Enfermagem portuguesa: análise da produção e divulgação do conhecimento através
de repositórios institucionais
Introdução
Considerada tradicionalmente como arte e ciência do cuidar temos vindo a
assistir ao longo das últimas décadas ao desenvolvimento da enfermagem enquanto
disciplina do conhecimento que assenta as suas práticas no raciocínio analítico
e na melhor evidência científica disponível. Neste sentido a investigação em
enfermagem contribui para a criação de um corpo epistemológico próprio, para a
melhoria dos cuidados e avaliação dos resultados em saúde (Estabrooks, Winther,
& Derksen, 2004).
No campo da investigação, contudo, e conforme salienta Rodrigues (2009), o
conhecimento científico só o é verdadeiramente quando se transforma em
interconhecimento (Rodrigues, 2009). A difusão dos resultados dos projetos e a
publicação de investigação com significativo impacto torna-se pois fundamental,
já que a comunicação, a partilha e a aplicação do conhecimento constituem
processos inerentes ao fazer ciência (Leite & Costa, 2006; Rodrigues,
2009).
No domínio da enfermagem grande parte da investigação publicada provém de
instituições de ensino superior (ou centros de investigação associados),
derivando a restante dos contextos da prática clínica (Dyniewicz, 2010;
Sampaio, Carvalho, Araújo, & Rocha, 2014). Pesquisas internacionais, usando
técnicas bibliométricas e bases de dados eletrónicas, apontam para um
incremento da produtividade desde o início da década de 1990 (Estabrooks et
al., 2004). Tem-se assistido a um aumento médio do número de autores por
artigo, maior colaboração internacional nos estudos, maior número de
referências listadas e uma tendência à publicação em revistas com maior fator
de impacto (Huang, Ho, & Chuang, 2006).
Para o crescimento e visibilidade da profissão de enfermagem é relevante
conhecer quantitativa e qualitativamente a sua produção científica (Dyniewicz,
2010). Nesta linha, a análise das tendências da ação investigativa poderá
traduzir as inquietações sobre o modo como os enfermeiros têm vindo a enfocar e
a responder aos problemas inerentes ao cuidar.
O principal objetivo deste estudo consistiu em analisar a produção e divulgação
do conhecimento em enfermagem a partir de trabalhos científicos arquivados em
Repositórios Institucionais (RI) de acesso livre, disponíveis a partir da
página web do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP), e
publicados entre 1 de janeiro de 2000 a 30 de junho de 2014.
Enquadramento
Um RI é um sistema de informação que armazena, preserva e disponibiliza cópias
digitais da produção intelectual de instituições geradoras de ciência, como é o
caso das universidades (Rodrigues, 2004).
Os RI emergiram um pouco por todo o mundo, impulsionados pelo movimento de
acesso livre ao conhecimento, e constituem hoje uma plataforma importante na
gestão da informação e preservação documental no seio da própria organização,
acrescentando uma nova dimensão à gestão da informação global na era da
internet (Bhardwaj, 2014). Contribuem ainda para uma maior visibilidade
institucional, podendo ser usados como indicadores tangíveis de qualidade e
produtividade no ensino e na investigação (Rodrigues, 2004).
Os RI funcionam também como um escaparate científico já que o número de vezes
que um trabalho é citado está, de alguma forma, relacionado com o facto de o
mesmo estar acessível em formato digital e sem custos acrescidos para os
utilizadores. Assim, e na perspetiva de Harnad et al. (2004), os investigadores
confrontam-se atualmente com dois caminhos para o open acess. Um deles (via
dourada) consiste em publicar em revistas de acesso livre; o outro (via verde)
consiste em publicar em revistas de acesso não livre, arquivando depois o
resumo do trabalho, ou o artigo completo (quando autorizado) no repositório da
sua instituição.
Para a prática baseada na evidência e investigação em enfermagem, o open acess
tem uma importância inquestionável. Como nos recorda Nick (2012), nalguns
países em vias de desenvolvimento as grandes obras científicas chegam com
muitos anos de atraso; e mesmo nos países desenvolvidos pequenas universidades
e hospitais não dispõem de orçamentos para enriquecer as suas bibliotecas com
periódicos atualizados. Assim, o acesso livre a documentos potencia o
aprofundamento dos trabalhos de investigação em enfermagem, a replicação de
pesquisas com confrontação, as revisões sistemáticas da literatura e a
atualização de diretrizes para a prática clínica (Nick, 2012). O simples facto
de aumentar as fontes de informação favorece os métodos de ensino, a
aprendizagem do estudante, a capacitação de profissionais na prática clínica, a
identificação das melhores evidências e, em última análise, a melhoria dos
resultados dos cuidados em saúde (De-la-Torre-Ugarte-Guanilo, Takahashi, &
Bertolozzi, 2011).
Se os repositórios temáticos e institucionais concorrem para a divulgação,
acessibilidade e preservação da ciência, a sua simples existência, contudo, não
responde a uma outra premissa que a ciência deve possuir: a credibilidade.
Neste sentido, é importante que os documentos depositados tenham sido alvo de
processos de avaliação reconhecidos, ou seja, de orientação ou arbitragem
científica. A divulgação dos resultados em publicações com revisão por pares é
essencial para sustentar padrões de qualidade de cuidados, desenvolver a
enfermagem avançada e as práticas baseadas em evidências (Christenbery, 2011).
Os estudos de natureza bibliométrica possibilitam obter uma visão da atividade
científica de uma disciplina num determinado contexto geográfico propiciando,
por exemplo, dados objetivos à tomada de decisão aos gestores da política
científica dessa área do saber (Donato & Oliveira, 2006). Torna-se assim
importante compreender, em linha com o objetivo desta pesquisa, que tipos de
documentos científicos são produzidos nas diversas áreas de atividade de
enfermagem, o número de autores associados, a forma como os documentos foram
publicados e quais as áreas investigacionais dominantes.
Questões de investigação
Os seguintes enunciados interrogativos serviram de guia orientador a este
trabalho: Qual o tipo de documentos científicos mais frequentemente produzidos,
entre 2000 e 2014, na área de enfermagem e arquivados em RI?; Qual a tipologia
dos estudos e as áreas técnico-científicas dominantes?; Quantos autores, em
média, se encontram afiliados aos documentos científicos, especificamente aos
artigos indexados ao ISI e/ou Scopus?; Quais as palavras-chave mais
frequentemente usadas?; Os textos publicados foram alvo de orientação ou
arbitragem científica?
Metodologia
Tendo em conta o objetivo do trabalho e as questões de investigação desenhámos
uma pesquisa documental e um estudo de natureza quantitativa e descritiva.
Acedeu-se aos RI de hospitais, escolas superiores de enfermagem, escolas
superiores de saúde, institutos politécnicos e universidades portuguesas com
departamentos e publicações na área de enfermagem. Os dados foram recolhidos
entre julho e setembro de 2014, tendo como ponto de partida a página web do
diretório do projeto RCAAP, acessível no seguinte endereço eletrónico: http://
www.rcaap.pt/directory.jsp. Deste modo, o primeiro critério de inclusão foi os
RI estarem alojados no RCAAP não sendo consideradas as bibliotecas
institucionais não alojadas nessa plataforma. Encontrámos 76 repositórios
filiados no RCAAP, cumprindo 17 deles com o segundo critério de inclusão: os RI
apresentarem, nas suas comunidades e coleções, publicações científicas na área
de enfermagem.
Os 17 RI selecionados apresentavam um total de 5658 documentos depositados em
suas comunidades e coleções relacionadas com enfermagem. Com o objetivo de
limitar a análise à produção científica relevante, e em linha com o preconizado
por Ferreiro-Aláez (1993) e de Umbelino (2009), estabeleceu-se um terceiro
critério de inclusão: considerar apenas os artigos publicados em revistas,
dissertações de mestrado, teses de doutoramento, resumos e artigos completos
publicados em livros de atas de conferências, capítulos de livros, livros e
relatórios técnico-científicos (n= 1754). Ficaram deste modo excluídos da
análise, por não cumprirem o terceiro critério de inclusão 3904 documentos como
sejam as monografias conducentes à atribuição do grau de licenciado, os
relatórios de estágio (quando não conducentes ao grau de mestre), as
comunicações orais e em formato póster em conferências, as moderações de debate
e as lições académicas, as publicações pedagógicas e os trabalhos de provas
públicas.
Com o objetivo de limitarmos a análise à informação com maior atualidade, foi
aplicado um quarto critério de inclusão aos 1754 documentos selecionados:
considerar apenas as publicações posteriores ao ano 2000. Com base neste quarto
critério excluímos 16 documentos publicados anteriormente a essa data.
Deste modo encontrámos 1738 documentos publicados entre 1 de janeiro de 2000 e
30 de junho de 2014; os quais identificámos através do seu URI (Uniform
Resource Identifier) e analisámos tendo em conta as seguintes variáveis: tipo
de documento, ano de publicação, número de autores, palavras-chave e informação
sobre arbitragem científica. Estes dados são geralmente apresentados aquando da
abertura de um documento em repositório, dadas as similitudes de construção que
as diversas páginas institucionais apresentam entre si.
Para além das variáveis supracitadas tivemos igualmente em atenção a tipologia
dos estudos e a área científica de enfermagem em que os mesmos foram
desenvolvidos.
A variável tipo de estudo foi operacionalizada atendendo às seguintes
categorias: teorias e revisões integrativas; investigação e estudos de caso. Na
primeira categoria foram incluídos trabalhos de natureza teórica ou conceptual,
revisões da literatura e revisões integrativas. Na categoria investigação foram
incluídos trabalhos que usaram metodologia quantitativa ou qualitativa, estudos
de revisão sistemática e de metanálise. Nos estudos de caso foram incluídos
trabalhos sobre uma situação clínica especifica e relatos da aplicação do
processo de enfermagem a um indivíduo/ família.
Na classificação dos documentos por área científica tivemos em conta as seis
áreas tradicionais de especialização da enfermagem em Portugal: Enfermagem
Médico-Cirúrgica; Enfermagem de Reabilitação; Enfermagem na Comunidade;
Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica; Enfermagem de Saúde Infantil e
Pediátrica e Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. A opção por este
critério classificativo deve-se ao facto de muitas escolas de enfermagem
subdividirem desta forma as suas coleções em repositório. Porém, durante a
análise dos documentos, cedo sentimos a necessidade de acrescentar a este
modelo operativo duas novas categorias que expressassem de forma mais fidedigna
alguns temas trabalhados, a saber: Administração; Políticas de saúde; Gestão de
cuidados e Enfermagem fundamental e educação; Formação e supervisão clínica;
Ética e deontologia.
Na distribuição por tipo de estudo e área científica foram analisados os
títulos e abstracts dos documentos e, em casos de dúvidas, procurou-se examinar
a publicação na íntegra, minimizando possíveis vieses, e catalogando os
documentos nestas variáveis, por consenso, após reunião dos autores do presente
trabalho.
Relativamente aos artigos científicos publicados em revistas os diferentes
repositórios consultados apresentam entre si algumas disparidades
relativamente à sua categorização. De facto, muitas bibliotecas classificam-
nos em nacionais e internacionais; outras em indexados ou não indexados na
Medline; e outras ainda simplesmente não os classificam. Por opção
metodológica, a nossa estratégia passou por distribuir este tipo de documentos
em duas categorias: artigos em publicações indexadas ao ISI Web of Knowledge e/
ou indexadas na Scopus e artigos não indexados a estas bases. A opção por estes
dois indexadores deveu-se ao facto dos mesmos serem amplamente reconhecidos
pela Fundação de Ciência e Tecnologia portuguesa. Foi assim necessário aceder
às plataformas digitais dessas bases de dados e confirmar a indexação dos
artigos às mesmas.
A informação obtida através das diversas fontes consultadas (RCAAP, RI, páginas
Web of Science e Scopus) foi extraída sucessivamente para um ficheiro criado no
programa SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão 20.0. Em termos
de tratamento e apresentação dos resultados recorremos aos métodos clássicos da
estatística descritiva.
Resultados
Na Tabela_1 constam os 17 RI objeto de consulta e o número de documentos
encontrados em cada um deles. Destaca-se o Repositório Científico da Escola
Superior de Enfermagem de Coimbra, responsável por 34,3% dos registos; a
Biblioteca Digital do Instituto Politécnico de Bragança (15,6%) e o Repositório
Científico do Instituto Politécnico de Viseu (15,1%).
O tipo de documento científico mais frequentemente encontrado foi o artigo
publicado em revistas não indexadas ao ISI e/ou Scopus (n=542). Analisando a
tendência por períodos, concluímos por um crescimento sustentado ao longo do
tempo relativamente à publicação dos enfermeiros portugueses neste tipo de
revistas (Tabela_2).
Ainda de acordo com a Tabela_2, até 30 de junho de 2014, estavam arquivadas em
comunidades e coleções relacionadas com a enfermagem de repositórios open
access 526 dissertações de mestrado. Observámos uma tendência de crescimento
exponencial do número de trabalhos conducentes ao grau de mestre
disponibilizados durante o período 2010-2014.
Os resumos em atas de conferências (n=165) publicaram-se na sua quase
totalidade a partir de 2010 (n=149). Resultados muito semelhantes foram obtidos
para os artigos completos em livros de atas.
Quanto aos artigos em revistas indexadas, encontrámos apenas um registo no
período 2000-2004, foram publicados 33 no quinquénio seguinte, atingindo um
número bastante superior a partir de 2010 (n=114).
Os capítulos de livro e os livros representaram respetivamente 5,5% e 2,4% dos
documentos. As teses de doutoramento contribuíram para 4,1% do total de
registos.
Após leitura do título e resumo dos documentos distribuíram-se os mesmos de
acordo com a tipologia dos estudos (Tabela_3). Evidencia-se uma percentagem
significativa de trabalhos de investigação (63,7%), em segundo lugar situam-se
os trabalhos teóricos e as revisões integrativas da literatura (35,0%) e
finalmente os estudos de caso (1,3%).
Relativamente ao número de autores afiliados aos trabalhos, os mesmos variaram
de um mínimo de 1 até um máximo de 12 autores, predominando os trabalhos
publicados de forma individual, independentemente da tipologia dos estudos.
A Figura_1 apresenta a média do número de autores nos trabalhos depositados nos
RI desde o ano 2000 até ao presente. Em termos médios, os enfermeiros
publicavam de forma individualizada no início do século, invertendo-se essa
situação em 2006 onde a tendência passou a ser publicar mais em forma de co-
autoria.
Quanto ao contexto de desenvolvimento dos trabalhos (Tabela_4) obtivemos uma
percentagem relativa que variou entre os 5,9% na área da Enfermagem de Saúde
Materna e Obstétrica e os 11,6 na área da Enfermagem na Comunidade. A categoria
Administração. Políticas de saúde. Gestão de cuidados e Enfermagem fundamental
foi aquela que obteve maior percentagem de observações (22,9%).
Na Figura_2 apresentam-se as dez palavras-chave que mais frequentemente foram
encontradas nas publicações. A palavra-chave mais recorrente foi Enfermagem,
com 130 registos. O termo Cuidados de enfermagem obteve 61 repetições. A
palavra-chave Enfermeiros foi observada 56 vezes, seguida de Família (55
repetições) e Idosos (47 repetições). Finalmente os descritores Dor e
Envelhecimento obtiveram ambos 30 registos.
De referir ainda que dos 1738 documentos encontrados 93,8% tiveram orientação
científica (caso das dissertações e teses de mestrado) ou foram publicados após
revisão por pares.
Discussão
Dos 17 RI visitados, apenas quatro diziam respeito a hospitais ou centros
hospitalares, reportando-se os restantes 13 a instituições de ensino superior.
Estes achados não nos surpreendem, já que os RI representam uma ferramenta-
chave na gestão científica e académica das universidades. Acreditamos contudo
que mais hospitais irão apostar na implementação destas plataformas num futuro
próximo, uma vez que estas instituições são potencialmente geradoras de
conhecimento e produção científica.
Quanto ao tipo de documentos encontrados, de um modo geral, verificou-se que os
investigadores privilegiaram as revistas científicas para publicação dos seus
trabalhos, provavelmente porque as revistas constituem um dos principais canais
de comunicação, disseminação e legitimação da ciência e da técnica (Leite,
2009; Portugal, Branca, & Rodrigues, 2011). Os artigos indexados
representaram pouco mais de 20% do total de artigos publicados em revistas. Um
indicador mais animador advém, contudo, da análise comparativa de artigos
indexados ao longo do tempo, a qual revelou um forte incremento neste tipo de
publicações. Os nossos resultados entroncam com os achados de outros estudos
que analisaram a qualidade da produção científica nacional na área da saúde a
partir da plataforma Web of Science e relatam taxas de crescimento que variaram
desde os 75% (Antunes, 2012), aos 200% a partir de 2000 (Donato & Oliveira,
2006).
Chamamos a atenção para o grande número de teses de doutoramento e dissertações
de mestrado acessíveis a consulta, por certo consequência da criação de
doutoramentos em enfermagem e da possibilidade, relativamente recente, das
escolas poderem propor à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior
(A3ES) mestrados em enfermagem. Este tipo de documentos poderá constituir uma
mais-valia para a enfermagem portuguesa, quer em termos de visibilidade e
ampliação do fluxo de comunicação, produção de novas evidências e formação de
novos pesquisadores.
De realçar que os trabalhos de pesquisa predominaram sobre os trabalhos
teóricos e os estudos de caso, o que parece indiciar a consolidação dos grandes
quadros conceptuais e um predomínio da investigação voltada para os problemas.
Na análise de coincidência de palavras-chave encontrámos como resultados, por
ordem decrescente: enfermagem, cuidados de enfermagem, enfermeiros, família,
idosos, qualidade de vida, sexualidade, saúde, dor e envelhecimento. Usando
como critérios a extração de palavras-chave e sua confrontação com termos MeSH
(Medical Subject Headings), Jeong, Ahn, e Cho (2005) encontraram como
descritores mais frequentes: depressão, idosos, stress, autoeficácia, qualidade
de vida, exercício, mulheres de meia-idade e mulheres.
No nosso estudo, classificados os documentos, concluímos que 59% se agrupavam
em categorias relacionadas com áreas de especialização em enfermagem
(Enfermagem Médico-Cirúrgica, Enfermagem de Reabilitação, Enfermagem na
Comunidade, Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, Enfermagem de Saúde
Infantil e Pediátrica, Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica). Resultados
semelhantes foram encontrados num estudo sobre indicadores de investigação na
enfermagem irlandesa. Nele, as principais áreas de pesquisa identificadas foram
a prática clínica (56%), as questões profissionais (19%) e a educação em
enfermagem (25%) (McCarthy, Hegarty, & O'Sullivan, 2006).
O presente estudo apresenta algumas limitações. Ao confinarmos a pesquisa aos
RI hospedados no RCAAP somos conscientes que muitos documentos, igualmente
importantes, arquivados em outras páginas institucionais ou temáticas, não
foram analisados. Para além disso, alguns indicadores bibliométricos de
qualidade científica, como o fator de impacto das revistas, ou o número de
citações, não foram tidos em conta na análise dos artigos publicados em
revistas indexadas.
Conclusão
Apesar das limitações referidas, acreditamos que este trabalho representa um
modesto contributo que poderá animar outros colegas na persecução de estudos
usando estes e outros indicadores bibliométricos de forma a avaliar o impacto,
a atividade e qualidade científica da enfermagem portuguesa.
Ao dar a conhecer informação sobre RI, esta investigação, poderá servir à
prática e à investigação, potenciando a consulta dos documentos arquivados
nestas bases de dados, bem como incentivar o auto-arquivo de docentes e
investigadores.
Os nossos resultados apontam para um crescimento significativo na quantidade de
documentos publicados no último quinquénio, em linha com outros estudos
realizados. Verificámos ainda uma tendência para o aumento do número médio de
autores ao longo dos anos, principalmente no que diz respeito aos artigos
indexados. Os resultados relativos aos anos mais recentes sugerem a valorização
de parcerias no processo de criação e publicação científica.
Finalmente, uma das principais reflexões que esta investigação nos suscita
prende-se com a necessidade de prosseguir na senda da melhoria da produtividade
e, sobretudo, da qualidade e difusão da investigação em enfermagem produzida em
Portugal. A via de publicar em revistas de reconhecida qualidade e indexadas,
bem como o posterior arquivo em RI, salvaguardando os direitos de autor, deve
constituir, em nosso entender, o foco preferencial de académicos,
investigadores e profissionais da prática clínica.