Revista Motricidade: da Fundação ao Desafio
EDITORIAL
Revista Motricidade: da Fundação ao Desafio
Journal Motricidade: from Foundation to the Challenge
Nuno Garrido1,*
1Diretor da Revista Motricidade; Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro,
Portugal
A revista Motricidade vai no seu décimo ano de publicação periódica marcado por
mais uma edição, o número 3 do volume 10. Lembro-me das primeiras reuniões com
o fundador da Fundação Técnica e Científica do Desporto (FTCD), o Doutor
Eduardo Leite, ainda a FTCD era um desejo por concretizar. Foi por volta do
início do novo século, no ano 2000 ou 2001, que reuníamos com frequência eu, o
Doutor Eduardo Leite, o Doutor Victor Reis, o Arquiteto Nuno Pinheiro e o Dr.
Henrique Vaz. O projeto era ambicioso e pretendia aproximar a ciência à prática
em todos os níveis de intervenção. Algo que se sentia difícil por esses dias.
Contudo, a ideia de uma publicação periódica na área das ciências do desporto
era algo que se via necessário para servir de base a todos os objetivos da
FTCD. A FTCD é criada em Julho de 2002 aparecendo a Motricidade um pouco mais
tarde. O corolário desta intenção foi a publicação no volume 5, número 3 de
2009, das atas do 1º congresso do CIDESD (Centro de Investigação em Desporto,
Saúde e Desenvolvimento Humano), Performance enhanced by bridging the gap
between theory and practice.
Aproximando-se o seu décimo aniversário, a Motricidade passa por uma fase de
amadurecimento e sobretudo de afirmação no panorama internacional de
publicações peer-review. Este processo de peer-review ou revisão por pares,
sendo o eixo do rigor científico, permite que os trabalhos submetidos sejam
sufragados por especialistas das áreas levando a que os melhores sejam
publicados e que os menos bons sejam ajudados. De facto, este processo tem até
algum poder preditivo, onde maiores pontuações por parte dos revisores levam a
um maior número de citações do trabalho (Foley, 2013) e quando funciona: i) as
declarações e opiniões não são arbitrárias; ii) as experiências e apresentação
de dados obedecem a determinadas convenções; iii) os resultados casam com os
dados; iv) o mérito prevalece sobre a política; e v) os leitores não têm de ler
o que não interessa (Bornmann, 2013).
A Motricidade, fruto do trabalho do seu corpo editorial, tem vindo a crescer
ano após ano. Desde o ano de 2009 o número de publicações tem vindo a crescer,
tendo terminado o ano de 2013 (42 artigos) sensivelmente igual ao do ano record
de 2008 (43 artigos). Acompanhando esta tendência encontramos um aumento no
número de citações de todos os anos (linha azul) e citações dos 2 últimos anos
(linha amarela) levando esta última ao cálculo do Fator de Impacto (linha
verde) de 0.24 em 2013 (ver Figura_1).
As bases de indexação nas quais a revista Motricidade está atualmente inserida,
ISI Web of Knowledge/Scielo Citation Index, Elsevier, SCImago, PsycINFO,
IndexCopernicus, Scielo, CABI, Qualis, SPORTDiscus, EBSCO, CINAHL, Proquest,
DOAJ, Redalyc, Latindex, Gale/Cengage Learning, SIIC Databases, BVS
ePORTUGUESe, SHERPA/RoMEO, OCLC, Hinari/WHO, Swets Information Services, entre
outras, não são alheias ao sentido de responsabilidade que mantemos e sobretudo
à motivação para encarar o desafio para os próximos anos.
Este desafio é real de duas formas. Por um lado no seu conceito puro e duro,
uma vez que o financiamento para a ciência, particularmente em Portugal, tem
vindo a diminuir ou é de cada vez mais difícil acesso. Por outro lado, porque a
FTCD transferiu a responsabilidade editorial da Motricidade para a Desafio
Singular. Não considero um corte do cordão umbilical pois em parte estive na
génese da FTCD e da criação da Motricidade. É uma passagem de testemunho, o que
quer dizer que somos uma equipa que vai trabalhar no sentido de manter o rigor
editorial e aumentar o número de leitores da Motricidade. Contamos com vocês
leitores.
Saudações científicas e votos de boa leitura.