Desempenho econômico do Rio de Janeiro: trajetórias passadas e perspectivas
futuras
INTRODUÇÃO
O Brasil vivenciou um longo período de crescimento acelerado entre as décadas
de 1950 e 1970. Nas décadas de 1980 e 1990, registraram-se, de um lado,
profundas modificações na forma de intervenção do Estado, rápido processo de
abertura comercial e de desregulamentação econômica, bem como privatizações e,
de outro, um rápido processo de modernização tecnológica das empresas por meio
da introdução de máquinas e equipamentos importados e profundas transformações
organizacionais. Entretanto, não se verificou o mesmo dinamismo de crescimento
observado nas duas décadas anteriores. Essas mudanças organizacionais e de
modernização e o baixo crescimento econômico registrado no período resultaram
em uma mudança estrutural significativa na produção brasileira construída
durante as décadas de crescimento acelerado.
A partir de 1996, o Brasil prospera a taxas crescentes, e novos investimentos
lideram as perspectivas de crescimento do país, concentrado nos setores
industriais e de infraestrutura, e despertam interesses e possibilidades
distintas de diversificação em cada Estado da federação. No estado do Rio de
Janeiro (ERJ), os investimentos em indústria extrativa de petróleo e gás são
privilegiados pelo fato de as maiores bacias de reservas de petróleo terem sido
descobertas no Rio. Além destes, destacam-se os seguintes investimentos em
curso em indústrias com antigas tradições e encadeados com a indústria
petrolífera: siderurgia, petroquímica, energia e indústria naval. Os
investimentos em infraestrutura são outra frente importante de novos
investimentos impulsionados pelas preparações olímpicas a serem sediadas no Rio
de Janeiro: transporte público, portos, infraestrutura urbana, e rodovias
(BNDES, 2011a; 2011b). Somam-se a esses investimentos concentrados em indústria
produtora de bens intermediários e infraestrutura novos investimentos que
representam uma diversificação na direção de indústrias do conhecimento, como é
o caso, dos centros de pesquisa (expansão do Centro de Pesquisas da Petrobras e
parque tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ).
As transformações estruturais vivenciadas pela economia brasileira podem ser
caracterizadas por três forças interdependentes: (1) um movimento duplo de
desconcentração industrial das metrópoles para o interior e de crescimento da
importância das regiões metropolitanas na atração de novos investimentos da
economia do conhecimento; (2) o crescimento de um setor emergente e dinâmico de
serviços produtivos, aqueles de apoio direto à produção (tais como serviços
financeiros, jurídicos, de informática, de pesquisa, de engenharia, de
consultoria, de propaganda emarketing, de seguro e de auditoria), devido às
novas formas de organização da produção trazidas pelo paradigma da
microeletrônica e pelas tecnologias de informação e comunicação; (3) e,
finalmente, as vantagens das metrópoles como espaços de diversificação das
atividades produtivas, ou seja, lugares onde se criam outras atividades com
base nas atividades preexistentes.
Estas três forças influenciaram da mesma forma a transformação da economia
fluminense, mas trouxeram problemas e desafios distintos. A desconcentração
relativa para o interior, em razão do crescimento da indústria do petróleo e
gás, por um lado, e, por outro, a dinamização de indústrias metalúrgicas,
petroquímica e naval na metrópole e em seu entorno resultaram na mesma
tendência da economia brasileira de desconcentração relativa apontada por Diniz
(1993, 2000 e 2002) e Hasenclever e Maeda (2007). A localização da indústria
petrolífera em Campos e Macaé, cidades com outras tradições econômicas e
distantes do Rio capital, colocam em evidência as dificuldades de se dinamizar
o crescimento. A grande heterogeneidade entre os novos investimentos e as
economias locais, despreparadas logisticamente para recebê-los e sem capacidade
industrial e tecnológica para participar em complementaridade a eles, é o novo
desafio da economia fluminense. Diferentemente, a desconcentração da indústria
para o interior de São Paulo encontrou uma infraestrutura logística muito mais
preparada e a presença de cidades médias que não deixavam a desejar em
urbanidades comparativamente à capital paulista.
Em relação à segunda força mencionada - mudança tecnológica e organizacional
viabilizada pelos avanços no paradigma da microeletrônica e informática, que
levam ao surgimento de um setor de serviços dinâmicos (Kon, 2004) e que, no
Brasil, foi acelerada pela abertura econômica - esta foi aproveitada, na
economia brasileira, com a construção de numerosas incubadoras dedicadas à
criação de empresas de biotecnologia e informática em São Paulo e seu entorno e
no eixo que vai de Belo Horizonte a Porto Alegre. Já o Rio de Janeiro, com a
mudança da capital para Brasília, atrasou a definição de uma nova estratégia
para a retomada do crescimento da metrópole. Em decorrência disso, perdeu muito
espaço no aproveitamento dos setores de serviços mais dinâmicos e associados ao
desenvolvimento industrial. Como consequência, o setor de serviços fluminense
se concentra mais na prestação de serviços às famílias. Reforça esta
dificuldade o longo período em que o Rio ficou conhecido como um local de
violência, ambiente econômico burocrático, avesso a novos negócios e não atraiu
novos investimentos (The Economist, 2011).
A terceira força apontada para explicar em parte as transformações estruturais
é o fato de as metrópoles serem promotoras da diversificação produtiva, seja
pelo incremento sistemático de novos bens e serviços a partir da diversidade
dos já existentes, seja pelo fato de o lançamento de inovações demandarem uma
série de serviços de infraestrutura tecnológica só disponível nas metrópoles
(Jacobs, 1970 e 1984). Entretanto, o Rio também permaneceu longo tempo sem um
ambiente que valorizasse o seu capital intelectual, representado pelo grande
número de universidades e centros de pesquisas aqui localizados e pelo
expressivo número de estudantes de graduação e pós-graduação. Só mais
recentemente tem se pensado em estratégias para sua absorção (Urani, 2008).
A questão que importa responder é em que medida estes novos investimentos serão
capazes de reverter a trajetória de desenvolvimento medíocre apresentada pelo
ERJ no período entre 1996 e 2009 (Fauré e Hasenclever, 2005; Fauré, Hasenclever
e Silva Neto, 2008). Um período de crescimento instável até 2004 e uma retomada
do crescimento a partir deste ano, mas com uma inflexão em 2009 provocada pela
crise internacional de setembro de 2008.
Seriam as transformações estruturais da economia brasileira e aquelas
particulares do estado do Rio de Janeiro capazes de romper a sua trajetória de
estagnação? Ou as potencialidades do ERJ o levam a prosseguir em sua trajetória
de crescimento menos dinâmico em vez de libertá-lo para novas vocações? Em que
medida o peso da metrópole fluminense na economia do estado e as
características de baixa qualidade do seu setor de serviços impedem a ancoragem
de atividades de maior valor agregado no ERJ e reforçam a sua especialização em
indústrias produtoras de bens intermediários? A resposta a estas questões será
desenvolvida por meio do método comparativo para marcar a evolução e as
mudanças ocorridas no estado de Rio frente a outras duas economias: a
brasileira e a paulista, utilizando dados secundários do Produto Interno Bruto
(PIB) e das pesquisas econômicas sobre a indústria, serviço e comércio, todos
produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e
literatura disponível sobre o tema.
O artigo está dividido em três seções, além desta introdução e da conclusão. A
primeira mostra a evolução da economia fluminense ante as economias brasileira
e paulista, entre 1996 e 2008, destacando suas principais mudanças estruturais
em relação à participação dos setores de atividade econômica. A segunda seção
traz indicadores de desempenho econômico e de emprego das atividades
industrial, de serviços e de comércio, com o fim de identificar quais os
setores de cada atividade econômica mais contribuem para explicar as mudanças
estruturais observadas na primeira seção. A terceira apresenta uma visão
conjuntural após 2007, para verificar se as trajetórias observadas são
confirmadas e se há novas perspectivas em curso ainda não refletidas nas
pesquisas de dados secundários do IBGE. Finalmente, na conclusão, especula-se
com a possibilidade de o Rio de Janeiro adotar novas trajetórias de crescimento
que dinamizem o seu desempenho em termos de setores capazes de gerar maior
valor agregado e empregos de mais altos salários.
A ECONOMIA FLUMINENSE FRENTE AS ECONOMIAS BRASILEIRA E PAULISTA
A evolução comparada da atividade econômica fluminense e dos grandes setores de
atividade do ERJ com as economias paulista e brasileira, entre 1996 e 2008,
será feita através da exploração dos dados do IBGE sobre o PIB.
Constata-se que, no período entre 1996 e 2008, a parte relativa do ERJ na
criação da riqueza nacional, mensurada pelo PIB a preços básicos de 1995,
permaneceu relativamente estável e em torno de 11%. Comparando-se com o período
entre 1985 e 2001, analisado por Fauré e Hasenclever (2005), isto representa
uma queda de um ponto percentual (p.p.) na participação relativa do Estado na
economia brasileira, em relação ao período anterior (cerca de 12%). Os
principais dados que revelam esta tendência de enfraquecimento da atividade
econômica fluminense no longo prazo e de estagnação relativa serão apresentados
adiante, comparando-se o desempenho do ERJ com o do Brasil e de São Paulo.
O intervalo de 13 anos, entre os anos 1996 e 2008, para o Brasil, pode ser
caracterizado por três ciclos de crescimento (ver Gráfico_1): o primeiro, um
ciclo de crescimento moderado de quatro anos até 1998, seguido do segundo
ciclo, também de crescimento, mas caracterizado por uma maior instabilidade
entre 1999 e 2003, e o terceiro, caracterizado por um ciclo de crescimento mais
vigoroso e estável entre 2004 e 2008 (cinco anos). De uma forma geral, pode-se
observar uma oscilação bastante grande das taxas de crescimento no período, mas
o importante a reter é que os ciclos vão aumentando as suas taxas médias de
crescimento (1,4%, 2,4% e 4,8%), mostrando um período de sustentabilidade ainda
que a taxas moderadas. De fato, em 1997, ano de pico de crescimento do primeiro
ciclo, o Brasil cresceu a 3,4%. Em 2000, a taxa máxima de crescimento do
segundo ciclo alcançou 4,3%, e, em 2007, terceiro ciclo de crescimento, atingiu
6,1%, enquanto a China, por exemplo, apresentava uma taxa média de crescimento
de cerca de 9%.
O desempenho do PIB do Rio de Janeiro (ver Gráfico_1) foi menos virtuoso do que
o brasileiro, já que apresentou, nos três ciclos, taxas médias de crescimento
inferiores às nacionais. O ponto de inflexão mais baixo do período é registrado
em 2003, e não em 1998, como na economia brasileira, e é bem mais intenso
(crescimento negativo de 1,1%) do que o do Brasil. O período entre 1996 e 2008
caracteriza-se, da mesma forma, por três ciclos de crescimento com taxas médias
crescentes: 0,8% entre 1996 e 1999,1,5% entre 2000 e 2003 e 3,6% entre 2004 e
2008. é também no segundo ciclo que se observa a maior instabilidade das taxas
de crescimento.
Já o PIB do estado de São Paulo (ver Gráfico_1), no mesmo período, apresentou
um desempenho, mensurado pelas taxas médias de crescimento, inferior ao do Rio
de Janeiro nos dois primeiros ciclos, mas superior aos desempenhos do Brasil e
do Rio no terceiro ciclo. Pode-se explicar este desempenho pelo fato de o
estado paulista apresentar as mais altas taxas de inflexão negativas do
período: em 1998,1,2% negativa, em 1999,1,3% negativa e em 2003, 0,4% negativa.
Este comportamento mais instável da economia paulista reflete em grande medida
as flutuações mais violentas que a indústria costuma ter durante os ciclos
econômicos, já que a sua capacidade de encadeamento produtivo é maior do que a
dos outros setores de atividade. Assim, os períodos de declínio e também os
deboom são mais intensos.
Tomando-se o ano-base de 1996, a indústria de transformação do ERJ apresenta um
crescimento acumulado negativo de 15,4%, entre 1996 e 2008, contra um
crescimento acumulado positivo de 28,3% do país e de 20% no estado de São Paulo
(ESP). A indústria extrativa fluminense, entretanto, mostra o seu pleno vigor:
taxa acumulada de crescimento de 173%, no mesmo período, enquanto a indústria
extrativa brasileira acumulava um crescimento de 77,3% e a indústria extrativa
paulista encolhia em 7,1%. A indústria geral, entretanto, tem um melhor
desempenho neste período no Brasil, com taxa média de crescimento anual de
2,3%, e em São Paulo (média de 1,6% ao ano) do que no Rio (média de 1% ao ano).
Os serviços e o comércio do Rio de Janeiro, por sua vez, acumularam um
crescimento de respectivamente 35,4% e 15,6%. Flagrantemente inferior ao
crescimento acumulado no mesmo período pelo Brasil e por São Paulo
(respectivamente de 48,8% e 42,9% para o primeiro e 46,9% e 38,9% para o
segundo).
O resultado destes distintos desempenhos dos PIBs do Brasil, do Rio de Janeiro
e de São Paulo, no período 1996-2008, leva a alterações nas participações
relativas dos PIBs dos estados no PIB brasileiro: o Rio perde 0.1 p.p. e São
Paulo 3.4 p.p. de participação relativa. Ou seja, o fato de que o ESP tenha
apresentado um desempenho mais instável ao longo do período levou à perda de
sua participação relativa na economia brasileira maior do que a do ERJ.
Entretanto, sua taxa de crescimento médio no período foi superior em 0.5 p.p. à
do ERJ (respectivamente, 2,6% e 2,1%) e ambas foram menores do que a taxa de
crescimento média brasileira (3,0%), refletindo o transbordamento do
crescimento para o interior do Brasil. A semelhança das duas unidades
federativas em foco está na perda de participação relativa no PIB brasileiro,
sendo que este fenômeno foi bastante mais significativo para o ESP.
O exame das participações relativas por setores de atividade econômica -
agropecuária, indústria e serviços - de cada estado da federação no PIB
brasileiro setorial (ver Tabela_1) leva a concluir pelos seguintes traços
principais no estado fluminense: a agropecuária, que, em 1996, representava
apenas cerca de 1,4% do PIB agropecuário brasileiro, perde cerca de 40% de sua
importância, passando a representar 0,8%, em 2008; a indústria, que
representava 8,6% da indústria brasileira, aumentou para 12,7%, refletindo
principalmente o crescimento da indústria extrativa; a atividade de serviços,
por sua vez, reduziu sua importância de 13% para 11,6%; as perdas relativas
nesse setor são generalizadas, mas mais intensas no subsetor financeiro e em
atividades de administração em saúde e educação pública e seguridade social,
denominadas APU (perda de cerca de 2 p.p. em cada um deles).

42,9% do PIB brasileiro para 33,9% entre 1996 e 2008. A perda da participação
da indústria paulista no PIB industrial brasileiro deve-se principalmente à
indústria extrativa (-3.8 p.p.) e à indústria de transformação (-3.1 p.p.). Os
serviços também perdem em participação: em 1996, representavam 34,9% e, em
2008,33,4% (perda de 1.5 p.p.). O resultado é decorrente, por um lado, dos
ganhos relativos apresentados pelo setor financeiro (melhora de 1.3 p.p.) e,
por outro lado, da perda relativa do comércio paulista no comércio brasileiro
(perda de 10.1 p.p.).
Esta abordagem da participação relativa pode ser complementada pela evolução da
estrutura produtiva setorial em cada unidade de análise: Brasil, ERJ e ESP. No
Brasil, como era de se esperar, observa-se uma maior estabilidade nas
participações dos setores de agropecuária, indústria e serviços no período
entre 1996 e 2008. De fato, elas se situam em torno de, respectivamente, 6%,
28% e 66% em 2008. Em 1996, a indústria era um pouco menos importante, e o
setor de serviços, mais representativo, respectivamente 25% e 68%.
No ERJ, diferentemente, notam-se mudanças estruturais, mensuradas pela
participação relativa de cada setor ao longo do período, bastante
significativas. A importância relativa da agricultura no PIB fluminense, que já
era diminuta e inferior a 1%, reduziu-se muito mais, passando de 0,7% para 0,4%
(redução de cerca de 50%). A participação relativa da indústria cresceu
significativamente, de 19,9%, em 1996, para 31,6%, em 2008 (crescimento de
quase 60% no período). Finalmente, a importância relativa do setor de serviços,
tradicionalmente relevante na economia fluminense e próxima de 80%, em 1996,
retroagiu a cerca de 68%, em 2008.
No ESP, ainda que tenha havido mudanças, elas se mostram menos pronunciadas. De
fato, a participação relativa do setor agropecuário passa de 1,3% para 1,5%; a
indústria perde participação relativa no PIB paulista, mas apenas de 1.9 p.p.;
o setor de serviços ganha participação relativa de 1.7 p.p.
Comparando-se as estruturas setoriais dos dois estados da federação com a do
Brasil, a maior diferença das participações relativas setoriais diz respeito ao
peso relativo da agropecuária, que, mesmo sendo mais relevante no PIB paulista,
não ultrapassa o peso relativo de 1,5%, enquanto, no Brasil, esta participação
setorial representa cerca de 6%, tendo crescido 0.5 p.p. entre 1996 e 2008. Em
compensação, os pesos relativos da indústria e dos serviços, tanto do Rio de
Janeiro, quanto de São Paulo, são superiores aos pesos relativos desses setores
no Brasil. A importância dos setores industrial e de serviços nos dois estados
é, por um lado, herança do período de industrialização das décadas de 1950 a
1970, que se iniciou pelo sudeste, e, por outro, decorrente das duas metrópoles
conurbadas pela concentração industrial. No Rio, pode-se acrescer a importância
da localização da capital do Brasil, até 1960, e de grande parte das empresas
públicas, até 1990, fatos que fortaleceram a importância do setor de serviços
neste estado até as datas mencionadas.
Enfim, percebe-se claramente que as mudanças estruturais foram mais intensas no
ERJ, mas não parecem apresentar o mesmo dinamismo em termos de taxa de
crescimento que o apresentado pelo Brasil e por São Paulo, no período
analisado. A título de sumariar esta seção, observa-se que o ERJ apresenta, em
relação ao Brasil e ao ESP, duas grandes diferenças. A primeira é o fato de o
ERJ ter que se reestruturar em função da perda da capital, deixando de ser uma
metrópole especializada em serviços para a administração pública e centro
logístico de comércio atacado, e a segunda é que as novas ondas de
investimento, na metrópole e no interior, são ainda indústrias baseadas na
exploração de recursos naturais e produtoras de bens intermediários. Os
desafios e problemas que esse menor dinamismo da economia fluminense apresenta
serão aprofundados na próxima seção.
INDICADORES DE DESEMPENHO E EMPREGO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS INDUSTRIAL, DE
SERVIÇOS E DE COMÉRCIO FLUMINENSE COMPARADOS COM OS DO BRASIL E DE SÃO PAULO
Nesta seção, realizou-se a análise em separado de cada pesquisa secundária
utilizada (Pesquisa Industrial Anual - PIA, Pesquisa Anual de Serviços - PAS e
Pesquisa Anual do Comércio - PAC). Este procedimento justifica-se pelo fato de
não poderem ser somadas em razão das distintas amostras consideradas em cada
uma delas. O exame dos indicadores de desempenho econômico e emprego foi feito
considerando-se a sua evolução no Brasil, no ERJ e no ESP e, a seguir,
compararam-se as três economias. O período considerado para análise é distinto
por pesquisa do IBGE e está informado em cada uma das três subseções em que se
divide esta seção.
Evolução Absoluta e Comparativa da Composição Setorial da Indústria: 1996-2007
A indústria geral, no período 1996-2008, do Brasil e de São Paulo mostrou,
pelas estatísticas do PIB por setores de atividade, um crescimento acumulado
positivo, respectivamente de 34% e 23%, enquanto a indústria geral do Rio de
Janeiro mostrou uma taxa de crescimento acumulado bem inferior de 14%. Em suma,
as taxas de crescimento acumuladas no período mostram um dinamismo maior para o
Brasil e para São Paulo. A seguir apontam-se três razões para explicar o menor
dinamismo da economia fluminense.
A primeira razão é o peso relativo maior da indústria extrativa, por ser esta
atividade sabidamente menos importante na criação de riqueza pelo seu baixo
grau de agregação de valor. De fato, a atividade industrial pode ser dividida
em indústria extrativa e de transformação. A primeira pode ser subdividida em
quatro subdivisões ou setores, e a segunda, em 23 setores. Os dados de Valor
Bruto da Produção Industrial (VBPI), fornecidos pela PIA de 1996 a 2007,
mostram que a indústria de transformação tem um peso relativo muito maior na
geração de valor nas economias brasileira e paulista (95% e 99% em 2007), mas
tem um peso menor na indústria fluminense (79% em 2007). Essa divisão
estrutural da indústria deve-se essencialmente à relevância do setor de
extração de petróleo e serviços relacionados no Rio de Janeiro, classificado
como indústria extrativa.
A segunda razão para o baixo dinamismo do PIB fluminense pode ser atribuída à
mais alta taxa de concentração dos setores industriais fluminenses e ao tipo de
indústria predominante no Estado. Com efeito, ainda que a indústria como um
todo seja bastante concentrada em todas as três economias, em 2007, sendo os
quatro maiores setores responsáveis pela geração de mais de 49% do VBPI, a
indústria do Rio é a mais concentrada das três economias, seguindo-se o ESP e o
Brasil. Os três principais setores em termos de geração de VBPI no Brasil e no
ESP eram os mesmos (alimentos e bebidas; produtos químicos; montagem de
veículos automotores, reboques e carrocerias). O quarto setor no Brasil era
metalurgia básica, e no ESP, máquinas e equipamentos. Já no ERJ, os dois
maiores setores eram petróleo e serviços relacionados e refino de petróleo,
álcool e outros. O terceiro mais importante era metalurgia básica, setor também
presente no Brasil, e o quarto, produtos químicos, setor também presente no
Brasil e no ESP.
Quanto ao tipo de indústria por categoria de uso que predomina em cada
economia, considerando-se o valor de transformação industrial, percebe-se
nitidamente que a economia fluminense tem uma alta concentração nas indústrias
produtoras de bens intermediários (76,7%), enquanto no Brasil e em São Paulo
elas alcançam 54,7% cada uma. O peso maior da indústria de bens intermediários
traz menor dinamismo interno à economia fluminense, que é altamente dependente
de outras economias.
A terceira e última razão seria a maior instabilidade cíclica na evolução do
VBPI no período 1996-2007. A indústria no Brasil, no Rio e em São Paulo
apresenta ciclos de crescimento bastante semelhantes: conjuntura recessiva nos
anos de 1999 e 2002 e picos de crescimento em 2000 e 2003. Entretanto, nos
ciclos recessivos, o Rio de Janeiro apresentou as menores taxas negativas e,
nos ciclos de crescimento, as maiores taxas positivas.
Esta maior instabilidade cíclica é reforçada pelo crescimento menos vigoroso do
pessoal ocupado (PO) no Rio. A evolução do indicador PO para as três economias
é negativa até 1998. A partir deste ponto, as economias se diferenciam: o
Brasil entra em rota de crescimento do PO até 2007, enquanto o ERJ apresenta
uma trajetória mais cíclica, no que é seguido pelo ESP. As menores taxas de
crescimento de PO, no período, são registradas para o ERJ, exceto para o ano de
2006.
Em termos de taxas de crescimento, entre 1996 e 2007, a indústria fluminense
cresce a uma taxa média anual do VBPI superior às observadas nas indústrias
brasileira e paulista (3,3% contra, respectivamente, 3,1% e 1,4%), acumulando
um crescimento de 43% contra 40,5% da indústria brasileira e 17% da indústria
paulista. A taxa média de crescimento anual do PO na indústria geral,
entretanto, é zero para o Rio de Janeiro e positiva para o Brasil e São Paulo
(3,2% e 1,7% respectivamente).
Os maiores dinamismos do crescimento industrial brasileiro e fluminense devem-
se ao estrondoso crescimento da indústria extrativa no período, que cresceu em
média 9,5% a.a. no Brasil e 14% a.a. no Rio de Janeiro. A indústria de
transformação, por sua vez, exibe a melhor taxa média de crescimento para o
Brasil (média de 2,9% a.a.). Rio e São Paulo apresentam taxas médias anuais de
1,8% e 1,5%, respectivamente, resultando em um crescimento acumulado de 37%
para o Brasil, 21,2% para o Rio de Janeiro e 17,2% para São Paulo. Este maior
dinamismo do crescimento da indústria extrativa no Rio, todavia, não foi capaz
de gerar uma taxa de crescimento do PO positiva no conjunto da indústria (0%).
De fato, enquanto a taxa média anual de crescimento do PO na indústria
extrativa foi de 8,2%, a da indústria de transformação foi negativa em 0,4%.
As estruturas das indústrias brasileira, paulista e fluminense em função das
distintas taxas de crescimento, em termos de VBPI, entre 1996 e 2007, foram
alteradas em termos de subsetores (ver Tabela_2): de um lado, um crescimento da
participação relativa da indústria extrativa no Brasil bastante modesto (2.5
p.p.), um crescimento do peso relativo da indústria extrativa fluminense de 14
p.p. e uma redução de 0.1 p.p. da participação relativa da indústria extrativa
na indústria paulista. Por outro lado, a participação relativa da indústria de
transformação, que representava 97,4% da indústria brasileira, caiu para 95%;
para o Rio de Janeiro, a perda da participação da indústria de transformação na
indústria fluminense foi muito superior, caindo de 93% para 79%; finalmente, a
participação relativa da indústria de transformação na indústria paulista
manteve-se praticamente estável (de 99,6% para 99,7%).
Em termos de participação relativa do PO na indústria extrativa e na indústria
de transformação, o Brasil não mostrou mudanças estruturais entre 1996 e 2007
(2% contra 98%), assim como São Paulo (menos de 1 contra 99%). Entretanto, a
mudança estrutural em termos da participação relativa de PO na indústria
fluminense foi elevada. Em 1996, a indústria extrativa respondia por 3,4% do PO
e, em 2007, passou a responder por 8%.
O resultado da mudança estrutural mais intensa no ERJ reflete-se na manutenção
da contribuição da indústria fluminense na indústria brasileira, no período
entre 1996 e 2007, enquanto a menor mudança estrutural no ESP leva à redução da
participação relativa da indústria paulista na indústria brasileira. Estes
resultados podem ser explicados principalmente pelo crescimento da participação
da indústria extrativa fluminense na indústria extrativa brasileira (de 20,4%
para 31,6%), enquanto a indústria extrativa paulista perdia espaço na indústria
extrativa brasileira, passando de 7,2% para 2,3%. Com efeito, no período
observou-se a manutenção do peso relativo das indústrias de transformação do
Rio de Janeiro e de São Paulo na indústria de transformação brasileira,
respectivamente, em torno de 6% e 42%, em 1996 e 2007.
Evolução Absoluta e Comparativa da Composição Setorial de Serviços: 2002-2007
Os serviços no período 1996-2008, como já mostrado na análise do PIB, realizada
na primeira seção, apresentaram um crescimento positivo tanto para o Brasil
quanto para o ERJ e o ESP. O que variou foram as intensidades de crescimento
registradas. Enquanto o Brasil e o ESP apresentaram uma taxa acumulada superior
a 45%, o ERJ acumulou apenas 35% de crescimento no período. Este resultado da
economia fluminense é menos diferenciado, ainda que inferior, ao crescimento
das demais economias, do que o observado no setor industrial.
A atividade de serviços pode ser subdividida em sete atividades principais:
serviços prestados às famílias (alojamento e alimentação, atividades
recreativas e culturais, serviços pessoais, ensino continuado), serviços de
informação e comunicação, serviços prestados às empresas, serviços de
transporte (rodoviário, outros, armazenamento e serviços auxiliares de
transporte, correio e outras atividades de entrega), atividades imobiliárias e
de aluguel de bens móveis e imóveis, serviços de manutenção e reparo, outras
atividades de serviços. Estas atividades têm distintos conteúdos tecnológicos e
de demanda de mão de obra. As mais intensivas em conteúdos tecnológicos são os
serviços de informação e comunicação, serviços prestados às empresas e serviços
de transporte. As demais são mais intensivas em utilização de mão de obra.
O setor de serviços é ainda mais concentrado do que o industrial. As três
atividades mais importantes são, em termos de geração de receita bruta de
serviços (RBS), os serviços de comunicação e informação, os serviços de
transporte e os serviços prestados às empresas, representando mais de 80% da
receita bruta do setor, em 2007, nas três economias analisadas. Em termos de
PO, entre as três atividades anteriores mais importantes, observa-se que os
serviços prestados às empresas perdem o lugar para os serviços prestados às
famílias nas três economias e representam 80% dos empregos gerados no setor. A
única diferença é que o peso relativo dos serviços prestados às famílias na
economia fluminense é maior do que nas demais economias.
As três economias, no que diz respeito ao peso destas atividades no setor de
serviços, são bastante semelhantes em relação à soma da RBS das três principais
atividades. Entretanto, pode-se notar uma ligeira maior importância das
atividades de serviços de comunicação e de transportes e serviços auxiliares no
ESP em relação ao ERJ. O Brasil apresenta uma maior importância relativa das
atividades de transportes e serviços auxiliares.
Além das atividades mais relevantes no setor de serviços, pode-se observar, no
ano de 2007, um maior peso da RBS para o setor de serviços prestados às
famílias e nas atividades imobiliárias e de aluguel no ERJ, tanto em relação ao
ESP, quanto em relação ao Brasil. Mas as diferenças não chegam a representar
mais do que um ponto percentual. Entretanto, ainda que as diferenças sejam
pequenas, pode-se afirmar que elas espelham bem as características do Rio: uma
cidade de lazer (serviços prestados às famílias) e de especulação imobiliária
(atividades imobiliárias e de aluguel). Ao contrário de São Paulo, que está
mais voltado para as atividades de serviço ligadas às empresas.
A análise da evolução do setor de serviços será feita para o período 2002-2007
a partir de indicadores de desempenho econômico (RBS e PO), segundo dados da
PAS. O ano de 2003 é um ano de queda na taxa de crescimento da RBS e PO. Segue-
se um ciclo de taxas anuais de crescimento estáveis da RBS cerca de 10% a.a.
para o Brasil e de 11% a. a. para São Paulo. O Rio apresentou uma taxa anual de
crescimento oscilante de sua RBS e bem inferior (em torno de 6%). O crescimento
mais vigoroso do setor de serviços paulista pode ser explicado pelo aumento
mais acelerado do número de empresas de serviços (em média, taxa anual de
crescimento de2%)do que o da economia brasileira (média de 1,5% a.a.) e o da
economia fluminense (média de 0,8% a.a.). A taxa de crescimento do PO no Rio é
a menor entre as três economias, exceto para o ano de 2007.
A taxa de crescimento anual de PO, no período 2002-2007 foi mais acelerada do
que a taxa média de crescimento anual do número de empresas e menos acelerada
do que a taxa média de crescimento anual da RBS em todas as economias em
análise. A taxa média de crescimento anual da RBS foi de cerca de 9% para o
Brasil e São Paulo e apenas de 4,9% para o ERJ. No fim do período, o Rio de
Janeiro havia acumulado apenas metade do crescimento brasileiro e paulista (26%
contra 50%). Ou seja, provavelmente devido ao menor peso das atividades de
serviços ligadas à indústria, no Rio, a taxa de crescimento da RBS permanece
muito aquém dos resultados alcançados pelo Brasil e por São Paulo. Em termos de
PO, entretanto, as taxas médias de crescimento do Brasil e do Rio de Janeiro
são de 5% e 4%, respectivamente, enquanto São Paulo cresce apenas a uma taxa
média anual de 0,1%. Isto resulta em uma taxa acumulada de crescimento de PO no
período de 28% para o Brasil e 20% para o Rio, enquanto São Paulo acumulou um
crescimento de PO de apenas 0,3%.
A estrutura do setor de serviços por subsetores, em termos de RBS ficou mais ou
menos estável entre 2002 e 2007 (ver Tabela_3). As pequenas mudanças observadas
foram redução de um ponto percentual na participação dos serviços prestados à
família no Brasil e no estado de São Paulo e uma manutenção do peso destas
atividades no Rio de Janeiro. Os serviços de comunicação e informação aumentam
o seu peso relativo na economia fluminense, perdem peso relativo na brasileira
e se mantêm estáveis na paulista. Os serviços prestados às empresas aumentam
seu peso relativo nas três economias (2 p.p. no Brasil e no Rio e 1 p.p. em São
Paulo).
Em termos de PO, as mudanças foram mais acentuadas na participação relativa dos
setores. A representatividade dos serviços prestados às famílias reduziu-se nas
três economias, mas com mais intensidade no Brasil e em São Paulo. Nessas duas
economias, a queda da participação relativa dos serviços prestados às famílias
foi compensada pelo aumento da participação relativa dos serviços de
comunicação e informação e dos serviços prestados às empresas. No Rio de
Janeiro, as participações relativas que cresceram no período foram serviços de
informação e comunicação, acompanhando as outras duas economias, e outras
atividades de serviços (composta de serviços auxiliares para agropecuária e
reposição florestal e para financiamento de seguro e previdência complementar;
esgoto, coleta e disposição de resíduos e recuperação de materiais).
O resultado destes distintos desempenhos das atividades do setor de serviços
por estado da federação leva a uma redução do setor de serviços fluminense na
criação de riqueza nacional de 2 p.p., passando de uma contribuição ao PIB de
serviços brasileiro de 15%, em 2002, para 13%, em 2007. São Paulo aumenta sua
participação na geração de riqueza 1 p.p. (de 42,5% para 43,3% do PIB de
serviços brasileiro). O desempenho negativo do Rio deve-se a uma perda
generalizada nas atividades de serviços. A única atividade que ganha
participação do PIB brasileiro de serviços é referente ao item outras
atividades de serviços. Entre as atividades mais relevantes do setor de
serviços, a maior perda na participação do PIB de serviços brasileiro é em
transporte e serviços auxiliares (5 p.p.). São Paulo, por sua vez, amplia
significativamente as atividades de informação e comunicação.
Evolução Absoluta e Comparativa da Composição Setorial do Comércio: 1996-2007
A estatística do PIB brasileiro por setor de atividades mostra que o comércio é
um dos subsetores dos serviços e, como visto na primeira seção, o comércio
fluminense cresceu a uma taxa acumulada, no período entre 1996 e 2008, muito
menor do que a metade do que cresceu esta atividade nas economias brasileira e
paulista. A PAC é uma pesquisa específica para o setor de comércio com dados
disponíveis entre 1996 e 2007. Sua análise, entretanto, se restringirá ao
período 2003-2007, dado que em 2003 houve uma mudança na metodologia empregada
pelo IBGE e, em vez de ser usada a variável receita bruta de vendas, passou a
ser usada a variável receita bruta de revenda (RBR).
Este setor pode ser dividido em três grandes subsetores: comércio de veículos e
motocicletas e varejo de combustíveis; comércio por atacado; e comércio
varejista. Em 2007, por RBR, a atividade mais relevante para o Brasil e para
São Paulo era o comércio por atacado (respectivamente, 44,5% e 45,5%) e para o
Rio de Janeiro o comércio varejista (46,4%). O comércio varejista está mais
ligado às atividades de consumo final, e o comércio por atacado, mais ligado às
atividades industriais, logo o peso relativo maior do comércio varejista no Rio
era esperado, devido às características fluminenses já apontadas para o setor
de serviços como um todo.
A evolução do comércio para as três economias, no período 2003-2007, é positiva
em termos de taxas de crescimento anuais da RBR. Em termos das taxas médias de
crescimento anuais da mesma variável, o Rio de Janeiro apresenta o pior
resultado: 11,8% contra mais de 14% para o Brasil e São Paulo. Entretanto, o
comportamento das taxas de crescimento anuais foi positivo e crescente no
período para o ERJ, enquanto no Brasil e no ESP elas se mostraram mais
instáveis, crescendo em 2004 e 2005 e decrescendo em 2006 e 2007, apesar de não
se tornarem negativas.
Em termos de PO, entre 2003 e 2007, o mesmo resultado de taxas de crescimento
positivas, nas três economias, pôde ser observado. O Brasil é o único a
apresentar uma trajetória expansiva até 2006, repetindo o resultado desse ano
em 2007. O ERJ e o ESP têm um desempenho em termos de PO menos sustentado. O
primeiro tem forte redução de suas taxas de crescimento anuais nos anos de 2005
e 2006, em relação a 2004 (de 9,6% para 2,3% e 3,4%) e a maior taxa de
crescimento em 2007 (12,5% contra 9,8% e 8,6%). O segundo cresceu muito pouco
em 2004 (0,1%) e, ao contrário do ERJ, teve um ótimo desempenho em 2005 (11,4%)
e 2006 (13%), declinando um pouco em 2007 (8,6%).
O resultado do desempenho das taxas de crescimento anuais da RBR do comércio
foi o seu crescimento acumulado entre 1996 e 2007 de mais de 57% ou mais para o
Brasil e São Paulo e de pelo menos 10 p.p. inferior para o Rio de Janeiro
(47,1%). O grande vilão desse resultado foi o comércio varejista fluminense,
que cresceu a uma taxa média anual de 7,2% contra a do Brasil de 12,7% e a de
São Paulo de 12,8%. Neste período o comércio por atacado no ERJ foi quem mais
contribuiu para a recuperação de sua trajetória passada negativa apresentada na
primeira seção.
Em termos de PO, o desempenho foi também diferenciado e pior para a economia
fluminense, ainda que menos distinto das demais economias do que em termos de
RBR, já que o comércio por atacado, principal responsável pelo baixo
crescimento acumulado da RBR, é menos intensivo em PO do que o comércio
varejista. A diferença percentual das taxas médias de crescimento de PO entre
Brasil e São Paulo, de um lado, e o Rio de Janeiro, de outro, no período, foi
de apenas 2 p.p. contra a diferença de 3 p.p. para a RBR.
As mudanças estruturais na atividade de comércio nas três economias podem ser
observadas através da participação relativa dos subsetores, em termos de RBR
entre 2003 e 2007 (ver Tabela_4). Ao longo do período considerado, os
subsetores de comércio varejista de cada economia perdem participação relativa,
e os subsetores de comércio de veículos e combustíveis ganham posição. O
subsetor de comércio atacadista volta a ganhar participação relativa na
economia fluminense e perde nas economias do Brasil e de São Paulo. Em 2003, o
comércio atacado representava 35,9% da RBR do comércio fluminense, passando a
representar 41,5%, em 2007. Já quanto ao comércio varejista, percebe-se uma
redução de seu peso relativo: de 53% para 46,4%, enquanto a RBR do comércio de
veículos e combustíveis expandiu-se em 1 p.p.
Em termos de PO, o comércio varejista é o mais importante em peso relativo nas
três economias, representando 70% ou mais de participação relativa no emprego
gerado pela atividade de comércio, sendo o ERJ o que apresenta a maior
proporção. No período entre 2003 e 2007, a importância relativa desse comércio
decresceu menos para o Brasil e mais para o ERJ e ESP. A segunda atividade mais
importante em termos relativos de geração de emprego é o comércio por atacado,
que teve a sua importância relativa aumentada no período, com mais intensidade
para o ERJ (1.9 p.p. contra apenas 0.5 p.p. para as demais economias).
Finalmente, a importância de geração de empregos no comércio de veículos
cresceu no Brasil e em São Paulo e decresceu no Rio de Janeiro.
A participação relativa do comércio do Rio e de São Paulo na atividade de
comércio brasileira em termos de RBR, entre 2003 e 2007, mostra uma perda de
0.7 p.p. para a economia fluminense (de 9,8% do PIB de comércio brasileiro para
9,1%) e um ganho 0.2 p.p. na economia paulista, que mantém sua participação
relativa na atividade de comércio brasileira em torno de 35%. O tamanho
relativo do comércio do ERJ é inferior a quase quatro vezes o comércio paulista
na economia brasileira. Em termos de PO, tanto o Rio de Janeiro quanto São
Paulo perdem participação relativa no emprego gerado pelo comércio brasileiro
de 0.5 p.p.
As Perspectivas Conjunturais da Economia Fluminense e os Investimentos em Curso
Uma observação metodológica importante e que justifica a criação desta seção
foi a mudança de metodologia da Classificação Nacional de Atividades Econômicas
(Cnae) em 2007, passando a ser utilizada, em 2008, a versão 2.0 dessa
Classificação, em vez da versão 1.0, utilizada no período entre 1996 e 2007.
Para o ano de 2007, o IBGE já fez a correspondência entre as duas versões da
Classificação, entretanto, ela não está disponível para o ano de 2008. Nesta
subseção especula-se sobre as tendências que se pode inferir dos dados para os
anos de 2008 e 2009, comparando-os com o ano de 2007, cujos dados já foram
convertidos para a nova classificação Cnae 2.0. Adicionalmente, utilizaram-se
as pesquisas conjunturais do IBGE, que podem estar antecipando hipóteses sobre
tendências acerca da evolução do produto real da indústria (PIM-PF) e do volume
de vendas do comércio varejista (PMC), como indicadores de tendências
projetadas até 2010. Outras publicações que tratam do desenvolvimento econômico
do Rio de Janeiro, utilizando-se de outros dados que não as pesquisas do IBGE,
também foram consultadas.
A tendência para a indústria entre 2008 e 2009, em relação ao ano de 2007, em
termos de VBPI, é continuar crescendo, mas a taxas maiores do que as taxas
médias apresentadas no período anterior para o Brasil e para o Rio de Janeiro.
Contudo, a taxa registrada para São Paulo é menor do que a taxa média do
período anterior, indicando uma maior desaceleração na economia paulista.
Porém, em 2009, em função da crise financeira internacional, as taxas de
crescimento foram negativas, em torno de mais de 3,5% para o Brasil e o ESP e,
ainda que também negativas para o ERJ, apenas em 2%, indicando que o retardo
nas decisões de investimento, comum nos períodos de crise, afetaram menos a
indústria no Rio do que as brasileira e paulista. Por outro lado, quando se
analisam os números de PO na indústria total, a taxa de crescimento é positiva,
mesmo em 2009, para as três economias. De fato, verifica-se uma taxa média de
crescimento (2008-2009) de 3% para o Brasil, 5% para o ERJ e 2% para o ESP. Em
resumo, o desempenho da economia fluminense é destacado, portanto, nos anos
mais recentes, tanto em termos de VBPI, quanto no emprego na indústria.
Considerando a pesquisa conjuntural da indústria, índice de produção física,
observa-se que a crise internacional de setembro de 2008 refletiu mais na
economia paulista do que nas economias brasileira e fluminense, respectivamente
queda de 11 p.p. para o índice de produção física em São Paulo, 9 p.p. para o
Brasil e apenas 4 p.p. para o Rio (ver Gráfico_2). Isso confirma mais uma vez
que o desempenho conjuntural fluminense pode ser explicado pela manutenção dos
investimentos contratados e o seu não adiamento na economia do Rio,
diferentemente das demais economias.
O comportamento conjuntural, entre 2008 e 2009, do setor de serviços foi
distinto do setor industrial, já que apresentou crescimento constante nesses
anos de sua RBS. A tendência do setor de serviços fluminense para 2008, em
relação ao ano anterior, em termos de RBS, é dois pontos percentuais inferior
ao desempenho da mesma variável para o Brasil e o ESP (15% contra 17%). Ou
seja, as três economias aceleram a taxa anual de crescimento em relação ao
período anterior cerca de 10 p.p.; em relação à taxa média de crescimento
anual, a taxa de crescimento apresentada pelo Rio de Janeiro, entretanto, ainda
é inferior. Já em 2009, há uma reação do setor de serviços fluminense que
cresce mais do que aqueles do Brasil e de São Paulo, em termos de RBS.
As tendências do setor de comércio mostram uma taxa média de crescimento da RBV
positiva para os anos 2008 e 2009 nas três economias. O ERJ cresce a taxas
médias superiores às do Brasil e do ESP (10 contra 8,8% e 7,4%
respectivamente). O expressivo crescimento do comércio no ERJ deve-se ao
crescimento da RBV em 2008 (crescimento de 14% em relação a 2007). Comparadas
com as taxas médias de crescimento do período 2003-2007, observa-se, todavia,
uma desaceleração do crescimento nas três economias, sendo em menor intensidade
no ERJ. Por outro lado, quando analisados os dados de PO, verifica-se que o ERJ
cresceu a uma taxa média de 5,2%, em 2008-2009, menor do que a do Brasil e a do
ESP, de 10% para ambos.
Para inferir as tendências mais recentes no setor de comércio, pode-se contar
também com a pesquisa conjuntural sobre o índice do volume de vendas do
comércio varejista entre 2000 e 2010, considerando o ano de 2000 como o ano-
base (ver Gráfico_3). Este pode ser um bom indicador da atividade econômica, já
que infere a tendência das vendas no comércio varejista e mostra o
comportamento antecedente do consumidor. O volume de comércio varejista
fluminense é decrescente entre 2000 e 2003 e crescente no período entre 2004 e
2010, com um pequeno arrefecimento em 2009. De uma forma geral, as economias do
Brasil e de São Paulo seguem esta mesma tendência do volume de vendas do
comércio varejista. A diferença entre as três economias pode ser notadamente
marcada a partir de 2004, quando se observa um crescimento mais acelerado do
comércio brasileiro em relação ao do Rio e de São Paulo. Em 2007, entretanto, o
comércio varejista de São Paulo ultrapassa o do Rio de Janeiro e acompanha o
crescimento do brasileiro. A taxa média de crescimento observada no período é
de 3,8% para o Rio, contra 4,9% para o Brasil e 5,1% para o São Paulo. Em
outras palavras, as expectativas no Rio de Janeiro a partir do indicador do
volume de vendas do comércio varejista ainda não são as melhores.
Dois indicadores adicionais do crescimento econômico recente, relacionados ao
crescimento dos investimentos produtivos, entretanto, apontam melhores
perspectivas para a economia fluminense: a elevação dos investimentos
financiados pelo BNDES no Rio de Janeiro, de R$ 16 bilhões no período 2003-2006
para R$ 52 bilhões em 2007-2010, avançando 230% contra um crescimento de apenas
138% na média nacional; e o crescimento do emprego formal que cresceu entre
estes dois quadriênios 42% contra 31% na média nacional (Bueno e Casarin,
2011).
As principais vocações do ERJ e que lideram os investimentos contratados dão
destaque nacional à economia fluminense e reforçam vocações estruturais de
disponibilidade de recursos naturais ou indústrias já existentes. As
informações sobre os investimentos contratados em várias áreas, a seguir, foram
obtidas em Bueno e Casarin (2011). Na área de exploração e produção de
petróleo, o Rio de Janeiro é responsável por 80% da produção nacional e, na
área de exploração e produção de gás, por 46%. Os novos investimentos
contratados pela Petrobras e outras empresas privadas monta a R$ 83 bilhões
para o período 2010-2012.
Na área de siderurgia, o novo investimento realizado pela ThyssenKrup CSA
Companhia Siderúrgica do Atlântico, em Santa Cruz, zona oeste do município,
coloca o Rio de Janeiro como segundo produtor de aço do país, atrás apenas de
Minas Gerais, somando-se à liderança histórica que a Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN) representou na área de siderurgia. Os investimentos montam a R$
18 bilhões.
Na área de refino de petróleo e petroquímica, o Rio de Janeiro já produz 12% do
petróleo nacional a partir das refinarias Duque de Caxias (Reduc), da
Petrobras, e Manguinhos. Espera-se o investimento em uma nova refinaria,
associada a uma unidade petroquímica, investimentos da Petrobras no denominado
Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), localizada em
Itaboraí. Estes investimentos vêm se somar a Rio Polímeros S.A. (Riopol),
localizada em Duque de Caxias, de propriedade da Quattor e recentemente
adquirida pela Brasken.
Na área da indústria naval, o impulso dos investimentos da Petrobras e sua
política de compras com incentivo à produção nacional, associado a outros
investimentos de portos, estão permitindo que o Rio retome a sua histórica
posição de berço da indústria naval. Estão previstos para o período 2010-2012
cerca de R$ 5,3 bilhões de investimentos. Estes investimentos foram
conquistados graças ao conhecimento acumulado na indústria, disponibilidade de
mão de obra qualificada, pela proximidade dos principais fornecedores de peças
para a indústria naval e também dos grandes compradores.
Na área de logística e serviçosoff-shore, destacam-se os investimentos em
terminais portuários da LLX, Usiminas, Petrobras, CSN e Gerdau, visando a
exportação de minério de ferro. Associado a esses investimentos, crescerão as
operações de carga realizadas pelas empresas investidoras e também a
necessidade de instalação de centros de distribuição. Se os primeiros
investimentos em terminais geram poucos empregos diretos, praticamente nenhum
imposto (isento de ICMS) e grandes impactos ambientais, os segundos (operações
de carga e centros de distribuição) são de grande interesse do ERJ pela
capacidade de reverterem a perda observada nas atividades de comércio e
serviços fluminenses e pelo potencial de geração de empregos diretos.
Finalmente, a construção do Complexo do Açu, localizado no município de São
João da Barra, norte do ERJ, que reforça a interiorização do crescimento no
Rio. Trata-se de um conjunto de empreendimentos na área de infraestrutura
(mineroduto) associado a investimentos industriais (usinas termoelétricas,
siderurgias e estaleiro).
Em resumo, parece que o Rio de Janeiro apresenta uma ótima conjuntura de
retomada dos investimentos e de não desaceleração após a crise econômica de
2008. Todos os indicadores conjunturais apontam nesta direção. Há suficientes
investimentos em andamento e excelentes perspectivas para que eles dinamizem
outros segmentos do Rio em direção a um novo ciclo virtuoso de desenvolvimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: ESTARIAM AS VOCAÇÕES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO EM
TRANSIÇÃO?
As mudanças marcantes e que afetaram a economia fluminense podem ser resumidas
em três: a descentralização da indústria do município do Rio de Janeiro
(metrópole) para o interior do Estado; a incapacidade das indústrias
tradicionais atraírem novos investimentos complementares que as tornassem mais
dinâmicas e a perda da importância relativa do setor de serviços, uma das
grandes vocações do Rio. As externalidades negativas nas áreas de segurança e
transporte urbano e a transferência da capital para Brasília são algumas das
causas que poderiam ser arroladas para as duas mudanças registradas, mas o
evento decisivo para explicá-las foi o crescimento da indústria extrativa
baseada em petróleo e gás na bacia de Campos, deslocando o crescimento para o
interior.
Essas mudanças levaram à forte reestruturação das atividades econômicas no
período entre 1996 e 2007. Na indústria, cresce a importância da indústria
extrativa a expensas da indústria de transformação. Nos serviços, diminui a
importância dos serviços prestados às empresas em benefício do crescimento dos
serviços prestados às famílias. No comércio, reduz-se a importância do comércio
atacadista em prol do varejista. O resultado é que a economia fluminense torna-
se menos dinâmica do que as economias brasileira e paulista, o que se reflete
em suas menores taxas de crescimento no período e redução de sua contribuição
para a formação de riqueza do país. Ainda que essa perda seja maior em termos
de resultados econômicos (VBPI, RBS, RBR) do que em termos de pessoal ocupado.
Os investimentos industriais em curso, destacados na seção anterior, reforçam
vocações anteriores do estado e são ainda incapazes de emprestar um dinamismo
maior à economia fluminense. Além disso, o Rio de Janeiro possuía uma vocação
muito forte também em serviços prestados às grandes empresas públicas e ao
funcionamento administrativo da capital. A mudança da capital para Brasília nos
anos 1960 e a posterior abertura econômica dos anos 1990, somada à privatização
das empresas estatais, mudaram completamente este quadro e mesmo os novos
investimentos em infraestrutura não foram capazes de retomar aquela vocação em
serviços. Interessa, a guisa de considerações finais, especular em que medida
poder-se-á construir novas vocações para o ERJ, por meio de uma política de
desenvolvimento capaz de alavancar o crescimento de outras indústrias
encadeadas e já presentes no estado, tais como a automobilística e a metal
mecânica, que trouxessem maior dinamismo para a indústria produtora de bens
intermediários com agregação de valor e atraíssem novos investimentos da
indústria do conhecimento. As potencialidades do ERJ que permitem especular com
as possibilidades destes novos investimentos na indústria do conhecimento são a
sua liderança em várias áreas de pesquisa e desenvolvimento. Destacam-se as
áreas de engenharia (Coppe/UFRJ), óleo e gás (Cenpes), saúde (Fiocruz) e
energia (Cepel), todas referência na formação de mão de obra qualificada no
Brasil.
Estas potencialidades podem ser aproveitadas pelo Rio para agregar valor aos
investimentos em curso. Um exemplo é o investimento que está sendo realizado no
Parque Tecnológico do Fundão. Com as oportunidades oferecidas pelo pré-sal,
desponta, desde 2003, na ilha do Fundão, o Parque Tecnológico, que tem por
objetivo aumentar a riqueza de conhecimento por meio da promoção da cultura,
inovação e competitividade das empresas e instituições baseadas no conhecimento
que lhes é associado. Também estimula e gerencia o fluxo de conhecimentos e de
tecnologias entre universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento,
empresas e mercados; facilita a criação e o crescimento de empresas baseadas na
inovação através da incubação e de processos despin-off; e fornece outros
serviços de valor agregado bem como espaços e serviços de apoio de elevada
qualidade. Em 2007, o Parque Tecnológico recebeu o Cenpes e, a partir deste,
possibilidades de criação de novas empresas de base tecnológica, transferência
de tecnologias e instalação de laboratórios especiais da UFRJ, além de maior
competitividade das empresas instaladas, gerando também estímulo à atitude
empreendedora dos estudantes etc.
O Parque é considerado o quarto maior do mundo em extensão. Empresas
estrangeiras importantes como a FMC Technology, a Baker Hughes (ambas
americanas), a Schlumberger (franco-americana) e a Halliburton (americana) já
instalaram ou têm instalações previstas no local. A unidade da Baker Hughes
será dedicada ao desenvolvimento de estudos para a construção de poços de
petróleo, a FMC conduzirá projetos de pesquisa de tecnologias submarinas e a
Schlumberger desenvolverá atividades ligadas ao desenvolvimento de tecnologias
de sísmica e caracterização de reservatórios de petróleo. Por último, a
Halliburton, que desenvolve tecnologias para aumentar o desempenho dos poços
através desoftwares de visualização em 3D.
Está prevista também a instalação de um centro de pesquisa da Usiminas dedicado
à inovação para o setor de metalurgia e siderurgia que, em sua fase inicial,
atenderá as demandas do pré-sal de aços resistentes à corrosão. Da mesma forma,
está prevista a instalação do centro de pesquisa da General Eletric (o maior de
todos os investimentos), que será focado em tecnologias altamente avançadas
para as indústrias de óleo e gás, energias renováveis, mineração, transporte
ferroviário e aviação. Outro empreendimento é a expansão do Parque Tecnológico
visando espaço na ilha de Bom Jesus, hoje em área militar na ilha do Fundão.
Para os próximos três anos, estão previstos mais de R$ 1,2 bilhão de
investimentos na área do Parque e criação de mil novos empregos altamente
qualificados. Até 2017, são estimadas 22 empresas, 30 em lotes individuais, 50
em incubadoras, 140 em prédios compartilhados com foco em energia e meio
ambiente. Enfim, os novos investimentos previstos e o conjunto de novos
investimentos em andamento são bastante promissores. Entretanto, como visto,
eles ainda não se refletem nos indicadores estruturais de desempenho analisados
até 2007.
A análise de algumas tendências conjunturais, todavia, indica que o crescimento
apresentado até 2007 tenderá a se ampliar até 2012. Seja porque os dados
conjunturais entre 2008 e 2009 continuam positivos, ainda que tenha havido uma
pequena desaceleração, seja porque o conjunto de investimentos em andamento
sustentarão ou até ampliarão essas perspectivas. Resta saber se elas serão uma
realidade em futuro próximo e se o Rio de Janeiro poderá finalmente dizer que o
seu dinamismo mais moderado do que o do Brasil e do ESP, entre 1996 e 2007, é
uma trajetória passada, ou estará fadado a continuar apresentando taxas de
crescimento inferiores e perdendo participação relativa na criação da riqueza
nacional graças às características estruturais de sua economia.
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(Recebido para publicação em outubro de 2011)
(Versão reapresentada em maio de 2012)
(Aprovado para publicação em junho de 2012)
* Este artigo foi, originariamente, apresentado no Seminário "Juventude,
Desigualdades e o Futuro do Rio de Janeiro", realizado na Casa de Rui Barbosa,
em junho de 2011, como parte das atividades do Programa de Apoio a Núcleos de
Excelência (Pronex), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos
(IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).