Home   |   Structure   |   Research   |   Resources   |   Members   |   Training   |   Activities   |   Contact

EN | PT

EuPTCVHe0872-07542014000500002

EuPTCVHe0872-07542014000500002

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0872-0754
Year2014
Issue0005
Article number00002

Javascript seems to be turned off, or there was a communication error. Turn on Javascript for more display options.

Comportamentos de risco dos adolescentes portugueses e influência do meio ambiente

INTRODUÇÃO A adolescência, período de transição da infância para a vida adulta, é uma fase de intensa transformação biológica acompanhada da procura de independência e identidade pessoal e uma necessidade de experimentar sensações novas(1-3).

Nesta fase da vida o indivíduo está mais exposto às influências do meio ambiente onde se encontra inserido, desde a família e a escola à comunidade em geral, apresentando maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de condutas desajustadas(3-5). Dentro destas condutas, o consumo de substâncias lícitas ou ilícitas assume particular relevância e torna os adolescentes mais suscetíveis a baixa autoestima, ansiedade, depressão e a comportamentos sexuais de risco (4).

Os resultados mais recentes do Inquérito Escolar Europeu sobre o Consumo de Álcool e outras Drogas (ESPAD)(6) revelam que, a partir de 2007, houve uma estabilização no consumo de tabaco (ao contrário da tendência descendente que vinha a ser descrita) e um aumento no consumo excessivo pontual de bebidas alcoólicas nos últimos anos, apesar da ligeira diminuição no consumo global desta substância; o consumo de drogas ilícitas (predominantemente o canábis) aumentou até 2003, diminuiu ligeiramente em 2007 e tem-se mantido estável desde então. Destaca-se que os países com elevada prevalência de consumo de uma substância tendem igualmente a apresentar prevalências relativamente elevadas para outras substâncias, pelo que uma das recomendações para a próxima estratégia (nona) da União Europeia de luta contra a droga é a aposta numa abordagem mais integrada tanto para as drogas lícitas como para as ilícitas(7).

Relativamente à atividade sexual, a idade da primeira relação sexual alterou-se bastante nas últimas duas décadas, evidenciando uma tendência de antecipação, facto que se associa inerentemente a um risco acrescido de infeções sexualmente transmissíveis, gravidez não desejada e interrupção voluntária da gravidez em idades jovens (8,9).

A Educação para a Saúde compete não aos profissionais de saúde, professores e família como também aos meios de comunicação social, organizações sociais, desportivas e religiosas(10). É definida pela Organização Mundial de Saúde como uma ação exercida sobre os indivíduos no sentido de modificar os seus comportamentos, a fim de adquirirem e conservarem hábitos de saúde saudáveis, aprenderem a usar judiciosamente os serviços de saúde que têm à sua disposição e estarem capacitados para tomar, individual ou coletivamente, as decisões que implicam a melhoria do seu estado de saúde e o saneamento do meio em que vivem (10). Na prática trata-se de difundir processos de ensino-aprendizagem, não de prescrever comportamentos, mas sim de promove-los(10).

OBJETIVOS Caracterizar uma população de adolescentes de uma área urbana do grande Porto quanto ao consumo de álcool, tabaco, canábis e outras drogas ilícitas e seu padrão de sexualidade; analisar a influência do contexto socio-ambiental (família, grupos de pares, escola, desempenho escolar e saídas noturnas) e comparar os comportamentos dos adolescentes portugueses com o dos adolescentes europeus. Pretende-se ainda intervir de forma dirigida na comunidade escolar estudada.

MATERIAL E MÉTODOS Estudo transversal, descritivo, de base populacional e amostra de conveniência de adolescentes inscritos numa escola secundária pública urbana ( e anos de escolaridade), com realização de um questionário anónimo e confidencial de auto-resposta por escrito, em sala de aula sob supervisão do professor, entre Outubro e Novembro de 2012. O questionário foi elaborado pelos autores através da adaptação do 2011 Middle School Youth Risk Behavior Survey (Centers for Disease Control and Prevention ' CDC), validado para a população americana, e era composto de 47 perguntas de escolha múltipla (em anexo). O consentimento informado aos encarregados de educação dos menores foi solicitado pela escola.

Os dados obtidos foram codificados e registados numa base de dados informática (Excel®), e posteriormente analisados com o programa SPSS 18.0® (estatística descritiva e inferencial). Utilizou-se o teste do Qui-quadrado para comparação de proporções e o nível de significância adotado foi 0,05. Foram estudadas as seguintes variáveis: sexo, idade, escolaridade, número de retenções escolares, número de elementos do agregado familiar, escolaridade do encarregado de educação, saídas noturnas com amigos, consumo de tabaco, álcool, canábis ou outras drogas ilícitas, idade de primeiros consumos destas substâncias, consumos nos últimos 30 dias, consumos nos familiares e amigos, acessibilidade das substâncias, idade de início de atividade sexual, número de parceiros sexuais, atividade sexual sob o efeito de substâncias psicoativas, contraceção, frequência da consulta de planeamento familiar, utilização de contraceção de emergência, gravidez e interrupção voluntária da gravidez.

Após a análise dos dados obtidos, foi realizada uma sessão formativa interativa sobre a temática. Este trabalho foi desenvolvido no âmbito da Educação Afetivo- Sexual e Saúde Escolar, projeto Saber para Ser.

RESULTADOS Obteve-se um total de 141 inquéritos, sendo 53,9% dos adolescentes do sexo feminino. A média de idades foi de 13,8 anos (mínimo de 12, máximo de 16 anos).

Frequentavam o ano de escolaridade, 55,3% dos adolescentes; 34,0% tinha tido pelo menos um ano de retenção escolar. As famílias eram nucleares em 73,8% e compostas maioritariamente por três ou quatro elementos. A escolaridade do encarregado de educação era maioritariamente o ensino básico (68,8%); 52,5% dos adolescentes gostariam de obter um nível de ensino superior. Mais de um terço nunca saía à noite com os amigos (34,8%), 7,8% saíam frequente/diariamente; dos que saíam (n=91), a maioria voltava para casa antes da meia-noite (63,7%), 11,0% após as duas horas.

  Consumo de tabaco:Um terço dos adolescentes tinha experimentado tabaco (33,3%) (Gráfico_1); a idade média em que fumaram um cigarro inteiro pela primeira vez foi de 12,8 anos. Deste grupo, consumiram tabaco no último mês 40,4% (n=19); diariamente, 10,5% (n=2). Não se verificou diferença estatisticamente significativa entre o consumo no sexo masculino e feminino (ϰ2=0,377, p=0,356). A maioria dos adolescentes que fumaram no último mês fumou entre dois e cinco cigarros por dia (52,6%, n=10) e nenhum adolescente fumou mais de dez cigarros por dia no referido período. Cerca de metade dos adolescentes (47,4%) comprou o próprio tabaco e em 42,1% dos casos foi-lhes oferecido por outra pessoa.

  Consumo de álcool:Cerca de um terço dos adolescentes tinha consumido álcool (33,8%) (Gráfico_2); a idade média em que consumiram uma bebida alcoólica pela primeira vez foi de 12,5 anos. Deste grupo, consumiram álcool no último mês 63,8% (n=30), e, destes, 23,3% (n=7) respondeu ter consumido mais do que cinco bebidas alcoólicas em algumas horas num dia do último mês. Metade dos adolescentes comprou as bebidas numa loja, restaurante, bar, discoteca ou evento público.

  Consumo de canábis e outras drogas ilícitas:Relativamente ao consumo de canábis, 8,5% (n=12) dos adolescentes tinha experimentado (Gráfico_3), com o primeiro consumo a ocorrer a uma idade média de 13,5 anos. Cerca de metade dos adolescentes que tinham consumido canábis, fizeram-no nos 30 dias anteriores à data do inquérito (n=6), destes, quatro referiram ter consumido uma a duas vezes neste período; os restantes fizeram-no dez a 19 vezes (n=1) e 20-39 vezes (n=1). Um adolescente (0,7%) referiu ter consumido cocaína ou heroína e três (2,1%) referiram ter consumido outras drogas ilícitas, como anfetaminas, ecstasy ou cogumelos mágicos.

  Policonsumo:Nos últimos 30 dias, 2,8% (n=4) dos adolescentes tinham consumido pelo menos três drogas de abuso e 7,1% (n=10) duas. A maioria dos adolescentes (71,6%, n=101) revelou não ter consumido nenhuma destas substâncias no mesmo período. O consumo de tabaco e de álcool associaram-se significativamente, não entre eles (ϰ2=22,477, p=0,000) mas também com o consumo canábis (ϰ2=40,239, p=0,000; ϰ2=7,531, p=0,020, respetivamente) ou outras drogas ilícitas (ϰ2=19,682, p=0,002; ϰ2=11,140, p=0,009, respetivamente). Os três adolescentes que referiram ter consumido outras drogas (anfetaminas, ecstasy ou cogumelos mágicos), referiram também ter consumido tabaco, álcool e canábis.

  Padrão de sexualidade:Vinte e um adolescentes (14,9%) eram sexualmente ativos (Gráfico_4). A idade média de início de atividade sexual foi de 13,7 anos (13,3 no sexo masculino e 14,2 no sexo feminino). Relativamente ao número de parceiros sexuais, oito (38,1%) adolescentes tiveram apenas um; 10 (47,6%) tiveram dois parceiros e dois (4,8%) adolescentes do sexo masculino referiram ter tido três e quatro parceiros sexuais, respetivamente; uma adolescente não respondeu. Não utilizaram preservativo na última relação sexual, 28,6% (n=6) dos adolescentes, destes, dois não utilizaram nenhum método para prevenir gravidez, três utilizaram um contracetivo oral e um, um outro tipo de contraceção hormonal. Apenas um terço (n=7) dos adolescentes sexualmente ativos referiram ter ido a uma consulta de planeamento familiar (seis do sexo feminino, um do sexo masculino); 44,0% (n=62) dos adolescentes não sabia em que consiste uma consulta de planeamento familiar. Relativamente à utilização da contraceção de emergência, três adolescentes referiram ter utlizado, e um referiu que a sua parceira o tinha feito. Uma adolescente de 15 anos tinha efetuado interrupção voluntaria da gravidez. Verificou-se associação estatisticamente significativa entre atividade sexual e o consumo de tabaco (ϰ2=18,270, p=0,000), álcool (ϰ2=9,908, p=0,004) e canábis (ϰ2=23,157, p=0,000) nos últimos 30 dias ou outras drogas ilícitas (ϰ2=17,516, p=0,003). Dos adolescentes sexualmente ativos, 23,8% (n=5) referiram ter tido relações sexuais sob efeito de álcool, canábis ou outras drogas ilícitas.

Contexto socio-ambiental:O consumo de tabaco e de canábis nos últimos 30 dias associou-se significativamente com o consumo no agregado familiar (ϰ2=10,768, p=0,001; ϰ2=27,220, p=0,000, respetivamente) (Gráfico_5) e no grupo de amigos (ϰ2=8,838, p=0,012; ϰ2=17,516, p=0,000, respetivamente) (Gráfico_6). O consumo de álcool nos últimos 30 dias associou-se significativamente com o consumo no grupo de amigos (ϰ2=53,030, p=0,000), mas não se verifica associação estatisticamente significativamente com a embriaguez frequente no agregado familiar (ϰ2=0,558, p=0,614). Nos três casos de adolescentes que tinham consumido outras drogas ilícitas, os amigos mais próximos também tinham consumido (ϰ2=32,951, p=0,000).

Verificou-se associação estatisticamente significativa entre retenções escolares e consumo de tabaco, álcool e canábis nos últimos 30 dias ou outras drogas ilícitas (ϰ2=8,290, p=0,005; ϰ2=4,939, p=0,024; ϰ2=12,142, p=0,001; ϰ2=5,939, p=0,038, respetivamente) (Gráfico_7).

Verificou-se ainda associação estatisticamente significativa entre as saídas à noite com amigos e o consumo de tabaco e álcool e nos últimos 30 dias (ϰ2=5,683, p=0,012; ϰ2=12,597, p=0,000, respetivamente) (Gráfico_8), mas não com o consumo de canábis ou outras drogas ilícitas (ϰ2=3,338, p=0,073; ϰ2=1,633, p=0,275, respetivamente).

A escolaridade do encarregado de educação não se associou significativamente com nenhum dos consumos (ϰ2=0,224, p=0,894; ϰ2=0,295, p=0,863; ϰ2=4,059, p=0,131; ϰ2=0,578, p=0,749 respetivamente).

DISCUSSÃO Constatamos que o álcool e o tabaco são as drogas legais e a canábis a droga ilegal mais consumidas na nossa amostra populacional, tal como tem sido descrito a nível nacional e internacional(2,4). Comparativamente à população espanhola (segundo o relatório do ESTUDES 2010, que inclui uma amostra de 31.967 estudantes entre 14 e 18 anos)(11), na nossa amostra, a idade média de início de consumo destas drogas foi aproximadamente um ano mais precoce (13,7, 13,5 e 14,7 comparativamente com 12,5, 12,8 e 13,5, respetivamente). Esta precocidade de início de consumos pode ter repercussão nos hábitos do adulto, pois o início prematuro associa-se a maior dependência, tanto na quantidade como na duração do consumo, o que leva a um aumento da morbi-mortalidade(1). É de salientar ainda a precocidade do início de consumo de canábis, que o início do consumo desta antes dos 16 anos tem sido associado ao desenvolvimento futuro de formas de consumo de droga mais intensivas e problemáticas(7). É fundamental que os profissionais de saúde, professores e família tenham consciência da importância da deteção precoce dos consumos destas substâncias, que a prevenção da dependência é tanto mais efi quanto mais cedo se deteta o risco(1). Dados os resultados obtidos, consideramos que a idade entre os 11-12 anos deve ser tida em conta na implementação das estratégias preventivas na nossa região.

Segundo dados do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência de 2012(7), Portugal é o quarto país europeu com uma prevalência mais baixa (15,1%) de consumo de canábis pelo menos uma vez na vida na população entre os 15 e ou 24 anos, ficando apenas à frente da Roménia, Grécia e Chipre; o país com a prevalência mais elevada é a Republica Checa (52,2%), seguida da Espanha, França e Dinamarca. De acordo com os dados do ESTUDES 2010(11), 17,5% da população espanhola entre 14 e 18 anos, tinha consumido canábis nos últimos 30 dias; na nossa amostra observamos um consumo nos últimos 30 dias de 4,3%, o que corrobora os resultados descritos. Apesar da proibição da venda de tabaco e álcool a menores, estes continuam a adquiri-los em estabelecimentos públicos, o que indica a grande acessibilidade e o escasso controlo da venda destas substâncias no nosso meio, com falta de cumprimento da norma vigente. Tendo em conta que a disponibilidade das drogas de abuso está descrita como um fator importante relacionado com o seu consumo, é fácil supor que nesta fase de vida, em que se unem diferentes fatores como curiosidade, busca de sensações novas e a pressão do grupo de pares, a probabilidade de se iniciar o consumo é muito elevada(1).

Nos últimos anos tem-se assistido a uma mudança no padrão do consumo de álcool, do padrão tradicional mediterrâneo, caracterizado pela vinculação do consumo às refeições e em contexto familiar para o padrão anglo-saxónico, em que se bebe muita quantidade, em curtos períodos de tempo em contexto lúdico extrafamiliar(1). Este facto também se constatou na nossa amostra, em que cerca de um quarto dos adolescentes que consumiram álcool no último mês, consumiram em pelo menos um dia, mais de cinco bebidas alcoólicas em apenas algumas horas.

No nosso estudo, o tabaco foi um preditor do consumo de outras drogas de abuso, tal como tem sido descrito(1); do ponto de vista preventivo, este dado é de extrema importância na medida em que os programas dirigidos à prevenção do consumo de tabaco possam ter repercussão na prevenção do consumo de outras substâncias.

Os consumos nos familiares ou amigos, as saídas à noite e o mau desempenho escolar associaram-se significativamente aos consumos dos adolescentes, assim consideramos fundamental conhecer o contexto socio-ambiental dos adolescentes, identificando grupos vulneráveis, nos quais estratégias de prevenção seletivas seriam recomendadas(4,10,12,13).

Relativamente à atividade sexual, diferentes estudos têm evidenciado um início cada vez mais precoce(14); na nossa amostra, 14,9% dos adolescentes tinham iniciado a atividade sexual, com uma idade média de 13,7 anos. Em Portugal, de acordo com o estudo Health Behaviour in School-Aged Children 2010(8), que inclui alunos de , e 10º ano, 16,9% referiram ter tido relações sexuais, o que é concordante com os nossos resultados. Ainda de acordo com o mesmo estudo, dos 29,0% dos alunos do 10º ano que tinham iniciado atividade sexual, a maioria (81,8%) refere ter sido com 14 anos ou mais. A precocidade da coitarca referida na nossa amostra pode dever-se a um viés relacionado com a inclusão de jovens de menor idade. No sexo feminino, a primeira relação sexual verificou-se mais tarde que no sexo masculino, o que corrobora resultados anteriores(9). Quase um terço dos adolescentes sexualmente ativos não tinha utilizado preservativo na última relação sexual. Este dado é preocupante pois, apesar de todos estes adolescentes terem educação afetivo-sexual e saúde escolar, a informação parece não ter sido exercida de forma a promover o comportamento adequado. Relativamente à consulta de planeamento familiar, 44% dos adolescentes inquiridos referiram não saber em que consistia. Este dado permite-nos inferir outros agentes (meios de comunicação social, amigos ou familiares) como principais responsáveis pela informação destes jovens, que pode ser inadequada e influenciada por crenças populares, contribuindo desta forma para comportamentos sexuais de risco. A associação signifi entre consumo de tabaco, álcool e canábis e atividade sexual tem também um papel importante nos comportamentos sexuais; estas substâncias podem reduzir a capacidade de discernimento e comunicação e fazer perder o controlo sobre si próprios, provocando uma falsa sensação de segurança no momento e muitos arrependimentos do dia seguinte. Um comportamento sexual seguro poderia ter prevenido os quatro casos de utilização de contraceção de emergência e o caso de interrupção voluntária da gravidez referidos.

CONCLUSÃO A precocidade de início de consumo de tabaco, álcool e canábis na nossa amostra é alarmante, pelo que consideramos que as estratégias preventivas na nossa região devem ser dirigidas às idades entre os 11-12 anos. O facto do consumo de tabaco ter sido um preditor do consumo de outras substâncias, permite-nos inferir que os programas dirigidos à prevenção do consumo de tabaco possam ter repercussão na prevenção de outros consumos. Os consumos nos familiares ou amigos, as saídas à noite e o mau desempenho escolar associaram-se significativamente aos consumos dos adolescentes, assim consideramos essencial conhecer o contexto socio-ambiental dos adolescentes, identificando grupos vulneráveis, nos quais estratégias de prevenção seletivas seriam recomendadas.

A nível individual, o profissional de saúde deve realizar sempre uma avaliação biopsicossocial global do adolescente de forma a detetar fatores de risco e fatores protetores e identificar os sinais de alarme(4,10). Verificamos também uma associação entre atividade sexual e consumos. Estes factos, juntamente com a precocidade da coitarca são preocupantes e podem desencadear as condutas sexuais de risco observadas (em que quase um terço admite ter tido relações sexuais desprotegidas). O desconhecimento relativo às consultas de planeamento familiar em quase metade da nossa população é também inquietante. A prevenção de condutas desajustadas deve ser parte integrante dos cuidados de saúde ao adolescente, seja nos serviços vocacionados para a Medicina do Adolescente, seja na Consulta de Pediatria Geral ou em Cuidados de Saúde Primários(4,10). As circunstâncias externas e exigências do meio ambiente são um claro condicionante dos comportamentos dos adolescentes(13), pelo que a implementação de medidas preventivas cabe não ao profissional de saúde, como também à família, à escola e à sociedade em geral(4).


Download text