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EuPTCVHe0874-02832015000100010

EuPTCVHe0874-02832015000100010

variedadeEu
ano2015
fonteScielo

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Tradução e adaptação da Spirituality and Spiritual Care Rating Scale em enfermeiros portugueses de cuidados paliativos

Introdução A espiritualidade é a dimensão da vida que faz de cada pessoa um ser único e singular. É uma dimensão universal, uma vez que se encontra presente na vida de todos e que invoca sentimentos como o amor, a , a esperança e a confiança. A palavra espiritualidade deriva da palavra espírito, que consiste na força devida, na essência e energia de cada pessoa. É a força que confere ao indivíduo a capacidade de transcender as leis naturais e ordens da vida, permitindo atingir uma dimensão misteriosa ou transcendente. O espírito orienta e motiva os indivíduos na procura de sentido e significado, expressando-se em todos os aspectos e experiências da vida, especialmente em momentos de crise e necessidade (McSherry, 2006, p. 45).

O enfermeiro é o profissional de saúde que cuida o doente nas 24 horas e, por isso, desfruta de uma posição favorável ao desenvolvimento de uma relação interpessoal mais próxima e significativa, que sustenta a prestação de cuidados de Enfermagem. O cuidado espiritual, que se define como esta atitude de cuidar a pessoa doente de modo integral e individual, ajudando-a a encontrar o seu bem-estar espiritual, é possível neste contexto relacional (Caldeira, 2011).

No entanto, os enfermeiros sentem falta de preparação para o cuidado espiritual (Caldeira & Narayanasamy, 2011) e consideram a espiritualidade um conceito subjetivo (McSherry, 2006).

A divulgação científica em Portugal acerca da temática é relativamente recente e escassa (Caldeira, Castelo Branco, & Vieira, 2011) e não existe no país um instrumento que permita avaliar a perceção dos enfermeiros relativamente a esse fenómeno. Esta preocupação torna-se particularmente importante no âmbito dos cuidados paliativos, onde a espiritualidade assume uma posição determinante para o bem-estar do doente paliativo e para que este possa viver o mais ativamente possível até ao momento da sua morte (Hill, Paice, Cameron, & Shott, 2005).

No contexto de desenvolvimento da dissertação de mestrado em cuidados paliativos, considerou-se relevante explorar qual a perceção dos enfermeiros das Unidades de Cuidados Paliativos portuguesas em relação à espiritualidade e ao cuidado espiritual, através da tradução e adaptação linguística e cultural da Spirituality and Spiritual Care Rating Scale (SSCRS). Desta forma, o objetivo do estudo passa por analisar as propriedades psicométricas da SSCRS, permitindo a sua utilização em Portugal.

Enquadramento Atualmente existem inúmeras definições de espiritualidade, assim como diversos estudos que permitem um maior desenvolvimento no campo da investigação da temática em questão. A espiritualidade é entendida como a força vital da vida que integra os componentes biológicos, psicológicos e sociais e que poderá incluir ou excluir componentes religiosos de acordo com o sistema de crenças individuais (Baldacchino, 2011). O conceito de espiritualidade é mais abstrato que o de religião e engloba áreas como o significado da vida, o amor, as relações, os valores pessoais, a individualidade, a paz interior e a tranquilidade (Narayanasamy, 2001). A espiritualidade é universal e está presente em todas as pessoas. As crenças religiosas não são um pré-requisito para a espiritualidade e a pessoa torna-se mais espiritual em tempo de necessidade (McSherry, 2006).

Porque cada pessoa busca a espiritualidade de acordo com as suas crenças e valores, esta dimensão enaltece a singularidade do ser humano, que se reflete na sua forma de ser e de estar perante a vida.

O cuidado espiritual integra as competências dos enfermeiros, não devendo por isso ser uma opção, mas antes um dever presente na sua prática profissional. No entanto, torna-se necessário que o enfermeiro desenvolva as competências necessárias para a promoção deste tipo de cuidado, tal como se verifica para o desenvolvimento de outras competências. Segundo Narayanasamy (2001), a autoconsciência e as competências comunicacionais, tais como o saber escutar e a construção de confiança, são formas de abordagem no que se refere às necessidades espirituais do doente.

A abordagem da espiritualidade do doente paliativo assume um papel primordial, uma vez que os valores espirituais frequentemente tornam-se mais relevantes em fim de vida (Gijberts, 2011, p. 852). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2002), os cuidados paliativos têm por missão oferecer a melhor qualidade de vida possível aos doentes que encaram uma doença grave e com prognóstico limitado. A prevenção e o alívio do sofrimento assumem um enlevo especial, não ao nível físico como também psicossocial e espiritual. Muitas vezes, é nesta fase que a pessoa busca incessantemente a paz interior, reflexo quer da relação com o próprio, quer da sua relação com os outros. Talvez, quando o ser humano se confronta com a morte, tenha uma maior necessidade de encontrar o sentido e significado para a sua vida.

Segundo o National Consensus Project for Quality Palliative Care (2009), o cuidado espiritual constitui um requisito fundamental para a qualidade em cuidados paliativos e as dimensões espirituais e existenciais devem ser avaliadas de forma sistematizada e com base na melhor evidência disponível.

Tendo em conta que a unidade recetora dos cuidados é o doente e a sua família/ pessoa significativa, torna-se impreterivelmente necessário incluir a família no cuidado espiritual, pois assim é possível o alívio do sofrimento espiritual do doente paliativo. Os cuidados espirituais devem ajudar os doentes e suas famílias a encontrarem um significado e promover um senso de conexão e de paz face ao sofrimento e à morte (Hanson, 2008, p. 908). É no encontro da paz espiritual que a relação entre doente e sua família se enaltece e encontra o verdadeiro significado.

Cientes da importância que a espiritualidade assume no âmbito dos cuidados paliativos, a validação da escala SSCRS permitirá perceber qual a perceção dos enfermeiros portugueses, que trabalham em cuidados paliativos, acerca da espiritualidade e do cuidado espiritual. A avaliação da perceção dos enfermeiros remete para a sua opinião, ideias e para a compreensão acerca das dimensões abordadas (Houaiss & Villar, 2003). Desta forma, o instrumento, depois de validado, ajudará a perceber o que os enfermeiros percecionam acerca da espiritualidade e do cuidado espiritual.

Spirituality and spiritual care rating scale Embora a espiritualidade constitua uma das mais importantes dimensões da vida humana, particularmente na finitude da vida, a sua avaliação continua a ser difícil e complexa. Consciente desta dificuldade, foi desenvolvida a Spirituality and Spiritual Care Rating Scale (SSCRS), por Wilfred McSherry, em 1997, no Reino Unido, no sentido de identificar as perceções dos enfermeiros em relação à espiritualidade e ao cuidado espiritual, na tentativa de compreender com maior profundidade as razões da negligência da atenção espiritual.

Na construção da escala foram aplicados 1029 questionários a enfermeiros de várias categorias profissionais, de diversas especialidades, do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. A taxa de resposta foi de 53% que corresponde a uma amostra de 559 enfermeiros (McSherry, Draper, & Kendrik, 2002).

Para a construção do instrumento, e após pesquisa desenvolvida, o autor baseou- se em nove áreas relacionadas com a espiritualidade: esperança, sentido e significado na vida, perdão, crenças e valores, cuidado espiritual, relacionamento interpessoal, num Deus ou entidade superior, moral e criatividade/arte (McSherry et al., 2002).

O instrumento original (Figura_1) é constituído por 17 itens, apresentados numa escala tipo Likert. Na sua versão original apresenta um Alfa de Cronbach global de 0,64 e explora 4 fatores (sendo o Fator V eliminado por apresentar apenas um item): - Fator I ' Espiritualidade (itens F, H, I, J, L); - Fator II ' Cuidado Espiritual (itens A, B, G, K, N); - Fator III ' Religiosidade (itens D, M, P) - Fator IV ' Cuidado Personalizado (itens N, O, Q)

Metodologia O presente estudo foi realizado com a finalidade de disponibilizar em português um instrumento que permita avaliar a perceção dos enfermeiros em relação à espiritualidade e ao cuidado espiritual. Caracteriza-se como um estudo do tipo metodológico, no qual se procedeu à tradução e adaptação cultural do instrumento para português e, posteriormente, ao estudo e avaliação das suas propriedades psicométricas.

Seleção dos participantes A população é composta pelos enfermeiros que desempenham funções nas Unidades de Cuidados Paliativos e Equipas Intra-Hospitalares de Suporte em Cuidados Paliativos, legalizadas pelo Estado português e reconhecidas pela Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.

Como se pretendia realizar a análise de construto através da análise fatorial, seguimos a indicação de Ribeiro (2010) quanto ao tamanho da amostra, sendo que cada item deve incluir cerca de cinco a 10 participantes. Tendo o instrumento em estudo 17 itens, estimou-se um tamanho compreendido entre os 85 e 170 enfermeiros.

Neste contexto, foram contactados os responsáveis das referidas unidades e equipas, explicaram-se os objetivos do estudo e foi-lhes solicitado que o transmitissem aos enfermeiros das suas unidades/equipas. A partir deste contacto, obteve-se uma amostra inicial de 159 enfermeiros.

Posteriormente, e novamente através dos enfermeiros responsáveis (elos de ligação entre o investigador e a mostra), solicitaram-se os endereços eletrónicos dos participantes, a fim de lhes ser enviado o link para o preenchimento do questionário electrónico.

Verificou-se que nem todos os enfermeiros que consentiram participar no estudo responderam ao questionário enviado, sendo a amostra final constituída por 94 enfermeiros.

Foi solicitado o consentimento livre e informado de todos os participantes e garantido o anonimato e confidencialidade das respostas (salienta-se que, após envio dos questionários, deixava de ser possível a identificação dos enfermeiros). Solicitou-se, também, a autorização ao autor da versão original da SSCRS, não quanto à sua utilização como também para efeitos de estudo e validação.

Equivalência linguística e conceptual Numa primeira etapa procedeu-se à equivalência linguística e cultural da SSCRS para a população portuguesa através da tradução, retro tradução, Comité de juízes e pré-teste (Ribeiro, 2010), tal como sintetizado na Figura_1.

Foram realizadas duas traduções da escala original (inglês ' português) por dois tradutores independentes, bilingues e profissionais, e foi-lhes explicado qual o objetivo do instrumento a ser validado. Não foi trocada qualquer tipo de informação entre os tradutores ao longo do processo de tradução. As discrepâncias encontradas nas traduções foram posteriormente discutidas entre o investigador e os dois tradutores. Desta discussão resultou a versão em português da SSCRS.

Numa segunda fase, realizou-se a retro-tradução (português-inglês) da versão portuguesa obtida. Este processo foi realizado por dois novos tradutores independentes, bilingues e profissionais que, por sua vez, desconheciam a escala original. As versões obtidas foram, posteriormente, enviadas ao autor da escala que validou uma das traduções como a mais precisa, comparativamente com o instrumento original que criara e, cuja versão portuguesa respetiva designamos como versão em português da SSCRS.

Numa terceira fase, o instrumento foi avaliado por um painel de juízes, composto por uma professora de linguística e três enfermeiras (uma perita em metodologia de validação de escalas, uma investigadora em espiritualidade e tradução de escalas e uma mestre em cuidados paliativos). Ao Comité foi explicado o objetivo da sua avaliação e solicitado que verificassem se os conceitos utilizados eram comuns a ambas as culturas (portuguesa e inglesa).

Daqui resultou a versão em português da SSCRS. Esta versão foi submetida a pré-teste através de um questionário eletrónico. Este questionário foi enviado por correio eletrónico a quatro enfermeiros que, à data do estudo, trabalhavam numa Unidade de Cuidados Paliativos. Este pré-teste teve como objetivos garantir que o formato e aparência do questionário, instruções de preenchimento, compreensão dos diferentes itens, recetividade e adesão aos seus conteúdos não afetavam os resultados. De acordo com as sugestões apresentadas foram efetuadas algumas alterações, tais como o acréscimo de questões relacionadas com a caracterização da amostra (tipo de habilitações literárias, regime de trabalho e, no caso de virem a frequentar formação em cuidados espirituais, que temas consideravam importantes desenvolver). Após as alterações, obteve-se a versão da SSCRS (que integra questões relacionadas com dados demográficos e equivale ao questionário).

Resultados Após concluída a equivalência linguística e conceptual surge a Spirituality and Spiritual Care Rating Scale ' versão portuguesa (Figura_2).

Caracterização da amostra A maioria dos participantes tinham idades compreendidas entre os 21 e os 39 anos (80%), habilitações literárias inferiores ao mestrado (73%), trabalhavam a tempo inteiro (80%), por turnos (80%) e tinham entre dois a seis anos de experiência profissional (73%). Verificou-se que nem todos os enfermeiros que consentiram participar no estudo responderam ao questionário enviado, sendo a amostra final constituída por 94 enfermeiros, o que equivale a uma taxa de resposta de 59%.

Propriedades psicométricas Terminado o processo de adaptação linguística e cultural, procedeu-se à análise das propriedades psicométricas do instrumento em estudo, nomeadamente a sua validade e fidelidade.

Validade de construto Inicialmente foi realizada uma análise fatorial exploratória pelo método das componentes principais, com rotação varimax, de acordo com o processo adotado pelos autores originais da medida (McSherry et al., 2002). Foram retidos os fatores que apresentam valores próprios (eigenvalue) superiores a 1 e um peso superior a 0,40. Tal como sucedeu no processo da validação da versão original, numa primeira fase foram encontrados cinco fatores. Contudo, o modelo encontrado no presente estudo não divide os itens da mesma forma que a versão original, agrupando-os da seguinte forma: Fator I (itens B, A, G, O, L), Fator II (itens D, P, N, K, C), Fator III (itens I, F, H), Fator IV (itens Q, J, M) e Fator V (E). Por fim, e à semelhança do que sucedeu na versão original, eliminou-se o último fator por apresentar um único item. No entanto, e tendo em consideração o processo de análise e validade de conteúdo desenvolvido pelo autor, consideramos que a divisão dos itens está mais correta na versão original.

A validade de construto não fica assim demostrada neste estudo e com este tipo de análise, no entanto, face à organização lógica dos itens proposta pelos autores, optou-se por manter a estrutura original e estudar a sua consistência interna.

Fidelidade A fidelidade de um teste está associada à precisão e constância dos resultados (Ribeiro, 2010).

A partir da análise da estrutura original da escala foi calculado o alfa de Cronbach, uma vez que este permite avaliar a homogeneidade entre os itens da escala (consistência interna).

Numa fase inicial analisou-se o valor de alfa de cada sub-escala. No fator Religiosidade foi retirado o item (d) ' Acredito que a espiritualidade envolve apenas a ida à Igreja/Local de Culto e no fator Cuidado Personalizado foi retirado o item (q) ' Acredito que a espiritualidade inclui os princípios morais de cada um por estarem a influenciar negativamente a consistência interna das dimensões. No entanto, constatou-se que, se os itens fossem retirados, tal não afetaria grandemente o alfa global da escala. Por esse motivo optou-se por manter os 17 itens (Tabela_1), apresentando a escala um alfa global de 0,76.

Discussão Analisados os dados e estudadas as propriedades psicométricas do instrumento verifica-se que a versão portuguesa apresenta um alfa de Cronbach global superior ao da versão original de McSherry et al. (2002) (a=0,76 versus a=0,64). Apesar do valor de consistência interna obtido no fator Espiritualidade ter sido igual ao que foi encontrado pelo autor (a=0,66), os restantes fatores não seguiram o mesmo padrão. A versão portuguesa apresenta valores de alfa de Cronbach superiores aos da versão original nos fatores Religiosidade (a=0,69 versus a=0,55) e Cuidados Personalizados (a=0,64 versus a=0,48). No entanto, no fator Cuidado Espiritual, esse valor é ligeiramente inferior ao da versão original (a=0,69 versus a=0,73).

Para além do estudo original, encontrou-se um outro onde os autores estudaram a consistência interna do total da medida, tendo sido apresentado um alfa de Cronbach de 0,85 (Khoshknab, Mazaheri, Maddah, & Rahgozar, 2010). No entanto, os autores não analisaram a consistência interna das diversas dimensões. Embora similar quanto ao número de participantes, a constituição da amostra do estudo de Khoshknab et al. (2010) diferencia-se do presente estudo, nomeadamente na distribuição por géneros (sendo que na primeira essa distribuição é mais homogénea) e nas habilitações literárias, que são ligeiramente inferiores no estudo de Khoshknab et al. (2010). Talvez as diferenças obtidas entre os dois estudos possam advir deste facto. Neste sentido, Wong, Lee, e Lee (2008), referem que na análise da espiritualidade e do cuidado espiritual que ter em conta a influência das habilitações académicas e do género.

Num outro estudo, de McSherry e Jamieson (2011), o alfa de Cronbach obtido foi de 0,80, valor também superior ao da versão portuguesa. Contudo, este estudo foi feito em diversos países e numa amostra 43 vezes superior (n = 4054 enfermeiros), sendo esta diferença o suficiente para melhorar a consistência interna. É ainda de acrescentar que a amostra deste estudo internacional tinha um grande leque de religiões e maior percentagem de pessoas sem religião do que no presente estudo.

No trabalho que desenvolvemos verificou-se existir uma correlação estatisticamente significativa entre as várias dimensões da escala e entre cada dimensão e o total da escala, não sendo esta demasiado elevada. Tal facto vem comprovar que, à semelhança do que aconteceu na versão original, as dimensões não se sobrepõem, mas estão associadas.

No que respeita à análise de fidelidade da SSCRS (versão portuguesa), pode afirmar-se que a medida evidenciou bons níveis de consistência interna no global e nas dimensões consideradas. Para além disso, parece adequar-se em termos de validade de conteúdo, tendo em conta o processo de equivalência linguística desenvolvido e a concordância conceptual entre o painel de avaliadores.

Apesar dos resultados encontrados permitirem a utilização da versão portuguesa do instrumento e, portanto, a continuidade da investigação neste âmbito, considera-se importante aplicar o instrumento em amostragens mais amplas e diversificadas, preferencialmente do tipo probabilístico. Apesar dos esforços realizados, não nos foi possível contactar em tempo útil todas as Unidades de Cuidados Paliativos e Equipas Intra-Hospitalares de Suporte em cuidados paliativos do país, o que veio a constituir uma limitação na constituição da amostra e, por conseguinte, para o estudo.

Conclusão O método adotado e os dados obtidos neste estudo são aceitáveis, pelo que se pode concluir que a SSCRS ' versão portuguesa apresenta razoáveis características psicométricas. A fiabilidade, considerando a consis-tência interna, é satisfatória para que a escala seja utilizada em contexto de estudos descritivos. Assim sendo, sugerimos a realização de estudos com amostras maiores e diversificadas, de modo a garantir e consolidar as propriedades psicométricas do instrumento.

A versão portuguesa da SSCRS poderá constituir um incentivo à realização de novos trabalhos constituindo, portanto, uma mais valia não para o estudo da espiritualidade como também para a prática clínica e para a qualidade dos cuidados de Enfermagem. Com efeito, o instrumento - que permite avaliar a perceção dos enfermeiros face à espiritualidade e ao cuidado espiritual - poderá constituir um importante ponto de partida para o despertar de consciências, ajudando, por um lado, os enfermeiros a refletirem sobre a sua própria espiritualidade e, por outro, sensibilizando-os para a importância do cuidado espiritual.


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