetindo frases e palavras com
uma intensidade expressiva de crítica e desaprovação:
Prefiro não ver para o deixar fazer e então trate, que eu assim não vendo
desde que não o partas! Portanto eu prefiro não estar, ele cuida está bem,
ele morre, está tudo bem eu não consigo lidar assim... é teu filho, tu fazes,
desde que eu não veja, não me irrite, está tudo bem (Clara).
Neste contexto de temor e apreensão materna, o pai acaba por sentir que a
esposa não confia em si para prestar cuidados, testemunhando que não o deixa
fazer nada, tem medo que ele mexa no umbigo, não concorda com o que ele faz,
apesar de relativizar a sua importância:
Não, é são pequenos pormenores de de mães galinhas, considero eu, mas,
prontos são não pode mexer, não pode coisar não pode berrar mais um
bocadinho (Manuel).
Com o passar do tempo, as mães começam a sentir-se mais confiantes no marido
para prestar cuidados. A interação que o pai desenvolve com o bebé de 4/6 meses
de idade e a capacidade do filho fazer-se ouvir quando incomodado concorrem
para que Clara se sinta mais segura com os cuidados paternos prestados:
A interação que eles têm os dois também me dá segurança que ele fica bem só
com ele também, que na altura tinha aquela coisa da mãe galinha e de ter medo
que não soubesse fazer... agora como ele já interage e já tem a reação dele, se
ele não gostar ele reclama, é diferente, já confio um bocadinho mais (Clara).
Na perspetiva de outras mães, os homens são igualmente capazes de cuidar de um
filho, dependendo da sua motivação pessoal e da existência de traços de
personalidade compatíveis com a função, isto é, se têm vocação, assim aquela
coisa de de mãe ou não e de paciência (Sílvia).
Reconhecem que não representam a generalidade da população masculina, mas
também recordam haver lugar a exemplos femininos desadequados:
Tanto a mãe como o pai deve deve ter o mesmo só que há pais que se calhar
que não não não gostam e não querem, não é?! Eu acho... não sei mas a mãe
tem sempre mais aquela coisa, mas também deve haver mães que também não gostam,
não é?! Porque há aí algumas que... se tivessem esse instinto não faziam o que
fazem a aos filhos, porque às vezes dá aí no telejornal, não é?! De ter a
coragem de de abandonar (Sofia).
Para além das capacidades, papéis e funções diferenciais que homens e mulheres
parecem assumir ao encarnar a personagem pai ou mãe, a reprodução de
construções sociais acerca de uma maneira de ser masculina e uma maneira de ser
feminina está também presente quando avaliam o cônjuge como pai e quando se
descrevem a si próprio nesse papel.
Na subcategoria vendo a esposa como mãe, o pai destaca-lhe atributos de
responsabilidade, doação e amor incondicional pelo filho, ao assumir o papel
maternal. Ser uma mãe responsável, preocupada, atenta, carinhosa, cuidadosa,
atenciosa e prestável, faz com que seja percecionada como uma boa mãe, logo
durante o puerpério.
Mãe é mãe! parece resumir este tipo de plenitude materna. Da mesma maneira, no
excerto que a seguir apresentamos, podemos dar conta de um indício que nos
remete a uma noção de tempo, a algo imutável, que não teve princípio e não há
de ter fim. Independentemente das circunstâncias do quotidiano, isso significa
ser mãe, referindo-se à mesma configuração de sentimentos, ações e gestos, numa
dimensão atemporal:
E por vezes vejo a mãe um bocado mais stressada, mas continua a ser mãe, não
é?!... Aquilo é a mãe! Mais stressada, se calhar mais cansada à noite mais
mais, mais fatigada, às vezes um bocadinho, mas mas aí, mas continua a ser
mãe (Ricardo).
Ser boa mãe é, ainda, ser uma mãe desembaraçada, superar as dificuldades e a
debilidade pessoal em função do filho que cuida, dar tudo e ser tudo pelo
filho, o que outras mulheres, más mães, não conseguem fazer, nem ser:
Preocupa-se com ele dá-lhe dá-lhe carinho, dá-lhe atenção dá-lhe tudo...
está a ser uma boa mãe há, há muitas mães, que é assim, há mães boas e há, há
mães que sei lá, que não se preocupam com os filhos, mas ela para já, pelo
menos (Vasco).
O atributo de boa mãe, de ser exemplar e perfeita, continua a ser conferido à
esposa após 4/6 meses de comunhão parental. Nunca deixou de ser mãe, mesmo após
ter regressado ao mundo laboral:
Deixou de estar presente, não é?! Ahm, de alguma forma, mas se me está a
colocar a questão no sentido da responsabilidade ou do empenho ou da
disponibilidade não (Ricardo).
Preserva-se preocupada e stressada:
Com tudo, com o trabalho, com o menino, com tudo (Vasco).
Bem como atenta e responsável; uma mãe empenhada e dedicada, sem deixar de ser,
concomitantemente, uma mãe mais segura e relaxada:
Continua a ser responsável, não é?! Só que já deixa as coisas fluírem com
mais naturalidade, sem ter aquele pormenor todo organizado (Ricardo).
Na subcategoria vendo o marido como pai, a mãe destaca-lhe atributos que
aprovam a postura que adota em relação ao recém-nascido, quanto às suas
atitudes afetivas e de dedicação, e abonam a desenvoltura com que o fazem,
abstendo-se de julgar o seu desempenho, conferindo-lhe o atributo de pai
desenrascado, quando:
Faz tudo o que eu faço e acho que faz tão bem como eu (Daniela).
Bem como o atributo de pai com algum jeito, que é destacado pela mãe quando:
Já se ajeita mais a pegar nele e tudo está-se habituando e depois já com o
tempo (Sílvia).
Aos 4/6 meses, as mães continuam a enaltecer-lhe a preocupação, presença e
dedicação ao filho, e o ser desembaraçado no cuidar. Como pai continua a ser o
mesmo ou um pai mais participativo desde que exerceu o papel de cuidador
durante o 5º mês de licença parental. É também um pai mais ligado ao filho, a
partir do momento em que este começou a evidenciar sinais de interação:
Pelo facto dele também interagir mais com ele acho que ele gosta mais de
estar brincar e tudo, porque normalmente os homens não têm aquela coisa quando
a criança está a dormir e não-sei-quê, não têm a paciência que ele tem agora
que ele já interage com ele (Clara).
Ao considerarem-se a si próprios como pais, na subcategoria descrevendo-se como
pai, os homens evidenciam dificuldades em desconstruir o significado da
paternidade durante o puerpério:
É um bocado precoce estar a falar, estar a falar ainda já do que é ser pai
isto não deixou de ser uma experiência de meia dúzia de dias, não sei se não
dá para definir muito bem o que é ser pai (Ricardo).
Quando os homens conseguem evidenciar o significado da paternidade durante o
puerpério, não deixam de valorizar e reproduzir discursos de identidade social
paterna. Descrevem-se como um pai babado, feliz, preocupado, presente e
participativo, integrando sentimentos e representações que qualificam a sua
participação na experiência parental.
Aos 4/6 meses de exercício parental, continuam a descrever-se como felizes,
presentes e participativos. Veem-se como pais atenciosos e afáveis, que
procuram dar:
Todo todo o carinho e todo o empenho que poderia dar (Ricardo).
Isto é, dar o seu melhor, que define um bom pai, um pai de dever cumprido.
De modo similar, as puérperas também apresentam dificuldades em desconstruir o
significado da maternidade:
Não sei não sei como responder (Sofia).
Na subcategoria descrevendo-se como mãe, as puérperas fazem-no com frases que
resvalam no dito popular de uma boa mãe ou uma mãe como as outras, e que
possuem o sentido de plenitude ligado à personagem mãe.
As dificuldades em se caracterizarem e as descrições de boa mãe mantêm-se
presentes aos 4/6 meses de exercício parental. Veem nas suas próprias mães o
modelo de maternidade a ser reproduzido:
Sei lá Olhe aquilo que a minha mãe foi para mim, sou acho que sou uma pessoa
educada, que não sou rebelde, que não sou (Sílvia).
Discussão
Encarnando a personagem pai ou mãe destacou a grande variedade de experiências
e diferenças entre as práticas masculinas e femininas, reconhecendo o peso que
as relações sociais de género têm na determinação do significado individual e
social atribuído ao ser pai e ser mãe. A maneira como se concebem enquanto pais
ou mães e como se organizaram na transição para a parentalidade traduziu uma
forma de produção de género, onde os valores, crenças e expectativas
individuais, construídos a partir do imaginário cultural e de prescrições
sociais, influenciaram mutuamente as suas vivências.
Observou-se que, assumindo cuidados no masculino ou feminino, os casais ainda
se organizam de acordo com referências tradicionais (Glabe et al., 2005;
Martins, 2009), pelas quais a mãe assume o papel principal de cuidado e
disponibilidade (Pinquart & Teubert, 2010) e o pai um papel periférico de
provisão e relativa ausência em relação ao cuidado infantil. A noção de que o
cuidado infantil é responsabilidade feminina é evocada por todos os
participantes do estudo e as próprias mães são ativas na construção e
reprodução desta ideologia, resultados consistentes com a literatura sobre a
maternidade intensiva (Johnston & Swanson, 2006). O argumento do amor e dos
laços afetivos legitima discursivamente as mulheres como principais cuidadoras
e renega os homens pela sua incompetência ou natureza masculina diferente.
Ser a figura primária de cuidados, com competências relacionais particulares,
faz parte do repertório de qualidades socialmente atribuídas à condição
feminina. Num estudo desenvolvido com trinta mulheres mães, Monteiro (2005)
confirmou a importância e centralidade desta ideologia, destacando que a
mulher, ao assumir o papel de principal cuidadora, adere e materializa uma
identidade feminina valorizada e reconhecida. Simultaneamente, o cuidar, ao ser
entendido como competência e atributo femininos, favorece ao homem um papel
comodamente omisso: liberta-os dessa responsabilidade, participando apenas por
voluntarismo e simpatia.
É possível identificarmos semelhanças com o que apresentam os participantes da
nossa investigação. Ajudar no que fizer falta, ajudar no que pode, dar
assistência e estar presente são alguns dos papéis que os homens reconhecem
como seus no exercício da parentalidade. Note-se que esta ideia de ajuda
pressupõe que é às mulheres/mães que cabe a principal responsabilidade pelos
cuidados. Por seu lado, as mães optam por enumerar uma série de razões
desculpabilizadoras dos seus pares, entre as quais se destacam o facto de já
estarem a exercer o seu papel profissional, a sua falta de tempo e competência
cuidadora.
Desde o nascimento que as mulheres reivindicam para si a obrigação de suprir as
necessidades do filho e zelar por ele. Vivem a maternidade como uma experiência
totalizante e, muitas vezes, acabam por afastar os homens/pais da prestação de
cuidados porque estes não têm o mesmo tipo de cuidados e a mesma sensibilidade
e agilidade para cuidar, e porque lhes falta treino e informação (preparação).
Este afastamento ganha, por vezes, expressão num discurso depreciativo acerca
do contributo paterno, multiplicando exemplos de situações que ilustram o
défice de competências neste domínio. Entretanto os pais que não sentem
estímulo e aprovação da esposa na prestação de cuidados, tendem a abrandar a
sua participação e envolvimento. As mulheres acabam, assim, tendo a sua quota-
parte de responsabilidade na participação ou não participação masculina,
achados que outras investigações confirmam (Johnston & Swanson, 2006).
Percebemos, igualmente, nos discursos proferidos, a satisfação da mulher com a
colaboração paterna e a renitência em admitir e mostrar algum tipo de
descontentamento face à desigualdade na prestação de cuidados e na dedicação.
Esta ausência de sentimento de injustiça encontra justificação na
interiorização, por parte da mulher, de explicações ideológicas e na motivação
para manter o papel tradicionalmente feminino (Johnston & Swanson, 2006). O
modelo teórico de Major (1993) adianta três razões que dirigem esta perceção
materna de violação de direitos de igualdade na distribuição do trabalho
familiar: 1) a distribuição tradicional de tarefas corresponde ao que as
mulheres esperam, querem e valorizam nas suas relações, devido à sua
socialização nos papéis de género; 2) as mulheres aceitam as justificações que
apresentam as práticas desiguais como legítimas, nomeadamente porque consideram
que os cônjuges e filhos têm mais necessidades do que elas próprias e acreditam
serem mais capazes de responder às necessidades dos membros da família; e 3) a
partilha de tarefas corresponde a critérios de comparação utilizados pelas
mulheres para avaliar o modo como os cônjuges se deviam comportar. Como têm a
noção que a maioria dos homens não ajuda, as mulheres sentem-se gratas e
privilegiadas quando os seus cônjuges de alguma forma o fazem.
De uma forma geral, as mães mostraram-se muito satisfeitas com a colaboração do
marido, tendo o pai, por vezes, superado as expectativas maternas. São achados
que corroboram o estudo de Dessen e Oliveira (2013) e que refutam a ideia de
conflitos conjugais presente noutras investigações (Brasileiro et al., 2002;
Glabe et al., 2005; Martins, 2009).
Estes dados parecem ser, ainda, concordantes com a perceção dos progenitores
sobre o desempenho do cônjuge como pai ou mãe. Ser um pai presente, dedicado,
preocupado e afetuoso confere aos homens uma apreciação feminina favorável
(Dessen & Oliveira, 2013). Do ponto de vista masculino, os atributos são
mais exigentes, envolvendo responsabilidade materna, doação e amor
incondicional pelo filho. Encontrámos presentes critérios que desocultam o
significado de ser uma boa mãe (Johnston & Swanson, 2006; Monteiro, 2005),
nomeadamente mães que amam, cuidam, estão permanentemente vigilantes e à
procura de conhecer e respeitar as necessidades do filho, sendo estas a ditar
os ritmos e opções a seguir e não o seu próprio interesse. Desta forma, dão
conta como o mito de boa mãe, eternamente abnegada, exemplar e perfeita, se
mantém vivo no discurso contemporâneo.
Quando indagados relativamente à autoperceção parental, tanto homens como
mulheres apresentaram algum embaraço, manifesto nas subcategorias descrevendo-
se como pai e descrevendo-se como mãe. Viveram uma experiência transformadora
da sua própria identidade, que os conduziu a reproduzirem ideologias sociais do
papel de pai ou mãe, sem serem, contudo, demasiado reducionistas. Os homens,
vendo-se como pais de dever cumprido, que procuram dar o seu melhor em temos de
atenção e presença (ainda que alguns indiquem a impossibilidade de existir a
perfeição), abrem espaço a uma perspetiva paterna mais presencialista, também
identificada por outras investigações (Sutter & Bucher-Maluschke, 2008;
Wall & Arnold, 2007).
Conclusão
Este estudo evidenciou que durante a transição para a parentalidade os casais
ainda se organizam de acordo com referenciais tradicionais, nos quais a mãe
assume o papel de principal cuidador e de total disponibilidade, e o pai assume
o papel secundário de provisão e apoio, com relativa ausência em relação ao
cuidado infantil. Revelou, igualmente, que a diferenciação de papéis de género
apresentada pelos pais e mães, que a literatura chama de tradicionalista, não
se trata simplesmente de um fenómeno comportamental, mas de um fenómeno que
reflete e patenteia valores e ideologias relativos aos papéis masculinos e
femininos, paternos e maternos.
A importância deste artigo reside em evidenciar a riqueza e a complexidade dos
fatores psicossociais que operam sobre a transição para a parentalidade.
Permite-nos equacionar a importância que a estrutura social tem neste processo,
nomeadamente o sistema simbólico que, cultural e historicamente, determinam os
significados e as representações da parentalidade, e da própria experiência
parental.
Ao vislumbrarmos o cenário destas forças socioculturais, podemos ajudar homens
e mulheres que se tornam pais e mães a compreender que os seus papéis podem
reproduzir modelos vigentes ou abrir novas possibilidades, na tentativa de se
libertarem destas influências. As mulheres precisam de aprender a dividir com o
homem as responsabilidades no cuidado infantil, especialmente o trabalho
invisível de preocupação e planeamento deste cuidado. Os homens precisam de
oportunidades para estar com os filhos a sós ou serem cuidadores principais,
sem a interferência da ajuda de terceiros, que limita a sua aprendizagem.
Neste âmbito, seria importante a realização de programas educacionais, no
período pré e pós-natal, que visassem minimizar as experiências de tensão dos
pais, dotar os progenitores das habilitações necessárias à parentalidade e
criar oportunidades para discutirem e refletirem sobre as suas necessidades,
dúvidas e dificuldades.
Esta investigação acrescenta uma descrição das experiências dos pais e das mães
durante os primeiros seis meses de vida da criança, destacando a grande
variedade de experiências e a diferença entre as experiências dos pais e das
mães. Seria importante replicar esta mesma investigação em contextos similares
e alargá-la a outros contextos geográficos, no sentido de aprofundar e
adicionar outras perspetivas explicativas ao fenómeno. Pesquisas que se foquem
nas perceções, crenças, valores e expectativas de pais e mães sobre os seus
papéis e envolvimento na vida familiar precisam ser estimuladas para que melhor
se possa compreender a dinâmica das relações conjugais e parentais durante o
processo de transição para parentalidade. O conhecimento e a compreensão das
condições intervenientes neste processo são fundamentais para a Enfermagem
poder apoiar os pais e mães na busca de uma transição bem-sucedida.