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EuPTCVHe1646-107X2014000400001

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variedadeEu
Country of publicationPT
colégioLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN1646-107X
ano2014
Issue0004
Article number00001

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Na Onda da Ciência EDITORIAL

Na Onda da Ciência

In the wave of science

Nuno Garrido1,* 1Diretor da Revista Motricidade; Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal

Neste final do ano gostaria de abordar uma modalidade que tem agregado muitos simpatizantes em todo o mundo e que tem cada vez mais atletas a praticar competições regulares, o surf. Faço esta abordagem ao surf por várias razões.

Uma delas é pelo facto da nossa revista ser portuguesa, ser publicada em português e de termos em Portugal vários quilómetros de costa com vários tipos de ondas para se surfar. A segunda razão deve-se ao facto inédito de termos um campeão do mundo do Júnior Tour português, o Vasco Ribeiro. Além de se ter sagrado campeão, nos 4 primeiros lugares 2 portugueses e 2 brasileiros. A terceira e a quarta razões advêm da diáspora portuguesa, pois no ranking do World Qualification Series (WQS), entre os 10 primeiros, 5 brasileiros qualificados diretamente para o World Championship Tour (WCT), e no WCT existe a possibilidade inédita do campeão do mundo falar português, o jovem brasileiro Gabriel Medina. Além de Gabriel Medina com 21 anos de idade, o americano Kelly Slater, que foi o mais novo (20 anos) e mais velho (39 anos) campeão do mundo, procura o seu 12º título mundial com 42 anos de idade, e o australiano Mick Fanning (33 anos) que tenta o seu título mundial. Finalmente, porque gostaria de me referir ao estado da ciência no que diz respeito a publicações especificamente ligadas ao surf.

A primeira intervenção da ciência no surf aparece com a engenharia mecânica, por volta de 1940, a desenvolver pranchas, 20 vezes mais leves, de poliestireno herdado da aviação; a segunda veio indiretamente da Oceanografia através da previsão da direção, tamanho, velocidade e período das ondas, útil durante a grande guerra para o desembarque dos aliados na Normandia (Westwick, 2013).

Especificamente para a curiosidade levantada, a Engenharia Mecânica e a Oceanografia ficam afastadas do nosso escopo. Nesse sentido foi feita uma pesquisa breve por artigos onde figurasse o surf como objeto de estudo. A pesquisa por artigos foi realizada na Pubmed e na Web of science com as palavras-chave surfing e surfers not internet, web, gene, genetic e genomics. Foram devolvidos 564 resultados, que depois de verificados refinaram num total de 133 artigos relacionados diretamente com o surf e seus praticantes. O resultado da pesquisa foi dividido em 3 grupos, Medicina e Lesões, onde se enquadravam os artigos que descrevem etiologias, tratamentos e prevalência de patologias relacionadas com a atividade, assim como alguns estudos de caso; Ciências do Desporto, onde se enquadravam os trabalhos relacionados com aspetos fisiológicos, biomecânicos e psicológicos relacionados com o desempenho durante o surf; e Outros, onde se enquadravam os trabalhos de religião e de populações minoritárias. A maior parte dos trabalhos devolvidos na pesquisa enquadravam-se no grupo de Medicina e Lesões (67%), sendo o segundo grupo o das Ciências do Desporto (31%), ficando o grupo dos Outros com um valor residual (3%).

Perante um desporto que tem um crescente número de praticantes, de todas as idades, e sobretudo porque, em termos de desempenho competitivo uma variabilidade muito elevada dos resultados (Mendez-Villanueva, Mujika, & Bishop, 2010) e uma imprevisibilidade quanto às condições de prática (por exemplo, a idade que separa os 3 candidatos deste ano é de 10 anos do para o , e de 20 anos do para o ), muito ainda por fazer de forma a diminuir a distância entre a ciência e a prática.

A homenagem que deixo aos surfistas portugueses e brasileiros estende-se também aos colegas portugueses e brasileiros que têm desenvolvido pesquisas onde o objeto de estudo é o surf, nomeadamente na área da Medicina e Lesões (Base et al., 2007; de Moraes et al., 2013) e na área das Ciências do Desporto (Alcantara et al., 2012; Bandeira & Rubio, 2011; Bandeira, 2014; Moreira & Peixoto, 2014; Peirão & Santos, 2012; Ramos et al., 2012, 2013; Romariz et al., 2011; Souza, et al., 2012; Vaghetti et al., 2007).

Confesso que seria do nosso agrado ter 3 campeões mundiais qua falam português (Junior Tour, WQS e WCT). Esperamos, qualquer que seja o resultado desta competição, que a investigação nesta modalidade, fértil em campos de estudo, prolifere e permita um desenvolvimento sistémico assente cada vez mais em bases e métodos científicos.

Chegamos ao final de mais um ano apresentando o número 4 do volume 10 da Motricidade. Quero deixar o meu apreço a todos que escolheram a Motricidade para divulgar os seus trabalhos e enaltecer o papel da excelente equipa que connosco trabalha, bem hajam.

Desejo a todos votos de um excelente final de ano, de uma agradável leitura e boas ondas, se for caso disso.


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