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EuPTCVHe1646-107X2014000300010

EuPTCVHe1646-107X2014000300010

variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN1646-107X
ano2014
Issue0003
Article number00010

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Escala de Identidade Profissional de Professores de Educação Física: Procedimentos de construção e validação

INTRODUÇÃO A educação física em Portugal nos últimos 70 anos tem sido marcada por muitas mudanças que têm influenciado o seu rumo concetual e metodológico (Oliveira, 2012), com reflexos evidentes na construção e desenvolvimento da identidade profissional dos professores desta área (Ferreira & Moreira, 2010, 2012; Ferreira, Moreira & Ferreira, 2011; Moreira & Ferreira, 2011, 2012).

Nesse sentido procurámos desenvolver um estudo que indagasse a forma como os professores de educação física provindo de diferentes escolas de formação existentes em Portugal desde a criação do Instituto Nacional de Educação Física, que se afirmou como a primeira grande escola de formação de professores desta área, na década de 40 do século XX, se percecionam e se avaliam enquanto docentes; como se percecionam relativamente a colegas do grupo disciplinar, a colegas de profissão de outros grupos disciplinares, aos seus alunos e a outros profissionais; ou como definem a sua profissão. Após uma análise exaustiva da literatura acerca do fenómeno identitário construto em questão, verificámos a inexistência de instrumentos que nos permitissem avaliar a identidade profissional dos professores deste grupo disciplinar, que apresenta algumas especificidades devido à natureza da disciplina. Assim, baseados na literatura e na revisão de estudos na área, sobretudo no quadro concetual definido por Kelchtermans (1993, 1995) operacionalizámos o conceito de identidade profissional em três dimensões: a dimensão motivacional, relativa ao projeto profissional e incidindo na escolha da docência e na motivação para a mesma; a dimensão representacional, relacionada com a perceção profissional, no plano da imagem de si enquanto professor e da imagem da profissão; e a dimensão socioprofissional, localizada aos níveis social e relacional, baseando-se sobretudo nos processos de socialização profissional.

Após a definição deste quadro concetual e de ter realizado um conjunto de 15 entrevistas (semiestruturadas) a professores de educação física de diferentes escolas de formação inicial, que procurou definir um quadro empírico e interpretativo das opiniões destes professores, partimos para a construção de uma escala que nos permitisse avaliar as diferentes dimensões da identidade profissional dos professores deste grupo disciplinar. São as principais etapas e procedimentos da construção dessa escala, que intitulámos de Escala de Identidade Profissional de Professores de Educação Física (EIPPEF) e as suas qualidades psicométricas, que iremos aqui apresentar.

Assim, neste estudo descreveremos os principais procedimentos relativos à sua construção e validação, tendo como referência: as etapas da sua conceção, o que mede especificamente; o tipo de operacionalização que representa; a análise de validade de construto e a análise da consistência interna, através do cálculo do coeficiente alfa de Cronbach.

MÉTODO Pré Teste: amostra e procedimentos Após a definição de um sistema de categorias, resultante do quadro concetual existente e da análise de um conjunto de entrevistas que realizámos previamente, procurando definir um quadro categorial interpretativo das opiniões dos professores a nível do construto analisado, definimos um conjunto de itens relativos a esta categorização. Assim, a Escala de Identidade Profissional dos Professores de Educação Física (EIPPEF) ficou com 40 itens, sendo composta exclusivamente, por respostas fechadas e estruturadas segundo o modelo da escala de Likert. Depois da sua elaboração, a escala foi testada, junto de 8 professores especialistas, com o intuito de verificar, entre outros aspetos, se todas as questões eram compreendidas pelos inquiridos, se não haveria perguntas inadequadas à informação pretendida ou repetitivas, se não faltariam itens relevantes ou se os inquiridos não considerariam a escala demasiado longa e difícil. Para além destes aspetos de natureza estrutural, a nossa intenção com a testagem foi, também, avaliar os seus índices psicométricos. Este procedimento permitiu, também, averiguar as condições em que a escala deveria ser aplicada, a sua qualidade gráfica e a adequação das instruções que a acompanham. Este grupo de professores foi encorajado a fazer observações e sugestões respeitantes à estrutura da escala e a cada uma das suas perguntas.

De seguida, conduziu-se um pré-teste, sendo a escala aplicada a uma amostra de 40 professores de Educação Física dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário de escolas dos distritos de Bragança e do Porto, pertencentes à população do inquérito (mas que não fizeram parte da amostra selecionada).

Dos 40 professores iniciais a nossa amostra ficou reduzida a 33, devido à omissão de dados pessoais ou profissionais e/ou por falta ou duplicação de respostas a alguns itens da escala e cuja caracterização por sexo, idade, instituição de formação inicial, tempo de serviço, situação profissional e habilitações académicas se encontra sistematizada na Tabela_1.

Procedemos, depois, à análise de consistência interna da escala global e das diferentes dimensões da EIPPEF, que veio a revelar uma boa consistência interna com um valor de 0.87, enquanto as diferentes dimensões, Motivacional, Representacional e Socioprofissional, apresentaram respetivamente valores de 0.76, 0.54 e 0.29. Partindo do pressuposto que um instrumento que apresente uma consistência interna de 0.70 (Cronbach, 1984; Nunnally, 1978) pode ser considerado adequado para avaliar a variável que se pretende medir, considerámos que o instrumento apresentou, nesta fase, uma consistência interna adequada.

Com o intuito de aumentar o coeficiente de fiabilidade, calculámos a correlação item/ questionário e, para uma análise mais precisa, relativa a cada uma das dimensões do instrumento, calculámos ainda a correlação item/ dimensão, isto porque assumindo que cada item contribui para a formação da atitude que se quer medir deve, pois, existir uma correlação estatisticamente significativa e relativamente forte entre cada item e o total (Oppenheim, 1979). No processo de validação de instrumento, a análise da correlação de cada item com o total da escala a que pertence, excluindo o item em causa, é sempre efetuada no sentido de escolher os melhores itens (Nunnally, 1978). Para um maior rigor na sua seleção, alguns autores consideram, também, que os itens devem apresentar correlações com o total da escala superiores a 0.30 (Cronbach, 1984; Nunnally, 1978).

Os resultados da análise da consistência interna da EIPPEF, com 40 itens, sugeriram a eliminação do item 3 que apresentou um valor de 0.201. Apesar de outros itens apresentarem uma correlação fraca, e estarem próximos dos valores críticos, considerámos que, por exemplo, os itens 12, 25 e 31 não deviam ser rejeitados nesta fase, porque apresentaram validade de conteúdo, medindo diretamente aspetos ligados às dimensões em questão.

Após a eliminação do item 3 a EIPPEF ficou com 39 itens. Atendendo ao reduzido tamanho da amostra, optámos por uma seleção menos exigente, mantendo alguns dos itens que não estavam correlacionados de forma significativa com o instrumento na sua globalidade, mas cuja exclusão conduziria a valores mais baixos da escala total e da dimensão de que faziam parte.

O estudo final: caracterização da amostra Com a realização do pré-teste pretendíamos realizar uma abordagem preliminar à adequação da metodologia e ao comportamento psicométrico do instrumento de avaliação. Este, como verificámos apresentou índices de consistência interna satisfatórios, permitindo-nos avançar para um estudo final, abrangendo uma amostra mais extensa e diversificada de professores. No entanto, e tendo em conta que a construção de instrumentos de avaliação é um processo contínuo de análise das qualidades psicométricas das medidas elaboradas, recorremos novamente nesta fase ao cálculo dos coeficientes alfa de Cronbach para a escala total e para cada uma das dimensões e à análise fatorial, permitindo-nos obter evidências de validade de construto da escala, nomeadamente acerca da sua dimensionalidade.

Nesta fase, a população deste estudo contemplou professores de educação física a lecionar em diferentes escolas de Portugal. Distribuímos 260 questionários por diferentes escolas do país e após termos percorrido todas as etapas do processo tínhamos na nossa posse 206 questionários que foi considerado o N da nossa amostra e que correspondeu a uma taxa de retorno de 79.2%, número suficiente para conduzir uma análise fatorial, tendo em conta o número de itens da escala (Stevens, 1986; Tinsley & Tinsley, 1987).

Assim, fizeram parte da amostra do nosso estudo 206 professores, cuja caraterização por sexo, idade, instituição de formação inicial, tempo de serviço, situação profissional, habilitações académicas e outras atividades se encontra sistematizada na Tabela_2.

Como podemos verificar na Tabela_2, dos 206 professores de Educação Física de diferentes escolas do país que participaram na investigação, 41.3% são do sexo feminino e 58.7% do sexo masculino. Relativamente à idade, 40.3% dos professores encontram-se entre os 26 e 35 anos, seguindo-se as faixas etárias, dos 36 aos 45 anos com 35.9% dos professores e a dos 46 aos 55 anos, com 16.5%.

Observamos, também, que apenas 5.6% dos inquiridos têm idade inferior a 25 anos e 1.5% idade superior a 56 anos. Notamos, pois, por estes dados que, pelo menos, 75% dos professores que constituem a amostra têm idade inferior a 45 anos, sendo, pois, um grupo de professores ainda não muito envelhecido.

Por sua vez, no que diz respeito à instituição de formação inicial foram obtidas 195 respostas. Como seria de esperar o número de diplomados pelo Instituto Nacional de Educação Física é muito pouco expressivo, representando apenas 4.5% dos professores da amostra, o que não deixa de ser um número razoável, tendo em conta o número muito limitado de professores formados por esta escola ainda no ativo. O mesmo se aplica aos diplomados pelos Institutos Superiores de Educação Física de Lisboa e do Porto que representam uma minoria de professores no ativo, que se traduziu na nossa amostra numa percentagem de 13.3%. Como seria expectável a maioria dos inquiridos 54.9% fizeram a sua formação nas instituições mais recentes, nomeadamente no ensino universitário, público e privado, e 27.2% no ensino politécnico, concretamente em escolas superiores de educação.

No que diz respeito às habilitações académicas, observamos que a maioria dos professores inquiridos, 80.5%, tem como grau académico a licenciatura, enquanto 17% possuem mestrado, 1% o grau de doutor e apenas 1.5% tem o grau de bacharelato. A maioria dos professores que constitui a amostra do estudo, 67.5%, referiu ainda que possui outras atividades profissionais ligadas à educação física. Entre estes profissionais, 54%, afirmaram exercer atividades em clubes e 23% em ginásios, tendo apenas 5% respondido exercer atividades de animação desportiva, enquanto 18% disseram participar/pertencer a outros espaços não nomeados.

Finalmente, no respeitante à situação profissional, e diretamente relacionado com o tempo de serviço, 28.4% dos professores estão em regime de contrato, enquanto 52.8% são professores do quadro de nomeação definitiva e 18.8% pertencem ao quadro de zona pedagógica.

Instrumento A escala, depois de modificada e adaptada, fruto da nossa reflexão pessoal, após a consulta a especialistas e à literatura da área, dos pré-testes efetuados e dos estudos de validade e fidelidade realizados (e.g., análise da consistência interna, análise fatorial exploratória e confirmatória), deu origem à versão final que a seguir apresentamos com uma estrutura segundo o modelo da escala de tipo Likert, a exigir que os professores respondam de acordo com as seguintes alternativas: Discordo Totalmente (DT): 1, Discordo (D): 2, Nem Concordo/Nem Discordo (NC/ ND): 3, Concordo (C): 4 e Concordo Totalmente (CT): 5 (Anexo_1).

A primeira dimensão, Envolvimento Pedagógico, composta por seis itens (Tabela 3), trata-se de uma dimensão fulcral na definição da identidade do professor de educação física, relacionando-se com a perceção do seu envolvimento no processo pedagógico, composta por itens relacionados com a forma como define o seu trabalho, como se relaciona com os seus alunos e, sobretudo, como se perceciona enquanto professor.

Por sua vez, a segunda dimensão, designada de Motivacional, composta por cinco itens (Tabela_4), aponta para os aspetos motivacionais relacionados com a prática profissional.

RESULTADOS No que diz respeito aos estudos de fidelidade e validade da escala, realizámos a sua análise em duas etapas distintas. Numa primeira etapa, com o objetivo de avaliar as propriedades dos itens calculámos as suas médias, desvios-padrão e correlação com a escala (excetuando o item 3) e realizámos a análise da consistência interna através do coeficiente alfa de Cronbach. Numa segunda etapa, realizámos o processo de validação da escala, avaliando os resultados das análises fatoriais a que foram submetidos. Optámos por esta análise, porque este método é considerado como um dos mais eficazes e poderosos, sendo, frequentemente, utilizado com instrumentos de avaliação psicológica, a fim de calcular a sua adequação para medir a dimensão que pretende avaliar (Bryan & Cramer, 1993; Cronbach, 1984; Nunnally, 1978; Stevens, 1986; Tinsley & Tinsley, 1987).

No presente estudo, a validade fatorial do instrumento foi inicialmente avaliada através da análise de componentes principais (ACP), e, posteriormente, através da análise fatorial confirmatória, testando um modelo de dois fatores, que emergiram como interpretáveis a partir da análise fatorial exploratória, sendo que revelaram igualmente indicadores de consistência interna bastante satisfatórios, considerando o número relativamente reduzido de itens das duas dimensões, designadamente a de Envolvimento Pedagógico e a Motivacional.

Análise da consistência interna A análise dos itens permitiu-nos verificar que dos 39 itens apenas os itens 5, 6, 13, 14, 17, 18, 19, 21, 22, 25, 29, 30, 36 e 37 se correlacionam com a escala total de forma significativa (valores > a 0.30; ver Tabela_5).

Todos os outros apresentaram valores de magnitude baixa ou moderada, por isso optámos por eliminá-los. Após a sua eliminação, foi encontrado um alfa de Cronbach para a escala total de 0.81, valor que se pode considerar bastante razoável.

Análise fatorial exploratória Para avaliar a dimensionalidade da escala da EIPPEF recorremos à análise fatorial exploratória, em componentes principais, com rotação Varimax. Os resultados revelaram uma estrutura em três fatores com valores próprios superiores a 1, explicando 50.08% da variância dos resultados. Na tabela_6 é apresentada a distribuição final dos itens pelos referidos fatores, bem como os seus valores de saturação.

O primeiro fator, designado por Envolvimento Pedagógico, agrupa os itens 13, 19, 21, 25, 29 e 37, explica 19.6% da variância; o segundo fator, denominado de Motivacional agrupa os itens 5, 14, 22, 30 e 36, explica 18.75% da variância; o terceiro fator, que agrupa os itens 6, 17 e 18, explica 11.73%, mas não se revelou muito interpretável. Importa, no entanto, sublinhar que os dois fatores emergentes da análise fatorial mostraram-se internamente consistentes, apresentando alfas de Cronbach no valor de 0.73 e 0.78, respetivamente.

Análise fatorial confirmatória As medidas de avaliação do ajustamento para verificar a adequabilidade do modelo aos resultados foram as seguintes: chi square (), ratio chi square statistics/degrees of freedom (X²/df), comparative fit index (CFI), goodness of fit index (GFI), adjusted goodness of fit index (AGFI) e root mean square error of approximation (RMSEA).

Os resultados revelaram um significativo (67.56, df= 43, p< 0.001), sugerindo que o modelo em estudo não se adequa aos dados. No entanto, considerando que o é bastante sensível ao tamanho da amostra, muitos investigadores têm sugerido a utilização do rácio X²/df, havendo algum consenso para se considerar valores inferiores a 3 como satisfatórios. No presente estudo o rácio X²/df foi de 1.57, revelando um ajustamento adequado. Os outros indicadores de ajustamento, designadamente o CFI com um valor de 0.951, o GFI com 0.942, o AGFI com 0.911 e o RMSEA com 0.053 sugerem, igualmente, que o modelo com dois fatores se ajusta aos dados, confirmando uma estrutura em duas dimensões na avaliação da identidade profissional dos professores de educação física. Temos, assim, como primeiro fator o Envolvimento Pedagógico, que compreende os itens 13, 19, 21, 25, 29 e 37 e como segundo fator o Motivacional, que compreende os itens 5, 14, 22, 30 e 36.

DISCUSSÃO Numa sociedade onde a mudança ocupa um lugar central, a compreensão da identidade profissional docente tem de considerar, necessariamente, o professor em exercício em ambiente profissional e formativo, ou seja, tem de considerar a existência de uma identidade que é criada tanto no palco da profissão, como no palco da formação (inicial e contínua) porque não pode deixar de estar sujeita à influência das experiências pessoais e profissionais (Borges, 2003; Lahire, 2002; Rezer, 2007).

Ora a indagação da identidade profissional do professor de educação física, nestes diferentes palcos, afigura-se como uma tarefa complicada, porque estudar a sua identidade profissional implica também o reconhecimento da heterogeneidade que carateriza este grupo disciplinar. Assim, desde as diferenças individuais dos percursos de formação inicial e contínua até às afinidades grupais que distinguem, aproximam ou opõem uns professores em relação aos outros no seio do mesmo grupo disciplinar, é possível encontrar uma grande diversidade de variáveis que sustentam esta heterogeneidade (Moreira & Ferreira, 2011). A proliferação dos cursos a partir da década de noventa e que se foram apresentando com designações diferenciadas, em várias instituições do setor estatal e do domínio privado, concorreram para a heterogeneidade da identidade dos professores de educação física (Moreira, 2013). Sendo numerosas as variáveis que concorrem para esta heterogeneidade, podendo considerar-se, entre outras, o nível de ensino em que os professores lecionam, a situação profissional, a habilitação académica, o tempo de serviço e a posição na carreira, a experiência profissional, entendemos importante estabelecer o que os define como docentes no espaço de educação formal.

Motivados, pois, por esta complexa tarefa procurámos desenvolver um estudo que possibilitasse indagar a forma como estes professores de educação física, provindo de diferentes escolas de formação existentes em Portugal desde a década de 40 do século XX, se percecionam no exercício da sua profissão e se afirmam enquanto docentes de uma disciplina singular no contexto escolar.

Diante da dificuldade de encontrar um instrumento específico fidedigno para avaliar a identidade dos professores de educação física, o que, de algum modo, se alinha diante da ideia de outros investigadores que referem a escassez de estudos relacionados com a identidade profissional destes docentes (Dowling, 2006, 2011; Gomes et al., 2013), decidimos construir uma escala de avaliação da identidade profissional para este grupo disciplinar, inspirados, sobretudo, nos estudos desenvolvidos por Kelchtermans (1993, 1995), que se revelaram determinantes para o desencadear da etapa inicial da exploração e clarificação das principais dimensões da identidade docente.

Após a realização de um pré-teste, e posteriormente administrada a Escala de Identidade Profissional de Professores de Educação Física, a uma amostra de 206 professores de educação física, concluiu-se que o instrumento possui qualidades psicométricas satisfatórias. A análise da consistência interna dos dois fatores identificados - Envolvimento Pedagógico e Motivacional - revelou que se trata de um instrumento fidedigno. Ora, uma vez que estes fatores se apresentam internamente consistentes, bem definidos pelos itens, concluímos que a escala revela qualidades psicométricas pelo que nos parece interessante o seu uso em futuros estudos a desenvolver nesta área.

Na verdade, para além de bons indicadores de validade, globalmente, as medidas aplicadas caraterizam-se por uma fidelidade que consideramos boa ou adequada e com estruturas fatoriais interpretáveis, pressupondo, portanto, que avaliam, de forma consistente, as variáveis que pretendem medir, constituindo-se como uma escala capaz de contribuir para o esclarecimento da identidade profissional dos professores de educação física.

CONCLUSÕES Em síntese, podemos afirmar que o instrumento de investigação que construímos é válido para avaliar a identidade profissional destes professores, medindo duas dimensões distintas deste construto: a dimensão Envolvimento Pedagógico relacionada com a forma como o professor define o seu trabalho, como se relaciona com os alunos e, sobretudo como se perceciona enquanto profissional e a dimensão Motivacional que aponta para aspetos motivacionais relacionados com a prática profissional.


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