Motivos para prática de esporte em idades jovens: Um estudo de revisão
INTRODUÇÃO
Informações disponibilizadas na literatura têm destacado os múltiplos
benefícios para um adequado desenvolvido físico, mental e social associados à
prática de esporte em idades jovens (Boreham, Twisk, Savage, Cran, &
Strain, 1997; Harrison & Narayan, 2003; Kawabe et al., 2000; Pate, Trost,
Levin, & Dowda, 2000). Porém, contraditoriamente, levantamentos recentes
têm apontado que somente uma pequena parcela da população infantil e juvenil
pratica esporte com alguma regularidade (Capranica & Millard-Stafford,
2011; Delorme, Chalabaev, & Raspaud, 2011; Jõesaar & Hein, 2011) e,
entre aqueles que iniciam a prática esportiva, chama atenção o elevado índice
de abandono, com forte repercussão para vida presente e futura dos jovens
(Sirard, Pfeiffer, & Pate, 2006).
Estudos na área demonstram que a motivação pode se constituir em importante
determinante para iniciar a pratica de esporte, justificar sua permanência e
minimizar os casos de abandono (Capranica & Millard-Stafford, 2011; Delorme
et al., 2011; Sirard et al., 2006). Neste particular, motivos que possivelmente
possam estar relacionados à prática de esporte são bastante diversificados de
acordo com expectativas estabelecidas pelos próprios praticantes, resultando da
interação entre múltiplos atributos socioculturais e ambientais, como por
exemplo, em um extremo, motivos associados à diversão e ao convívio de grupos,
e em outro extremo, motivos associados ao aprimoramento de aptidão física e à
competência técnica (Gill & Williams, 2008). Neste caso, pressupõe que
esses motivos deverão agir diferentemente em cada estágio do processo de
desenvolvimento individual dos jovens (Weinberg et al., 2000).
Portanto, a identificação dos motivos subjacentes à prática de esporte
possibilita que sejam delineadas ações mais eficientes de incentivo para início
de sua prática e que possa levar os jovens a alcançarem em sua maior plenitude
as metas propostas, promovendo, desse modo, clima motivacional favorável, o que
aumenta as chances de adesão. Diante disso, estudiosos da área vêm procurando
aplicar diferentes teorias elaboradas no campo da psicologia que tentam
explicar a adesão na prática de esporte (Roberts & Treasure, 2012).
Considerando que a importância de identificar, dimensionar e ordenar os motivos
para a prática de esporte em idades jovens justifica-se com base no pressuposto
de que a infância e a adolescência são períodos críticos para iniciar a
participação efetiva em programas regulares de esporte ou, pelo contrário,
abandonar por completo sua prática, o objetivo do presente estudo foi realizar
uma revisão dos achados até então disponibilizados na literatura relacionados
aos motivos associados à prática de esporte em idades jovens.
MÉTODO
O rastreamento dos artigos incluiu pesquisa nas bases de dados eletrônicas
Embase, Medline, PsycINFO e SPORTDiscus, no período entre janeiro de 1980 e
março de 2013, independente do país de publicação. A estratégia de busca
baseou-se nos descritores motivo, motivação e adesão combinados com
esporte e treino, com os limites da pesquisa criança, adolescente e
jovem, e suas traduções para os idiomas inglês e espanhol. As referências
bibliográficas dos estudos assim localizados foram também rastreadas para
localizar outras intervenções de potencial interesse e que preenchiam os
critérios de seleção para o estudo.
A seleção dos artigos acompanhou procedimento proposto para levantamento de
informações disponibilizadas na literatura (Higgins & Green, 2008) e
baseou-se na conformidade dos limites dos descritores, tendo sido
desconsiderados aqueles que, apesar de aparecerem no resultado da busca, não
abordavam o tema sob o ponto de vista de identificação dos motivos para prática
de esporte em idades jovens.
Na Figura_1 encontra-se o processo usado para rastrear e selecionar os artigos
da revisão retrospetiva. No levantamento bibliográfico inicial foram
encontradas por volta de oito mil publicações. Excluídas as publicações
cruzadas redundantes, constantes em mais de uma base de dados, em um segundo
momento foram consideradas 4875 publicações, das quais, após atendimento de uma
sequência de critérios de seleção, 26 foram consideradas para estudo. Os
critérios de seleção considerados foram: (a) estudos publicados em português,
inglês ou espanhol; (b) artigos originais; (c) estratificação por idade ≤ 20
anos; (d) características e seleção da amostra claramente definidas; e (e)
identificação dos motivos para prática de esporte mediante instrumento
validado. A análise e a seleção dos artigos foram realizadas por dois
investigadores sob a supervisão de um terceiro investigador, que reanalisou as
publicações excluídas. Eventuais discrepâncias relacionadas às exclusões foram
solucionadas por consenso dos três investigadores.
RESULTADOS
De acordo com Quadro_1, verifica-se que os artigos incluídos na revisão foram
desenvolvidos em diferentes regiões do mundo, com destaque para aqueles
publicados no Brasil que, isoladamente, representa 42% dos artigos localizados,
ou seja, proporção superior de artigos selecionados que foram publicados nos
países europeus (31%). Artigos selecionados e que foram publicados nos Estados
Unidos e em todos os demais países representam, respectivamente, 12% e 15%.
Quanto ao ano de publicação, a totalidade dos artigos foi publicada no período
de 1983 a 2013, em maior proporção a partir do ano de 2001 (80,8%).
Embora tenha sido verificada alguma diversidade no emprego dos questionários de
motivação nos estudos selecionados, pode-se destacar predomínio quanto ao uso
do Participation Motivation Questionnaire ' PMQ (65%). Com referência às
modalidades esportivas, destacaram-se os esportes coletivos voleibol, futebol,
basquetebol, além de esportes individuais incluindo natação, tênis de campo e
ginástica.
Os resultados indicaram que os motivos para prática de esporte podem se
diferenciar de acordo com sexo, idade, modalidade esportiva, tempo de prática e
experiência de competição. Neste caso, independentemente da idade e do esporte
praticado, em ambos os sexos, verificou-se tendência bastante bem definida para
motivos caracterizados pela Competência Técnica, Diversão, Prazer e Saúde.
Contudo, se entre as moças, os motivos associados à Afiliação e à Diversão
receberam destaque importante, no caso dos rapazes, foram os motivos
equivalentes à Competição, ao Reconhecimento Social e à Aptidão física que
justificaram mais intensamente a prática de esporte.
DISCUSSÃO
Os motivos para a prática de esporte em jovens-atletas resultam da combinação
de indicadores sociais, ambientais e individuais que determinam a seleção de
modalidades esportivas específicas, intensidade e vigor de prática,
persistência e continuidade para alcance de alto rendimento. Em vista disso, o
presente estudo de revisão foi delineado para identificar os motivos associados
à prática de esporte em jovens-atletas. Esta temática é revestida de grande
importância para o campo do esporte, considerando que, suas indicações permitem
identificar as principais razões que levam os jovens a iniciar a prática
esportiva e que justificam sua permanência.
Análise dos artigos selecionados revelou que a Competência Técnica foi o
principal motivo para prática de esporte apontado pelos jovens-atletas de ambos
os sexos inseridos nos diferentes contextos sociocultural considerados (Campos
et al., 2011; Gill et al., 1983; Guedes & Netto, 2013; Januário et al.,
2012; Longhurst & Spink, 1987; Paim, 2001). Este resultado está intimamente
relacionado ao fato dos participantes estarem envolvidos em esportes de
competição no âmbito escolar e de clubes esportivos. Os jovens-atletas
consideram esse fator de motivação como determinante para sua permanência na
equipe, privilegiam o aprimoramento técnico e buscam ser o melhor no esporte
para alcançarem o sucesso. Tal comportamento deve-se ao fato de jovens-atletas
estarem preocupados com a aprendizagem e a execução de movimentos e gestos que
envolvem cada modalidade esportiva específica. Desta maneira, jovens que têm
melhor desempenho técnico são reconhecidos, enquanto aqueles menos habilidosos
reforçam sentimentos de inabilidade. A importância dada ao fator Competência
Técnica vai de encontro com convicções praticadas por muitos treinadores e
gestores de clubes e escolas, em que o objetivo principal é a busca por
resultados cada vez mais expressivos e vitórias.
Em contrapartida, estudos de Buonamano, Cei e Mussino (1995), Sit e Lindner
(2006) e Garyfallos e Asterios (2011) identificaram que a Diversão como
principal motivo tanto para rapazes como para moças. De fato, o esporte pode
ser considerado atividade de entretenimento e divertimento, quando encarado de
forma lúdica, em que as ações podem ser mais flexíveis e de menor rigor, e
promovem um modo agradável de ocupar o tempo livre. A expressão diversão
confirma que a participação de jovens-atletas no esporte é devido à necessidade
de alegria e prazer, para liberar energia, sentir-se livre de preocupações e
problemas do cotidiano (Garyfallos & Asterios, 2011).
Nos achados de Balbinotti, Saldanha e Balbinotti (2009) e Balbinotti, Juchem,
Barbosa, Saldanha e Balbinotti (2012) verificou-se o Prazercomo sendo o fator
de maior motivação independente do sexo. Prazer é considerado dimensão de
destaque para compreensão dos motivos para prática de esporte. De acordo com
Ryan e Deci (2000), o Prazeré a dimensão que melhor explica o comportamento
humano autodeterminado, isso é, que melhor representa os motivos intrínsecos,
inclusive no contexto esportivo. Neste caso, o Prazer provém unicamente da
atividade em si, a participação ocorre livre de pressão e restrições, pode-se
supor que atletas motivados pelo prazer ingressem no esporte por vontade
própria, pela satisfação do processo de conhecê-lo, explorá-lo e aprofundá-lo.
Dos estudos analisados, alguns se concentraram no conhecimento quanto aos
motivos do envolvimento de jovens-atletas na prática esportiva,
independentemente de suas especificidades. A maioria dos estudos, no entanto,
busca conhecer esta realidade não somente apontando um panorama generalizado,
mas estratificando por sexo, idade, modalidades esportivas, tempo de prática e
experiência de competição, a fim de determinar se os motivos que encorajam a
prática de esporte são similares, ou pelo contrário, os argumentos se diferem.
Neste caso, verificou-se que, sexo e idade foram os principais elementos
diferenciadores dos motivos de prática esportiva em jovens-atletas.
No que se refere aos motivos relacionados ao sexo, os resultados indicaram que
rapazes atribuíram grau de importância maior à Competição(Balbinotti et al.,
2009; Curry & Weiss, 1989; Guedes & Netto, 2013; Januário et al., 2012;
Kirkby et al., 1999),ao Reconhecimento Social(Gürbuz et al., 2007; Kirkby et
al., 1999; Salguero et al., 2004; Sirard et al., 2006; Sit & Lindner, 2006)
e à Aptidão Física(Cecchini et al., 2002; Curry & Weiss, 1989), sendo estes
os principais motivos de permanência na prática de esporte. No entanto, nas
moças verificou-se que os fatores Afiliação(Allen, 2003; Garyfallos &
Asterios, 2011; Guedes & Netto, 2013; Kirkby et al., 1999; Salguero et al.,
2004; Sirard et al., 2006; Sit & Lindner, 2006) e Diversão(Allen, 2003;
Balbinotti et al., 2009; Buonamano et al., 1995; Sit & Lindner, 2006;
Garyfallos & Asterios, 2011; Kirkby et al., 1999; Salguero et al., 2004;
Salselas et al., 2007) justificaram em maior grau a prática de esporte. As
moças se identificaram mais intensamente com motivos sociais e de convivência
em grupo, o que indica seu desejo de identificar-se com seus pares e valorizar
a importância nas relações pessoais na equipe em que esta inserida.
Buonamano et al. (1995) evidenciam que diversão na pratica esportiva esta
intimamente relacionada às relações de amizade. Ressalta ainda que, para moças
os motivos estão relacionados com o apoio externo oferecido por amigos, pais,
treinadores e membros da equipe. Esses comportamentos, intrinsecamente
motivados, são comumente associados à participação voluntária na prática de
esporte, com aparente ausência de recompensas ou pressão externa, bem como
participação no esporte pelo interesse, satisfação e alegria que obtêm de sua
prática (Ryan & Deci, 2000). Os rapazes, por sua vez, apresentaram fatores
predominantemente extrínsecos, o que talvez possa ser justificado pelo fato dos
rapazes utilizarem o esporte como forma de manifestação de aspectos
relacionados à competição. Diferente das moças, os rapazes dispõem de mais
oportunidades em esportes de alto nível, particularmente no âmbito
profissional, buscando confronto, disputa, resultados, por consequência,
comparação de desempenho consigo mesmo e com outros pode levá-los a se manter
no esporte.
Quanto à idade, por vezes, os motivos relatados nos estudos não apresentaram
coincidências de resultados, uma vez que, a classificação etária é configurada
de acordo com categorias e características singulares da modalidade esportiva
em que o atleta-jovem esta inserido. No entanto, buscou-se um denominador comum
na analise dos artigos e constatou-se que, jovens-atletas com menos idade (≤ 14
anos) atribuíram importância significativamente mais elevada à Diversão
(Buonamano et al., 1995; Guedes & Netto, 2013; Longhurst & Spink, 1987;
Martínez et al., 2008; Salguero et al., 2004), àAfiliação(Buonamano et al.,
1995; Campos et al., 2011; Kirkby et al., 1999; Longhurst & Spink, 1987;
Martínez et al., 2008; Paim, 2001; Salguero et al., 2004; Salselas et al.,
2007) e ao Reconhecimentos Social(García et al., 2005; Guedes & Netto,
2013; Martínez et al., 2008). Jovens-atletas com mais idade (≥ 15 anos), por
sua vez, referem-se aos motivos equivalentes à Competição(Buonamano et al.,
1995; Salguero et al., 2004; Salselas et al., 2007), à Competência Técnica
(Paim, 2001; Salselas et al., 2007)eàAptidão Fisica(Salselas et al., 2007) como
os mais importantes para permanência na prática de esporte. Esses resultados
confirmam tendência dos mais jovens em valorizar os componentes lúdicos e
recreativos do esporte. Assim como, conferem importância para serem
reconhecidos socialmente pela prática de esporte, ou seja, valorizam mais o
receber elogios que receber medalhas e troféus, buscam obter reconhecimento de
seus parentes e amigos e sentir-se importante e valorizado. De acordo com
Martinez et al. (2008), a importância oferecida à Diversão tende a diminuir a
medida que os jovens-atletas apresentam mais idade e, por consequência, mudam
de categoria, conquistando, desse modo, maior independência paralelamente a
aquisição de responsabilidades e deveres. Por essas razões, atletas com idades
mais avançadas evidenciam motivos relacionados ao rendimento e à competência
pessoal, rendendo significado mais competitivo à pratica esportiva.
Quanto ao âmbito de prática, Salselas et al. (2007) destacam que jovens-atletas
de natação em nível competitivo evidenciaram Aptidão Física e Afiliação como
motivos essenciais para a permanência na modalidade. Jovens-atletas em nível de
competição, geralmente objetivam aprimorar suas habilidades e o suporte dos
companheiros muitas vezes é fundamental no desenvolvimento da competência
técnica. De acordo com Jõesaar e Hein (2011), jovens-atletas com mais tempo de
prática criam um senso de segurança e de convívio em grupo mais efetivo. Que
pode, por sua vez, promover o encorajamento mútuo voltado ao aprimoramento de
capacidades técnicas e tornar a atividade esportiva mais agradável, portanto,
consolidar a permanência na pratica de esporte. Sugere-se, assim, que jovens-
atletas mais experientes na prática de esporte e com maior envolvimento na
modalidade podem oferecer importância tanto para motivos intrínsecos como
extrínsecos.
Jovens-atletas iniciantes, por sua vez, atribuíram menor importância aos
motivos equivalentes à Aptidão Física, à Competição, à Afiliação, à Competência
Técnica e à Diversão quando comparados com seus pares de níveis avançados.
Possivelmente, devido ao fato de jovens-atletas novatos sentirem-se
hostilizados pelos companheiros de equipe mais experientes, gerando insegurança
no domínio de suas habilidades e receio de cometer erros, tornando, portanto, a
pratica esportiva insatisfatória e não-prazerosa (Salselas et al., 2007).
No que se refere à modalidade esportiva, a literatura disponibiliza limitada
quantidade de estudos que procuram comparar os motivos que movem os jovens-
atletas a optarem pela prática de esportes coletivo ou individual. De acordo
com Guedes e Netto (2013), os jovens-atletas que praticavam esportes coletivos
atribuíram considerável importância a Atividade em Grupo, a Competência Técnica
e a Afiliação, enquanto os que praticavam esportes individuais valorizaram mais
significativamente a Aptidão Física e a Competição. Em vista dos resultados
apresentados, entende-se que a pratica de esportes coletivos por jovens-atletas
esta associada à necessidade de aceitação e de pertencer a um grupo, sentimento
importante na juventude. No esporte coletivo somam-se os valores individuais
dos jovens-atletas, impera a cooperação, cada componente da equipe é dependente
dos demais e atuam em conjunto para alcançar um objetivo comum. O esporte
individual, no entanto, requer treinamento sistemático e competição regular
contra outros atletas, demanda maior disciplina, concentração e introspecção,
uma vez que os resultados alcançados dependem fundamentalmente do próprio
atleta.
CONCLUSÕES
Diante das considerações, pode-se concluir que, os motivos para a prática de
esporte em jovens-atletas resultam da associação de diversos fatores sociais,
ambientais e individuais. Os estudos selecionados para analise, em sua maioria,
identificaram principalmente motivos vinculados à auto-realização associada ao
domínio/aperfeiçoamento de habilidades esportivas, em que a Competência
Técnicafoi o motivo para prática de esporte mais apontado pelos jovens-atletas
de ambos os sexos inseridos nos diferentes contextos sociocultural.
Identificou-se ainda, o sexo, a idade, o âmbito de pratica e a modalidade
esportiva praticada como principais elementos diferenciadores dos motivos de
prática esportiva em jovens-atletas.
Por fim, destaca-se que os estudos reunidos na presente revisão, na sua
totalidade, se utilizaram de delineamentos transversais. Logo, a possível
influência dos aspectos sociais, ambientais e individuais nos motivos para
pratica de esporte deve ser considerada como um viés importante. Neste caso,
evidencia-se a necessidade de futuros estudos relacionados a esta temática com
delineamentos longitudinais, que permita acompanhamento dos motivos apontados
ao longo do tempo, permitindo um entendimento mais efetivo quanto à eventual
transição dos jovens-atletas pelos diferentes motivos selecionados. Assim,
melhor compreender os motivos que podem contribuir para que os jovens iniciem e
permaneçam na pratica de esporte e, ao contrário, as razões que os levam a
abandonar a atividade esportiva.