Conceção, redação e publicação de artigos científicos - redação de artigos:
estrutura e conteúdo
1. INTRODUÇÃO
Um dos pontos fundamentais a considerar na redação de um artigo é a sua
estrutura e o conteúdo das partes que o integram (1-3). Embora existam algumas
variações que dependem fundamentalmente do tipo de artigo, o corpo de um
artigo (texto do artigo propriamente dito) divide-se geralmente em várias
secções, a saber: Introdução, Material e Métodos, Resultados e Discussão (4-6).
No entanto, na estrutura de um artigo há a considerar, para além do corpo do
artigo, os elementos pré e pós-textuais.
Os elementos pré-textuais constam geralmente na folha de rosto (onde, entre
outros, se identificam os autores e as respetivas filiações), no Resumo e nas
Palavras-Chave. A estrutura e o conteúdo do Resumo devem refletir a estrutura
básica e o conteúdo do artigo, respetivamente, mencionando apenas os aspetos
mais relevantes. Os elementos pós textuais integram, entre outros, as
referências, as ilustrações, os glossários de abreviaturas, e eventualmente, os
apêndices e anexos.
Neste trabalho debruçamo-nos sobre os aspetos mais relevantes da estrutura e o
conteúdo de um artigo científico para submeter a publicação em revista de
edição periódica.
2. ESTRUTURA BÁSICA DE UM ARTIGO PARA SUBMETER A PUBLICAÇÃO
Na versão do artigo a submeter para publicação, os diferentes componentes do
artigo devem ser organizados, obedecendo à sequência acima referida e
sistematizada no Quadro_1, exceto quando as normas da revista mencionarem o
contrário. Os conteúdos correspondentes a cada uma das partes que compõem o
artigo estão pré-definidos e, no caso dos artigos originais, correspondem aos
mencionados nesse mesmo quadro.
A ordem de apresentação na versão do artigo que é submetida para publicação é
diferente da que consta na versão impressa do artigo e deve ser respeitada
(Figura_1).
3. FOLHA DE ROSTO
A folha de rosto deve conter a informação sumária sobre o artigo,
designadamente o título, os autores, as respetivas filiações, o autor
correspondente e os respetivos contatos (Quadro_1) (7). Dependendo da revista,
a contribuição dos autores pode ser apresentada na folha de rosto ou em secção
própria, geralmente após a Discussão e antes das Referências bibliográficas.
3.1 Título
3.1.1 Objetivos e caraterísticas
O título é uma das principais referências de um artigo e serve três objetivos:
identificar o conteúdo, motivar o leitor para a leitura e permitir a
identificação do mesmo nas pesquisas eletrónicas (7, 8). Para que estes
objetivos sejam atingidos, é necessário que o título obedeça a alguns
critérios. Ele deve ser simultaneamente adequado do ponto de vista científico,
informativo e atrativo; deve descrever adequadamente o conteúdo do artigo; deve
conter as palavras que melhor o identificam e não deve incluir palavras
supérfluas nem abreviaturas. Se necessário, pode ser acrescentado um subtítulo,
devendo este ser diferenciado tipograficamente ou separado do título principal
por :.
3.1.2 Tamanho
Embora nem todas as revistas imponham limites para o tamanho do título, a
maioria das editoras advoga que este deve ter poucas palavras (em geral, cerca
de 80 a 100 carateres). No entanto, os estudos que investigaram a possível
associação entre o tamanho do título e o número de citações tiveram resultados
contraditórios (9, 10). Algumas revistas solicitam também um título resumido
(geralmente 40 a 50 carateres).
3.1.3 Tipos
Os títulos podem ter caráter descritivo, informativo ou misto (Quadro_2) (11).
Em ambos os casos, podem ser estruturados de várias maneiras (Quadro_2) (12), e
existem diversas formas de transmitir a mensagem e/ou de chamar à atenção do
leitor (13), ficando ao critério dos autores a escolha da que melhor se adapta
ao artigo em causa (Quadro_3).
As opiniões divergem relativamente à adequabilidade dos títulos compostos, com
utilização de : (ex. Hipertensão arterial: do diagnóstico ao tratamento;
Hypertension: from diagnosis to treatment) e daqueles redigidos na forma de
questão (ex. Como diagnosticar e tratar a hipertensão arterial? How to diagnose
and treat hypertension?), assim como quanto à utilização da expressão sobre
(on) (ex. Sobre o diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial; On the
diagnosis and treatment of hypertension) (13). De uma forma geral, as palavras
o (the) devem ser evitadas (ex. O diagnóstico e o tratamento da hipertensão
arterial; The diagnosis and treatment of hypertension), assim como as palavras
um / uma (a/ an) (ex. Uma abordagem ao diagnóstico e tratamento da
hipertensão arterial; An approach to diagnosis and treatment of hypertension),
porque são supérfluas e dificultam os sistemas de indexação (13).
3.2 Autores
3.2.1 Critérios de autoria e contribuição dos autores
Existem normas orientadoras dos critérios para atribuição de autoria definidas
pelo Comité Internacional dos Editores de Revistas Médicas (International
Committee of Medical Journal Editors, ICMJE) que devem ser respeitadas (Quadro
4) (14). Ser autor de um artigo é um ato de responsabilidade, baseado na
contribuição real para a conceção e realização do trabalho subjacente ao mesmo
e para a sua redação (15).
Dependendo da revista, as contribuições dos autores podem constar na folha de
rosto ou em secção própria, geralmente após a Discussão.
3.2.2 Ordem dos autores
Não existem normas universalmente aceites para determinar a ordem dos autores e
as práticas variam, entre outros, com a área científica. De uma forma geral,
nos artigos que decorrem de trabalhos de investigação na área da medicina e da
biomedicina, o mais frequente é que o primeiro autor seja o responsável pela
redação do artigo e que o último seja o investigador principal, o orientador do
trabalho ou o diretor do serviço onde o trabalho é realizado, mas estas regras
não são universais. Independentemente do critério usado na ordenação, é muito
importante que todos os autores cumpram os critérios de autoria; por outras
palavras, a superioridade hierárquica, chefia técnica e cargos de direção não
conferem direitos de autoria.
3.2.3 Identificação e afiliação dos autores
Deve ser indicado o nome completo (ou, pelo menos, o nome e o apelido), a
categoria profissional, a graduação académica e a filiação. O nome dos autores
e a sua afiliação devem ser escritos de forma uniforme em todas as publicações
para que artigos possam ser citados de forma correta por outros autores e para
que os autores e as instituições a que pertencem sejam corretamente
identificados nas bases de dados bibliográficas. Atualmente, muitas revistas
exigem também o e-mail de todos os autores.
A identificação correta dos autores e das respetivas instituições é de grande
importância, pois é decisiva para as pesquisas futuras dos artigos em causa.
3.2.4 Autor correspondente (corresponding author)
Deve ser referido o autor a contatar, que é geralmente o primeiro ou o último
autor do artigo e os respetivos contatos (morada, e-mail e telefone). Será com
esse autor que o secretariado da revista ou pelos seus corpos editoriais ou
redatoriais estabelecerão todos os futuros contatos, nomeadamente para enviar o
parecer dos revisores, comunicar a decisão acerca da publicação e solicitar a
correção das provas do artigo. Depois da publicação, é também esse o autor que
geralmente é contatado pelos leitores querem solicitar algum esclarecimento ou
pedir cópias do artigo. Por esses motivos, o autor correspondente deve ser
aquele que mais habilitado estiver para responder a estas questões, sendo
geralmente o primeiro autor do artigo, ou o último autor quando o primeiro
autor for um profissional em fase de formação. Por exemplo, se o primeiro autor
for um aluno de doutoramento, o último autor é com frequência o seu orientador,
podendo ser indicado como autor correspondente um ou outro, por acordo mútuo.
4. RESUMO (E ABSTRACT)
Sendo o primeiro contacto dos leitores com o trabalho, o Resumo é o que atrai
(ou não) a sua atenção e interesse. Deve ser escrito cuidadosamente,
preferencialmente após redigir as restantes partes do trabalho, considerando a
forma e o conteúdo (Quadro5 e 6) (16-18).
O Abstracté a versão do Resumo em inglês. Não deve ser uma tradução literal,
mas sim uma tradução científica, com a utilização dos termos e expressões
técnicas apropriados.
4.1 Conteúdo
Existem basicamente dois tipos de resumos quanto ao detalhe do conteúdo: os
resumos indicativos e descritivos, que contêm apenas informação geral sobre o
trabalho e sobre os seus objetivos, e os resumos informativos e analíticos, que
contêm todas as informação fundamentais, incluindo o referencial teórico, os
objetivos, os métodos, os resultados e as conclusões, por forma a dispensar a
leitura imediata do texto integral.
Os resumos de artigos científicos devem ser preferencialmente informativos e
analíticos. O seu conteúdo deve ter uma frase introdutória e apresentar de
forma concisa (uma ou duas linhas para cada item) a fundamentação teórica, os
objetivos principais, as motivações e importância, o material e métodos, os
principais resultados e as principais conclusões.
4.2 Forma e organização
Podem considerar-se dois tipos de resumos, quanto à organização: estruturados
(divididos em secções) e não estruturados (sem divisão formal em secções). Um
resumo estruturado deve ser escrito em vários parágrafos (um parágrafo por
cada secção), precedido ou não da designação da mesma. Um resumo não
estruturado deve ser escrito na forma de parágrafo único, constituído por
várias frases, geralmente correspondentes às secções dos resumos estruturados,
apresentadas pela mesma sequência lógica, mas sem divisão formal.
4.3 Secções
As secções do Resumo correspondem geralmente à estrutura vulgarmente conhecida
como IMRAD (Introduction, Methods, Results and Discussion ' Introdução,
Métodos, Resultados e Discussão) (4) ou a variantes desta estrutura (5, 6). Por
exemplo, em algumas revistas são introduzidas secções adicionais, como a secção
de Objetivos (entre a Introdução e os Métodos) ou omitida uma das secções e
substituída por outra (ex. Objetivos, Métodos, Resultados, Conclusões).
Dependendo das revistas, as diversas secções podem ter designações distintas.
Por exemplo, a Introdução pode ser designada de outra forma (Fundamentação,
Motivações, etc.), assim como os Objetivos (Metas, Objetivos e Metas), e os
Métodos (Material e Métodos, Metodologia, etc.).
4.4 Outros aspetos
Em geral, o Resumo não deve conter abreviaturas. Caso a utilização de
abreviaturas no Resumo seja permitida pela Revista, devem ser usadas apenas as
estritamente necessárias e estas devem ser pré-definidas no Resumo e novamente
no corpo do artigo. O Resumo também não deve citar referências bibliográficas,
nem incluir ilustrações. Os resumos de trabalhos apresentados em congressos são
exceções a estas regras, já que são por vezes é admitida a inclusão de um
número muito limitado de referências, figuras ou tabelas.
5. PALAVRAS-CHAVE (KEY-WORDS)
Muitas revistas solicitam aos autores que indiquem um conjunto de palavras-
chave (key-words), que são palavras ou expressões que caracterizem o artigo e
que são usadas nos sistemas de indexação (para além das palavras que constam no
título), de forma a permitir que este seja eficazmente encontrado por sistemas
eletrónicos de busca. Por isso, a sua escolha não deve ser encarada como um
assunto de importância menor (16).
As palavras-chave (key-words), em número de 4 a 12 dependendo da revista, são
geralmente mencionadas na folha de rosto ou, com mais frequência, no final do
Resumo, dependendo das normas da Revista.
5.1 Escolha das palavras-chave
Devem ser escolhidas palavras abrangentes, mas que ao mesmo tempo identifiquem
de forma precisa o conteúdo do artigo. Por outro lado, deve evitar-se usar
palavras do título uma vez que estas já são normalmente usadas pelos sistemas
de indexação. Uma boa forma para selecionar as palavras-chave é pensar: Que
palavras eu usaria para procurar um artigo semelhante ao meu?
Há quem defenda que, de forma a rentabilizar os sistemas de inteligência
artificial subjacentes aos mecanismos de busca, a seleção das palavras-chave
deve ser feita por níveis, sendo necessário entender o que são os níveis e como
se relacionam entre si (Figura_2). Assim, o primeiro nível é palavra-chave
principal; o segundo nível é constituído por palavras relacionadas com a
palavra-chave principal; o terceiro nível é constituído por palavras
relacionadas com a palavra-chave de segundo nível, e por aí adiante. Após
determinar qual é a palavra-chave de primeiro nível, isto é aquela que melhor
identifica o conteúdo, devem ser pesquisadas as palavras relacionadas a ela e
selecionadas as mais adequadas.
Para a escolha das palavras-chave os autores podem recorrer a ferramentas
disponíveis na internet, assim como a dicionários de palavras-chave.
5.2 Dicionários de palavra-chave
Nos artigos científicos devem ser usadas preferencialmente palavras
controladas, selecionadas de sistemas de indexação estabelecidos ou bancos de
dados bibliográficos. Nas áreas da Medicina e da Biomedicina podem ser usadas,
por exemplo, os termos do Medical Subject Headings(MeSH), que é a enciclopédia
de vocabulário da National Library of Medicine(NLM) usada para a indexação de
artigos das revistas biomédicas na base de dados MEDLINE (19, 20). Na PubMed
podemos ter acesso aos termos indexados no MeSH (21).
6. INTRODUÇÃO
Um artigo científico não é uma história policial em que só se descobre o que
vai acontecer no final. Pelo contrário, o leitor deve estar ciente disso desde
o início do artigo, isto é, desde a Introdução. Uma introdução informativa e
bem redigida é fundamental, e para isso é necessário que quem a redige esteja
familiarizado com o tema e atualizado na matéria (22, 23).
Há quem advogue que a Introdução deve apresentar a formulação teórica
subjacente ao estudo e terminar com os objetivos, e quem defenda que também
deve apresentar no final os principais resultados e as principais
contribuições. Um aspeto importante a considerar é o de que a Introdução e a
Discussão se devem articular entre si, fornecendo informações complementares
(Figura_1).
6.1. Organização e conteúdo
Como sugestão de organização, deve considerar-se apresentar de forma concisa a
formulação teórica (incluindo o contexto, a ideia central e os problemas), os
objetivos e as hipóteses de trabalho; no final pode ser feita uma descrição
muito resumida do estudo realizado, apresentar os principais resultados e as
principais contribuições:
descrição breve da área do estudo e a sua importância, apresentando uma
revisão da literatura recente sobre o assunto abordado;
exposição em um parágrafo da ideia central do trabalho, seguida dos
parágrafos necessários para apresentar;
identificação do problema, tornando clara a sua importância e relevância;
apresentação dos conceitos básicos e de outros artigos relacionados com o
trabalho em causa, escrevendo uma linha por trabalho ou agrupando trabalhos
similares e detalhando apenas os que são mais importantes;
referência a trabalhos anteriores realizados pela equipa quando isso for
relevante para a compreensão do artigo, identificando o que ficou por
esclarecer;
definição clara dos objetivos e das hipóteses do trabalho;
descrição sumária do estudo realizado;
apresentação dos principais resultados, tornando claro quais foram as
principais contribuições, especificando a relevância da sua publicação, como é
que esta contribuiu para ampliar o conhecimento em uma determinada área da
ciência e/ou em que medida apresentou novas soluções para resolver um problema.
7. MATERIAL E MÉTODOS
Esta secção deve apresentar as informações necessárias e suficientes para
avaliar se o estudo foi conduzido de acordo com as boas práticas, ajuizar sobre
a sua qualidade e permitir sua reprodução por outros (24, 25). A falta de
informações relevantes para qualquer um destes fins pode justificar a recusa do
artigo.
As secções Material e Métodos e os Resultados devem articular-se entre si:
todos os resultados apresentados devem ser suportados pelo material e métodos
descritos e todos os materiais e métodos descritos devem servir para suportar
os resultados apresentados (Figura_1).
7.1. Organização e conteúdo
Na secção Material e Métodos devem ser incluídas todas as informações
necessárias para que os leitores saibam onde foi, quando foi e como foi
realizado o estudo.
Entre as informações fornecidas deve constar o desenho do estudo, a população
para que se pretende generalizar os resultados, o tamanho da amostra, o método
de seleção, os critérios de elegibilidade (inclusão e exclusão), as variáveis
analisadas, os instrumentos de medida, os métodos de análise estatística, etc.
Devem ser referidos com exatidão os equipamentos (modelos, fabricantes) e
materiais (referências, fabricantes) usados, assim como a metodologia empregue.
Nos trabalhos laboratoriais, é importante a descrição exata dos reagentes e
técnicas usadas (26). Os procedimentos devem ser organizados de uma forma
coerente, explicando em que consistem. Caso já tenham sido descritos por
outros, pode optar-se por uma descrição sumária, referenciando o trabalho em
que tal foi feito; se nunca foram descritos, a sua descrição deve ser feita com
mais detalhe.
Finalmente, deve ser especificado o cumprimento das boas práticas e dos
requisitos éticos, nomeadamente quanto à aprovação pela Comissão de Ética e à
obtenção de consentimento informado dos participantes ou dos seus
representantes legais, aspetos estes particularmente relevantes nos estudos
interventivos, e naqueles que impliquem riscos potenciais para os
participantes.
8. RESULTADOS
A secção Resultados deve longa o bastante para mostrar as evidências do estudo
mas sucinta o suficiente para não se tornar repetitiva e tediosa para o leitor
(27-29).
Os resultados devem ser apresentados de acordo com uma sequência lógica e da
forma que for mais informativa (texto e ilustrações). Os comentários aos
resultados obtidos e a sua comparação com resultados de outros estudos devem
ser guardados para a Discussão.
8.1 Tratamento estatístico dos dados
O tratamento estatístico dos dados deve ser adequado ao desenho do estudo, ao
tamanho da amostra, ao tipo de variáveis e à sua distribuição (30, 31). As
medidas de tendência central (ex. média, mediana, etc.) e de dispersão (ex.
desvio-padrão; mínimo ' máximo, percentis, etc.) são úteis para sumarizar os
dados. A escolha inadequada dos testes estatísticos, como a aplicação de testes
paramétricos a variáveis cuja distribuição não é Normal (isto é, não é uma
distribuição gaussiana) é um erro frequente (32). Por outro lado, critérios de
decisão inadequados para os níveis de significância estatística (pela natureza
da sua recolha ou pela dimensão da amostra) ou a sua aplicação sem sentido
crítico, podem levar a interpretações erradas, induzindo os investigadores e os
leitores em erro (33). Um dos erros mais frequentes é a utilização de medidas
de sumário e de dispersão inadequadas (por exemplo, média e desvio padrão para
variáveis que não têm uma distribuição Normal), mas são conhecidos muitos erros
recorrentes no tratamento estatístico dos dados (34, 35).
8.2 Seleção das ilustrações (tabelas e figuras)
O uso de tabelas e figuras (incluindo nestas últimas quadros, gráficos,
imagens, diagramas, fotografias, etc.) para ilustrar um texto científico têm
fundamentalmente duas funções: economizar espaço, pois estes elementos
sintetizam informações e evitam longas descrições no texto; e apresentar os
dados de uma forma didática, facilitando a leitura e a compreensão.
Antes de conceber as figuras e tabelas, deve ser confirmado se a Revista impõe
um número máximo e se a publicação de figuras com cores tem custos acrescidos,
já que estes aspetos podem ser determinantes. A seleção das ilustrações deve
ser criteriosa e adequada para ilustrar claramente os resultados (36-38) e a
sua preparação deve ser cuidadosa, sejam elas gráficos (39), tabelas (40),
fotografias, imagens ou diagramas (41).
Resultados que podem ser facilmente apresentados no texto com uma ou duas
frases não devem ser apresentados na forma de tabelas ou gráficos. Se os dados
mostram uma tendência, criando uma figura interessante, devem ser
preferencialmente usados gráficos. As tabelas são preferíveis para apresentar
números exatos, devem ser incluídas quando se deseja apresentar um número
pequeno de dados e não para listar os dados são já foram usados para construir
gráficos (neste caso, há que optar). Os dados apresentados nas tabelas não
devem ser repetidos de forma detalhada no texto e vice-versa. Além disso, as
legendas de figuras e tabelas podem fornecer detalhes importantes para a
compreensão das mesmas. Se o trabalho apresentar um processo complicado, cheio
de fases, entradas e saídas, é preferível sistematizá-lo na forma de um
fluxograma (retângulos com nomes de processos, setas indicando o fluxo da
informação, etc.), ao invés de o descrever detalhadamente no texto. As figuras
e as tabelas devem sempre ter legendas, dizendo exatamente o que representam,
de forma que sejam auto-explicativas. Geralmente, as figuras requerem uma
explicação mais pormenorizada no texto, enquanto as tabelas devem ser auto-
suficientes. Uma falha comum é o uso de tabelas e figuras que, em vez de
fornecerem informações complementares às que constam no texto, repetem essa
informação; outros erros frequentes são as legendas inadequadas e as tabelas
com demasiados dados, de difícil leitura. No final, deve haver o cuidado de
verificar se a numeração atribuída às figuras e tabelas no texto é concordante
com a numeração usada nas respetivas figuras e tabelas. Em geral, na versão do
artigo que é submetida para publicação, as ilustrações são apresentadas no
final do documento, a seguir às Referências, por esta ordem: Tabelas (1 por
página), Legendas das figuras (1 página com todas as legendas) e Figuras (1 por
página). Para mais detalhes relativamente às ilustrações, sugere-se a consulta
das secções correspondentes às Tabelas e Figuras neste artigo.
9. DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
A discussão e as conclusões podem fazer parte da mesma secção ou integrar
secções separadas, dependendo das normas da revista (42, 43).
9.1 Discussão
Na Discussão não deve ser repetida a descrição individual dos resultados mas
antes: a) os resultados devem ser apresentados de uma forma global, salientando
os mais relevantes; b) deve ser evidenciada a forma como eles se relacionam
entre si e com os de outros estudos publicados; c) devem ser referidos os
aspetos incertos ou que carecem de investigação adicional; d) devem ser
discutidas as implicações teóricas e as possíveis aplicações práticas; e) deve
ser reforçada a originalidade e a relevância dos resultados apresentados e do
trabalho como um todo. Muitos autores limitam a Discussão à discussão dos
resultados. No entanto, esta secção pode ser usada para abordar outros
aspetos, nomeadamente para apresentar e discutir as limitações do próprio
estudo (44).
9.2 Conclusões
As Conclusões são extremamente importantes. Aqui devem ser referidos, de forma
sucinta (um parágrafo ou uma frase para cada item, dependendo do espaço
disponível), os principais resultados e as principais contribuições e devem ser
feitos os comentários mais relevantes. Podem também ser referidos os planos de
trabalhos futuros relacionados com o problema, de forma a esclarecer as
questões que ficaram em aberto.
10. CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES E AGRADECIMENTOS
10.1 Contribuição dos autores
Cada vez é mais frequente que as revistas exijam que os autores explicitem as
suas contribuições individuais para o trabalho. Isto é geralmente é feito
referindo cada um dos autores pela primeira letra do nome e do apelido e
descrevendo de forma sumária as suas contribuições (ex. ML, analisou e
interpretou os dados e redigiu o artigo; ML, analysed and interpreted data and
wrote the manuscript). A este respeito relembra-se que nem todas as
contribuições conferem direito de autoria (a contribuição intelectual é
indispensável), e sugere-se a leitura das recomendações do Comité Internacional
de Editores de Revistas Médicas (International Committee of Medical Journal
Editors, ICMJE) (14).