Conceção, redação e publicação de artigos científicos: nota introdutória
NOTA INTRODUTÓRIA
Os profissionais de saúde são cada vez mais solicitados para redigir documentos
de natureza técnico-profissional e científica, incluindo protocolos, relatórios
técnicos, resumos e artigos científicos (1). Cabe-lhes também um papel cada vez
mais importante na orientação de trabalhos académicos de pré e pós-graduação,
como projetos de licenciatura, dissertações de mestrado e teses de
doutoramento. Desta forma, são confrontados com a necessidade de dominar
tecnologias inerentes às artes de saber comunicar, que vão muito além dos
conhecimentos clínicos. Para isso, precisam, entre outros, de estar
familiarizados com a pesquisa da literatura, tratamento estatístico de dados,
interpretação e apresentação de resultados, assim como com o processo de
redação, revisão, edição e publicação de artigos científicos. Estes conteúdos
deveriam obrigatórios dos planos curriculares dos cursos do ensino
universitário e politécnico (2, 3). Infelizmente, muitos curricula das áreas
das ciências médicas e biomédicas são ainda pobres nestes aspetos, sendo
necessário recorrer a iniciativas de formação pós-graduada para desenvolver
competências nestas áreas.
Existem vários tipos de documentos, que diferem entre si no conteúdo e na
estrutura (4). Nestes trabalhos, a informação deve ser apresentada e organizada
de acordo com o tipo de documento. É também essencial ter em conta o nível de
compreensão e os conhecimentos do público-alvo, seja ele constituído por
médicos, outros profissionais de saúde, alunos, doentes ou público em geral. Os
documentos científicos podem ser de natureza muito diversa e incluem, não
apenas os artigos publicados em revistas de edição periódica, mas também os
resumos de trabalhos apresentados em reuniões científicas, os trabalhos
académicos e as propostas de projetos de investigação, entre outros. E mesmo os
artigos científicos podem ser de diversos tipos, entre os quais se salientam,
pela importância que têm na comunidade médica e científica, os artigos
originais, os estudos de casos e de séries de casos e os artigos de revisão.
Os bons artigos contextualizam o leitor no que respeita ao tema, esclarecem
quais são os problemas abordados, apresentam adequadamente os objetivos, a
metodologia usada e os resultados encontrados; além disso, discutem esses
resultados, comparando-os com outros disponíveis na literatura e evidenciam o
caráter inovador e as contribuições para a comunidade científica e para a
sociedade (1, 5, 6). Compreender todo este processo é essencial não apenas para
publicar nas melhores revistas, como para adquirir as competências necessárias
à leitura analítica e apreciação crítica do conteúdo de artigos científicos (7,
8).
Nesta primeira rubrica da secção EDUCAÇÃO CIENTÍFICA da revista NASCER E
CRESCER, designada CONCEÇÃO, REDAÇÃO E PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS,
abordamos as fases necessárias à publicação de artigos científicos desde a
decisão de publicar à sua efetiva publicação, passando pelos aspetos práticos
da redação e submissão, dando particular relevo à organização de um artigo
original, na sua forma clássica.