Editorial
Editorial
Serafim Guimarães1
1Diretor do Departamento da Mulher e da Criança, CH Porto
A saúde da Mulher e da Criança tem sido preocupação constante dos responsáveis
pela Saúde em Portugal.
Assim, foi possível atingir, nesta área, níveis de qualidade assistencial nunca
antes imaginados.
Portugal ocupa, atualmente, um dos primeiros lugares no ranking dos países
onde é bom nascer, com níveis de alta qualidade nas taxas de mortalidade
infantil e neonatal. Tornou-se num exemplo para a Europa.
Para que todo este desenvolvimento tenha sido possível, foi necessária a
colaboração de inúmeros serviços e o desenvolvimento de novas capacidades. Os
cuidados de higiene, na alimentação e a melhoria das condições habitacionais
foram alterações cruciais na vida dos cidadãos.
O Instituto Maternal (1940), onde se iniciaram as consultas pré-natais, o Plano
Nacional de Vacinação (1965), o desenvolvimento do Sistema de Saúde, com
elevação do nível de instrução dos profissionais, e a aposta nos Cuidados de
Saúde Primários, Prevenção e Promoção de Saúde foram essenciais.
A redução da taxa de analfabetismo e a organização do Programa Nacional de
Saúde com a articulação de cuidados tornada realidade foram etapas fundamentais
no processo.
Por outro lado, a análise da Comissão Nacional de Saúde Materno Infantil (1988)
que visitou todos os serviços de Obstetrícia e Pediatria do país o que permitiu
o encerramento de Maternidades que não apresentavam as condições mínimas
necessárias, a reorganização dos hospitais, a regionalização e a criação da
rede de referenciação com uma melhor articulação entre Cuidados de Saúde
Primários e Hospitalares.
Paralelamente, a melhoria das condições sócio-económicas da população, as
pequenas famílias, o investimento nos fi lhos, o acesso fácil aos cuidados de
saúde e a dispensa de taxas moderadoras a grávidas e crianças.
A formação médica foi essencial.
Resta-nos o futuro repleto de incertezas, mas com um objetivo muito concreto. A
contínua procura da excelência nos serviços de saúde disponíveis à população. A
aposta na informação e na prevenção. A sensibilização dos cidadãos para uma
participação cada vez mais assídua nos programas de rastreio e para a redução
do consumo de álcool e tabaco. O contínuo desenvolvimento das consultas de
planeamento familiar, contraceção, gravidez na adolescência, procriação
medicamente assistida, consulta pré-concecional e vigilância e diagnóstico pré-
natal.
O Centro Materno Infantil vai ser de referência assistencial, de investigação e
de ensino pré e pós graduado.
Terá alta qualidade de serviços prestados, excelência na formação, preocupação
na assistência humanizada e contribuirá para a melhoria contínua de assistência
à Mulher e à Criança.
São enormes os desafios, que com o habitual empenho dos profissionais e o
compromisso de todos os intervenientes nas questões da saúde, havemos de ganhar
neste início do século XXI.