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EuPTCVHe0874-02832013000300004

EuPTCVHe0874-02832013000300004

National varietyEu
Country of publicationPT
SchoolLife Sciences
Great areaHealth Sciences
ISSN0874-0283
Year2013
Issue0003
Article number00004

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Análise compreensiva de uma intervenção na ansiedade e depressão em doentes hospitalizados com insuficiência cardíaca

Introdução A Insuficiência Cardíaca (IC) é uma doença crónica na qual a dispneia, os edemas e o cansaço são os principais sinais e sintomas, o que faz com que as pessoas que a desenvolvem enfrentem um declínio progressivo e incapacitante da sua condição física e, nas fases mais avançadas da doença, sintam a sua vida muito limitada e até mesmo ameaçada.

As alterações no estado de saúde experimentadas ao longo da vida são desafios que se colocam a cada um, exigindo a mobilização de recursos pessoais para lhe fazer face. Dependendo da fase da vida, da magnitude da alteração verificada, dos recursos pessoais - quer próprios quer de interação com os outros e o meio -, estas alterações podem constituir-se em importantes mudanças de trajetória de vida e colocam a pessoa em situação de particular fragilidade. A ansiedade, enquanto emoção de tema existencial perante uma ameaça incerta, abstrata, simbólica e vaga, e a depressão, enquanto desesperança e desinvestimento em si e no futuro, representam duas das principais manifestações de sofrimento emocional face à doença e estão fortemente relacionadas com o prognóstico e a recuperação. Sabemos que a prevalência para toda a vida de transtorno mental em pessoas com doenças físicas crónicas é de mais de 40%, sendo em particular, transtornos de humor e de ansiedade (Sadock e Sadock, 2007). Esta alta prevalência justifica-se pelo facto de a pessoa, face a uma situação de doença, se confrontar com múltiplos potenciais fatores de stress como os tratamentos e a hospitalização, a dor e outros sintomas relacionados com a doença, a incerteza e a expectativa sobre a evolução da doença, a perda e a morte (Joyce- Moniz e Barros,2005).

As doenças cardiovasculares não são a principal causa de mortalidade no nosso país, respondendo por cerca de 40% dos óbitos (Portugal. Ministério da Saúde. Direção-Geral da Saúde, 2004), como podem ainda constituir-se numa longa trajetória de doença e encontram-se entre as principais causas de limitações funcionais, incluindo défices no funcionamento físico, emocional e social (Mcintyre, Fernandes e Araújo (2000). Do ponto de vista emocional, uma pessoa detentora de cardiopatia é constantemente confrontada com a intensificação da angústia de morte (Kubo et al., 2001), uma vez que o coração representa o motor da vida, e esta situação torna-se ainda mais angustiante quando numa fase mais avançada da insuficiência cardíaca se coloca a hipótese de transplante cardíaco (Simões e Jorge, 1995). Os estudos mostram que a prevalência de depressão entre os doentes com insuficiência cardíaca varia entre 15% e 36% e que estas variações estão relacionadas com as diferenças entre as populações estudadas, os métodos de diagnóstico e de classificação de depressão ou com os contextos em que foram realizados os estudos (Konstam, Moser e De Jong, 2005). Os doentes hospitalizados com insuficiência cardíaca apresentam, de uma maneira geral, valores mais elevados de depressão do que as pessoas com a doença estabilizada, mas também é verificada uma maior variabilidade nos resultados. Os estudos com doentes hospitalizados mostram taxas de depressão que variam entre os 13,9% e os 77,5%, enquanto que naqueles que têm a doença estabilizada a variabilidade é de 13% a 48% (Thomas et al., 2003). Apesar de devermos considerar que para esta ampla variabilidade de resultados possa contribuir os diferentes instrumentos de avaliação utilizados, bem como as diferentes metodologias de avaliação (questionários de auto- resposta ou entrevistas), e de que existe uma importante contaminação entre os sintomas da doença e as manifestações da depressão, os números apresentados alertam-nos para a dimensão do problema, pois excedem claramente a prevalência encontrada na população em geral. Uma vez que as pessoas com este tipo de doença oscilam, frequentemente, entre períodos de estabilização e períodos de internamento, a sintomatologia depressiva pode apresentar alterações em curtos períodos de tempo, dependendo do estado de saúde e da capacidade funcional da pessoa durante a hospitalização e nas 4 a 6 semanas após a alta (Thomas et al., 2003).

A depressão tem significativos efeitos cardiotóxicos no prognóstico, morbilidade e mortalidade dos doentes com insuficiência cardíaca. As pessoas com insuficiência cardíaca deprimidas, quando comparadas com as não deprimidas, veem aumentado o risco de mortalidade (36% vs 16%) e readmissões no hospital (87% vs 74%) depois de controlada a linha de base da função cardíaca, neuroticismo, sexo e idade (Hallas et al., 2011). Mais ainda, as pessoas deprimidas com insuficiência cardíaca estão duas vezes mais suscetíveis a morrer de morte prematura (Idem). Apesar do menor número de estudos sobre a prevalência da ansiedade no contexto da insuficiência cardíaca, os dados disponíveis sugerem que esta também é uma co-morbilidade comum, ocorrendo entre 18% a 45% das pessoas com a doença em ambulatório, o que, mais uma vez, excede os valores encontrados na população em geral. Por outro lado, estudos comparativos entre doentes com insuficiência cardíaca e doentes com outras doenças cardíacas, ou cancro, mostraram que os níveis de ansiedade encontrados nos doentes com insuficiência cardíaca eram igualmente altos ou ainda piores (Riedinger, Dracup e Brecht, 2002). Embora os estudos apresentem uma grande variabilidade nas percentagens de doentes com insuficiência cardíaca com ansiedade e/ou depressão, os resultados são expressivos e, se não detetados ou não tratados, contam para um custo adicional associado à insuficiência cardíaca.

A correta identificação dos doentes em sofrimento emocional com ansiedade e ou depressão constitui o primeiro passo para uma intervenção adequada. Para esta identificação podem ser utilizados instrumentos de medida de ansiedade e/ou depressão, não dispensando a avaliação confirmatória por entrevista (Smith, 2010). Para este efeito é necessário que os profissionais de saúde, nomeadamente os enfermeiros que de muito perto contactam com o doente durante a hospitalização, sejam capazes de distinguir entre as reações adaptativas de tristeza, comum nos processos de ajustamento à doença, e as de depressão, que necessitam de intervenção especializada. Também no que diz respeito à ansiedade é importante reconhecer as características qualitativas dos diferentes níveis de ansiedade e estabelecer intervenções dedicadas para cada um.

O tratamento farmacológico para a depressão pode ser difícil em algumas circunstâncias, nomeadamente após um enfarte de miocárdio ou de uma cirurgia cardíaca, dada a complexidade da patofisiologia da doença cardíaca (Pignay- Demaria et al., 2003). Por exemplo, os antidepressivos tricíclicos e os Inibidores da Monoamina Oxidase (IMAOS) têm efeitos cardiotóxicos e alguns Inibidores Seletivos de Recaptação da Serotonina (ISRS) interagem com outros medicamentos utilizados nas doenças cardiovasculares (Ai, Bruce e Berger, 2010). Assim, tem sido recomendado que, concomitantemente com o uso de ISRS seguros, se utilizem estratégias não farmacológicas para a redução da ansiedade e depressão neste tipo de doentes (Ai, Bruce e Berger, 2010).

Ao colocar-se a hipótese de que a realização de intervenções de apoio emocional melhora tanto o estado psicológico como o cardiológico do doente e ao verificar-se que existe uma relação entre a perceção elevada de controlo e a menor perturbação emocional (depressão e ansiedade), sugere-se que as intervenções que incidam neste aspeto possam ser benéficas para as pessoas portadoras de insuficiência cardíaca (Klein, Turvey e Pies, 2007).

No âmbito dos cuidados de enfermagem, os enfermeiros especialistas em saúde mental e psiquiatria são os que possuem competências específicas para cuidar de pessoas com perturbação mental, nomeadamente a incorporação de intervenções psicoterapêuticas durante o processo de cuidar da pessoa, da família, das pessoas significativas e da comunidade, ao longo do ciclo vital, visando a promoção e proteção da saúde mental, a prevenção da perturbação mental e o tratamento, a reabilitação psicossocial e a reinserção social da pessoa (Nabais, 2008). Por outro lado, a identificação deste tipo de sofrimento e a consequente intervenção têm sido relativamente negligenciadas pelos investigadores e profissionais que dão maior ênfase aos sintomas físicos (Mendes et al., 2003; Konstam, Moser e De Jong, 2005).

Apesar ter sido enfatizada a importância das intervenções não-farmacológicas para uma abordagem bem-sucedida às pessoas com insuficiência cardíaca que estão deprimidas e ansiosas (Konstam, Moser e Jong, 2005), não existe suficiente evidência empírica sobre quais as melhores intervenções nesta área, tanto pelo reduzido número de artigos científicos publicados com relato de intervenções, como pela dificuldade comparativa entre estes, nomeadamente no que se refere aos desenhos metodológicos ou à fundamentação teórica que os suportam (Lane, Chong e Lip, 2009). Assim, o objetivo deste estudo é analisar de forma compreensiva os resultados de uma intervenção para a redução da ansiedade e da depressão em doentes com insuficiência cardíaca grave hospitalizados e em situação de pré-transplante.

Metodologia Foi realizado um estudo de caso com o objetivo de descrever e analisar compreensivamente os resultados de uma intervenção de enfermagem de saúde mental em doentes em fase de pré-transplante cardíaco. Durante 4 meses realizou-se um plano de intervenção baseado numa abordagem comportamental racional emotiva (Ellis, 1995) a 10 doentes hospitalizados num serviço de Cardiologia de Tratamento de Insuficiência Cardíaca Avançada, de um Hospital Universitário, que revelavam queixas de ansiedade e/ou depressão moderada a grave. A amostra constituiu-se a partir da monitorização destes sintomas à entrada com recurso à aplicação de escala de medida - Hospital Anxiety Depression Scale (HADS) (Zigmond e Snaith, 1983) -, e através da referenciação da equipa multidisciplinar por observação de agravamento e/ou dificuldades de ajustamento. A estes foram dirigidas intervenções diárias e/ou sempre que necessárias, tendo em conta as seguintes orientações, de acordo com o modelo de intervenção preconizado por Ellis: desenvolvimento de aliança terapêutica e de relação de ajuda; ensino sobre a ligação entre pensamento, emoções e ativação fisiológica; ajuda no reconhecimento das ideias disfuncionais e na sua reestruturação; ensino de técnicas de redução da ansiedade e do reconhecimento de auto-controlo; promoção da esperança; e retorno acerca dos êxitos alcançados pelo doente.

Para este estudo, utilizámos para analisar os resultados das intervenções a análise das narrativas e notas de campo efetuadas, com recurso à análise de conteúdo. Esta avaliação teve como bússola orientadora, quer a forma como as pessoas se sentiam aquando da avaliação final, quer a análise das descrições do que, segundo as mesmas, se constituiu como um momento de ajuda para a sua melhoria e dos ganhos terapêuticos conseguidos.

A duração e número de intervenções efetuadas foram variáveis, constituindo-se num elemento de diferenciação importante para a análise.

Considerações éticas Este estudo foi apreciado pela comissão de ética do hospital onde foi realizado, tendo obtido um parecer positivo e a autorização pelo Conselho de Administração. A todos os participantes foi solicitada a participação voluntária, após esclarecimento dos objetivos da investigação e de como esta se processaria. Respeitando os princípios da não maleficência, foi dada particular atenção à supervisão das intervenções realizadas.

Resultados e Discussão Como foi referido, as intervenções foram sendo desenvolvidas à medida que a necessidade do doente se ia manifestando, quer através da identificação da sintomatologia por utilização de escalas de avaliação e posterior validação por entrevista, quer pela referenciação de membros da equipa de saúde ou a pedido do próprio doente.

Durante a intervenção relacional foram identificadas expressões de ansiedade sentidas pelo doente nas narrativas expressivas, como está refletido no seguinte excerto: Hoje a médica disse-me que tentaram fazer o desmame da prednisolona, mas que a PCR voltou a subir, e que me vão aumentar a dose de prednisolona novamente, e que me vai engordar, ficar com o cabelo fraco, ficar com estrias, ( ) vou ter de fazer análises todos os dias e dói muito ( ). Além disso quer dizer que não estou melhor, que o vírus ainda está e tenho medo que tudo aconteça de novo, tenho medo de morrer ( ) (NC1). Ou de sintomatologia depressiva, quando se considera o seguinte exemplo: Sabe que eu nunca disse isto a ninguém, mas aqui uns tempos (6 meses) tentei o suicídio, ( ). Não é fácil para uma pessoa que era tão ativo como eu estar assim neste estado. ( ) O que uma pessoa anda a fazer? (NC3).

Após a validação da existência de sintomatologia depressiva e/ou ansiosa dos doentes, estabeleceu-se um compromisso terapêutico e iniciou-se a intervenção baseada numa abordagem comportamental racional emotiva. Estas transcrições ilustram, de igual modo, dois focos de atenção nesta área: a identificação de pensamentos negativos (NC3) e a cascata de pensamentos ansiogénicos e consequente magnificação avaliativa (NC1).

De acordo com o diagnóstico efetuado e as necessidades terapêuticas, e considerando que as intervenções foram individuais, o seu número foi variável.

Identificação de ganhos terapêuticos As intervenções desenvolvidas visaram diminuir a ansiedade e sintomatologia depressiva nos doentes, proporcionando-lhes mais insight sobre a experiência por que estavam a passar. O insight emocional pode ser definido como o conhecimento ou visão do paciente sobre as causas de seus problemas, assim como o trabalho feito com determinação e energia, para aplicar este conhecimento à solução dos mesmos problemas (Ellis, 1995). Sendo que a vivência do sofrimento físico e psicológico imposto por uma doença crónica, como a insuficiência cardíaca em fases mais avançadas, gera depressão e níveis elevados de ansiedade (Joyce-Moniz e Barros, 2005) e considerando que a hipótese de transplante cardíaco torna, ainda, mais angustiante esta situação, deduz-se que uma vivência de sentimentos contraditórios, em que a ajuda para pensar e tomar decisões é muito importante.

Por outro lado, a compreensão do tema relacional da tristeza e da ansiedade ajudam o doente a viver melhor este momento transacional pois estas pessoas estão fragilizadas por uma doença física crónica que, em todo o seu percurso, requer uma adaptação em vários domínios das suas vidas, nomeadamente a nível emocional (Stanton, Revenson eTennen, 2007). Intervenções desenvolvidas, especificamente orientadas para o apoio emocional, centradas no doente e na compreensão da complexidade do momento transacional que estão a vivenciar, visam um ajustamento adequado. A identificação de pensamentos negativos e de distorções cognitivas, bem como o reconhecimento das competências de coping e o desenvolvimento de novas habilidades para lidar com as dificuldades, implicam um processo de reestruturação cognitiva e de capacitação da pessoa.

Relativamente ao desenvolvimento das intervenções, quando analisadas as narrativas dos doentes encontrámos diversos discursos que ilustram este processo, como por exemplo: Sinto que faz parte da vida (a tristeza) (N1) e Eu não sou um homem triste ultimamente é que tenho andado mais triste. (N2).

Estes dois excertos mostram como as pessoas foram capazes de pensar sobre a tristeza, primeiro passo para a poder compreender e aprender a lidar com ela.

Os excertos seguintes ilustram-nos esse trabalho: é preciso saber lidar com ela (N1) e basta que a saiba sentir e dominar de forma eficaz, positiva (N1).

A aprendizagem de técnicas de redução da ansiedade e acerca das ligações entre o pensamento, as emoções e o corpo, ajudaram os doentes a controlar melhor a ansiedade - É inacreditável como é que a ansiedade comanda o nosso coração, o nosso corpo todo. (NC3). A utilização de técnicas de respiração controlada, de estímulos distráteis ou de manipulação corporal são as mais referenciadas pelos doentes, como ilustram os seguintes excertos: Aprendi também para quando estou mais nervoso devo respirar calmamente (N2), aquelas técnicas ajudam um bocado para não estar sempre a pensar no mesmo, pois é isso que me deixa ficar cada vez mais ansioso (NC4), fechei os olhos tentei fazer aquela respiração e pensar na minha filha (NC4), Eu tento, controlando a respiração e pensando em coisas boas da minha vida. E olhe que isso resulta. (NC6), fazerem-me entender para eu pensar em coisas boas em vez de pensar no pior. (N4), consegui desviar a atenção do que me estavam a fazer e acabou por doer menos.

(NC9), As massagens ajudam muito a ficar mais calmo (N2), ... ajudaram-me a acalmar, porque sentir a presença, o contacto humano (N3) e tinha ajudado a acalmar e a adormecer. (NC10).

Como podemos ver por estes relatos, os participantes vão progressivamente conseguindo falar sobre a sua tristeza ou sobre a ansiedade como podemos ver por estes relatos, os participantes vão progressivamente conseguindo identificar as emoções de tristeza e/ou ansiedade, falar sobre elas e relacioná-las com a forma como pensam a situação em que se encontram.

Simultaneamente, começam, também, a encontrar algum controlo sobre estas emoções.

A aliança relacional é um instrumento terapêutico essencial. A ajuda advém, em grande medida, da possibilidade do doente poder contar com outra pessoa que o escute de forma empática e que o ajude a compreender o momento que vivencia e a escolher o melhor caminho. Empatia, confiança e disponibilidade são características da aliança relacional que se encontram expressas nas narrativas dos doentes. Assim, foram identificados alguns temas como unidades de análise, nomeadamente: clima de confiança - Sabe que eu, nunca disse isto a ninguém (NC3); Ter um enfermeiro de confiança, com quem comunicar é muito importante.

(N3); empatia - O conversar, partilhar o que nos preenche e saber ouvir é uma forma bastante eficaz (N1), Estabelece-se uma relação biunívoca e sinérgica (em que ambos lutaram no mesmo sentido) (N3); e disponibilidade - A paciência em explicar o que é o transplante foi determinante. (N3). A relação estabelecida foi igualmente valorizada e referenciada pela maioria das pessoas que participaram neste estudo tudo se tem ultrapassado com a ajuda dos enfermeiros (N2). O interesse e a dedicação demonstrada no ensino de técnicas de redução da ansiedade foi, possivelmente, entendido como uma relação especial, na qual existia a preocupação de ajudar a pessoa a resolver um problema teve o efeito do divã de Freud (N5).

Identificação dos benefícios pelos participantes Nas narrativas produzidas pelos participantes, para além da descrição sobre o processo relacional, encontram-se indicadores de avaliação de resultados.

Após a realização do plano de intervenções desenvolvido, verificou-se que os participantes relataram melhorias até chateei demais, mas ajudou a desabafar. (N2), uma sensação de paz e tranquilidade. (N3), deixou-me muito nervoso, mas agora aceito melhor. (N4), Eu não estou tão nervoso. (N6) e Ainda me sinto ansiosa, embora menos. (N7). Ou ainda, no que se refere à sintomatologia depressiva e à aliança terapêutica, expressaram: Obrigado Sr.ª Enfermeira é bom encontrar alguém que nos força quando estamos desanimados... (NC9); Eu luto com você para a minha saúde e felicidade ( ) (N6); e Tudo me parecia muito complicado, com a sua orientação, vou mais confiante (NC3).

Conclusão No estudo desenvolvido, perante a necessidade de cuidado emocional identificado, desenvolveram-se intervenções de enfermagem especializadas de saúde mental que se mostraram úteis no melhor ajustamento do doente durante o seu internamento. Estas intervenções possibilitaram a revelação de temores e sobressaltos dos participantes, assim como, a aprendizagem de como controlar melhor o seu corpo e os seus pensamentos, as suas expectativas e as suas atitudes, pois acredita-se que estas condições exerçam um papel muito importante no ajustamento emocional da pessoa à doença.

De acordo com a teoria e a evidência empírica pode-se deduzir que a criação de equipas multidisciplinares, onde existam enfermeiros especialistas em saúde mental, competentes para fazer planos de ajustamento emocional para a pessoa com insuficiência cardíaca, e dos quais se tornariam responsáveis, iria gerar benefícios e incrementar a melhoria da qualidade de vida destas pessoas. Por outro lado, todos os enfermeiros devem estar preparados para ver não a doença física, ignorando as nuances e os dramas da experiência humana, pois tal abordagem limitada tende a enfatizar mais as doenças do que as pessoas que delas padecem. No entanto, as intervenções terapêuticas que visam o ajustamento emocional no adoecer possuem vários graus de diferenciação e é necessária formação especializada para uma intervenção benéfica. Assim, este estudo pretende contribuir para a compreensão das intervenções de enfermagem que mais se adequam às necessidades emocionais da pessoa com insuficiência cardíaca.

Apesar dos resultados sugerirem uma redução da ansiedade e da sintomatologia depressiva, não é possível atribuir de forma inequívoca tais melhorias às intervenções realizadas. No entanto, permite-nos ter uma análise compreensiva da importância atribuída à aliança terapêutica e ao reconhecimento pelos doentes do seu benefício em geral.

Neste sentido, recomenda-se a realização de mais estudos com aplicação do plano de intervenção em amostras mais alargadas, bem como a utilização de um grupo de controlo para que se possa validar a sua eficácia.


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